Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

terça-feira, 27 de abril de 2010

As lições que vamos encontrando

Tenho estado a descrever exemplos de lições da vida, que podemos tirar ao observar a Natureza. É uma maneira de aprender através da beleza. Parece ser a mais harmoniosa dos métodos - mas nem sempre é nós possível chegar à apreciação da beleza.
No nosso caminho, procuramos uma vida tranquila, equilibrada - procuramos a nossa capacidade de lidar com o sofrimento, a angústia, o medo, a insegurança, a inércia, a doença e a morte. Procuramos o nosso centro, em que podemos Ser, sem receios. Procuramos uma via de nos unirmos ao Universo, de nos sentirmos integrado no Todo.
Mas, caminhando, temos que reconhecer os véus que tapam a vista para nos podermos ver a nós tal e qual como somos. Véus que tapam a nossa visão sobre o Mundo, nas suas subtilidades, complexidades, multifacetada e colorida, cheio de oportunidades de desenvolvimento.
Muitas vezes as lições vêm ao nosso encontro vestidas de conflito. Quem é que não reconhece a situação em que encontramos alguém, precisamos de falar com alguém, e essa pessoa tira-nos do sério, só pela maneira de ser - empurrando-nos para uma atitude de defesa ou rejeição, fazendo com que dizemos ou fazemos coisas que só agravam a situação.
E..... na maioria das vezes, deixamos de observar a situação, entramos nos esquemas do Ego, e deixamos de ver a lição que a Vida nós propõe.
E quem não se viu a apontar o dedo ao outro, como provocador do mal-estar! Esquecendo completamente que é por termos desequilibrios emocionais dentro de nós próprios que ofereceram a possibilidade para o outro puxar o gatilho!
O que pode acontecer a seguir é que a nossa atenção entra num estado de defesa e de luta - um estado de profunda separação e dualidade. E se não tomamos consciência, afastamos cada vez mais do nosso objectivo de vida, que é a União.
Levei algum tempo até perceber que não é preciso defesa contra os que afectam ou procuram afectar o meu equilíbrio.
O que me fez muito bem, foi ir vendo o mecanismo que se acciona nestas situações, observando como se fosse a partir de uma terceira pessoa. Percebendo que as minhas emoções e reacções emocionais, dizem mais sobre mim do que sobre o outro. Aceitando que entrava no sofrimento por iniciativa minha, percebi que podia também ver o outro tal e qual como é, e que podia simplesmente aceitar isso mesmo! Não era necessário defesa - o que foi preciso era compaixão, aceitando o outro como é, não querendo alterar nada.
O que observei, foi que a minha mudança de atitude não só me deixava mais calma, com mais capacidade de entrar em diálogo, como deixava me mais intacto. O respeito que mostrava ao outro, deixando o ser, fluia, parecendo voltar como respeito para mim. A compaixão que mostrava - uma atenção genuina, voluntária, livre - parecia abrir uma outra fonte energética, e comecei a sentir que afinal tenho capacidade de lidar com as situações.
Isto não quer dizer que nunca mais sou tirado do sério, se não sou provocável. Significa somente que descobri que não preciso ser vítima das minhas reacções emocionais, e que posso encarar estes momentos difíceis, de conflito interior e exterior, como oportunidades de aprendizagem.
Estamos a cada momento no sítio certo para aprender o que tivemos que aprender. Encontramos as pessoas certas que nos trazem as lições que nos permitem avançar e crescer. Naturalmente falhamos muitos destes momentos. Mas a Vida é paciente e generosa: oferece nos as dificuldades tantas vezes quantas necessárias, até percebermos quem Somos.

2 comentários:

  1. Nos últimos tempos, as minhas vivências e as minhas leituras têm-me mostrado isso mesmo. Ainda acho um pouco difícil (não sei se será alguma vez fácil) não reagir de forma "improdutiva" (com irritações e explosões) a alguns comportamentos, mas sinto-me no caminho certo...
    Havemos de lá chegar!

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  2. havemos de lá chegar, também penso assim... e entretanto trabalharemos o nosso julgamento! Se conseguiremos não julgar o outro, a necessidade de reagir de forma improdutiva vai-se esbatendo, favorecendo a observação compassiva.

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