Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Uma aproximação ao desapego da mente

Nas meditações desta mês estamos a trabalhar a identificação com outras formas de vida - animais, plantas, árvores, a rocha no rio, a água.

 "Forest River (1)" Yevgeny Burmashkin 2006

Uma meditação destas leva por vezes a um estado de profundo relaxamento em que podemos escapar do dia-a-dia, esquecer por uns momentos dores físicas ou emocionais, sem ser distraido por pensamentos que perturbem, que pescam preoccupações. Por si só, este estado já é uma maneira de nos purificar e limpar o nosso sistema.
Mas por muito agradável que seja um estado de conciência assim, no meio do nada, sentindo a nossa plenitude, não é isso que constitui o objectivo principal da meditação.
No mês passado fizemos uma série de meditações explorando o "mindfulness" - atenção plena no momento presente. Nestas meditações (e no workshop) exploramos a importância de manter acesa a nossa capacidade de observação e de estar alerta. Ao observar o que se passa no corpo, aprendemos a observar o que passa pela mente - aprendemos a não identificar o nosso Ser com a nossa capacidade de pensar.
Nas meditações mais ligadas à Natureza, que fazemos agora, oferecemos ao nosso sistema corporal e sensorial, a oportunidade de se identificar com outras formas de vida, outros "corpos", com maneiras de funcionar diferentes do nosso sistema humano.
Oferecemos assim também à mente a oportunidade de alargar os seus horizontes - de encontrar maneiras de pensar diferentes, bem como outras maneiras de lidar com o fluxo de vida. Oferecemos à mente a oportunidade de deapegar-se de padrões de pensamento. Os comportamentos da mente (identificáveis no "ego") são na sua maioria resultado de aprendizagem subconsciente, através do sofrimento. A entrega a um outro ponto de vista, ajuda a pôr em perspectiva as escolhas que fizemos e fazemos. É um apoio para libertar-nos das escolhas e comportamentos baseados na experiência da dor - e pode abrir caminho para escolhas e comportamentos baseados no re-estabelecimento da Harmonia.
Observando o corpo, podemos aprender como oferecer-nos ao fluxo natural da vida, sem necessidade de controlo, sem necessidade de ambição, apenas e acima de tudo, Sendo.

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