Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Tempo da Lua

Vez após vez, a nossa alma volta a incarnar na Terra, tomando forma humana para poder aprender as suas lições….
A forma humana é considerada a mais preciosa das formas da vida, por aliar a capacidade de sentir emoções de prazer e de dor, à capacidade de ter consciência das acções e das suas consequências, o que resulta numa aptidão especial para a aprendizagem.
Não havendo nenhuma indicação sobre o género das almas, sabemos no entanto que as sucessivas incarnações alternam entre ser homem ou ser mulher.
O Divino - a Fonte da Criação - é UNO, não há diferenciação entre o feminino e o masculino. As duas faces encontram-se juntos numa dinâmica criativa, fértil, completo, um abraço perfeito entre opostos.
Ao vir para a Terra, a nossa Alma tem à sua frente uma vida como homem, ou como mulher. A expressão feminina e a expressão masculina são diferentes e oferecem dificuldades diferentes - culturais, sociais, emocionais, físicos.... São vias diferentes, com oportunidades de crescimento diferentes - enquanto as lições, no fundo, permanecem iguais, levando a questões fundamentais como:
aprender amar os outros e nós próprios sem julgamento;
aprender dar e receber apoio, amizade, amor, para a felicidade de todos;
aprender aceitar e respeitar todos tal e qual como são (incluindo nós próprios), levando a uma situação de igualdade entre todos;
aprender a viver em liberdade, sem manipular ou ser manipulado por acontecimentos do passado ou expectativas do futuro. 

Muitas mulheres sentem imensa dificuldade em aceitar-se a si própria fisicamente, e não só porque são confrontadas com os muitos preconceitos e ideais sobre o corpo feminino. Tarefa igualmente difícil é aprender lidar com o ciclo hormonal, que por várias vezes na vida muda por completo a percepção e a vivência do corpo - na adolescência e na menopausa - e no tempo intermédio pode fazer oscilar humores e peso,  provocar retenção de líquidos, fazer aparecer manchas e borbulhas, tornar o corpo hipersensível ao toque...
Um dos preconceitos que depois da libertação da mulher nos anos 60 começou a ser derrubado, é o acreditar que uma mulher no seu período se encontra "manchada" no sentido de impura. E mesmo que hoje em dia isto já é considerada exagerada, quantas mulheres ainda há que têm dificuldades com o ciclo hormonal? Ser mulher torna-se ciclicamente incómodo, complica a vida e traz consigo uma responsabilidade que os homens não têm.
Devo dizer que durante anos, achava que o ciclo me impedia manter um ritmo de vida constante, que me provocava alterações no corpo, na concentração e no humor que atrapalhava a mim e a quem tiver que trabalhar ou viver comigo... e não podia entender o que se descrevia como o lado bonito e misterioso nisso tudo.
Agora tenho muito menos dificuldades com o meu corpo, e vejo que ser mulher significa também ter uma relação muito especial e íntima com os ciclos da Natureza.
Na tradição nativa norte-americana, havia um espaço próprio para as mulheres se juntarem durante os dias do seu período: o "Moon Lodge". Durante estes dias eram libertadas dos seus deveres e da sua família, e podiam se retirar para usufruir da companhia das suas irmãs.
Era um período em que a mulher recebia honras como a Mãe de toda a Força Criativa. Era um tempo em que tinha oportunidade de libertar energias antigas acumuladas, e de preparação para um novo período fértil.  O espaço sagrado de cada uma das mulheres era respeitada neste período, porque as mulheres eram quem traziam abundância e fertilidade consigo. Como a continuidade da tribo dependia dos filhos que as mulheres podem dar aos homens, e a abundância da colheita da sua relação com a Terra Mãe, as mulheres eram permitidas usufruir de descanso e retiro durante o período em que não podiam conceber. Ninguém ia interferir com este direito, era até considerada perigoso e prejudicial para a tribo, negar à mulher o seu período de fazer nova ligação com a Mãe.
No Moon Lodge, as mulheres acompanhavam-se umas às outras. Desde que a menina se tornava mulher, era lhe ensinada respeitar o seu corpo e as necessidades do mesmo. Não só os deveres da mulher eram ensinadas como também o privilégio que era ser Mulher, ter acesso à intuição, criatividade, entender cerimónias e rituais, assistir em partos, entender as ligações aos Totems e à Medicina. À mulher era ensinada que o corpo dela é uma extensão da Mãe Terra, e todos os actos de prazer, abundância e fertilidade fazem parte da natureza feminina.
Durante o período de re-estabelecimento da ligação com a Mãe Terra, as mulheres não preparavam comida, não dançavam, não participaram em cerimónias. Essa tradição tinha como ideia subjacente, que as mulheres precisavam de se alimentar a si próprias neste período, tanto ao nível física como emocional e espiritual. Era como uma retribuição por ter alimentada os outros durante o restante do mês...
Que alívio seria hoje em dia se a mulher pudesse respeitar o seu corpo e o seu ciclo desta maneira....
Mas infelizmente esta prática tem sido muito mal interpretada, e chegou uma altura em que se pensava ser necessário separar as mulheres no seu período por os seus corpos serem impuras. Gerou-se uma aversão ao corpo feminino exactamente por ser sujeito às flutuações da Natureza..... Uma aversão ainda mais alimentada pela cultura dominante que estimula mesmo nas mulheres comportamentos masculinos. 
Obviamente este ideal pode gerar conflitos interiores e falta de auto-estima - sendo que a imagem criada pela cultura não corresponde à natureza interior feminina.
Por mim, fez me milagres sentir que ser mulher traz me oportunidades e desafios especiais, uma proximidade com a Mãe Terra que me confere tranquilidade - e que me possibilitou sentir me bem comigo. Entre tudo o que não sou, não consigo e me vejo como muito mais incapaz do que na realidade sou, também descobri que sou Mulher. E isso é um prazer.

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