Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O aspecto feminino em cada um de nós

Hoje, dia da Lua Cheia, é um bom dia para pensar na femininidade.  A Lua é conhecida como "tecedeira de marés"- a sua força de gravidade provoca nas partes flúidas do sistema Terra um movimento cíclico, um ir-e-vir que lembra a lançadeira usada nos teares.
A parte flúida - as águas dos mares e oceanos, mas também no nosso corpo há uma parte que flui. E com as águas e o sangue, flui a nossa emoção. No período da Lua Cheia as emoções também experimentam uma espécie de maré cheia, uma plenitude, a sua força completa. Altura fértil e pleno, em que as mulheres têm óptimas hipóteses de conceber...

O período da Lua Cheia é então altura por excelência de olhar para o nosso lado feminino - e não senhores, não estou a falar só das mulheres! Temos tódos um lado feminino - um lado intuitivo, emocional, que sente as coisas sem ser necessário ter palavras.
É altura de reconhecer o nosso lado feminino, altura de deixar ter receio de sentir e mostrar o que vive dentro de nós. Permitir que seja visto o que somos - incluindo as emoções mais profundas. E não e só altura por hoje ser noite de Lua Cheia. Também porque a Terra e todo o sistema que vive  à volta e dentro dela, está a passar por grandes mudanças. Ela está a precisar a nossa sinceridade, não só em intenções, mas também na sua expressão material!
O contacto com o nosso lado feminino mostra-se por vezes muito difícil. Não propriamente porque não conseguimos ser sinceros, mas porque as nossas emoções são uma espécie de caixa de Pandora. Sabemos do mito que tudo possa saír, e só essa perspectiva é já o suficiente para meter medo suficiente para não abrir a caixa... com o inconveniente que as emoções ficam no escuro, não são exploradas, não chegam a ser reconhecidas na sua profundeza.
O problema parece estar nas emoções traumáticas - memórias de experiências de resultaram em mal-estar, tristeza, dor, perda, medo, rejeição, fúria, ciumes. Muitas vezes são traumas passadas de geração em geração: uma geração passou por uma experiência traumatica que não soube resolver, a partir da qual desenvolveu um comportamento de defesa e sobrevivência, para se defender contra as emoções destrutivas. Sendo um comportamento ou reacção desenvolvida  no inconsciente, fácilmente pode ser passado (sem que se tenha noção disso) para a geração seguinte.
Um exemplo: uma mãe, que tem medo de ser rejeitada pelo homem, pode desenvolver a táctica de querer carregar toda a família e as suas preoccupações. A filha vê, por sua vez, no comportamenteo da mãe, o exemplo que ser mulher significa carregar nos ombros as preoccupações dos seus próximos, sob pena de não ser uma boa mulher.
Outro exemplo: um pai que sente sobre os ombros a responsabilidade  última  da sobrevivência material da família, para que não haja falta de nada em casa, pode, em consequência disso, esconder o seu lado mais suave, mais sensível. O filho vê que o pai mostra a sua ligação à familia através do componente material, tem como exemplo que homens não mostram a sua emoção, nem falam sobre a mesma.
Ser sincero significa, em termos globais, não mentir. Em termos mais específicos, privar com pessoas sinceras é reconfortante porque eles são quem são - o que vai dentro mostra-se por fora. Ser sincero também é respeitar a nossa própria emoção, a nossa própria vivência.
Para poder ser sincero, é preciso reconhecer e aceitar a mulher em cada um de nós - tal como temos um lado masculino que faz, que apoia a nós próprios, que protege a criança interior, também temos uma mulher, que sente, chora, ri, nutre, abraça e dá colo. Permitir que "ela" se mostra é aproximar-te de ti, na tua plenitude - e a partir da tua plenitude podes aproximar-te do outro, entender e sentir o outro. Se te sentes seguro e confortável contigo, os outros podem sentir-te como seguro.
No fundo, isto é um convite para enfrentar o que vive dentro de ti. Olhar para as tuas emoções e vê-las a todas, mesmo que tiveres receio de enfrentá-las. É altura de abrir, de sermos sinceros connosco próprios - para sentirmos bem connosco, mas também para podermos dar e receber apoio dos outros. É um passo na direcção de viver no Aqui e Agora. Partilhamos esse Mundo em que vivemos, e estamos todos juntos nisso.

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