Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A responsabilidade

Este ano celebra-se os 100 anos de Dilgo Kyhentse Rinpoche, falecido em 1991. Em Lisboa está  a pessoa que foi reconhecido como a sua reincarnação: Dilgo Khyentse Yangsi Rinpoche, nascido em 1993.
Ontem tive o previlégio de poder assistir a um dos seus ensinamentos.
Dilgo Khyentse Yangsi Rinpoche é um rapaz ainda, fez recentemente 18 anos. O primeiro pensamento que nos vém a cabeça se olharmos para ele, é acerca da grande responsabilidade que lhe pesa sobre os ombros. Curiosamente era mesmo com esse assunto que ele começou o ensinamento:
"Vocês vêm todos para me ouvir por ter uma ligação com Dilgo Khyentse Rinpoche. Vêm, porque leram os seus livros, ouviram os seus ensinamentos, e agora vêm ver a mim. Ele era um gigante, fisicamente, e um grande homem, com uma compaixão enorme, livre de desejos materiais. Eu sou apenas um adolescente, vivo a minha vida. Tinha três anos quando me disseram que fui reconhecido como incarnação de Dilgo Kyhentse Rinpoche. Vivia no meu mundo perfeito, feliz, brincando, quando de repente as pessoas começaram a fazer vénias para mim. Não percebi muito bem, só pensei que deveria ser coisa boa, porque assim com certeza já ninguém me batia mais. Quando me foi explicado do que se tratava, ainda pensei: Wow, vou ser o rei do mundo! Mas depressa me percebi que não era bem assim. Era uma responsabilidade que tive que assumir. E comecei a estudar. Não tenho idade de ser mestre. Não sei recitar os ensinamentos dos grandes mestres ainda, sei dizer os seus nomes, porque sou tibetano e sei como pronunciá-los." (se a minha memória me não traíu foram estas as suas palavras)
Nestas poucas palavras senti profundamente que há que assumir que temos uma responsabilidade, em primeiro lugar perante nós próprios. Conhecer o nosso valor, e reconhecer quem somos, é a primeira condição para poder assumir. Não se trata de querer isso ou aquilo. Mesmo Dilgo Khyentse Yangsi Rinpoche reconhecia que o seu ego até podia querer outra coisa do que dar ensinamentos. No entanto, sendo quem é, tem uma responsabilidade.
Somos quem somos. Buddha foi uma pessoa como nós, igual a todo o ser humano. Assumindo que é dentro desta vida que podemos construir o nosso caminho sobre os fundamentos que trazemos dentro de nós, podemos alcançar grandes objectivos. Não se trata de querer vir a ser alguém. Todos já SOMOS.

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