Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Bom Ano!

Em nome de toda a família, deixo aqui os nossos votos para que o ano de 2011 seja um ano de Paz.
É nosso desejo que todos possam viver em Harmonia uns com os outros, na Plenitude do seu próprio Ser, em respeito para a sua própria natureza e a dos outros, em liberdade e igualdade. Que todos em conjunto, possamos dar mais um passo na direcção da plena consciência que todos somos UM.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Solstício de Inverno e Lua Cheia em Sagitário...

Na próxima terça feira, dia 22 de Dezembro, será novamente dia de Solstício - o dia mais curto do ano, a noite mas longa... Tradicionalmente sempre foi um dia de festa, de celebração da Luz, porque a partir do Solstício do Inverno, o Sol dá a volta e os dias começam a crescer!

Este ano, o dia é ainda mais especial, porque coincida com a Lua Cheia do dia 21, o que acontece só uma vez em cada 19 anos. Se é verdade que a Lua Cheia traz bom tempo, teremos pelo menos um vislumbre do que será das Luas Cheias mais luminosas do ano! Na manhã cedo do dia 21, terá lugar um eclipse lunar, o que faz da ocasião um momento triplamente interessante - parece que a última vez que isso aconteceu foi em 1648 ;) Com bom tempo vamos poder ver, na manhã do dia 21, a coloração típica da Lua em noites de eclipse - que pode ir de cinzento rosado a laranja viva.

O Sol estará em Sagitário - a Lua em Gémeos... o pensamento que forma a base da meditação deste mês será: Vejo o objectivo. Alcanço o objectivo e vejo um outro.
O Sagitário direcciona os nossos pensamentos  e os nossos sentimentos para novos objectivos,  mentais e espirituais. Um só objectivo pode surgir mais claro do que outros, e podemos perceber a que aspira a nossa alma.
O que podemos chamar " o nosso caminho" , é o objectivo da nossa personalidade, que anseia poder realizar-se numa dimensão mais elevada, onde mais Luz e entendimento estarão disponível. Enquanto Sagitário te pode mostrar este objectivo, ele, tal como qualquer bom arqueiro, pede equilíbrio - a mão segura, o olhar seguro, a atitude serena. A meditação é um método  de treino da mente que pode oferecer acesso a este equilíbrio.  Aumentando a concentração e capacidade de focagem, a capacidade de introspecção cresce, bem como a sensibilidade para os sinais da alma.

O signo do Sagitário faz-nos sentir o desejo de alcançar uma espiritualidade elevada, a iluminação - sabemos que é uma característica da pessoa iluminada,  ter sentido de direcção, e ser guiado pelo seu Eu Superior. Nestas pessoas, é constantemente activo o desejo de unificação da personalidade com o Plano Divino. No final de contas, o objectivo do Sagitário é exprimir a Sabedoria e o Amor. É um objectivo sem interesse pessoal, mas dedicado ao bem-estar de Tudo que É.
As características de Sagitário - o direccionar para um ponto, a actividade focada, a libertação do desejo pessoal - encontram-se nestes dias de Lua Cheia opostos a Gémeos, signo da fusão, da unificação entre Amor e Sabedoria, do equilíbrio entre os opostos.
Nesta meditação da Lua Cheia - momento em que a Luz do Sol (masculino) nos chega através da Lua (feminina) focamos este equilíbrio, necessário para ter capacidade de pontaria - o Sagitário é retratado como arqueiro num cavalo branco, ou mesmo um centauro com arco e flecha (meio homem/meio cavalo). É um símbolo do Ser Humano que se direcciona para objectivos espirituais, e se liberta da identificação com a sua forma física.

Haverá uma meditação /cerimónia no dia 21 de Dezembro às 18.00h, no Cromeleque dos Almendres, (Guadalupe - Évora) para quem tiver vontade de partilhar o momento, apesar do frio e - provavelmente, embora esperamos que não - da chuva. Como o período do Solstício e da Lua Cheia se estende por três dias, a meditação da quinta-feira, dia 23, vai ainda retomar a mesma temática - mas agora numa sala aquecida ;)
Faço votos que todos possam usufruir das energias auspiciosas numa boa meditação!

sábado, 11 de dezembro de 2010

O Fogo Sagrado

 The longest night, by Marcus Rudolph
É inverno... e se o frio ainda não aperta, já temos noites compridas - às cinco e meia de tarde anoitece e temos que esperar quinze horas para vermos a luz do dia novamente.
Todos os anos, quando os dias se tornam curtos, lembro-me do Madeiro de Natal que conheci quando vivíamos na Beira Baixa ... Uma fogueira enorme, ritualmente acesa numa praça no centro da povoação, na noite da Consoada.... Lume que chama famílias, grupos de amigos, vizinhos, para se juntar à volta dele e se aquecer na noite fria, para se iluminar na noite longa. Uma noite de partilha, em que todos exprimem o desejo que os outros estejam bem de saúde e feliz.
A força e o calor do fogo fazem parte da nossa natureza humana, como faz parte da Natureza da Mãe Terra: Fogo, Terra, Água e Ar - num jogo constante de procura de equilíbrios - definem a meteorologia, a composição da matéria, a energia, o espaço, o tempo...
Conhecemos várias formas de Fogo: o Fogo primordial, vindo do Avô Sol; o Fogo no coração da Mãe Terra; o Fogo vindo do relâmpago; o Fogo contido na lava, a partir da qual as pedras são formadas; o Fogo que queima a madeira; e o Fogo dentro de cada um de nós, que é a chama eterna do Grande Mistério, a nossa força vital e espontaneidade.

Assim como é em cima, é embaixo; assim como é dentro, é fora...o Sol encontra-se no Céu, e ele se encontra também dentro de cada um de nós. No centro energético do plexo solar, localizado na zona central do corpo podemos encontrar o nosso Sol Interior. Quando irradiamos o nosso carinho e amor para os que nos rodeiam, permitimos o Sol do Céu de brilhar através do nosso.
A força do Fogo em nós é a nossa vontade de viver, o nosso desejo de amar e ser amado, a nossa necessidade de ter companhia humana, calor humano. É a nossa força física, a nossa espontaneidade, a nossa força criativa bem como a força que alimenta os sonhos curativos.

A paixão física, por sua vez, nasce na nossa ligação ao Fogo no Coração da Mãe Terra. É uma forma de fogo que incendeia os nossos corpos, permitindo que nos exprimimos através da criação: sexualidade, criatividade, acções espontâneas. Se trazemos o amor da Mãe Terra para cima, através dos nossos pés, deixando que sobe até ao nosso centro solar, para se encontrar com o fogo interno do Avô Sol, conseguimos uma forma de criação interior: a União Divina entre o masculino e o feminino. (Para ler mais sobre o encontro entre o Pai e a Mãe, através da respiração, veja aqui)

Quando a nossa ligação com a Mãe Terra enfraquece, esta união dos dois Fogos deixa de ter possibilidade de alimentar os nossos corpos com o Fogo Sagrado.... podemos ficar doentes. Isto pode acontecer com pessoas que vivem num ambiente hóstil à natureza humana, por exemplo uma cidade grande. As pessoas podem sentir a necessidade de se proteger, fechando sobre si próprios para sobreviver ao stress do trânsito e do trabalho; aos problemas alheios com que estão confrontados mas os quais não podem resolver ou evitar; à poluição sonora, ou à atenção indesejada vindo de pessoas que não querem conhecer. Acontece muitas vezes que estas pessoas se fecham para os estimulos vindo de fora - desligando também a ligação com a Mãe Terra. O espaço privado destas pessoas vai diminuindo, e as raízes energéticas que normalmente fornecem energia vindo do fogo da Mãe Terra, vão deixando ter a capacidade de alimentar o corpo.
É uma situação favorável para a desconfiança, o medo e a ansiedade, para a sensação de solidão e de estar separada da vida... que só podem ser curados se a ligação com a Terra se restabelece. A partir daí, também a ligação com os outros pode ser refeita - e levada para outro nível.

Quando abafamos a nossa natureza humana, e não respeitamos a nossa necessidade do calor que vem do Fogo Sagrado, o corpo vai ficar com partes frias. Rapidamente o corpo vai esquecer de enviar o seu próprio fogo interior para as partes que necessitam de atenção, calor, amor. As partes do corpo que abandonamos, ficam livres para que desconforto e dor se instala - ou até mesmo doença.

O Fogo interno nutre e protege o nosso Ser - tal como a Mãe Terra nutre  e o Pai Céu e Avô Sol protegem. Se permitimos a união do Fogo Sagrado em nós, podemos chegar novamente ao nosso estado natural - que é um estado de equilíbrio perfeito. Neste estado, o Fogo do nosso espírito será reforçado e a ilusão de tempo e espaço pode ser quebrado, permitindo que o espírito viaja livremente - sem medo de não poder voltar, em ligação plena com Tudo que É.

O Fogo Sagrado faz nos lembrar que todo É e tudo tem a sua origem no Grande Mistério, que é a Fonte Original.  O Fogo da Criação vive dentro de nós - e dentro de todos com quem relacionamos.
E o abraço fraterno ao lado da fogueira de Natal, quando desejámos a todos felicidade, boa saúde e abundância, pode ser oportunidade de passar por mais uma iniciação e sentir o Grande Mistério...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Motivos de preparação para o Natal, a festa da Luz...

Todos os anos, por esta altura, faz-se a mesma pergunta aos mais novos : Portaste bem este ano, para poderes receber presentes?
Será isso a que foi reduzido o Natal? É isso que transmitimos aos mais novos como a essência da festa?
Estamos já tão longe dos ritmos da natureza, que mal lembramos porque o ser humano acende fogueiras no inverno e decora árvores... a historia contada pela igreja não consegue tocar a todos; os mitos são histórias do passsado; e o que o capitalismo cultivou, provoca náuseas a muitos.
Muitos procuram dar significado a uma festa que sabemos de partilha e de convívio - e a procura leva invariavelmente para as raízes que se perdem na história, numa altura em que o Ser Humano ainda não se tinha alienado da Mãe Natureza.

Uma das festas mais importantes para os povos antigos era celebrada pela altura do Solstício do Inverno. Começava no Solstício, no 21 de Dezembro, com o dia mais curto e a noite mais longa do ano. A partir do dia 21, o Sol não prossegue mais para o Sul, e os dias não se encurtam mais. A partir do terceiro dia, o curso do Sol vira-se novamente para o Norte e os dias começam a aumentar. É nessa noite, de 24 de Dezembro, que celebramos a Noite de Natal... noite em que a Luz Divina nasce novamente para iluminar a todos.
Ao Natal segue-se um período de 12 dias e noites - até 6 de Janeiro - em que todas as noites podemos receber um sonho...em cada uma das noites, um sonho sobre cada um dos meses do ano que vem.
São mensagens enviadas pelos Céus, alimento espiritual, uma indicação do ritmo em que vamos poder trabalhar, de acordo com o Grande Plano cósmico. É aconselhavel, neste período, tomar nota dos sonhos que chegas a receber na tua memoria consciente...

