Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Dúvidas

Esta semana recebi de uma amiga nossa este texto:
Ouvir e Falar    (Odylanor)
Dizia o mestre:
- Se fizeres o que faço, serás apenas igual  a mim.
- Se fizeres o que digo, poderás ser melhor.
- Se ouvir a todos que te falam, serás melhor do que és agora.
- Se falar a alguém, crescerás.
- Se falar a muitos, crescerás em dobro.
- Se ouvido por muitos, crescerás mais ainda.
- Se seguido por muitos, terás a  glória.
- Se divides a palavra, a audição e a glória, terás a luz verdadeira da Grandeza Humana.
- Se fizeres herdeiros da grandeza humana alcançada, serás multiplicado e omnipresente.

E lembrei-me de um episódio que vivemos recentemente num dos grupos de meditação.
Após a meditação é costume ter um momento de partilha de experiências. Todos têm a sua visão interior própria, cada um é diferente, sente e vê coisas diferentes...  a partilha é muito enriquecedor. A troca de experiências ajuda a perceber o que nos acontece - as palavras que cada um usa para exprimir a sua vivência podem ser adequadas também para os outros, para poder perceber e integrar a sua experiência privada.
Procuro estimular a abertura total nos grupos, em que todas as experiências valem o mesmo - não é por poder "ver" que alguém é melhor do que o outro, ou mais avançado, ou mais evoluido..... todos valemos por quem somos, e na partilha procuro dar espaço para cada um poder exprimir-se.
Os assuntos que falamos podem ser todos, desde emoções, problemas físicos, sonhos.... é uma procura de aprofundamento e entendimento. Às vezes os assuntos não são as mais fáceis a digirir - e quando houver pessoas cujos olhos interiores lhes fornecem imagens de entidades ou forças do "além" - guias, seres da Natureza, Mestres - pode ser estranho ter que assistir a isso para quem não tem estas visualizações.
Mesmo assim, considero importante que falamos. As energias que vemos à volta das pessoas, em forma de seres de Natureza ou Mestres ou "Anjos de Guarda" (deixando à parte para já os guias pessoais) são de facto simbólicos para os processos emocionais e espirituais em que a pessoa se encontra, no seu caminho de volta para se reunir à Fonte de Tudo que É.
Todas as tradições têm as suas próprias expressões para explorar este fenómeno. Por isso, cada um vê ou sente da sua propria maneira, na forma exacta para que está mais aberto de receber a mensagem.
É uma linguagem simbólica, iniciática, que nos remete sempre para dentro - porque de facto, se nos somos UM, nada existe para além da nossa mente. O facto de vivermos em dualidade, separados da Fonte, faz com que nos interpretamos estas energias como externas. Mas muitas vezes, elas são como os diferentes Budas a quem apelamos: representam uma qualidade em nós - e se aparecem agora, é porque precisas dar atenção a esta qualidade.
Nos momentos após a meditação, falamos sobre estes assuntos, exploramos este vertente que está oculto ao olho físico. E descobrimos que tudo pode ser visto, que não faz mal nenhum mostrar-nos em toda a nossa vulnerabilidade e força. Procuro fomentar a segurança de estarmos entre iguais, pessoas que se aceitam mutuamente incondicionalmente, que estão aí para ajudar a ultrapassar o medo e receio.
Mas desta vez, alguém ficou muito atrapalhado - disse que não gosta muito de falar sobre estas coisas e saíu de repente..... deixando o grupo perplexo.

Faço agora aqui a descrição deste episódio, porque deixou-me algo apreensiva. A minha opção é a partilha, a transparência, a abertura... partilho o que vejo nos outros, para que possam apanhar o que acham importante para a sua realização, deixando de lado o que acham que não vale a pena. Gosto de ver as pessoas a crescer, a voltar a si, mostrando a sua beleza, a sua força, realizando-se conforme foram criadas. Gosto de ver as pessoas livres, sem constrangimentos.... juntos por livre vontade. Sinto que é ai que o Amor acontece - na atenção plena, na apreciação da beleza do outro.
Aprecio também que me dizem o que vejam, para que eu posso avaliar onde estão as barreiras que preciso ultrapassar ainda para poder ser Eu, em pleno. Claro que também para mim por vezes é difícil ouvir as observações, porque tenho como toda a gente as minhas formatações, as minhas emoções conflituosas, os meus padrões de reacção baseados em dores e sofrimento do passado. Mas é mesmo para poder deixar de ter estas limitações que estou disposta a partilhar.

O conflito interior que vi na pessoa que saiu bruscamente da sala de meditação, fez me pensar... Vi na pessoa receio de se perder, de perder a sua autonomia e caminho individual. Mas senti também que é altura de abrirmos, de mostrarmos que não há nada estranho por aí, que podemos ter todos acesso à Verdade Cósmica, à aceitação de quem Somos, à Liberdade, à Igualdade, ao Amor Universal.
A Criação fez-nos todos diferentes, e não me parece que é a Intenção ou Plano de deixarmos de ter o nosso próprio caminho para acreditarmos todos o mesmo. A Verdade é só Uma, os caminhos são múltiplos.
Será que fiz bem em deixar a pessoa saír sem tentar entrar em diálogo? Devia tê-la explicado isto tudo? O que pensam vocês, que lêem isso?

3 comentários:

  1. Penso que fizeste bem em deixar passar esse momento sem dizeres nada.
    Quando estamos em conflito interior, em momentos de muita tensão, não somos bons ouvintes, não temos, em regra, disponibilidade para sermos confrontados com o que nos aflige.
    No entanto, considero que é essencial que fales com a pessoa e lhe transmitas a mensagem.

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  2. Olá!
    Não se preocupem que não estou em conflito convosco. Gosto de "meditar" convosco e continuarei a ir sempre que puder e assim o sentir. Tenho algum "pudor" com a ligeireza das palavras nestes assuntos pois a mente é uma grande armadilha. Nesse dia particular incomodou-me o "ruído" verbal que se levantou no final, quando eu precisava um pouco de silêncio. Espero que compreendam. Não vos queria magoar. Um Abraço e até um dia destes

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  3. A nossa alegria, bem como a vontade de falar sobre estes assuntos, podem ser confundidas com ligeireza, mas penso que todos nós percebemos da profundidade da questão, bem como os perigos associados, por exemplo o ser seduzido a simplificar ou a iludir-nos acerca do papel que a nossa propria mente e o nosso ego têm na imaginação. No entanto, no que me diz respeito, faço por ser sempre verdadeira e fiel, respeitando as forças involvidas, e emprestando a minha voz para que elas possam estar presentes.
    Ao mesmo tempo, percebo se o nosso ruido verbal te incomodou - tenho consciencia que exteriorizo muito, e que isso possa cilindrar necessidades mais discretas. Não foi a minha intenção desrespeitar o teu espaço pessoal, peço por isso, sinceramente, perdão.
    Até breve.

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