Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Não há caminho para a felicidade - a felicidade é o caminho

Esta frase, que se diz ser proferida pelo próprio Buda Shakyamuni (o Buda que conhecemos da história e que nasceu ca. de 563 anos antos do início da era comum) é enigmatica, convidativa, perturbante.
Não há caminho para a felicidade?
O que faz isso dos nossos objectivos, dos nossos ideiais? Para onde remetemos então o trabalho interior, para quê fazê-lo? E se não há caminho para a felicidade, como vou chegar a ser feliz?
A frase encontra o seu significado ao deixarmos preencher pela segunda parte: a felicidade é o caminho - ser feliz é tudo o que podemos fazer.
Subjacente a essa observação está a noção do SER.... simplesmente SER.
Ser quem és.... na tua própria plenitude, em liberdade.
Ser quem és.... sem constrangimentos de comportamentos, reacções e emoções que foram moldados pela experiência do passado e expectativas ou receios do futuro.
Ser quem és.... de coração aberto, honesta, pura e intuitiva.
Ser quem és..... falando do que sentes, fazendo do que sabes ser justo e honesto e para o bem de TODOS, incluindo para o teu próprio bem.
Ser quem és.... sem preconceitos, sem juizos de valor sobre os outros, e por isso, sem medo de magoar, porque sabes que tudo que fazes e dizes também é para o bem do outro.
Ser quem és.....reconhecendo a tua alma eterna, o teu Eu Superior, por baixo de toda a tua socialização, aculturação, habituação do ego, dentro deste corpo habituado ao conforto material, ao estatuto social.
Ser quem és.... sem medo de ser confrontado contigo próprio!
Aí começamos a ter um vislumbre da felicidade como caminho.... SENDO podemos usufruir de todos os momentos de carinho, de beleza, de amor que encontramos - e crescer com os momentos de confronto, de dor ou doença, de tristeza ou perda.
Parece tão fácil - o que nos impede?
Na maioria das pessoas que me põem essa pergunta, existem receios subjacentes. Receios de perder o que têm, receios do futuro não oferecer o mesmo do que têm agora. Receio de não estar a altura dos desafios. Receio de ser abandonado, rejeitado, ficar sozinho, ou simplesmente não ser aceite e reconhecido.
O antídoto pode estar na fé: que fomos criados com todas as condições para sermos felizes, e que é da nossa responsabilidade acreditar em nós próprios como de igual valor a todos os outros.
Essa fé traz força, até posso dizer poder pessoal. Dá te domínio sobre a tua própria vida. Dá a certeza que podes abrir mão dos teus receios, da tua imobilidade, da atitude de esperar até a vida te acontece. Remetido à tua própria capacidade, podes passar para a acção: mostrando-te, manifestando-te, em palavras, gestos, atitudes ou trabalhos. Criando-te a ti próprio, a cada momento.
Esse é o caminho: um processo de criação contínuo. E como cada processo de criação, é no proprio processo que está a arte: não é de antemão que podemos saber qual será o resultado. É confiando nas nossas capacidades, observando o processo, ajustando no momento em que sentimos que desviamos da harmonia, que criamos a obra da vida.
É no caminho que esta a felicidade.

1 comentário:

  1. Muito bom o texto, da vontade de tatuar pra nao esquecer nunca

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