A festa da Luz e da Iluminação Divina não está a ser limitada pelo período que agora conhecemos como o Natal. O conjunto de rituais e cerimónias pelos quais o Ser Humano acompanha o ritmo da Natureza, e que tem o seu ponto alto na noite de 24 de Dezembro, começa a 11 de Novembro (São Martinho), em que se festeja as colheitas e as riquezas que a Natureza deu, partilhando o novo vinho. A curva é acendente até ao Natal, em que celebramos o Amor e Luz Divina, oferecendo sinais do nosso apreço aos próximos. E como celebramos também que a Luz é para todos, procuramos fazer o bem aos outros, partilhando a nossa comida. Natal é seguido pelas 12 Noites mágicas, a última das quais celebrada a 6 de Janeiro (dia de Reis). A festa final é no início de Fevereiro em que se celebra que a força da Terra acorda novamente para se juntar ao ritmo do novo ano (dia 2, festa da Nossa Senhora das Candeias!).

Já há muito que estamos a perder o contacto com o significado das festas do Inverno. Começa a ser difícil reconhecer a ligação entre as festas e rituais, porque o ritmo que a nossa cultura quer impor à nossa vida, vai encurtando a visão do conjunto. A focagem está no ponto alto - Natal, ou a passagem do ano - e perdemo-nos nos pormenores destes dias. Consequentemente, os sentimentos que estavam na base da festa, correm o risco de serem corrompidos - deixando espaço para que entram "prazeres" mais carnais e duvidosos que se inclinam para a ganância, a gula, a luxúria. Havendo cada vez menos enquadramento, o significado do dia em si vai se perdendo e a festa em si, vai perdendo a profundidade e intensidade que podia ter.

Muitos sentem que é altura de inverter este caminho e renovar a sua ligação com o ritmo da Natureza. Podemos começar, olhando para trás para a colheita do ano. Vamos preparar o que colhemos, para que se possa conservar - e para que possamos alimentar-nos até a Terra ter aproveitada o seu período de descanso e estar pronto para fornecer alimentos frescos. É importante trabalhar a colheita para a sua boa conservação. Para isso é necessário reconhecer a nossa colheita, saber como lidar com os frutos do nosso trabalho. Qual é a função de cada parte para o nosso bem-estar global?
Eo que temos ainda em armazém, conquistas do passado? Avaliamos se ainda podemos aproveitar de certas partes. Talvez seja melhor para um desenvolvimento saudável e positivo do nosso Ser,  libertar-nos de algo que conservamos, mas que passou o prazo...
Por isso, a preparação para a festa da Luz implica escolhas, que só nós podemos fazer para nós. Se nós não escolhemos, alguém escolha por nós e vai obrigar a um caminho. Ao fazermos escolhas conscientes, o Mundo vai reconhecer nos como sendo livres na nossa acção. Damos forma à nossa consciência, mostramos o que são os nossos objectivos, mostramos quem Somos.

O Advento - que nos vai levar ao Natal - é um periodo de introspecção, dedicado a lembrarmos de onde viemos. Tempo de reconhecer as nossas raízes, para podermos ter uma visão global sobre o caminho que já fizemos. Uma altura de decidir que direcção queremos tomar a seguir, no ano que vem. E essas escolhas, essas decisões preparam o nosso Ser para o Natal, festa da Luz, o acender de uma vela nova que ilumina a nossa árvore de vida.
A festa do (re)nascimento da Luz, o advento de um novo mundo, de uma nova harmonia!

Todos nós somos portadores da Luz, e caminhamos conscientemente, tal como os três Reis Magos fizeram. Os Reis Magos: sábios, iniciados, videntes... que conseguiram ver além das dimensões físicas, que conseguiram ver a Alma Divina como uma estrela. Que viram e seguiram a Estrela do Cristo. Caminhando com eles, podemos receber os 12 sonhos...e com eles, no dia 6 de Janeiro celebramos a festa dos Reis, festa dos três presentes: incenso para fortalecer o espírito, mirra para apoiar o autocontrolo e purificar o sistema nervoso, ouro para o aperfeiçoamento.


Não faltam motivos para dedicar-nos e preparar a mente e a alma para o Natal. Talvez o mais importante é reconhecer a noite e a escuridão em nós próprios, os momentos em que perdemos contacto com a terra por baixo dos pés - quando o Sol já não se parece mover, chegará o nosso nascimento na Luz, na festa que celebramos como o Natal, nascimento do Cristo.
É uma salvação da escuridão que só podemos experimentar no Aqui e Agora - quando estamos em sintonia com o que nos rodeia, livres da pressão do passado e sem expectativas sobre o futuro.
Celebrar o ritmo da Natureza ajuda-nos a reconhecer padrões em nós próprios, renovar a nossa natureza humana, renascer através da Luz....

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Meditações para Dezembro

O Inverno é, por excelência, o período em que nos retiramos - junto da família, ao pé da lareira, dentro do nosso lar... Altura própria para introspecção... o prazer de uma meditação tranquila, olhando para as chamas da fogueira...

Os dias vão encurtando cada vez mais, até à noite do Solstício, que será a mais longa do ano. Chegará a Festa da Luz, em que as fogueiras iluminam a noite à espera que o Sol vira, para que a Luz volta para iluminar o Mundo.
Na nossa cultura festejamos o Natal, o nascimento de Jesus, Filho de Deus. É uma festa de boas-vindas à Luz Divina na Terra, uma oportunidade para abrir o nosso coração e sentir o Amor Universal que flui da Fonte para todos que se dispõem para o receber.

Tradicionalmente, o mês de Dezembro é o mês do Advento - em que prepararmos mente e alma para poder receber a Luz. Avaliamos o ano que se passou; o que contribuimos para a construção do bem-estar, para a harmonia entre todos? Aonde chegámos no nosso caminho? Quem sou, o que tenho para oferecer ao mundo? Agradecemos as bençãos que a Vida nos deu; agradecemos os ensinamentos que recebemos, e oferecemos sinais do nosso apreço e afeição aos nossos próximos. É a altura do ano em que tomamos consciência dos laços que nos unem - não só aos familiares e amigos, mas também a quem sofre, a quem tem necessidades, a quem está só.

Sentindo também a necessidade de me retirar, para introspecção e avaliação do ano que passou, vou limitar as minhas actividades em Dezembro.
Não vou parar completamente:  nos dias 2, 9, 16 e 23 de Dezembro (sempre na quinta-feira às 18.00h no local habitual) os temas acima mencionados serão focados nas meditações.

Na quinta-feira 30 de Dezembro a meditação será na forma de uma sessão de sons. Todas as contribuições desta sessão reverterão para a Assistência Médica Internacional.

Em Janeiro, o horário normal será retomado.
Desejo a todos uma boa caminhada para a Luz.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Meditação da Lua Cheia

No próximo Domingo, 21 de Novembro, celebramos novamente a Lua Cheia. Com o Sol ainda em Scorpião, a preparar-se para entrar em Sagitário, a Lua Cheia vai se encontrar no signo do Touro.

O signo do Scorpião é o signo por excelência que estimula mudança, tanto na vida individual das pessoas como na vida colectiva.
No tempo em que vivemos, somos desafiados,  ao nível individual e colectivo, de deixar os caminhos antigos para aceitar novas energias que nos chegam do Universo. Há um chamamento para renovação, "Time for Change" - mas onde ainda há o antigo, o que é novo não pode entrar. Scorpião traz o poder de puxar para o centro da atenção e da consciência, tudo que é antigo, tudo o que está escondido nos confins da memória, o que nasceu num passado remoto. Falamos de hábitos e atitudes mentais erradas mas enraiazadas, baseadas em emoções destrutivas como inveja, concorrência, medo. Scorpião provoca uma pressão interior pesada, "forçando" uma saída do caminho antigo. É o signo das Grandes Tormentas.
Estas tormentas tem, de resto, a sua origem no nosso interior. Num certo momento começa a crescer um descontentamento com a vida e as circunstâncias em que se vive.  A sensação torna-se tão presente que se começa a sentir uma vontade de irradicar tudo que impede crescimento e expansão - e transformar a energia antiga num modo de vida mais elevada, mais espiritual. Por isso, Scorpião também é o signo das Grandes Vitórias.

Signs of the Zodiac by Josephine Wall: Scorpio
No seu oposto, a Lua Cheia encontrar-se-ia no signo do Touro, convocando-nos para procurar um equilíbrio particular. O Touro traz consigo a capacidade de ver o alvo com clareza e confere eficâcia. O Touro vê - e quando o Olho está aberto, a Luz pode entrar. É o signo do crescimento da Luz da Alma.

Sob a influência do Touro as experiências interiores são directamente reflectidas na vida práctica, estimulando assim uma nova ligação entre a nossa Alma e a nossa Personalidade.... O par Touro-Scorpio pede o tudo-ou-nada numa auto-avaliação honesta, uma revisão de normas e valores, transformação, libertação.... e em consequência disso, a entrega da tua vida ao teu Ser Superior.

A meditação da Lua Cheia terá lugar no Cromeleque dos Almendres, em Guadalupe - Évora, no dia 21 de Novembro, a partir das 17.00h.
É costume para quem queira participar,  trazer uma oferenda ao sítio (um pau de incenso, uma flor, uma pedrinha, um pouco de água, ou o que sentir como adequado).
A contribuição para a ceremónia em si, fica à consideração de cada participante.
Se conhecer pessoas que possam estar interessadas em participar, por favor, encaminha a mensagem.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

É agora que podes fazer o passo e sentir o Amor Incondicional

Há momentos em que nos estendemos para assuntos fora das occupações, trabalhos e esperanças diárias, momentos em que conseguimos ligar-nos à materia prima da vida...

Podemos perder-nos num pôr-de-sol espectacular, e a nossa consciência aumenta, misturando-se com as próprias cores do ceu. Talvez também te acontece, ao ouvir uma melodia, que sentes o teu ser todo a começar sincronizar-se com a vibração dos sons. Quando estás a desenhar, ou cozinhar - e te sentes um com o que estás a fazer, para poder ter o resultado mais harmonioso. Ou quando olhas nos olhos de alguém - e notas que estás a testemunhar o infinito. São momentos em que reconhecemos a nossa propria grandeza, quando tomamos conciência da nossa verdade mais profunda. Momentos em que vamos além da forma física, tocando no amor infinito da harmonia do universo... momentos em que a nossa propria criatividade se manifesta - em que o Divino se mostra.

