Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

terça-feira, 6 de julho de 2010

quando a vida não é o que pensávamos que seria (2)

Perguntaram-me porque pensava que era necessário falar de assuntos da alma e da morte, no caso da recém-nascida doente. (ver post anterior)  Seria tão grave?
Para mim, não era uma questão de ser grave ou não. Senti esta necessidade porque os pais pediram-me para ver se podia acompanhar e guiar a filha à distância.
Naturalmente o pedido tinha como intenção final a cura. E do ponto de vista dos pais preoccupados, é obvio que esta cura teria que ser em primeiro lugar física - para que ela pudesse ir para casa e que eles pudessem inicar a vida a três, tanto quanto possível, de maneira normal.
No entanto, eu não posso curar alguém, se a alma desta pessoa não quer, ou não colabora. Uma cura significa em primeiro lugar uma melhoria no status-quo, uma viragem na direcção de re-encontrar a harmonia e integração dos vários sistemas que compõe o Ser. Mas se falo de "melhoria", "harmonia" "integração" tenho que ter cuidado com as normas que definem estes conceitos. Corro o risco de começar o meu raciocínio de um ponto de vista que limita as opções - ou seja, que defina uma melhoria como melhoria física.
Mas uma cura nem sempre significa isso - se a alma conseguiu o seu objectivo da vinda para a Terra, pode querer voltar. Até pode ser melhor que segue caminho quando olhamos para a aprendizagem que se propus antes de vir; pode mesmo ser necessário, se a sua morte faz parte do contrato de aprendizagem com as almas envolvidas na situação.
Rigorosamente, comprometi-me a pensar a partir da alma das pessoas que me procuram, quando prometi empenhar-me para o Benifício de Todos os Seres. O caminho individual das almas para o seu aperfeiçoamento gradual, é um desejo do Criador, da Fonte, de Deus, se assim quiseres chamar ao Absoluto-que-não-tem-nome. É através dos nossos caminhos, da nossa aproximação gradual a Ele/Ela, que se manifesta. Por isso, cada vida humana é extrememente preciosa para poder crescer e aprender; mas ao mesmo tempo é efémera e uma de muitas.
Uma cura consiste, no meu ver, na ultrapassagem da barreira do físico, integrando a componente espiritual plenamente no Agora. E isso pode significar que a doença precisa ser reconhecida, ser vivida, que precisa de existir como parte integrante do Ser. Que seja aceite a possibilidade de existir algo diferente do que a expectativa de boa saúde física - a imperfeição, a incapacidade, pode dar origem a uma "normalidade" diferente.
Enquanto olhamos para a nossa vida humana com apego ao componente físico, como a condição fundamental para a existência, a alma não tem plena oportunidade de se manifestar no Ser. Consequentemente, quando permitimos que a alma habita todos os níveis energéticos, do mais denso ao mais súbtil, do nosso corpo, a cura física pode ter lugar - em harmonia com a alma.
Tratando-se de uma recém-nascida, é preciso fazermos tudo que está no nosso poder, para dar a melhor oportunidade possível a um Ser Humano que ainda tem tudo à sua frente.
Ao mesmo tempo é preciso respeitar a alma - e não prejudicar o seu caminho... cada um é dono do seu karma, todos temos direito à aprendizagem, mesmo sabendo que isso implica algum ou muito sofrimento. Interferir no karma de alguém pode significar que este tem que repetir a lição!
O equilíbrio entre os dois lados é precioso e ainda mais difícil por se tratar de alguém que não se exprima através de palavras. E é mesmo aí que se encontra a importância de termos consciência dos assuntos da alma e da morte.

Neste caso específico considerei ainda importante que os pais largassem a expectativa que criaram ao longo da gravidez - correndo o risco que a filha fosse olhado como diferente, não-suficiente, coitada.
Libertando as expectativas abrem portas para o amor incondicional - para poder olhar para ela e, indepentemente das condições físicas,  dar-lhe oportunidade de ser aquela, tal e qual como foi a Intenção quando ela veio para este Mundo.

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