Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Impermanência

Kalachakramandala - originalmente feito em areia pelos monges budistas, é desfeito após a sua elaboração. 

Parece me importante olhar para a diferença entre as qualidades "permanente" e "impermanente" em comparação com "eterno" e "não-eterno". 
O Eterno é o que não tem início, o que não tem fim. É um estado absoluto, como o fluxo da nossa mente, que continua sem parar.

É possível que algo é eterno e ao mesmo tempo impermanente. Impermanente no sentido de estar em constante mutação. Então o fluxo da nossa mente é eterno e impermanente, porque muda a todo o momento. Observando a tua mente podes confirmar o carácter instável e de constante mudança. O mundo à nossa volta também é impermanente, bem como o nosso corpo....
A expressão permanente é aplicado a algo que permanece igual, sem mudar de aspecto ou carácter intrínsica.A vacuidade da existência inerente é um exemplo de algo permanente.

A nossa mente tem a tendência de resistier à mudança, de querer recusar a impermanência. A mente agarra-se a um estado que definiu como fazendo parte definitivo do seu contexto. Mesmo ao nível mais grosseiro, o nível mais visível e óbvio, a impermanência é difícil para a nossa mente aceitar. Se tivermos por exemplo loiça valiosa, sabemos que a impermanência é inerente ao objecto: a qualquer momento pode partir-se. Mesmo assim, se o nosso filho deixa cair a jarra que a nossa avó nos deixou, a mente pode saltar e encarar a mudança com grande aflição.

Ao nível mais súbtil, as mudanças que têm lugar, não se mostram tão obviamente. São mudanças graduais, que só às vêzes saltam à vista - olhamos para o espelho e vemos as rugas à volta dos olhos, o cabelo branco a aparecer.
A impermanência nos organismos vivos, é muitas vezes encarada no sentido de decadência. Mas podemos também experimentar a viver de uma maneira diferente a tomada da consciência da impermanência. Podemos olhar para a decadência do corpo (envelhecimento, doença, fraqueza) como uma oportunidade no nosso caminho espiritual, uma oportunidade de libertação.
A reflexão sobre a impermanência pode aproximar-nos da vivência do momento ao nível eterno e permanente da mente e da consciência. Pode trazer nos uma liberdade completamente diferente, desapegado da ilusão da permanência.

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