A nossa imaginação é muitas vezes limitada por rotinas, hábitos, comodismo, tradição. E mesmo quando percebemos algures, através da intuição, que deve haver mais, temos a tendencia de focar-nos na realidade exterior, aquela realidade papável e visível com os olhos físicos, porque estamos mais habituados a ela. Mas há momentos em que conseguimos uma ligação com a nossa consciência mais profunda, a nossa realidade interior, a nossa verdadeira natureza! Estes momentos são muitas vezes provocados por circunstâncias que forçam a nossa atenção para ficar mais focada - um encontro, uma experiência dramatica, um ambiente visual ou auditivo espectacular.

Mas não precisamos de esperar até as circunstâncias nos fornecem os desafios para aumentar ou estimular a nossa consciência. Podemos cultivar a nossa ligação com a vida na sua totalidade, abraçando simplesmente a beleza da nossa essência, mantendo a consciência focada no ritmo do nosso coração. Permitindo o nosso Amor de fluir naturelmente e sem limites, começamos a ter uma experiência do mundo a partir de uma perspectiva conjunta, em que o amor está sempre presente. Quanto mais practicamos, mais fácil se torna. É o Amor Incondicional em acção, e é o que traz significado profundo para a nossa existência.  Os nosso passos, as nossas escolhas, são só nossas. Podemos continuar a viver em reacção a situações originando no exterior... podemos continuar a aceitar condições baseadas em definições estreitas e limitadas pelas experiências do passado. Também podemos libertar o nosso potencial ilimitado, e exprimir esse potencial, deixando que esse Amor Incondicional seja a nossa intenção principal e condutor. Basta ter atenção, curiosidade, e sentir admiração para o mundo e as pessoas a tua volta.


Texto baseado em Harold W. Becker, em: "The Oneness of Love"

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

11-11

Nos últimos tempos, muitos de nós têm passado por uma evolução acentuado. Em conjunto  - aqui em Évora, e com todos que se dispõem de abrir o seu coração para que possa fluir o Amor Universal em benefício de Tudo que É - trabalhámos intensivamente e isso está a contribuir para o aumento da frequência vibratória do planeta. Talvez já sentiste algum sintoma; pode ser que sentes mudanças acentuadas entre cansaço e vitalidade. Isso pode acontecer porque ainda é difícil manter a nova frequencia, mais alta e mais súbtil, e facilmente caimos de volta em padrões ligados à frequencia antiga, mais baixa e mais densa. No entanto, também já deves ter notado que é cada vez mais fácil libertar os padrões antigos e restaurar o nível energético. Já não é a intenção ficar preso a o que foi. Os padrões de comportamento e reacção antigos foram vividos o suficiente para deixá-los para trás. Agora chegou a altura de ser livre, de poder escolher sem cargas emocionais pesadas, escolher um caminho próprio e autentico.
Podes sentir que os sincronismos aumentam, que cada vez mais estás no momento certo no sítio certo, o que dá uma sensação de riqueza, de confiança na vida. Tu fazes parte do destino, a tua vida está a ser assegurada através da tua ligação com a Fonte de Tudo que É.
Todos estamos ligados à Fonte, fazemos parte da Divina Criação. Através da nossa ligação à Fonte de Tudo que É, estamos ligados uns aos outros.
Tudo isso faz parte do processo de transformação da Terra.
As ligações são como uma rede, uma epécie de matriz, uma teia luminosa em que tudo esta em contacto. Com o aumento da consciencia de tantas pessoas, com o aumento da frequencia vibratoria da Terra, a matriz está a ser restaurada e activada, o que estimula os sincronismos.
O que tem acontecido também, é a re-abertura da ligação entre os chakras do plexo solar e do coração, estimulando o fluxo livre da energia do Amor e da Compaixão. Ao mesmo tempo, as linhas de comunicação com as outras dimensões começam a abrir-se, o que em si pode ser um estimulo para te virares mais para dentro, para os teus próprios canais de recepção e envio...

Segundo informação de lados diversos, sabemos que no dia 11-11-2010 um portal cósmico se vai abrir.
Esse portal será um canal directo com nosso Eu Superior,  uma oportunidade de crescimento interior. A energia que vai fluir através do portal, marcará o fim da dualidade e significará a abertura para a Unidade, que é nossa Essência Divina. Será assim uma oportunidade de assumir-te como Ser Humano que És, criado à semelhança de Deus. Em igualdade com todos os outros, livre para amar e ser amado, sem limite, sem condições prévias.
À volta da Terra vão estar pessoas como nós, em meditação e de coração aberto, para sentir a União com Tudo que É.  E a volta da Terra correrá uma onda de Amor, em benifício de todos os seres, sem excepção.
Convide-te para te juntares na meditaçao global que decorrerá a partir do dia 11, e durante 11 dias, à volta do globo. No dia 11-11 estaremos na Associação Oficinas da Comunicação para iniciarmos o ciclo.  Se não tiveres oportunidade de estar fisicamente presente, podes juntar-te em espírito - somos todos UM, independententemente da distância a que nos encontramos!

Cristal do Amor

Durante anos, tive um pedaço de quartz rosa em cima da prateleira sem dar muita atenção a ele. Era cor-de-rosa pálida, uma cor frágil, suave, muito ligado ao meu conceito de "menina". E o meu desejo era ser forte, queria reconhecer-me em cristais de cores fortes, com impacto directo. Não desejava ser vulnerável, porque associava isso com fraqueza.
Assim fui admirando o quartz rosa, mas à distância, sem querer identificar-me com ele, até chegar a um ponto no ciclo da minha vida em que passei por dificuldades que me fizeram sentir mesmo frágil e vulnerável. Estava muito consciente das minhas falhas, dos meus erros, do caminho sem saída que tinha trilhado.
Precisava de sentir uns braços à minha volta, um colo onde pudesse ser acolhida, uma voz que me podia dizer: chora, não faz mal, descanse. Aqui, o quartz rosa começou a apelar e chamar a minha atenção. A cor rosa pálida já não me afligia, já não era uma ameaça à minha força - que de resto, não sentia que tinha.
Comecei a sentir que podia ser mais suave e mais tolerante para mim mesmo - que a auto-critica constante não me atinha ajudada a ver as dificuldades em proporção, mas tinha me levada a considerar-me incapaz e impotente para fazer alterações a minha vida. Era altura de voltar a lembrar-me que também eu mereço o meu amor incondicional.

O quartz rosa emana a vibração da aceitação, do amor incondicional, e apoia-nos quando precisamos de abrir o nosso coração para poder receber Amor Puro. É uma consolação para corações em sofrimento, um lembrete para quando me esqueço que é fundamental saber sentir, e que para isso é necessário aceitar a vulnerabilidade, os pontos difíceis.
Quartz rosa apoia o chakra do coração em abrir-se para todas as formas de Amor - incluindo para a beleza e a serenidade. Abrindo o coração para o Amor, a auto-confiança aumenta, bem como o auto-conhecimento, auto-estima e consciencia de ti. Assim, ajuda ultrapassar medos, preoccupações e tristezas ou situações de stress.
A energia do quartz rosa é suave, consolador, e dá conforto, pelo que te sentes suficientemente seguro e amado, para poder exprimir as tuas emoções.

Quando te sentes triste, inseguro, só ou não amado; quando sentes que não tens a capacidade de te dar o amor que precisas, ou quando notas que estás prestas a afogar-te em auto-comiseração, podes pedir apoio a Quartz Rosa... segurando na mão ou pondo no chakra do coração...sentindo como o Amor (do cristal) começa a fluir na tua direcção.... 

amor, apego e aceitação

Os Mestres ensinam que o Amor Incondicional é meio para a cessação do sofrimento - e que o apego, por sua vez, é fonte de sofrimento, contrariando o desejo de felicidade.
O que todos os seres humanos parecem ter em comum, é o desejo de amar e ser amado. Faz parte da sua procura da felicidade e é motivo para muitos dos esforços que ao longo da vida se vão fazendo para ser livre de dor.
"Amor" é uma palavra grande e poderosa, com um significado ainda maior e mais poderosa. Parece-me que todos reconhecem o sentimento - e sabemos como nos sentimos bem, quando vivemos um amor sem segundas intenções, livre e aberto. O Amor nasce ao lado da Compaixão e ambos os sentimentos caracterizam-se pelo desejo subjacente que o outro possa ser feliz, e satisfaz-se por ver que o outro fica melhor.
É a capacidade de dar, de partilhar, sem esperar nada em troco... e quem já experimentou, talvez se lembra de sentir o fluxo energético para fora, transbordando do coração como se fosse um rio que percorre o nosso sistema. Um rio cuja fonte não seca, que nos preencha com o mesmo Amor, enquanto o deixamos fluir para o outro.

Ao qualificar o Amor e Compaixão como incondicional, sabemos que está dirigido para o Outro unicamente porque desejamos que o sofrimento do outro cessa, que o outro seja feliz. O conceito "incondicional" implica uma aceitação completa do outro, um entendimento profundo... implica que "ves" e "ouves" o outro, tal e qual como é.

Mesmo sabendo disso, parecemos muitas vezes incapazes de pôr isso em prática. Tantas vezes acontece que numa relação supostamente baseada no amor (com o(a) parceiro(a), com os pais, com os filhos, com os amigos) achamos que eles são a causa da nossa infelicidade, que nos devem o seu contributo para a nossa felicidade. Tantas vezes acontece que queremos esforçar o outro num comportamento que nos agrada - ou que adaptamos o nosso proprio comportamento para agradar o outro. E será que Amor incondicional é o mesmo que querer agradar, aterar quem somos em função do outro, ou satisfazer todos os desejos do outro?

O Amor incondicional, em que se aceita e respeita o outro tal e qual como é, não é sinónimo de um amor condescendente. Não é passivo - não anula o respeito que devemos ter por nós próprios. Não anula o nosso direito de sermos quem nós próprios somos. Podemos dizer até o contrário: Amor incondicional só é possível dar, se o sentimos para nós também. Se tivemos perante nós próprios a mesma atitude de procurar a cessação de sofrimento, se procuramos libertar-nos das causas de mal-estar e das aflições emocionais.


The ultimate lesson all of us have to learn is unconditional love, which includes not only others, but ourselves as well"  Elisabeth Kubler-Ross

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Em que medida o nosso amor é incondicional?

A Conversa em Grupo do dia 15 de Novembro vai ser dedicada ao tema "Amor ou Apego" - um assunto a que voltamos vezes sem fim, numa procura constante para a felicidade duradoura.

