Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O espelho e os pais

Em reacção ao post Sincronias, Cris escreveu: Talvez a nossa relação com os nossos pais seja a que mais contribui para nos fazer crescer.
Fiquei a pensar nisso.... e entre as muitas coisas que se podia dizer sobre o assunto, escolhi uma. Senti também que podia falar de um caso mais ou menos concreto, mas ia alongar muito, pode ficar para mais tarde.

Entre as pessoas que me falam sobre as dificuldades no seu processo de crescimento, há muitas que sentem que se precisam de libertar dos limitações que a educação lhes deu, para poder crescer.  A maioria das pessoas descreve a sua relação com a família e os pais como limitador - no sentido de se sentir obrigada de crescer conforme os ideais dos pais, ou por outro lado conforme as frustrações e dificuldades emocionais dos pais, e não conforme o seu próprio potencial. 
O facto de nascermos junto a um pai e uma mãe específicos, faz com que nos desenvolvemos em grande parte em função do equilíbrio emocional deles - estável ou não, abertos ou fechados, com rigor ou liberdade.... A maneira que lidamos com a vida é moldada a partir do comportamento destes que estão nos mais próximos na infância. Por imitação (independentemente se estamos conscientes disso ou não) ou por defesa, por revolta ou em harmonia, grande parte de quem somos é formada na infância.


Penso que vale a pena reflectir sobre a lição principal que tivemos oportunidade de aprender junto aos nossos pais. Partindo do princípio que nada acontece por acaso, o enquadramento familiar é uma pista importante sobre a lição que a nossa alma quis aprender ao vir a esse Mundo. A nossa família biológica não pertence obrigatoriamente à nossa "família" primária de almas, mas é sempre formada por almas que têm características necessárias para o nosso desenvolvimento. Olhando para a maneira como cada um dos membros da família procura Ser, observando a maneira como cada um se valoriza a si próprio - e como lidam com a sua individualidade, a sua força espiritual, o seu poder, podemos começar a perceber qual a lição nisso para nós.

O confronto com os nossos pais pode nos servir de espelho - para ver-nos a nós na maneira como nós lidamos com todas estas questões.

No final de contas, quando consideramos o objectivo final que todas as pessoas, no mundo inteiro, perseguem, temos que reconhecer que todos querem ser felizes. Realizadas como seres humanos. Viver na experiência de poder amar e ser amada.
Se olharmos para os nossos pais, podemos ver as escolhas que eles fizeram nas suas vidas para poder chegar a este estado realizado. Quais são / foram as estratégias que aplicaram para sentirem o seu valor como ser humano? Qual é / foi a atitude perante os seus próximos? E de que estado emocional originaram as estratégias e atitudes?

Através das emoções que sentimos quando lidamos com os nossos pais, podemos chegar a perceber que nós próprios adoptamos estratégias e atitudes para sentirmos bem connosco. Muitas vezes são comportamentos que perderam de vista o objectivo final (ser feliz e não sofrer) mas são simplesmente uma reacção ao sofrimento, uma tentativa de não ser abalroada pelas circunstâncias emocionais.
Se escolhermos viver assim, havemos de estar sempre dependente do ambiente, dos outros, para podermos ser feliz. Não haverá outra maneira? Não podemos encontrar dentro de nós a fonte do não-sofrimento, da paz duradoura?
Na relação que temos com os nossos pais, podemos observar se existem em nós padrões de comportamento derivados do condicionamento educacional - por querer ser como eles ou por não querer ser como eles de maneira nenhuma.
E podemos fazer agora sim, conscientemente, escolher se vamos ou não continuar nesses comportamentos ditados pelo ambiente em que crescemos.
Temos esse poder de mudar, a todo o momento. O poder de criar-nos a nós próprios, observando-nos e libertando os comportamentos que foram ditados pelas circunstâncias.
Libertando-nos deste modo, abdicamos de prolongar a nossa quota-parte do sofrimento no mundo.  Abdicando de comportamentos emocionais que nasceram na dor (mesmo esses que dão uma aparente "satisfação"), que tiveram a sua origem na "manipulação" exterior, optamos para a felicidade, para a liberdade.
E assim, escolher para não agir mais a partir de emoções difíceis, encontramos também uma maneira de contribuir para o Bem de Tudo que É.

1 comentário:

  1. Agir a partir das emoções difíceis - ou seja, não agir assim.
    Concordo e isso parte da capacidade da autoobservação perante tudo que li aqui.
    Sim, reconheço que há padrões que herdei e por incrível que pareça, herdei mais da mãe e da avó com quem convivi pouco - talvez por isso mesmo - tornaram-se encantadas para mim. E deste modo, fincaram-se de modo silencioso no meu mundo interno.
    Mas - que força tem isso!
    Obrigada.

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