Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Apesar de tudo, há esperança

Ela tinha acabada de desmaiar nos meus braços, e estávamos os quatro a  volta dela, que estava a descansar, recuperando os sentidos.
Tinha passado longos dias com dores de barriga, fruto de grandes  preocupações familiares. E quando sentiu, finalmente, que podia  entregar-se ao apoio incondicional dos seus amigos, o corpo tinha cedido.
Sem pensar nela própria, tinha estado a segurar emocionalmente os pais, os filhos, o ex-marido. Já há anos que era assim. E agora, as pessoas conseguiram complicar ainda mais uma situação que por si só já estava difícil. E ela perguntava-se: porque tem que ser assim?

Começamos a falar da vida, as lições que a nossa alma veio aprender neste mundo; e de como tudo o que acontece no nosso caminho, parece ser uma escolha da própria alma, para que serve de  aprendizagem.
Obviamente, gostaríamos de ver isso numa perspectiva essencialmente positiva para nós. Seria reconfortante, e na nossa cultura até podia ser  uma prova de sermos boas almas, se fosse tudo voluntariamente, de género: sofro das más acções dos outros, para aprender que não é assim, e para aprender como me sacrificar para os outros.
Mas cada vez mais vejo que a alma veio para se emendar a si própria, limando e aperfeiçoando dificuldades na sua própria estrutura, na sua  própria resposta ao mundo.
Estou a chamar dificuldades e não falhas, porque é importante não julgar, nem a nos próprios, sob pena de não sentirmos suficientemente fortes para a transformação. Na verdade, são dificuldades na nossa estrutura espiritual, que nos impedem sentir Unos e realizados. Indecisão, excesso
ou falta de auto-estima, arrogância, medo, desrespeito, falta de fé, sede de poder, you name it. Nada de humano nós é estranho.
Por isso temos de fazer o caminho de aprendizagem, não tanto voluntariamente, mas como parte obrigatório do currículo: no nosso caminho de volta à casa, de volta à Luz, temos de passar pelas dificuldades todas.
E depende de nós como lidamos, se ficamos teimosamente apegados às nossas reacções emocionais, ou se percebemos que podemos também optar pela transformação.
Chamam a isso, noutros lugares e culturas, Karma. Não no sentido de castigo – que os maus acontecimentos são para pagar dívidas às vítimas que fizemos em vidas passadas – mas no sentido destes acontecimentos servirem de oportunidades para chamar a nós a responsabilidade sobre o nosso estado de alma.
Uns exemplos: Se estou a ser confrontada com uma família ou parceiro, que não sobressai do vertente material, físico, posso deixar que isso limita o meu desenvolvimento – ou posso escolher o caminho que mais me realiza e satisfaz, independentemente de houver ou não aprovação.
Se tenho pais que não me mostram nenhum reconhecimento, que se resguardam na crítica, posso sentir pena de mim e dizer que isso me limita. Mas também posso ver esta situação como condição que me leva a reflectir, à procura do meu reconhecimento interior, procurar o meu valor intrínseco,
que não está dependente da aprovação ou valorização exterior.
Se estiver rodeada de gente que me utiliza como fonte de energia, descarregando os seus problemas sobre mim, sentindo-se melhor a minha custa, posso me perguntar o que faz com que eles pensam que me possam usar como se eu fosse descartável…o que isso disse sobre mim? Porque é que eles parecem ter algures a ideia, que não tenho dignidade? Será que não me manifesto como merecedor de respeito?

Todas as reflexões sobre o que já passamos, sobre onde nos encontramos agora, o sofrimento, os receios e as dúvidas a que estamos sujeitos, podem levar-nos a perceber que a nossa vida tem um objectivo precioso: aperfeiçoar-nos a nos próprios, através da interacção com os outros – e
talvez ainda mais importante do que isso: contribuir para que os outros possam se realizar, em harmonia connosco e com tudo que nos rodeia.
Todos juntos estamos no mesmo caminho de volta à Luz.

2 comentários:

  1. simplesmente lindo e inspirador como sempre cara nossa Amiga

    Francisco

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  2. Vocês os quatro ajudaram essa pessoa a sentir-se de novo Una! Um grande bem haja (como diz a nossa Amiga!)
    cristina

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