Amor incondicional.
Este amor que tudo abrange, que se oferece... sem limites ou condições, sem olhar para ti. Muitas vezes falamos nisso - mas como lidamos com o amor na nossa vida?
Podemos sentir amor para o(a) nosso(a) parceiro(a) - mas em que medida este amor é incondicional?
Falamos em amor para os nossos pais - mas quantas vezes o é?
Mesmo o amor que sentimos para os nossos filhos pode surgir mistura com necessidade e dependência.
Quando analisado mais de perto, Amor puro é muitaz vezes confundido com o apego - em que o outro na realidade funciona como complemento de nós, preenchendo um vazio afectivo ou emocional com que deixamos de lidar. Para sentir a felicidade, a pessoa de outro lado torna-se indispensável... o seu apoio, a sua presença, a apreciação e reconhecimento que recebes... tudo isso é uma afirmação de ti como pessoa. É o Ego, que subtilmente está a chamar a atenção sobre si.
Será que é justo perante o outro e perante ti próprio, amar assim? O teu amor é um fluxo energético, e quanto mais flui, tanto mais recebes do que flui através de ti. Mas se o teu amor no fundo é condicional, quandohá segundas intenções, como funciona? Quem beneficia do fluxo energético?
O apego surge quando as nossas acções são motivadas por necessidades emocionais, por motivos egoistas, condicionado pelas experiências do passado e por expectativas acerca do futuro.
Para poder analisar a nossa capacidade de amar, precisamos de confrontar-nos com as nossas necessidades emocionais (que dizem respeito a não querer ficar magoada, traída, abandonada, por exemplo.) Confrontar-nos com os nossos medos: de não ser capaz, de ficar sozinha, de não sentir realização pessoal. A partir daí: perceber como aconteceu este condicionamento: sendo necessidades emocionais, dizem respeito a acontecimentos que ocorreram nesta vida em específico. Percebendo isso, podemos abrir mão deste condicionamento – e começar a Amar sem expectativas, sem preconceitos, livremente.


As Conversas em Grupo visam o intercâmbio de experiências, um espaço para perguntas e respostas, sobre um assunto que todos encontramos diariamente no nosso caminho.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Somos todos UM

Um vídeo que faz pensar sobre a nossa condição humana...
Seria bom ganharmos consciência que TUDO está interligado
que toda a criação existe em interdependência...
Cada elemento da criação é importante,
mas como seres humanos ganhámos mais poder
do que qualquer outra espécie.
Ainda estamos a tempo de aplicar o nosso poder
em favor da Criação - sem destruição.





terça-feira, 2 de novembro de 2010

Cristais - enviados do Povo das Pedras

Os cristais são uma manifestação da Criação que falam a sua própria língua. Comunicam connosco numa maneira súbtil, suave... transmitem na sua própria maneira mensagens para apoiar-nos no nosso caminho. Podemos usufruir da sua força para ultrapassar barreiras e bloqueios, sejam eles de ordem física, psicológica, ou espiritual.
labradorite
Quando um cristal ou pedra preciosa vem ao nosso encontro, temos a oportunidade de criar laços: cuidamos do cristal, e o cristal cuida de nós. Começa a surgir uma ligação em que apoiamos um ao outro,  no caminho para a Luz.
À medida que cuidamos dos nossos cristais, e à medida que trabalhamos com eles, começamos a sincronizar-nos com a energia deles, e tornar-nos mais sensíveis para as suas vibrações - mas também para vibrações em geral. 
Ao abrir o coração, com o tempo vamos poder "ouvir" o que eles nos dizem, o que podemos fazer para eles, como podemos apoiá-los.
Os cristais ensinam assim, a ver o nosso Eu verdadeiro, e ouvir a Nós próprios.... e com o tempo, vamos poder "Ver" cada vez mais, ouvir, sentir.... e tudo que observamos vai ganhar cada vez mais beleza. E isso.... é o que tu És!

Muitas vezes as pessoas perguntam-me: que pedra é adequada para mim?
Perguntam a mim, mas a minha resposta muitas vezes resuma-se à recomendação: confia na tua Intuição, confia na tua Sabedoria Interior.
Na  nossa cultura, estamos muito habituados a desconfiar da intuição. Desde pequenos, ensinam-nos de seguir - porque há sempre alguém ou uma instituição, uma escola, que saberá melhor que nós, que tem estudado, que escreveu, que diz... E muitos vezes gostamos de ouvir dos outros o que é bom para nós, como temos que fazer, que linhas temos que seguir. Precisamos de afirmação - mas muitas vezes o que é confirmado é algo que já sabiamos!
Mas tudo podia ser tão mais natural, seguindo a Intuição, sem medo de falhar... porque tens toda a capacidade de sentir o que é bom para tí!
Isto não impede de gostarmos ouvir as experiências dos outros, nem que seja para abrir os nossos olhos para realidades desconhecidas. Naturalmente podemos apoiar-nos em sugestões de outros, mas seria bom não deixar que isso se torna uma limitação ou matriz para o que sentes dentro de ti.
E isso diz respeito também para a ligação que podes ter com os cristais.
São seres vivos,  e tal como nós, são manifestações da Energia da Criação. Consistem de Energia. São os Seres que têm por excelência a vocação para apoiar-nos quando procuramos lembrar (re-mind) quem Somos. Cada um tem a sua própria mensagem, cada um a sua vibração específica, mas todos têm em comum a vocação: relembrar....
Continuamente os Seres de Cristal oferecem a oportunidade de confiar na tua Intuição, na tua Sabedoria Interior. E ao escolher um cristal para teu uso pessoal, podes confiar nesta tua Intuição!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

só uma nota rápida

Não tenho tido muita energia para escrever ou pensar no blogue... um familiar próximo adoeceu... coisas da vida, e a nossa concentração nestas alturas não é o suficiente para tudo o que surge.  Por isso, não haverá meditação na segunda-feira dia 25 de Outubro. A partir de quarta-feira o horário normal será retomado.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Como não ficar refém das coisas que perturbem?

Uma noite destas, a meditação estava a correr tranquilamente. Estavamos a fazer um exercício de limpeza e transformação energética, que estava a requerer toda a nossa atenção.
Os pequenos ruidos do mundo de fora, entraram na sala através da janela aberta. O trânsito ao longe, um avião a passar, pessoas a falar num jardim próximo. Sinais da vida, que continua com o seu curso, sempre...independentemente do que cada um faz por si...
Na sala por cima da nossa, entraram pessoas, um cão - patas a arranhar o chão, risos, conversas...
O nosso silêncio exterior estava quebrada. Enquanto uns não se deixavam perturbar, outros sentiam desconforto.
As pessoas na sala de cima pareciam não ter noção que havia uma actividade na nossa sala - muito embora já fazemos a meditação de segunda-feira às 19.30 desde há anos... Não sabiam? Não queriam saber? Estavam de tal maneira absortos no seu convivio que se esqueceram?

Nós, em meditação, estavamos perante uma situação ideal para pôr em práctica um dos princípios básicos da tranquilidade interior: não deixar que o mundo exterior perturbe o mundo interior.
É o que todos procuramos.... estabilidade, paz de espírito, capacidade de centrarmos na nossa própria energia, mantendo o equilíbrio mesmo quando o mundo exterior nós tenta provocar.

Michael Kopald: Bamboo in the Wind
A imagem do bambú no vento ilustra este ideal: mantendo a sua flexibilidade e força interior, permite que o vento exerce a sua acção... O bambú vai curvando, mantendo a sua raíz firmamente presa à Terra, para que o vento passa. Entretanto vai aproveitando a passagem do vento para se libertar de folhas caducas, que já não contribuem para o bem-estar da planta. Estas folhas hão-de cair para a Terra para se transformar em humus, composto que por sua vez alimenta a raíz!
As folhas e ramos saudáveis ficam, e quando o vento cede - porque vai ceder, vai acalmar - o bambú continua de pé, com a mesma flexibilidade e força na sua estrutura.

A Natureza fornece assim uma metáfora excelente, um exemplo de como podemos olhar para o nosso sistema quando encontramos circunstâncias adversas.
Mencionei o simples exemplo do ruído que perturbe - e que pode provocar uma irritação que distrai a mente do propósito da meditação. Podia mencionar muitas situações que provocam a nossa desconcertação - e onde ficamos subitamente invadados por uma emoção que nós roi por dentro: impaciência, a sensação de não receber a atenção que nos é devida, raiva, inveja, ou simplesmente - irritação.
Se deixarmos que uma irritação se desenvolve - fazendo surgir memórias de experiências anteriores - todo uma reacção emocional é posto em acção. Os sinais do cérebro desencadeiam reacções químicas no corpo que, por sua vez, activam órgãos vitais.
E aí já é tarde! Já caímos na armadilha da mente. Já estamos irritados e sem concentração, o trabalho interior interrompido, o sossego interior desfeito. O que aconteceu? E talvez mais importante ainda, como voltar à tranquilidade e à concentração? Como voltar a ter a mente limpa e focada?

São alturas de confronto. Sentimos na pele como a mente pode estar tão treinada a pensar em padrões, que nos impede ver além das emoções que surgem. Mesmo sabendo que estamos presos a certos pensamentos ou reacções, pode ser difícil libertarmos, por já não conseguir ver como. Como abrir mão das reacções emocionais que ocorrem dentro de nós,  provocadas em reacção a acontecimentos exteriores? Há técnicas ou estratégias para não cair na armadilha emocional das reacções condicionadas?

Convidamos para uma partilha de experiências sobre o processo,  e como a triade corpo/mente/alma está envolvida.  Falaremos sobre possíveis aproximações para encontrar uma solução.
Na segunda feira, 11 de Outubro, das 19.30h às 21.00h. Local: Associação Oficina da Comunicação, Largo Dr. Mário Chicó, 7 -Évora.
Estão todos bem-vindos!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

obsidiana arco-iris

Umas semanas atrás foi-me oferecido um pendente lindíssimo. Uma obsidiana arco-iris em forma de lágrima... parecendo ser negra, revela sob a luz do Sol, um arco-iris súbtil, bandas de verde, azul, castanho, dourado e violeta que surgem da profundidade do cristal.
É um cristal comovente, e poderoso... uma experiência extraórdinária...
Notei quase imediatamente  um efeito forte - assuntos antigos e aparentemente enterrados que começaram a surgir.... insatisfações que já não se deixavam tapar... situações que se repetiam que começaram a ficar claras...
A obsidiana começou, aos poucos e poucos, a fornecer apoio para arrumar assuntos antigos, curar feridas mal-cicatrizadas, pondo às claras o que ainda se encontra lá nos confins do coração!
As caracteristicas da pedra (pela composição química, mais de 70% SiO2) estimulam o sistema nervoso, nomeadamente na ligação entre os dois hemisférios do cérebro,  e o sistema digestivo, principalmente a interligação dos órgãos com o fígado.
Não é de admirar que traz oportunidade para obter clareza sobre assuntos que ainda trazemos mal-resolvidos... Naturalmente, precisamos de estar abertos para receber o incentivo da pedra, e dispostos a trabalhar com a energia fornecida. É o desafio da obsidiana !
Obsidiana é vidro vulcanico, lava que arrefeceu tão depressa que não tive tempo de cristalizar. Ao fracturar, as superfícies tomam a forma de concha. No passado mais remoto foi frequentemente usada como objecto cortante, como ponta de flecha ou "faca" - uma aplicação muito adequada para uma pedra com o poder de cortar, como uma faca, até ao coração das coisas. O efeito desta pedra é rápido, forte. Fraquezas e bloqueios são postos à descoberta, sem piedade ou rodeios, para que o desenvolvimento seja estimulado. Uma pedra que te dá a conhecer a integridade da tua alma...
Obsidana arco-iris dá apoio quando empreender a viagem no espiral para baixo, em direcção a uma Luz inesperada.
Uma pessoa espera encontrar normalmente a Luz espiritual em cima, quando ascender em direcção ao Céu, mas para a maioria dos Seres Humanos é impossível escapar da prisão do espírito ferido, se não ir para o fundo primeiro. Esta viagem para o fundo do poço é tão admiravel e maravilhosa quanto é necessária. Quando descemos, encontramos pedaços esquecidos de nos próprios, deixados no caminho cada vez que fomos feridos. Reclamando estes pedaços, continuando cada vez mais em direcção ao fundo, vamos encontrando cada vez mais vazio e escuridão profundo até não podemos ir mais longe, e de repente furamos o fundo e encontramos uma profusão de Luz.
Muitas vezes uma crise na vida exterior dá origem à viagem interior. No entanto, se te dispões a meditar  com a Obsidiana Arco-Iris, poderás ter acesso a uma experiência mais voluntária da profundidade, e poderás ajudar a alma de se aproximar de uma presença mais consciente no Aqui e Agora.

