Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Arco Iris

Hoje de manhã acordei com a luz do sol a brilhar entre as nuvens. Pálida, ainda ténua, o Sol levantou-se entre núvens carregadas de chuva. Todavia, havia uma abertura suficientemente grande para que o Sol se deixasse ver. Suspiro. Quando virá finalmente a Primavera? O meu estado de espírito parecia o tempo lá fora - chuva sem fim. Já há semanas anseiando por um pouco de sol, um pouco de ilumação, pensei em todo que me aconteceu ultimamente. E senti a minha frustração comigo própria, por não ter tido resposta ou entendimento suficiente para o meu gosto.

Então fui abrir as cortinadas do outro lado da casa e vi uma paisagem espectacular - o montado, molhado, cheio, sobre um prado verde, por baixo de um céu cinzento-violeta, e o arco-iris a surgir como se tivesse nascido de entre as árvores.

Guadalupe, 24/03/2010 - 6.45h

A luz do Sol, transparente, imparcial na sua iluminação de tudo que é, tocou nas gotas de água suspensas no céu, e desfez-se nas cores mais delicadas, um arco mais carregado de cores, outro arco como se de uma sombra se tratasse, subtilmente desenhado mais além.

Espectacular. Admirável. Fiquei aí, surpreendida pelo cenário espectacular deixando que as cores me chegassem -
- e de repente, o pensamento surgiu que é isso mesmo que acontece com o ser humano....
A beleza e riqueza do ser humano torna-se visível no momento em que a sua complexidade se revela: tal como acontece quando a Luz pura do Sol passa pela barreira da água, revelando o conjunto de cores que compoêm a brancura, o nosso Ser revela-se quando confrontamos com o outro. No encontro temos oportunidade de mostrar todas as nossas cores (emocionais) - suaves ou menos suaves, carregadas ou leves, mais claras ou mais escuras. É nos dias chuvosas em que o Sol e a Água se encontram para nos mostrar que é também nas tormentas que nasce a perfeição. É nos encontros com o outro que podemos ver o leque emocional que condiciona as nossas reacções -  a tristeza, a insegurança, inveja, dor; a alegria, compaixão e todo o amor que o nosso Ser contém, é refractado e reflectido nas nossas reacções às emoções do outro. Podemos conhecer-nos em profundidade, olhando-nos como se fosse o arco-iris que admiramos, sem fechar os olhos para as cores que não gostamos de ver. Porque o arco-iris também só o é por conter todas as cores

Reconfortante, essa imagem do arco-iris. Senti gratidão por poder testemunhar essa beleza tão intensa quanto efémera e mutante, e percebi mais uma vez que é verdade: Tal como em cima é abaixo, tal como abaixo é em cima.

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