Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Chega de sofrer em silêncio


Nas últimas semanas tenho estado a trabalhar num projecto sobre a violência doméstica. Embora ambos os sexos possam ser vítimas ou agressores na violência doméstica, este projecto visa incentivar as mulheres que são vítimas de maus tratos físicos ou psicológicos, a erguer-se, perceber que este destino não é justo para ninguém, e que é possível saír da situação.
Na fase da preparação, encontrei muitas situações diferentes, de todas as classes sociais, de todas as faixas etárias. E vi que há muitas, mesmo muitas pessoas a viver a sua dor completamente sozinhas, com medo de falar, com vergonha de si própria, com a auto-estima de tal maneira ferida que nem sequer conseguem imaginar-se a viver fora da relação com o agressor.

Há uns dias atrás veio uma mulher ainda jovem, à procura de acompanhamento para aprender lidar com a sua femininidade. Durante o processo, ela começou a abrir-se, e contou acerca das suas experiências enquanto criança, quando um homem mais velha abusou dela. E agora, anos mais tarde, ainda estava a tentar encontrar paz consigo próprio, aceitar o seu corpo em toda a sua beleza. Ela ainda estava a procurar sentir-se segura sendo mulher.

Há imensas mulheres que intimamente estão nesta luta, e que desenvolvem estratégias para não sentir a dor do passado. Guardada no fundo do seu coração, a dor parece-lhes demasiada para poder partilhar. Querendo ser fortes, elas chegam a não lidar com o seu sofrimento.

Mas os tempos pedem para que todos nós encaram a nossa cura. As mulheres são as mães da próxima geração. Futuros homens e mulheres para quem desejamos que sejam capazes de diálogo, que tenham relações harmoniosas, sem dor, sem manipulação, cheias de amor, em que ambos os parceiros são vistos, respeitados, acarinhados. Os tempos pedem, que as mães curam as suas feridas emocionais, para que não passam involuntariamente para os seus filhos, padrões de pensamento e comportamento baseadas na dor escondida. Mesmo quando não se fala sobre a dor, os filhos vêm e sentem o sofrimento escondido - da mesma maneira que todos nós, em criança, experimentamos as consequências das feridas e traumas emocionais dos nossos pais.

Estamos com vontade de fazer um workshop, muito provavelmente no dia 14 de Agosto (sábado), para pessoas que querem contactar com a sua femininidade, curar a sua dor e revolta do passado, que querem voltar a sentir-se bem no seu corpo. Propomos um workshop intensivo - uma tarde e noite de partilha, trabalho corporal e emocional. É a nossa intenção focar: a auto-estima; o tema da (auto)vitimização; as relações mulher/homem; a auto-cura.
Não será um workshop exclusivamente para mulheres maltratadas, mas destina-se a todos que querem curar em si o equilíbrio interior entre o masculino e o feminino.
Todo o trabalho que se faça, toda a cura que se consegue, não terá só efeito para quem participa, mas igualmente para os seus pais, filhos, família.

Já há duas mulheres que se ofereceram de preparar o workshop, mas mesmo assim quero convidar a todos que gostariam de participar, para me telefonar ou mandar um mail, para sabermos se podemos construir um grupo.

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