Obviamente, a parte da história que preferimos é o aparecer de novo na Luz, uma parte que a Obsidiana Arco-Iris encarna na perfeião no seu aspecto. Com pouca luz, a Obsidiana Arco-Iris parece preta, mas quando o Sol incida, surgem aneis de cores vivas e radiantes. Tal e qual como reage o nosso espírito quando chegamos à luz no final da viagem para o fundo do poço.

sábado, 25 de setembro de 2010

Encontrar a Sabedoria dentro de nós

Em resposta ao post o "poder xamânico" recebi uma reacção que me estimulou...  foi escrito em defesa do xamanismo e da liberdade individual de escolher cada um o seu próprio caminho. É um assunto oportuno, nestes dias à volta do Equinócio...

Agora, após o Verão ter virado Outono, muitos de nós sentem alguma inquietação, um dessassosego, algo em mudança.  O nosso sistema energético recebeu do Universo o  convite de surgir tal e qual como somos, de darmos forma ao nosso SER - um convite de olhar para dentro e perceber, a cada momento, onde estamos, o que ÉS em cada momento. Um convite e um estímulo para ter consciência das nossas escolhas - para poder perceber se vieram efectivamente de dentro de ti, e se as tuas acções efectivamente exprimem o que tu ÉS.

Obviamente, isso chega a ser bastante complicado...O fluxo de informação é enorme, e o potencial de manipulação também o é: acontece que há tanta informação que nos rodeia que chega a ser difícil de perceber o que pensar, como igualmente difícil é a escolha onde te posicionar perante isto tudo.
Surgem todos os dias propostas de novas cerimónias, cursos, workshops; televisão, jornais, livros, artigos na Internet, conversas com amigos - notícias de todos os lados, nova informação, opiniões.... Perante tudo isso que cai sobre nós ininteruptamente, não é tarefa fácil de manter contacto com a nossa própria opinião, de sentir como o coração reage, e de  agir e pensar a partir do coração. Para isso é necessário ter os pés bem assentos na terra!

Porque só com os pés bem assentos na terra, com uma base segura para poder erguer-te no teu próprio equilíbrio, poderás voar alto e manter uma visão abrangente, uma vista geral.
Realmente "voar alto" não é propriamente estar "solto" da Terra ou "levitar". É elevar-te por cima de toda a confusão e informação, tendo os pés firmamente enraizados na Terra.
O verdadeiro conhecimento encontra-se aí - servindo O Grande Conjunto, estando em ligação com Tudo que É, e, acima de tudo, é benéfico a Tudo que É.

Não é fácil. Pessoalmente, o que eu aprendi fazer, é ouvir o meu Coração. Procuro saber se algo estimula o meu Ser verdadeiro, se me faz sentir coragem para mostrar quem Sou. E naturalmente ainda acontece enganar-me... também a mim acontece que me deixo levar a acreditar, não porque reconheço a Verdade, mas por causa das ilusões que ainda tenho, de  medos que ainda procuro esconder e de dor que ainda não curou. Cada vez que isso acontece, é uma oportunidade de reconhecer o que ainda não foi limpo, e de fazer mais um passo para a minha cura e libertação, mais um passo para poder Ser integralmente quem Sou.

As seguintes palavras do Buda Shakyamuni (o buda "histórico") fazem parte da sua primeira lição:

"Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. Não acredite em algo simplesmente porque está escrito nos seus livros religiosos. Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos e de ti proprio, então aceite-o e viva-o. "


Todos  trazemos dentro de nós, a Budeidade - a perfeição divina. Nos tempos que correm, com as grandes mudanças sociais e energéticas, com a elevação dimensional que estamos a passar, é de importância fulcral retomar a tua própria força. Erguer-te, dar te forma, mostrar-te. Saber que não dependes de um médium ou intermediário ou substância para entrar em contacto com o Grande Conjunto. Tudo o que precisas, trazes em ti. Tudo o que precisas ser, já o És. Porque cada um tem a sua Verdade, como cada um tem o seu próprio espaço. Muitos de nós procuram apoio em descobrir que espaço é o seu, e não há mal nenhum nisso, antes pelo contrário. Estamos todos juntos nesse caminho, nada mais natural do que aprendermos uns com os outros. A arte está em manter os pés na Terra e continuar a fazer o nosso próprio caminho - em conjunto e de mãos dados com o outro, e não seguindo o outro.

Há muitos que trilham o mesmo caminho, não é preciso inventar as palavras. Há muitas mensagens que te podem tocar no coração, que podem acordar algures dentro de ti, a tua própria sabedoria, a tua própria verdade. A mim tocou-me por exemplo a mensagem de "Little Grandmother" Kiesha Crowther, que podes ver e ouvir em www.tribeofmanycolors.net.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Invocação das sete direcções

Ao Espírito de Leste
Do sítio do Sol Nascente, que conta os anos da nossa vida e as oportunidades de todos os dias, trazes a tua clareza e visão. Mostra-nos montanhas, com as quais nós só nos atrevemos a sonhar! Ensina-nos a voar, lado ao lado com o Grande Espírito!

Ao Espírito do Sul
Com a tua respiração amena, suave e compassiva, derretes o gelo que se acumulou à volta dos nossos corações. Trás-nos a tua vitalidade e alegria de viver, ensina-nos a inocência e a confiança! Ensina-nos que tudo o que é verdadeiramente forte, também é gentil e sábio, combinando coragem com compaixão e justiça com mercê.

Ao Espírito do Oeste
Do sítio do Sol Poente, do além do horizonte, dá-nos a conhecer a Paz que se segue ao esforço, e a Liberdade que emana à nossa volta como um manto a fluir nos ventos de uma vida bem vivida. Mostra-nos o caminho para além do Medo, para além da Morte, ensina-nos a sabedoria de uma vida impecável.

Ao Espírito do Norte,
que traz a Sabedoria da idade e do tempo. Abençoa-nos com a força de resisitir às tempestades, ensina-nos gratidão, ao ver a beleza da Terra que acorda, a seguir ao Inverno.

Ao Espírito do Céu,
Vasto e infinito, belo e majestuoso, existindo para além de todo o nosso conhecimento e entendimento. O teu suspiro é a nossa inspiração vital! Ensina-nos que estás tão perto que basta inclinar a cabeça e levantar os olhos.

Ao Espírito da Terra
Grande Mãe Terra, força tranquila por baixo dos nossos pés, que germina as sementes e guarda todos os recursos que precisamos para a nossa existência. Mãe de todos nós, que nos alimenta e dá abrigo, ensina-nos confiança e gratidão pela tua abundância.

Grande Espírito das Almas dentro de nós
No nosso interior unem-se as seis direcções, para que encontremos equilíbrio e plenitude. Grande Espírito, fala connosco e através de nós! Dá-nos coragem para trazer o brilho do nosso verdadeiro SER ao mundo, ensina-nos humildade e auto-estima, para poder nutrir o brilho de todos.
 (texto da invocação durante a cerimónia do Equinócio e da Lua Cheia, 22 de Set. 2010) 
Esta oração de invocação das sete direcções tem a sua inspiração na tradição Seneca, sendo que a invocação dos ventos e dos mundos de cima, de baixo e de dentro são transversais a muitas tradições à volta do Mundo. A oração lembra-nos o viver em União com o Grande Espírito, que dentro de nós tudo pode acontecer.... e acontece! A oração lembra-nos que é preciso surgir, dár-nos forma, SER.... para o bem de Todos, incluíndo nós próprios, porque o Grande Espirito É - dentro e através de nós.

domingo, 19 de setembro de 2010

Para ser mais específica...acerca da protecção energética

Adoro filosofar e ir ao fundo das questões. Gosto de tecer considerações e ligar causas e consequências, procurar origens e juntar tudo numa só teoria sobre a vida... e escrever sobre isso. Mas o que poderia ser feitio torna-se defeito quando o leitor deixa de ver as ligações que tudo isso tem com a vida prática. Embora em geral não seja este o feedback que tenho tido sobre o blog, vou esforçar-me para ser mais terra-a-terra e prática, a começar pelo assunto da protecção energética.
Em relação à protecção energética, escrevi que penso ser prioritário assumir uma atitude de consciência elevada, de presença mental no corpo constante, no Aqui e Agora.
Todos conhecemos pessoas que parecem estar sempre bem. Que parecem não sofrer de energias que lhes invadem. O que vemos nestas pessoas ao nível energético, é que o seu sistema parece fluir naturalmente, de dentro para fora. Se pudéssemos ver a energia à volta das pessoas, seria parecida com uma fonte de calor que emana ondas em todas as direcções, em cores diversas. 
Essa circunstância faz com que os que encontram alguém assim, digam que "tem presença".
O fluxo energético para fora faz com que a própria energia da pessoa seja continuamente renovada - é uma espécie de limpeza contínua.
Mas não é propriamente natural que todos consiguam manter este fluxo vital a correr sem interrupções. O nosso corpo emocional pode impedir que assim seja - e isso acontece quando o corpo emocional, que se estende além do corpo físico, tiver sítios menos transparentes, que impedem a passagem da tua própria Luz.
Feridas mal curadas do passado, incrustações emocionais, comportamentos rotineiros e inconscientes, reacções baseadas em experiências e avaliações do passado ou expectativas sobre o futuro - tudo isso pode assentar no nosso corpo emocional, como se fossem grãos de areia que entopem os buracos de  uma peneira, formando "nódoas negras" no nosso corpo emocional.

