Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

domingo, 23 de maio de 2010

Espírito Santo, a Respiração Divina


The soul is the divine breath. It purifies, revivifies,
and heals the instrument through which it functions.

Hazrat Inayat Khan
 
Quando, nas nossas meditações, focamos a nossa atenção toda na respiração, temos acesso a muito mais do que um exercício de relaxamento ou um treino da capacidade de concentração. Em si, e por razões várias, é a técnica que forma a base de toda a meditação. Por exemplo, a focagem na respiração permite acalmar a mente, no sentido de se concentrar no próprio momento, no "aqui e agora".

Ao observamos a respiração, percebemos que podemos alterar com a nossa vontade o ritmo e a profundidade, mas por natureza ela é autónoma, i.e., também acontece se nós não a vigiamos. Quando começamos a abrir mão do controlo mental sobre o corpo, e permitimos que a respiração acontece por si, podemos começar a sentir um fluxo energético a percorrer-nos ao ritmo da respiração.

Um circuito que percorre o corpo de cima para baixo, de baixo para cima - para dentro, para fora - fazendo o corpo expandir, encolher. É força de cima, a Luz, o etéreo, que nos entra por dentro e que nos toca no fundo do corpo - onde se encontra com a força da Terra vindo de baixo, a força física, a profundeza... que sobe e se estende para fora de nós, através de nós. A inspiração conduz para dentro da nossa existência o Espírito… e manifestamos a nossa existência, expirando.

É a própria vida a acontecer - à imagem da mudança contínua que acontece dentro do corpo. Tudo muda, altera; celulas nascem, crescem, morrem... incontáveis cíclos de vida a terem lugar dentro de nós, a cada momento.

Cada respiração é como um ciclo de vida: a força abstracta que sentimos como Cósmica, una-se com a força concreta, com forma, e que sentimos como a força da Terra. É o Yang a encontrar o Yin. O masculino a encontrar o feminino. O Divino Pai, sem forma, sem expressão que conhecemos, encontra na respiração a Divina Mãe – que dá forma, que faz nascer…. Recebemos o nossos corpo pela Mãe, e o Pai escondeu um fragmento de si próprio no nosso coração, fazendo de nós uma criação divina, um Filho de Deus.

Hoje festejamos Pentecostes – a festa que comemora o dia em que o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos. O Espírito Santo – o nome que damos a um dos padrões energéticos do Universo, nomeadamente esta força que desce do Vazio que Tudo Contém (o Deus Pai dos cristãos) para que este se manifesta.

Espírito Santo: o Sopro, a Respiração, que nos lembra do movimento da nossa Alma. Nascemos da Fonte, para poder experimentar e exprimir, através da nossa existência humana, o seu Amor e a sua Compaixão. E quando realizamos a nossa verdadeira identidade, quando expandimos até realizar a nossa potência, voltaremos a unir-nos com a Fonte.

Tantas vezes respiramos na nossa vida. Tantas vezes nem damos por isso. Hoje é um dia de lembrarmos da maravilha da Vida que tem lugar em nós.
Respira fundo, e lembra-te que também tu és uma parte do Grande Mistério da Vida.

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