Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

domingo, 11 de abril de 2010

A flor da montanha

Junto ao riacho que apareceu quando a neve se rendeu ao Sol, no meio de um tufo de erva seca, a conjugação de luz, calor, terra fértil e água a correr, fez nascer umas flores.

Pequenas e delicadas, mas incrivelmente decididas em florescer! Sem receio de abrir, com toda a fragilidade que lhes é própria, mesmo sabendo que ainda há noites tão frias que as possam gelar.

Rentes ao chão abrigam-se dos ventos entre os restos da vegetação da época passada.

Percebo que ao viver como Ser Humano podemos aprender lições valiosas – se estivermos dispostos a observar como funciona a Natureza.

Vivemos a vida toda divididos entre o nosso anseio de funcionar em Harmonia com tudo que nos rodeia, e uma necessidade de ser reconhecidos por nosso valor individual. Chegamos a considerar que a nossa individualidade é tão importante, que sentimos necessidade de nos defender perante o meio em que estamos inseridos. Mesmo quando percebemos que não estamos a conseguir o aproveitamento das oportunidades da vida, desculpamo-nos com a hostilidade dos outros, do meio, com a falta de reconhecimento, e de atenção do outro para connosco.

Escondemo-nos em reacções defensivas, e acabamos por não ver que a vida oferece-nos as adversidades próprias para que nos podemos enfrentar questões fundamentais. Agarrando-nos à ideia que precisamos que os outros vêm a nossa força, esquecemos de nos abrir para a mostrar.

Em comparação com as que se abriram, parece que nós não temos cor. Chegamos a criticar, invejar, julgar o outro – para não ter que ver que o que nos falta, é ter a coragem de florescer.

A beleza, a perfeição até, está na coragem de mostrar as nossas fragilidades, as cores delicadas do nosso coração. É verdade que ao abrir, mostramos como é fácil derrubar-nos… e corremos o risco de ser pisados. Parece que a força da vida está precisamente nisso.

Como podemos trilhar o nosso caminho, cumprir o objectivo da nossa vida, se não nos mostramos ao mundo? Seria como a semente da flor da montanha, à espera que toda a neve desaparece, para descobrir que as circunstâncias que permitiriam a sua floração, já passaram.
Podemos invejar as cores e a exuberância das flores tropicais, mas esta flor delicada mostra-nos que vale a pena acreditar em nós próprios. Mesmo sendo pequenos, assumindo a nossa fragilidade, a nossa presença é fundamental para a beleza do conjunto.

Sem essas florzinhas, a serra não seria o mesmo.

1 comentário:

  1. A alma deve estar sempre pura para poder deporar o que vai ao seu encontro.

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