Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Os sons do nosso pensamento (1)

Há poucos dias, veio à consulta uma mulher que descobriu ter miomas e quistas ginecológicas. Ela queria falar sobre a interligação entre o corpo e a alma, entre psyche e soma, perceber como os problemas físicos estão relacionados com a atitude que ela tem perante a vida. No decorrer da sessão chegou a perceber como a situação física evoluiu em paralelo com a sua evolução espiritual, e a maneira como ela olhava para si própria.
O nosso corpo físico é um espelho da nossa alma, e já é de senso comum perceber que a maioria (se não todos) as doenças que encontramos, têm uma ligação íntima com o desenvolvimento do nosso corpo emocional.
Embora este assunto convida para elaborar pensamentos sobre o nosso Karma, não vou por aí hoje.
Antes queria retomar um tema que foi iniciado num post do algumas semanas atrás : Afinal há esperança . Aí falou-se da capacidade, necessidade e das dificuldades de nos manifestar através da palavra.
E referi um aforismo de Paulo Coelho, que reflecte sobre a importância dos pensamentos na formação do nosso Ser.
No dia-a-dia, os nossos pensamentos surgem praticamente sem darmos por isso. E quantas vezes não damos seguimento aos pensamentos, avaliando o que surgiu, com opiniões, julgamentos, pensamentos emocionais – antes de nos darmos conta, estamos encurralados num rodopio de pensamentos.
E utilizamos na maioria das vezes palavras para formular os nossos pensamentos.

A palavra é sagrada… a tradição diz que o Mundo foi criado a partir da Palavra. Podemos  falar do som primordial, OM, ou do Logos da Bíblia ou do Big Bang e com certeza haverá ainda outras referências: A Palavra, o Som, é considerado iniciador da Criação – a sua vibração deu início à formação da Vida.

Esse princípio encontrou uma elaboração em muitas tradições.
Religiões e sistemas de pensamento orientais usam o Mantra; no Cristianismo são veneradas as Escrituras, a Palavra do Senhor; os nativos norte-americanos dizem que no teu Nome está a tua Virtude; o Cabala encontra os significados das palavras, através de uma análise do seu valor numérico.

As palavras e a sua vibração estão na base da criação! Porque será então que damos tão pouco valor às palavras que escolhemos para pensar?
Tão fácil é pensar, tão rápido e fluido, que mal percebemos que enchemos essa corrente com julgamentos sobre nós e os outros. Se observares o teu pensamento, vês palavras que te classificam, que te avaliam. Podes descobrir como realmente pensas de ti – e realiza-te que estás continuamente a lavar o teu cérebro com este tratamento de sons!
Podes perguntar-te donde vêm as palavras que escolhas – e podes descobrir emoções há muito enterradas no mais fundo do teu coração. Olhando para elas, reconhecendo-as, nomeando-as, sem julgamento, simplesmente reconhecendo que fazem parte do teu caminho, estas emoções podem ser libertas.
Medos antigos e bem disfarçados podem estar na base de pensamentos. E muitas vezes até sabemos quais os nossos medos, todos sabemos algures quais os medos maiores que moldem a nossa atitude. Seja ele receio de ficar sozinho; a insegurança e falta de auto-estima, ou medo de não estar à altura; a necessidade de ser reconhecido; a incapacidade de fazer escolhas…. O que é realmente difícil é de olhar para estas correntes subconscientes sem julgamento, sem resvalar para a rejeição ou fuga para frente.
A boa notícia é que podes ultrapassar estes medos, olhando de frente para eles, para poder entender como te limitam no teu crescimento, na tua valorização como pessoa.
No entanto, será muito difícil de libertarmos, se nos pensamentos cultivarmos o apego – por exemplo através de uma sobrevalorização do ego, da segurança material, do passado; ou inclinando para o comodismo, a ilusão, a vitimização, confundindo amor com segurança, e compaixão com pena.
O apego – que tem a sua origem na ilusão que a felicidade se constrói a partir de circunstâncias externas – mantém-nos refém, remete para a dependência, numa subjugação. O apego faz com que não vemos que a salvação não tem por hábito vir de fora, teremos de construí-la por dentro.
A raiz da nossa cura está na mente, na nossa maneira de pensar, na capacidade de abrir mão de pensamentos formatados no passado e repetidos por hábito. Tens a liberdade de escolha a cada momento – ninguém pode obrigar-te a pensar numa maneira que te limita, que te diminua. Podes mudar agora, mudando a maneira que pensas. 
(to be continued)

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