A energia que existe nestas "nódoas negras" não é a nossa em estado puro, mas resulta da interacção com o exterior.
Dou como exemplo, talvez caricatural mas verídico, o caso de alguém que lida com uma sensação de culpa em relação à mãe, que através de dicas indirectas vai sugerindo que sempre fez tanto pelos filhos e agora sente-se tão cansada e sozinha. Na base da sensação da culpa está um afecto genuíno, um amor pela mãe e gratidão por tudo que recebeu. Mas é através da postura de vítima projectada pela mãe, que o filho desenvolve a culpa - uma emoção destrutiva, que vai roendo o coração, mas que nem sequer tem razão de ser.... Algures no seu sistema energética, a gratidão e o amor ficam misturados com a sensação de insuficiência. Mas na verdade, esta última sensação é energia vinda da mãe, cujo problema é de facto de não ter mais o filho por perto para se sentir útil e necessária, e aplica (inconscientemente) a manipulação emocional para satisfazer este apego.
O filho acaba por ter na sua culpa uma porta aberta, porque deixa de ter defesa contra a invasão do seu próprio espaço sempre quando há atitudes ou jogos emocionais que instrumentalizam a culpa.
O nosso sistema está pleno de ligações deste género, laços emocionais que na maioria dos casos não são resultado de uma relação aberta, livre, baseado em amor, compaixão e igualdade, mas sim de emoções difíceis como a inveja, o apego, a raiva, o desejo, o medo (independentemente onde têm origem).

Enquanto não tivermos consciência do estado do nosso corpo energético, naturalmente é possível aplicar técnicas de protecção. No entanto, estas terão sempre um efeito como ter um cão em frente da casa deserta e deixar a porta aberta: se o ladrão quer entrar, encontrará maneira de iludir o cão - e encontra entrada livre. A protecção terá que ser renovada vez após vez.
Por isso, a mim parece me melhor investir numa maneira de fechar a porta e voltar a habitar a casa.
O trabalho pode ser intenso, mas o efeito será certamente mais duradouro.
Retomar o espaço energético do nosso corpo com a mente e a consciência seria o primeiro passo. A  força mental do Ser Humano é ilimitada - mas é preciso atenção e empenho para poder fazer uso dela.
Isso pode fazer-se de várias maneiras, com meditação, visualizações, trabalho corporal, ou através da ritualização de gestos diários.

As tradições dos povos que procuram uma ligação saudável com a Natureza, em que a ordem natural das coisas era respeitada e procurada, praticaram e ainda praticam a ritualização como forma de fortalecer a sua força mental. Fui procurar nestas tradições algumas sugestões - e sim também recorri à tradição portuguesa...

- ao lavar o corpo, confirmar com palavras que estamos a purificar-nos, libertando toda a energia que não é nossa, para ser levada pela água e voltar para onde pertence. Tomar regularmente um banho com sal e óleos essenciais (ou no chuveiro, esfregar com uma mistura de sal grosso pisado com azeite, antes da lavagem com sabão) é uma maneira excelente de estimular o corpo em libertar stress e tensões.
- de manhã, ao levantar, procurar com a atenção e intenção, contacto com a Terra, sentindo os pés no chão. Sentir a força da Terra que sustenta o peso, e confirmar que é aqui e agora que decorre a vida.
- ao deitar, decidir que vai ficar em paz a descansar e recuperar forças para o dia seguinte, para poder continuar a contribuir para o Bem de todos. Que fica protegido pela aura que está todo em volta como um casulo, permitindo acesso exclusivamente à energia que vem para o Bem Universal (os nossos guias, os anjos, os nossos amados..)
- de vez em quando fazer uma limpeza energética do corpo. O campo fornece ervas medicinais extraordinárias - por exemplo, do alecrim faz-se um bom chá purificador.
- regularmente, fazer uma limpeza energética do espaço em que vive. Uma maneira é usar incenso - feito de matéria densa, que através da força transformadora do fogo, se transforma em fumo com cheiro harmonioso, que se dissipa e desaparece...  e o que não quer ou não se pode transformar, fica na forma de cinza, que devolvemos à Terra para ser transformado em alimento para nova vida. Ao acender o incenso, é importante afirmar que esta casa é nossa, e só aceitamos a presença de quem convidamos explicitamente e conscientemente. Em seguida, oferece-se o incenso e o seu efeito transformador a toda a energia presente na casa, para que possa seguir caminho.

E agora algumas sugestões para treinar a "presença de espírito", provenientes das escolas de psicologia mais modernas, e por isso "cientificamente testadas" em vez de se só terem provadas pela experiência ;):
- Evitar rotinas. Se todos os dias viro para esquerda no caminho para a escola dos filhos, porque não tentar outro caminho? Porque falar em festas só com aqueles que conhece? Porque não tomar o café de manhã noutro sítio? O quebrar das rotinas, a todos os níveis, obriga a mente a continuar presente, a ficar alerta, a olhar à volta,  ver o que acontece. A presença mental tornar-se-à com o tempo uma atitude natural.
- Sentir o que os nossos gestos diários fazem connosco, que efeito têm sobre o nosso estado emocional.  Que cor vou vestir hoje? A escolha consciente da maneira que vestimos, confirma a nossa presença!
- Ter uma actividade criativa. Cantar, dançar, desenhar, fazer música ou cerâmica, não importa - a actividade criativa é uma expressão do nosso Ser mais profundo e afirma a nossa Presença, estimulando o fluxo da força vital e a renovação da nossa própria energia. Cada um traz dentro de si a força necessária para se curar e proteger. (Por isso mesmo não gosto de me chamar "healer" - no final de contas, todas as curas são auto-curas. Prefiro dizer que acompanho pessoas na descoberta da sua própria força, embora também dou apoio na sua limpeza energética.)

Darwin escreveu  "It's not the strongest or the smartest of us that survive. It's the one that's willing to evolve and adapt". (Não é o mais forte ou o mais inteligente que sobrevive. É o que está disposto a evoluir e adaptar). Parece-me que ele tinha razão. Não vale a pena insistir numa posição de poder.  Quando temos a sensação que estamos a ser atacados, que precisamos de protecção, é altura de encontrar a fraqueza e a sensibilidade, a emoção específica que permitiu o ataque. E a partir daí: evoluir e adaptar.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Equinócio de Outono

Lua Cheia: 10:17h dia 23/09
Equinócio: 4:09h dia 23/09

Na manhã do dia 23 de Setembro, o Sol passa o Equador a caminho do Sul, no momento de Equinócio. Dia 23 também é dia de Lua Cheia. Como ambas as ocorrências têm lugar de manhã cedo, festejamos na véspera.

Convido-os a todos para
uma celebração / meditação de Lua Cheia e Equinócio de Outono
4ª feira, dia 22 de Setembro 2010  às  19:00h -
a Lua vai nascer às 19.35h
No Cromeleque dos Almendres
Em Guadalupe, Évora.


A partir do momento de Equinócio, as noites começam a ficar mais compridas do que os dias. A chave para a meditação nos dias de viragem é o equilíbrio. É altura de pensar sobre o que está desequilibrado na nossa vida, ou o que está em vias de se equilibrar. Com o Sol entrando no signo de Balança, há um convite cósmico de encontrar equilíbrio, de modo que ambos os lados ganhem com a situação. E se isso não parece possível? Balança vai forçar uma solução, através de ruptura (criando conflitos) ou através de jogos de manipulação, aos quais vamos ver-nos sujeitos. Balança é conhecido por ser criador de paz, bem como criador de guerra! Símbolo da Lei divina, Balança incita a  avaliar motivações e objectivos, e escolher a via do meio, a via justa, juntando opostos.
Altura de fazer um passo atrás e observar onde estás, avaliar qual será a melhor opção para encontrar uma situação estável, qual a escolha a fazer para encontrar equilíbrio entre opostos…
Equinócio em Stonehenge

Com o Sol em Balança, a Lua Cheia estará em Carneiro – o signo por excelência do pensador, da força mental. Diz-se que a espécie humana foi criada quando a capacidade de pensar se formou, e assim o Ser Humano se distinguiu dos Animais.
A força da Lua em Carneiro traz em si a origem do caminho certo, a orientação certa. Primeiro signo Zodiacal, marca o início da tomada de consciência da existência, o início da roda da experiência da vida. Fornece o estímulo para fazer um primeiro passo no caminho da transformação… Tudo está sob o signo do Pensamento, da Força Mental, da capacidade de criar com o pensamento!

Assim, na noite da Lua Cheia, uma noite iluminada pelo Sol através da Lua, é-nos trazido por Balança, o impulso e a urgência da escolha – o meio entre duas grandes linhas de força, enquanto recebemos o convite de Carneiro de surgir, tomar forma, criar a nossa vida a partir da força do nosso próprio pensamento.


É costume trazer uma oferenda de agradecimento para o sítio: um pau de incenso, uma pedrinha, um pouco de água ou uma flor... o que achares conveniente. A contribuição para a cerimónia /meditação em si, fica à consideração dos participantes.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Protecção energética

Na segunda feira, dia 13 de Setembro, às 19.30h na Associação Oficinas de Comunicação, Largo Dr. Mário Chicó, 7 - Évora, haverá uma Conversa em Grupo, dedicada ao tema "protecção energética". Falaremos acerca de conceitos, técnicas, experiências, para poder encontrar uma resposta a aquela que talvez seja a pergunta que mais vezes me é feita: "Como posso proteger-me contra quem me queira fazer mal?" (com todas as variações possíveis - como libertar-me das más energias - como combater as energias negativas... )

