Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

segunda-feira, 1 de março de 2010

A felicidade é o caminho

As palavras podem ser como moedas: reluzente, podem trazer uma riqueza aparente, e bem interpretadas, podem render e resultar em sabedoria.
Mas também podem ser interpretadas com a visão restrita do ego, usadas para justificação, desviar os olhares de uma riqueza mais profunda, tal e qual o que faz o dinheiro fácil ou o briho do ouro com o avarento.
Isto vem a propósito do post da semana passada: não há caminho para a felicidade.
Podemos interpretar a frase de uma maneira que remete à nossa responsabilidade sermos felizes, e fazermos a cada momento o que está ao nosso alcance para ser feliz.  Uma posição de força interior pessoal, de igualdade, emancipada.
Também podemos interpretar como: não há caminho, a felicidade tem que surgir por si só. Esta ultima atitude pode resultar num fatalismo que não traz felicidade, antes pelo contrário, sustenta e prolonga o sofrimento. Uma posição centrado no "ego", que se perfila como incapaz e inseguro, à espera de socorro.
Somos seres sociais, gostamos de viver em conjunto com outros, no intercâmbio de sentimentos, partilhando as nossas ideias, as nossas esperanças, o nosso amor. A nossa felicidade sempre está ligada à dos outros - se nós somos felizes os que estão à nossa volta, recebem ondas boas. Os que nos amam, sofrem quando vêm que somos infelizes. E vice-versa. Neste intercâmbio podemos experimentar a nossa igualdade, a nossa liberdade, o nosso valor ao lado do outro, sem manipulação, dependências ou controlo.
Aí começa a nossa responsabilidade - e a opção de deixar passar a vida à espera que muda no nosso favor, com o fatalismo de "não há caminho", deixa de fazer sentido.
É a nós escolhermos a cada momento para ser feliz. Temos a liberdade de não querer ser feliz, de nos sentir sujeito às circunstâncias, às vontades dos outros.
Mas a nossa liberdade acaba onde a do outro começa. Não podemos limitar a liberdade de escolha do outro - isso acaba por ser manipulação.
O anseio de liberdade, de felicidade, remete para o reverso da moeda: não há acesso à liberdade sem assumir as responsabilidades conexas. Como não há acesso à força sem reconhecer vulnerabilidades.
A Mãe Natureza mostra-nos que para ela, isso é Lei - basta olhar para a borboleta, muitas vezes tido como símbolo da liberdade.
Não há borboleta que voa antes de ter deixado secar ao sol as suas asas: tem que abrir as asas, ainda húmidas depois da saída do casulo, e só pode voar se se expor primeiro, com toda a sua beleza e vulnerabilidade.

3 comentários:

  1. Está óptimo, gostei mesmo!
    Apenas gostava de salientar um aspecto que levei demasiado tempo a perceber:
    A felicidade tambémbnão está em segurar uma borboleta nas minhas mãos, está sim em abrir as mãos e verificar que ela ainda que livre, não parte, fica comigo.
    Tudo de Bom para ti
    Karlla

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  2. Tens razão - não te adianta nada se não deixas a tua borboleta voar. E é isso mesmo que está no texto: a tua liberdade só começa a ser interessante em termos de felicidade, se abras espaço para a liberdade do outro.
    O texto salienta ainda que tu, como borboleta, precisas de te expor e não só mostrar a tua beleza, mas também a tua fragilidade, antes de poder voar.

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  3. Ainda não percebi em que estado está a minha borboleta...

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