Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Afinal há esperança (2)

E penso que há efectivamente esperança.
Os ensinamentos dos grandes mestres ensinam que a vida não nos acontece – mas que somos nós, através do nosso passado e das nossas necessidades de desenvolvimento ao nível da alma, que definimos o nosso próprio destino.
É uma grande responsabilidade. E simultaneamente, é uma grande liberdade: podemos ser quem gostaríamos de ser. As nossas próprias acções definem as voltas que a vida leva! As emoções e as dificuldades emocionais, servem de pistas para poder crescer, para poder cumprir o objectivo da nossa vida.
Talvez por isso, as almas gostam de se exprimir através da existência humana. Temos uma panóplia de emoções à nossa disposição – e estamos entre iguais, para partilhar, apoiar-nos mutuamente, e sentirmos em conjunto o prazer e a satisfação.
Não é de graça que recebemos a felicidade. Mas talvez a maior sofrimento que temos que passar, não seja o que os outros nos fazem. Talvez o mais difícil seja mesmo abrir mão do apego que nós temos em relação à nossa personalidade, a tendência de teimar em ficar o mesmo que sempre fomos, agarrando-nos a conceitos sobre nós próprios que foram formados no passado, sob influência de projecções de outras pessoas.
Talvez o mais difícil seja mesmo olhar para nós como um trabalho em progresso, e adequar a manifestação de nos mesmos, a quem realmente podemos ser. A coragem de nos transformarmos de tal maneira que a nossa verdadeira natureza se possa mostrar.
Ai muito lindo, oiço já os pensamentos mais cépticos. Mas isto significa o quê?
Para mim, significa que em primeiro lugar preciso de ver-me e ouvir-me para perceber como me manifesto. Que palavras utilizo? Porquê? Quais são as minhas motivações para dizer certas coisas nas conversas, nas reuniões, no educar dos meus filhos? Uso a palavra para me exprimir, ou uso a palavra para “manipular” a opinião do outro, para que obtenha um resultado visto positivo para mim?
Uso a palavra para me aproximar, tenho um discurso partindo do nós – ou falo a partir de uma separação, uma divisão assumida? Se a ultima opção for verdade ( e muitas vezes é, porque estamos a ser manipulados pelas nossas próprias segundas intenções, das quais muitas vezes não estamos concientes…) as minhas palavras não me apoiam na manifestação de quem realmente aspiro ser – um ser de Luz - mas apoiam o que receio ser – um ser da Sombra.
Ao observar como te exprimas, podes descobrir como o teu discurso te mantém no sítio do sofrimento.
E é por isso que digo que há esperança. Podemos alterar o nosso ponto de vista. Podemos alterar a maneira que falamos com os outros. Toda a gente sabe, se continuamente criticamos o nosso filho, ele vai acabar por pensar que efectivamente que não é capaz.
Porque então fazer isso connosco próprio? Se nos colocamos a nos próprios continuamente numa posição de vítima da situação, acabamos por culpar dos outros e por inferiorizar a nós.
Observando-me, posso descobrir como penso de mim e do mundo que me rodeia – e posso tomar o meu destino nas minhas mãos.

Observe os teus pensamentos: eles transformem-se se em palavras.
Observe as tuas palavras: elas transformem-se em acção.
Observe as tuas acções: elas transformem-se em hábitos.
Observe os teus hábitos: eles transformem-se em carácter.
Cuidado com o teu carácter – ele controle o teu destino. 
(Citação livremente adaptada de Paulo Coelho)

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