Parece uma pergunta muito complexo de responder, porque mexe com os nossos assuntos mais íntimos: a maneira como cada um olha para a Vida - e a maneira como vê o seu lugar no mundo. Onde estamos perante o resto do mundo e na organização Divina?
A ideia de que temos de proteger-nos pode vir da sensação que estamos sujeitos ao que acontece à nossa volta, sujeito ao que é feito connosco, alvo de energias que podemos não ver ou saber que existem. Isso pode dar origem a uma sensação de precisarmos de salvação, ajuda, protecção. A nossa cultura judaica-cristã formou-se em grande parte à volta desta premissa... proclamando e ensinando que para sermos salvos é perciso ter fé numa Entidade Superior, que reside algures, fora de nós. E integrado nos rituais fomos ensinados que é preciso rezar para receber protecção.
Confiando que haverá sempre alguém ao nosso lado que nos limpa, cura, protega, tem um efeito perverso sobre a nossa auto-estima. Alimentamos a ideia que há um mundo que nos possa fazer mal e que somos incapaz por nos próprios de enfrentar as situações. Descuramos a nossa própria capacidade e força energética, e ficamos dependentes do outro. Chamo a isso um efeito perverso, porque contraria a necessidade de libertação, o desejo de sermos completos, inteiros, livres...
Mas entretanto parece que estamos sós perante todo este mundo fora de nós - onde parece haver mais que nos ameaça do que aquilo que nos apoia.
Ao falar na necessidade de protecção, subentende-se que há um inimigo - uma ameaça de fora, da qual estamos separados e que actua sobre nós sem o nosso consentimento.
Visto como funciona o sistema energético do ser humano e a sua interacção energética com o mundo que o rodeia, este ponto de partida parece-me insuficiente.
Uma influência de fora sobre o nosso sistema podemos entender como uma interferência, um ruiído que perturba a nossa harmonia, seja esta emocional, psicológica ou física. Isto funciona como se fossem ondas de calor, ou ondas radiofónicas - emitidas por uma fonte.
A expressão " Lançar fogo pelos olhos" é um bom exemplo deste conceito - e podemos imaginar os raios lançados pela pessoa enraivecida.....
Mas nisso temos a tendência de pensar só no que o outro nos quer fazer.... não podemos esquecer que nós próprios também somos uma fonte energética. O nosso corpo emocional também é uma fonte de muitas frequências diferentes, somos uma sinfonia de emoções, cada uma com  sua vibração e frequência própria.
As energia que chega a fazer-te mal, entra no teu sistema e acrescenta uma nota desafinada que não se harmoniza com a tua própria melodia. O que acontece é que só pode entrar no teu sistema, aquilo que encontra uma desharmonia já existente no teu sistema energético - nomeadamente no teu corpo emocional. Trata-se de experiências emocionais não curadas, que deixaram pontos sensíveis, marcas.
As energias que são projectadas por outras pessoas, têm todas na base uma emoção destrutiva. Raiva,  inveja, ódio, desejo, mas também pode ser apego! São frequências dolorosas, muito pouco elevadas ou subtis, que provocam por sua vez desharmonia, dor fisica e emocional.
Se tiveres dentro de ti emoções que estão em sintonia com estas emoções destrutivas, estás de facto permeável para o que te for lançado.... Aqui poderiamos desviar a conversa para o Karma, e como somos nós próprios, através da nossa história pessoal, que estamos na base de tudo que acontece connosco. Assumir a tua responsabilidade é ser leal a ti própria, é um acto com que assumes a soberanidade do teu Ser.
O mais importante parece-me o trabalho (continuo) de manter-nos em harmonia connosco. Elevar a nossa consciência sobre o estado de pureza dos nossos pensamentos. Observar o estado do nosso corpo emocional, trabalhando os pontos sensíveis. Poder voltar a SER, puro, igual a ti próprio, livre de comportamentos condicionados e de emoções automatizadas.
Podemos efectivamente usar artifícios de protecção: amuletos, talismãs, rezas e imagens, pedras ou cristais, mas estes nunca nós hão-de proteger se nós, em seguida, descuidamos a atenção e refugiamos atrás deles - é como abdicar da nossa própria responsabilidade.
Dito isto, penso que os cristais, com a sua força própria, têm o poder de apoiar-nos na cura das nossas feridas emocionais. Porque efectivamente, não estamos nisso sozinhos. Ainda precisamos dos outros - para a nossa cura, para uma limpeza, para uma análise ou observação de fora. Sei que é muito difícil vermos o nosso sistema energético e emocional com olhos de ver - o nosso olhar está colorido pelos óculos da nossa experiência, e a nossa mente têm a tendência de interpretar através de moldes prédefinidos. Os outros podem ajudar a ter entendimento, indicar outro ângulo... oferecer uma mão para levantarmos novamente.


Talvez o ensinamento mais importante, que fala deste assunto do protecção energética, seja um episódio da vida de Buda Shakyamuni, que narra os acontecimentos na noite da sua Iluminação.
"....Devaputra Mara, o chefe de todos os demônios, ou maras, deste mundo tentou perturbar a concentração de Sidarta, conjurando varias aparições horríveis. Manifestaram hostes de tenebrosos demônios, que atiravam flechas, lanças, flechas com fogo. Atirando pedras. Contudo Sidarta permaneceu silencioso e completamente impassível. Pela força de sua concentração e por estar sua mente limpa de todo ódio e de toda noção de certo e errado, todas estas visões e acontecimentos se assemelhavam a uma chuva de flores perfumadas e o fogo transformava-se em Luzes de Arco Íris. (...)"

Esta é uma imagem extraordinária. Todos nós podemos praticar para que, ao recebermos palavras e acções violentas, tal como Buda, as transformemos em flores. O poder da compreensão e da compaixão dá-nos a capacidade de o fazer.
A protecção melhor protecção estará em ter os pensamentos puros, as emoções limpas.... com amor e bondade no coração...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Viver com medo - ou não

Em criança também pertencia a este grupo de pessoas que "vêm as almas" ou que "ouvem vozes". Educada num ambiente em que estas pessoas eram rotuladas de "fantasistas" ou até "doidos varridos", aprendi calar me sobre o que sentia, e no fundo do coração sabia: que é possível ver e ouvir os seres não físicos que andam por aí.
Ao longo dos anos fui querendo ser normal - igual aos outros... abafando o impulso de falar do que via, adoptando um comportamento "normal". Aprendi evitar certas observações, por medo que as pessoas me iam julgando, ou que se podiam sentir ameaçadas ou atacadas por eu estar a falar de coisas de que elas desconheciam a existência. Tinha o medo de ser punida e excluída, por ser diferente. Aprendi também fechar-me.

Agora estou diferente - aprendi aceitar que sou como sou, e que as coisas são como são.
A Natureza está cheia de forças e seres - compresença física, como os animais, plantas, rochas, ou sem presença física, como os Anjos e Elementais, mas também  Espíritos. Agora sei que é perfeitamente normal sentir a presença de outros seres - que não sou doida, que há muitas pessoas que vêm, ouvem, sentem. E que há muitos que se esconderam, como eu: que associam agora a sua capacidade de ouvir e ver, ao medo. Que fecharam a cortina para a sua sensibilidade, e sentem-se perdidos, ameaçados, perante todo um mundo que sabem que existe, mas onde já não conseguem participar.
Sinto que é altura de perdermos o receio e estranheza. Sei que há todo um mundo com presenças não-físicas, e que é perfeitamente normal que assim é, que não é preciso prova "científica e palpável", porque vejo, oiço, sinto que é assim.
É altura de falarmos nisso, altura de nos emanciparmos. Nós também temos uma parte imaterial - é altura de nos reconhecermos!
Também sei agora, que não é preciso ter medo - que não somos mais fracos nem mais fortes do que qualquer um que nos aproxima. Mesmo as presenças mais impressionantes - pelo tamanho, pela ferocidade, pela doçura, pela força de persuação - não são maiores nem mais pequenos do que nós.
Enquanto tivermos preso ao medo, encolhemos e diminuimos a nossa energia - e acabamos mais pequenos, mais fracos, mais permeaveis também para quem queira parasitar na nossa energia (conscientemente ou não, há muitos que fazem sem ter noção ou intenção...).

O que vejo como o grande inconveniente do medo e do receio, é que vai minando a nossa segurança interior. O medo ataca a nossa capacidade de decidir o que permitimos que mexe connosco, e o que não queremos no nosso campo energético. O medo fragiliza-nos, por que dá a ideia que estamos sujeitos ao mundo de fora. Mantém-nos numa dependência de alguém que pode ajudar-nos, de algo que pode proteger-nos. Que vamos precisar sempre de alguém que nos possa limpar, curar, ajudar, proteger. Mas no final de contas, a responsabilidade sobre o nosso bem-estar é sempre nossa... é altura de assumirmos, todos, a nossa força!

sábado, 4 de setembro de 2010

Não há caminho - mas há trabalho


A descoberta que  todos já SOMOS alguém, porque nascemos igual a nós próprios, podia ter como interpretação que não há trabalho a fazer. Mas há.
Pode não haver caminho a fazer no sentido literal da expressão - para chegar a algum lado - mas há trabalho. Porque já somos alguém, mas trazemos connosco as convenções que adoptamos para sentir-nos seguros. São comportamentos, maneiras de exprimir-nos nos pensamentos, estratégias que aplicamos, sistemas de defesa e protecção, todos aplicados para sentirmos úteis, fortes, amados. Da maioria dos nossos estrategemas nem sequer suspeitamos que são padrões impostos, porque acontecem através da parte subconsciente da nossa mente....
São maneiras de pensar e reagir que assentem a volta do nosso coração como pétalas de uma rosa fechada, que em botão não faz suspeitar a quantidade de camadas de pétalas se têm que abrir antes de se poder ver o coração da rosa.
Falo nisso, porque vejo, não so em mim próprio, mas em quem encontro também, que a nossa intenção de ser feliz, de amar e ser amado, pode ser seriamente perturbada e ameaçada pelo nosso próprio comportamento. Enquanto pensamos fazer bem, movido por motivos altruistas e o amor que brota no nosso coração, quantas vezes não estamos a utilizar pensamentos, reacções e estratégias alheios (induzidos pela educação, pela sociedade ou cultura, ou aprendidos através de experiências dolorosas), em vez de estarmos a usar a NOSSA força?

Para poder ter acesso a toda a força mental que tenho em potência, preciso de aprender pensar com os meus próprios pensamentos. Para poder assumir toda a força criativa e a condição divina de Ser Humano, preciso de poder ser verdadeira comigo próprio.
Aí reside todo o trabalho.
A natureza mostra como a flôr de lotus, que antes de se abrir, antes de destapar o coração, é beleza em potência, contém uma promessa de plenitude... enquanto aberto é beleza pura, plenitude, símbolo de pureza e realização espiritual....


terça-feira, 31 de agosto de 2010

Não tenhas expectativas sobre o caminho a seguir

Talvez é mesmo verdade que todos os caminhos espirituais começam com uma experiência mística.
Obviamente podemos desenvolver-nos espiritualmente sem ter tido propriamente uma iniciação mística, mas parece-me que é preciso uma experiência profunda para poder passar uma barreira importante: em vez de acreditar que existe uma força maior que deu origem a tudo - Spirit, ou Deus (ou a Fonte, o Criador, ou como quiser chamar a Força Primordial), passamos a saber que é assim.
A barreira entre os dois estados da alma é fininha, no entanto, há uma diferença abismal entre o acreditar e o saber.
Enquanto acreditamos numa força maior, projectamos a Divindade algures fora de nós. Como algo que desconhecemos, mas que acreditamos que deve existir. Algo que aspiramos conhecer, que gostariamos de ter ao nosso lado. De onde vemos emanar a nossa realização, a nossa salvação, a libertação, a iluminação. A promessa de Compaixão, Bondade e Amor contida nesse entidade,  faz com que nos esforçamos para merecer, faz com que queremos crescer, desenvolver, aprender. Somos estimulados e inspirados para fazer o caminho. Em última instância, rogamos para que este algo fora de nós,  nos protege, ajude, acolhe.
Para mim, esta perspectiva mudou completamente, ao ter uma experiência que chamamos mística, mas que também poderia chamar um encontro com o Mundo Invisível. Como consequência de um grave problema de saúde, foi me permitido assistir à saída (do meu corpo) da minha alma, que viajou para o "Além" e deu entrada no "Céu" - onde me foi transmitida que ainda não era o meu tempo e que ainda havia trabalho a fazer na Terra.
Foi uma viagem que os publicitários da vida moderna sem dúvida gostariam de vender como "a Experiência Total" - uma passagem pelas emoções todas, uma ascensão em velocidade vertiginosa, seguida de uma Paz e a Tranquilidade profunda...
Não é aqui lugar para descrever os pormenores, mas o mais importante que descobri foi que a "Fonte de Tudo Que É" não é algo fora de mim e não existe além de mim - existe através do meu Ser!

