Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

terça-feira, 1 de junho de 2010

O som dos nossos pensamentos (2)

Com os nossos pensamentos compomos a base da harmonia vibracional em que a nossa vida se desenrola.
Efectivamente, há muitas semelhanças com o trabalho do compositor musical. Sabendo como a marcha ou a valsa têm efeitos diferentes sobre o ouvinte; consciente que o som de uma harpa ou de um fagote provocam sentimentos diferentes; sabendo como a bossa-nova mexe connosco de modo diferente como o techno-pop faz, o compositor procura a harmonia e os ritmos adequados para o efeito que procura.
Assim, também podemos saborear o efeito diferente dos pensamentos – sentimos mais do que percebemos logicamente, o tom diferente quando se pensa antes de uma entrevista importante: “vamos lá ver se desta vez não estrago tudo” ou, em vez disso: “desta vez tenho melhor hipóteses de conseguir”.
E quem não conheça o efeito desestabilizador e perturbador de um espiral de pensamentos pessimistas? Como ficamos fisicamente influenciados também sabemos…. Se não sabes, pergunta ao teu estômago como funciona o mecanismo.

Naturalmente nem sempre é fácil identificar como o corpo é moldado pelo pensamento.
Talvez seja interessante mencionar, esquematicamente, algumas das tendências que encontro com bastante frequência. Com estes casos não quero fazer da nossa mente a má da fita, ou atirar culpas. O que pretendo é ilustrar em que medida o nosso corpo é o nosso aliado se quisermos nos desenvolver como Ser Humano – as suas “avarias” são pistas que indicam áreas em que temos ainda assuntos à espera de serem tratados.
Casos de dores nas costas (principalmente na zona dos ombros) em pessoas que pensam que não têm outra saída do que carregar com os problemas dos outros: Pode ser por se sentirem assim útil e reconhecidas; pode ser que pensam que têm que carregar com a farda, já que os outros lhes procuram já com a expectativa que há disponibilidade. O círculo vicioso mental pode ser formado por pensamentos do tipo: Sou forte, tenho que conseguir e aguentar; acompanhados por: Sofro, estou doente, mas eu não me queixo; As coisas são assim, não há nada que fazer; e: Eles são assim, tenho que aguentar. Obviamente há muitas variações sobre os mesmos pensamentos, e não tenho dúvida que todos nós conhecemos exemplos.
O caso das quistas e miomas: são criações do corpo que não contribuem para nada, são criações vazias, sem sentido. A maioria das mulheres que me consultam com esse problema, cultivam sentimentos de culpa em matéria sexual. Nos seus pensamentos correm ideias ilusórias sobre a realização pessoal através de uma relação sexual satisfatória – ilusórias não só porque uma realização pessoal plena nunca se baseia só em ser desejada ao nível física - mas também porque a relação é orientada para as necessidades do homem e a consequente  sensação de aprovação que a mulher recebe. A mulher confunda-se com a sua aparência física, mas quem ela é, não é vista. O que é classificada como uma relação de amor, torna-se assim, numa relação de dependência e manipulação emocional. A culpa está escondida na atitude de pensar que a mulher tem que aceitar  ter relações, mesmo sabendo que não é amor honesto.
A mente forma os seus pensamentos muitas vezes com base em experiências anteriores, por hábito, sem ter em conta a situação do momento. Sabemos sempre explicar as razões que nos levaram à situação em que nos encontramos – mas porque não mudar?
Se temos uma mente tão forte que consegue desarmonizar-nos, porque não treinar a mesma mente para funcionar em harmonia, baseado na experiência do momento actual?

(continua)

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