Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

quarta-feira, 24 de março de 2010

To be or not to be

A nossa vida parece desenrolar-se sempre entre dois pólos... uma dualidade constante, que divida o mundo tal e qual como o percebemos
Luz e sombra
dia e noite
o eu e o outro
o que faço e o que me é feito
vencedores e vencidos
quem sofre e quem faça sofrer
o masculino e o feminino
a vida e a morte

e por baixo desta experiência de opostos, uma espécie de saudade para uma realidade que una, que sobressai dos opostos, um estado feliz, sem necessidade de escolha, uma harmonia em que tudo possa SER, em que não é preciso tomar partido...
Quer me parecer que esta saudade é provocada por uma memória longícua de um estado primordial, em que tudo o que é, formava um só....
Um estado de plenitude, em que as almas partilharam a mesma energia, antes de começar a dispersar.
As nossas almas parecem lembrar-se - mas encontrámo-nos neste corpo físico, aparentemente separados do resto da Criação por razões materiais.
E nesta separação nasce o sofrimento, que pode tomar todas as formas e mais alguma... um sofrimento porque sentimos a falta de plenitude.
Aí começamos a correr o risco de fugir ainda mais na dualidade, refugiando-nos numa posição extremada - a concorrência e a comparação, a inveja e o apego, a vontade de prender o outro, o controlo, a manipulação, a dependência - tudo isso mantêm-nos na separação. Chegamos por vezes ao ponto de proclamar-nos vítima de circunstâncias; exigir aos outros que emendam os seus problemas (e os nossos, já agora); instrumentalizar a nossa vulnerabilidade, fugindo no silêncio; ou mesmo tentar mostrar, nem que seja a nós próprios, a nossa força e superioridade, atacando o outro.

Mas o caminho para a plenitude - esse estado em que sentimos a energia da vida toda a correr-nos pelas veias, esse estado em que sentimos amados e capazes de amar, realizados como seres humanos - não parece encontrar-se na nossa manifestação como individualidade.

Todos os grandes correntes filosóficos, religiosos, esotéricos, elaboram a ideia que podemos encontrar a plenitude dentro de nós próprios - no nosso SER.
A cerne da questão parece estar em simplesmente SER - neste momento, aqui e agora, sem mais nem menos. Sentindo a vida manifestar-se através de nós próprios, aceitando plenamente que tudo faz parte da vida. Nesta experiência do AQUI e AGORA, o nosso ser, chega a englobar o tudo o que É.
A partir daí podemos aceder à Sabedoria: percebendo que já não é preciso que o mundo fora de nós satisfaça os nossos desejos, que já não é preciso caminhar para chegar a um estado iluminado, que temos acesso a toda a energia vital que precisamos, sem ter que recorrer a outros por isso. Na experiência do SER, podemos sentir que estamos todos juntos nisso, podemos superar a dualidade.

Cada um é quem é - com todas as imperfeições e qualidades, fazes parte do Grande Conjunto. Não precisas de te tornar algo, porque tudo que possas ser, já ÉS. Basta perceber que é o suficiente.
Ser ou não ser - a questão da nossa vida.

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