Já foi há alguns anos atrás, mas ainda estou no processo de perceber o alcance da descoberta que fiz naquela altura. Passei de acreditar para saber - passei a perceber no fundo da alma que sou um Ser Humano, uma criação à imagem do Criador - e por isso com todos os apetrechos e toda a força do Próprio... Começei a ver que não estou separada da Fonte da Luz - mas que faço parto dela, estou em união com Ela! Vi que a necessidade de fazer um caminho espiritual foi uma ilusão criada, que já SOMOS. Não é preciso vir a ser alguém, já nascemos sendo alguém: nós próprios.  E todos nós somos iguais nisso! Todas as almas que incarnam como Ser Humano partilham a mesma tarefa: descobrir em si próprio quem já são, descobrir a sua condição divina.
Como disse, ainda estou no processo de perceber o alcance da descoberta. O meu Ego ainda tem dificuldade em abrir mão das formatações que deram forma e segurançã à sua existência, de tão habituado estava a agir e reagir à base das concepções. Talvez a mais importante convenção de todas é a que somos supostos sentirmos pequenos...
Somos ensinados como devemos comportar, reagir, falar. Somos ensinados como pensar e como rejeitar ideias que não têm cabimento no senso comum. Somos castigados para falar de coisas que vêmos, que ouvimos, mas que o cerebro lógico e a ciência não conseguem explicar. O sistema convence-nos que precisamos de estudar e ter um diploma para podermos ser reconhecidos. Somos indoctrinados que precisamos de aprender, que não sabemos nada,  treinados para não assumir a nossa própria responsabilidade e para seguir as regras ditadas por alguém acreditado. Não podemos publicar ideias próprias sem referir a alguém que já publicou antes de nós; não podemos falar com Deus, é preciso um intermediário, o padre, que nos transmite a vontade de Deus. Há fórmulas, métodos, teorias, sistemas - para rezar, curar, pôr as pedras, decorar a casa, cozinhar, ser feliz, evoluir. Tudo garantido por nomes sonantes, ouvidos por muitos...

Neste momento, sinto que tudo isso existe para dar a ilusão de segurança. Pertencer a um grupo, um movimento, seguindo um método, ter um "mestre que seguimos", dá a ilusão de conforto, de não estar sozinho. Abafa o medo de não ser capaz, de ser insuficiente. No entanto, fazendo as contas, é um sistema que  sublinha a insigificância individual, que aumenta a distância entre o Ser Humano e a Criação, que acentua a separação. Conhecemos os lugares-comuns associados: É preciso muito trabalho - o caminho é longo - é preciso sofrer - vamos subindo de degrau em degrau - é uma tarefa de uma vida... Parece que somos peritos em criar expectativas sobre tudo o que há ainda para fazer, ver, sentir, aprender - de tal modo que cegamos os nossos sentidos para o que somos já.
Esta cultura forma em si uma crença, que te dificulta viver plenamente no Agora, porque occulta que tudo o que há para saber e alcançar, já existe em ti. Viver no Agora é ter a maior experiência divina que possa haver, através da própria Vida: tal como a Fonte da Criação existe através de ti, existe por igual em tudo que É e tudo que encontras - nas pessoas que te rodeiam, nas flores que dão côr aos campos e à cidade, no arco-iris, na chuva e no sol, nas aves e nas árvores, no vento e na tempestada; no chamamento da rã, no riso da criança, no cantar nas tabernas, no cumprimento entre amigos: Olá, bons olhos te vejam, está tudo bem contigo?

Tudo o que há para saber já existe em ti. Sendo Ser Humano, dispões já desde nascença de todos os meios para ver e entender. Não precisas de evoluir para ser alguém, já ÉS. Aceita-te como és,
porque tu fazes parte integrante e indisociavel da Criação!

A mensagem que me foi transmitida foi clara, embora difícil de gerir. É uma mensagem que penso ser universal: todos nós somos seres divinos. Significa ter poder -  o direito de decidir e viver a nossa vida como queremos, mas não significa ter poder ou influência sobre a vida de outros, porque assumindo a nossa condição divina, temos que aceitar a condição divina de cada um, em igualdade connosco. Significa perceber que merecemos tanto respeito como devemos aos outros. Significa que merecemos ser amados, na mesma medida que amamos aos outros. Significa, em sumo, que em essência podemos ser livres e feliz, desde que aceitamos quem somos.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

poder xamânico

Uma rapariga tinha vindo para uma sessão de sons, para ver se podia resolver o seu estado de cansaço e desorientação, que já durara mais do que um ano.
Ela acabou por contar que tinha participado numa cerimónia xamânica de ayahuasco – uma cerimónia de origem sul-americana, em que é tomada uma bebida que provoca alucinações. É usada para poder ver o mundo “invisível”, para ter acesso a visões, e que normalmente é usada sob orientação de um xamã.
É uma via iniciática que traz consigo riscos significativos, que demasiadas vezes são subestimados pelas pessoas que procuram este tipo de desenvolvimento espiritual.
A energia envolvida na cerimónia é controlada pelo xamã.  A pessoa que bebe a mistura de ayahuasco, abre o seu sistema energético e deixa-se levar pelas visões, pela experiência extra-sensorial espectacular. Uma experiência de profunda união com o Universo.... Entretanto, está completamente aberta, deixando a porta aberta para o xamã entrar e fazer uma ligação…deixando escondida dentro do próprio sistema da pessoa, uma energia que ele pode accionar à distância.
Após a experiência, e já de volta para a sua vida normal, a pessoa pode começar a sentir que o xamã continua exercer influência, sugando a sua energia quando quiser, criando uma espécie de dependência.

O ponto fulcral nisso tudo é a auto-confiança e a força da pessoa que se submete à cerimónia. É extremamente fácil pretender ter capacidade suficiente para enfrentar a energia invocado pela ayahuasco. Muitas vezes o xamã (ou guru, ou líder espiritual, ou qualquer pessoa que se assuma como iniciado) sabe trabalhar muito bem sobre alguém que anseia por uma experiência, mas que duvida da sua capacidade de a atingir por força própria. Tendo a auto-estima algo baixo, uma pessoa é facilmente convencida que só precisa de se deixar guiar, que  só precisa de iniciação…
Penso que sabemos todos como isso funciona - quem é que não se deixou já, nem que seja uma vez só, iludir por alguém mais forte, alguém com mais conhecimentos, mais experiência?

A rapariga estava cansada de se sentir manipulada por outros com quem só queria cortar. Não era só o xamã sul-americano, haviam outros que tinham conseguido controlo sobre uma parte da sua energia.
Agora só a vontade própria dela podia dar a volta à situação: só ela podia retomar a sua independência.

Na sua condição de Criação Divina, o Ser Humano não é suposto se sujeitar a dependências ou manipulações. O Ser Humano, no seu caminho espiritual, pode ir descobrindo a sua força criativa, a sua própria maneira de criar a sua felicidade. Nisso, somos todos iguais - e deriva da liberdade e independência de cada um, a felicidade de cada um. Repara - não se trata só da nossa liberdade individual, trata-se também de respeitar e fomentar a liberdade dos outros. Igualdade só existe se é para todos! É nesse respeito, essa vontade de ver TODOS os seres no seu esplendor original e único, que encontramos o Amor todo-abangente!
Cada um TEM acesso à Fonte da Energia Universal - e quem precisar sugar energia dos outros, ainda não percebe que também É uma Criação Divina, que também tem toda a força que precisa à disposição, directamente da Fonte. Por outro lado, quem ainda admite que outros lhe limitam a liberdade, também não aceita quem É. Em ambas as posições (a de quem se julga inferior e com menos valor, bem como a de quem se auto-proclama Guia) a pessoa se julga por si só insuficiente ou, no limite, incapaz de assumir a sua condição divina!
Enquanto houver manipulação, enquanto houver quem se sujeita à dependência, o pensamento humano, o seu Poder Criativo, estará sob influência do medo.
Tenho por certo que o medo é a base errada para a Criação de um Mundo Melhor - e não é isso que todos queremos?

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Férias

O período de férias está a chegar ao fim. Espero que todos conseguiram descansar, carregar baterias, pôr as ideias em ordem, entrar no seu silêncio.... para poder enfrentar os desafios da vida do dia-a-dia com renovada coragem e esperança!

Este ano fizemos um passeio muito bonito - subimos ao pique do Almanzor. A paisagem feita de blocos de granito ofereceu vistas espectaculares. As pedras, empuradas para as alturas pelas forças interiores da Terra, estão expostas durante muitos milénios a condições metereológicas extremas: o calor do verão, o gelo do inverno, ventos, chuva, neve..... Elas vão formando e mostrando o seu carácter próprio - e podemos reconhecer nelas verdadeiramente os Ancientes  (os Anciãos), os Stone People (o Povo das Pedras).
Entre elas, somos tomados por uma sensação de mudançã contínua, sem fim, sem início. Ao mesmo tempo parece que aí nada nunca haverá de mudar, que sempre foi assim e sempre será.
Uma grandiosidade natural, em que o ser humano é um mero figurante - e de repente parecem tão insignificantes as vicissitudes da vida moderna: o culto do corpo, a falta de tempo, as ambições, as modas.... o nosso ego (interligado como está com o corpo, físico e efémero) quer tudo já, nesta vida ainda se fosse possível!
Entre os Ancientes encontramos facetas da vida que o ego tenda a descartar: a aceitação das circunstâncias, sem perder a firmeza suave; a beleza de poder Ser, tal e qual como criado, sem necessidade de mudar - a mudança terá lugar pelas circunstâncias. Ancient Ones: honro-vos e respeito-vos, e agradeço-vos pela oportunidade de poder estar convosco.

23 de Agosto 2010 - Almanzor, Sierra de Gredos
Foi um destes passeios que deixa marca, pela distância, pela altura, pela duração, pela dureza. Ninguém desistiu, nem sequer quando a caminhada parecia mais escalada. Cada um foi andando pelos próprios pés,  todos juntos para poderem oferecer a mão ao outro num momento mais inseguro ou instável.Todos se apoiaram mutuamente para poder chegar ao fim - e foi graças ao apoio mútuo que conseguimos também fazer os últimos kilómetros de volta ao carro.
No dia seguinte, ao revêr o percurso, percebemos que a distância percorrida era bastante mais do que o planeado... mas ainda bem que decidimos avançar. Foi óptimo.
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