Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Purificação

Na meditação de ontem,  falámos sobre o período de purificação ritual que se iniciou há poucos dias. Por um lado, a Quaresma começou ontem com a Quarta-Feira das Cinzas, por outro lado o Ano Novo Tibetano e Chinês arrancou com a Lua Nova de 14 de Fevereiro.
Tanto para a tradição occidental como para a tradição oriental, o período está ligado à limpeza  e renovação corporal e espiritual.
Não estando preso a um calendário ritual específico, podemos no entanto aproveitar o espírito de purificação que nos prepara para a Primavera.

No período do Inverno, o  nosso sistema inclinou-se para a introspecção, para a "hibernação mental e emocional" - digerindo os resultados das nossas acções do passado. Agora é altura de limpeza, varrer as teias de aranha, os remorsos, as desilusões; desapegar-nos das ligações que já não são benéficos.
Na tradição cristã, a purificação está intimamente ligada à penitência. Penso que podemos aprender muito com esta ponto de vista. Para podermos libertar, é necessário saber do quê nos libertaremos. Ou seja: para poder limpar precisamos de encarar o que nos obscurece. E a penitência consiste nisso mesmo: voluntariamente vamos de encontro dos nossos erros, das emoções destrutivas, das ilusões da nossa mente; voluntariamente vamos de encontro de todas as nossas acções, palavras, pensamentos, que não contribuiram para o bem-estar nosso e dos outros.

Na meditação mostrou-se bastante complicado focar a mente sobre acções, palavras e pesamentos nocivos. A mente tem a tendência de começar a distraír: podia ter dito isto em vez daquilo; devia não ter comido o que me fez mal; fui tão stúpida em agir assim; se ela me tivesse dito não teria feito aquilo; etc etc, todos conhecemos a nossa mente que é perita em desviar a nossa atenção.
O julgamento de nós próprios que a mente começa a fazer - ou o desculpar, quando julgamos o outro - obscurece ainda mais: a focagem sobre a análise da situação desaparece.
Uma possível estratégia para habituar a mente em não julgar, é fazer o processo de análise como se fosse sobre uma outra pessoa. Se nós conseguimos observar-nos à distância, é mais fácil identificar os correntes em que a mente fica presa. Torna-se  mais óbvia perceber quando o Ego perturbou a nossa interacção com o mundo. E acima de tudo, torna-se mais fácil apanhar-nos a nós próprios no julgamento.

É verdade. Muitas vezes não percebemos que estamos com preconceitos e julgamentos, simplesmente por que são nossos e vivemos há muito com eles. É muito mais fácil ver as obscurações mentais dos outros.

Portanto, procuramos olhar para as nossas acções (palavras, emoções) nocivas sem julgamento. Sem sensações de culpa também. Só assim estaremos aberto para ver tudo.
É natural que precisamos de fazer erros, para poder aprender. Mas a aprendizagem só pode ter lugar após o reconhecimento aberto, sincero, completo, do sucedido.
Precisamos de alguma distância do nosso ego para diagnosticarmos a nós próprios, para fazermos uma limpeza emocional eficaz.
Somos como um médico que olha para o doente para ver porque tem dor de cabeça: se temos o preconceito que este doente está inclinado para ter enxaquecas, podemos não ver que o fígado está a originar o problema - e a medicação pode até piorar a situação.

Ontem na meditação, dedicamos o nosso tempo primeiro à inventariação de algumas acções, (e palavras e pensamentos) nocivas.
A segunda parte foi a conciencialização de que tudo o que nos já deu os seus ensinamentos, podemos libertar. Foi importante olhar para a energia que nos bloqueia, e  que nos tendencialmente chamamos "negativa", como energia que em outro lugar do cosmos possa ter ainda utilidade. Tal como devolvemos o ar ao universo, após o nosso corpo ter utilizado o oxigénio para a combustão interna das células. O que se tornou tóxico para nós, o que expiramos, é exactamante o que as plantas necessitam para a sua respiração. E na respiração das plantas, é expelida o oxigénio, tóxico para as plantas, mas alimento para nós.
Assim podemos olhar para o que acumulamos dentro de nós: a libertação é positiva, é construtiva! Todas as emoções, palavras e acções que guardamos dentro de nós, torna-se  energia acumulada que nos bloqueia. Libertando o nosso corpo desta energia é uma acção construtiva: devolve ao Universo o que individamente guardamos dentro de nós.

A terceira parte da meditação foi uma reflexão sobre a finalidade desta limpeza. Qual é o benefício? 
Quanto mais limpo está o nosso corpo emocional, mais livre poderá correr a Energia Universal através do nosso corpo. Quanto mais limpo estámos, mais livre poderemos deixar a Luz fluir. Mais aberto estaremos para que a força da Terra se encontre com a força do Cosmos, abrindo o nosso Coração. E a partir do nosso Coração podemos fluir para o benefício de todos, incluindo o nosso próprio.
E é assim que podemos viver, no aqui e agora,  a partir deste fluxo, dedicando-no ao Bem de Todo que É.

1 comentário:

  1. Dear Sister of Love & Light Rietske,

    Wonderful to see that you offer your being and skills openly to mankind as well!
    It feels sooo good an openhearted what you offer and share.
    I wish that many people may be touched in their Hearts and feel inspired to wlk their path too, for who they truely ARE.
    And when they don't know, that they may know the way to find you and your pure guiding to accompany them on own path of healing themselfs.

    RainbowHeart Hug, Lucia

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