Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

domingo, 19 de setembro de 2010

Para ser mais específica...acerca da protecção energética

Adoro filosofar e ir ao fundo das questões. Gosto de tecer considerações e ligar causas e consequências, procurar origens e juntar tudo numa só teoria sobre a vida... e escrever sobre isso. Mas o que poderia ser feitio torna-se defeito quando o leitor deixa de ver as ligações que tudo isso tem com a vida prática. Embora em geral não seja este o feedback que tenho tido sobre o blog, vou esforçar-me para ser mais terra-a-terra e prática, a começar pelo assunto da protecção energética.
Em relação à protecção energética, escrevi que penso ser prioritário assumir uma atitude de consciência elevada, de presença mental no corpo constante, no Aqui e Agora.
Todos conhecemos pessoas que parecem estar sempre bem. Que parecem não sofrer de energias que lhes invadem. O que vemos nestas pessoas ao nível energético, é que o seu sistema parece fluir naturalmente, de dentro para fora. Se pudéssemos ver a energia à volta das pessoas, seria parecida com uma fonte de calor que emana ondas em todas as direcções, em cores diversas. 
Essa circunstância faz com que os que encontram alguém assim, digam que "tem presença".
O fluxo energético para fora faz com que a própria energia da pessoa seja continuamente renovada - é uma espécie de limpeza contínua.
Mas não é propriamente natural que todos consiguam manter este fluxo vital a correr sem interrupções. O nosso corpo emocional pode impedir que assim seja - e isso acontece quando o corpo emocional, que se estende além do corpo físico, tiver sítios menos transparentes, que impedem a passagem da tua própria Luz.
Feridas mal curadas do passado, incrustações emocionais, comportamentos rotineiros e inconscientes, reacções baseadas em experiências e avaliações do passado ou expectativas sobre o futuro - tudo isso pode assentar no nosso corpo emocional, como se fossem grãos de areia que entopem os buracos de  uma peneira, formando "nódoas negras" no nosso corpo emocional.

A energia que existe nestas "nódoas negras" não é a nossa em estado puro, mas resulta da interacção com o exterior.
Dou como exemplo, talvez caricatural mas verídico, o caso de alguém que lida com uma sensação de culpa em relação à mãe, que através de dicas indirectas vai sugerindo que sempre fez tanto pelos filhos e agora sente-se tão cansada e sozinha. Na base da sensação da culpa está um afecto genuíno, um amor pela mãe e gratidão por tudo que recebeu. Mas é através da postura de vítima projectada pela mãe, que o filho desenvolve a culpa - uma emoção destrutiva, que vai roendo o coração, mas que nem sequer tem razão de ser.... Algures no seu sistema energética, a gratidão e o amor ficam misturados com a sensação de insuficiência. Mas na verdade, esta última sensação é energia vinda da mãe, cujo problema é de facto de não ter mais o filho por perto para se sentir útil e necessária, e aplica (inconscientemente) a manipulação emocional para satisfazer este apego.
O filho acaba por ter na sua culpa uma porta aberta, porque deixa de ter defesa contra a invasão do seu próprio espaço sempre quando há atitudes ou jogos emocionais que instrumentalizam a culpa.
O nosso sistema está pleno de ligações deste género, laços emocionais que na maioria dos casos não são resultado de uma relação aberta, livre, baseado em amor, compaixão e igualdade, mas sim de emoções difíceis como a inveja, o apego, a raiva, o desejo, o medo (independentemente onde têm origem).

Enquanto não tivermos consciência do estado do nosso corpo energético, naturalmente é possível aplicar técnicas de protecção. No entanto, estas terão sempre um efeito como ter um cão em frente da casa deserta e deixar a porta aberta: se o ladrão quer entrar, encontrará maneira de iludir o cão - e encontra entrada livre. A protecção terá que ser renovada vez após vez.
Por isso, a mim parece me melhor investir numa maneira de fechar a porta e voltar a habitar a casa.
O trabalho pode ser intenso, mas o efeito será certamente mais duradouro.
Retomar o espaço energético do nosso corpo com a mente e a consciência seria o primeiro passo. A  força mental do Ser Humano é ilimitada - mas é preciso atenção e empenho para poder fazer uso dela.
Isso pode fazer-se de várias maneiras, com meditação, visualizações, trabalho corporal, ou através da ritualização de gestos diários.

As tradições dos povos que procuram uma ligação saudável com a Natureza, em que a ordem natural das coisas era respeitada e procurada, praticaram e ainda praticam a ritualização como forma de fortalecer a sua força mental. Fui procurar nestas tradições algumas sugestões - e sim também recorri à tradição portuguesa...

- ao lavar o corpo, confirmar com palavras que estamos a purificar-nos, libertando toda a energia que não é nossa, para ser levada pela água e voltar para onde pertence. Tomar regularmente um banho com sal e óleos essenciais (ou no chuveiro, esfregar com uma mistura de sal grosso pisado com azeite, antes da lavagem com sabão) é uma maneira excelente de estimular o corpo em libertar stress e tensões.
- de manhã, ao levantar, procurar com a atenção e intenção, contacto com a Terra, sentindo os pés no chão. Sentir a força da Terra que sustenta o peso, e confirmar que é aqui e agora que decorre a vida.
- ao deitar, decidir que vai ficar em paz a descansar e recuperar forças para o dia seguinte, para poder continuar a contribuir para o Bem de todos. Que fica protegido pela aura que está todo em volta como um casulo, permitindo acesso exclusivamente à energia que vem para o Bem Universal (os nossos guias, os anjos, os nossos amados..)
- de vez em quando fazer uma limpeza energética do corpo. O campo fornece ervas medicinais extraordinárias - por exemplo, do alecrim faz-se um bom chá purificador.
- regularmente, fazer uma limpeza energética do espaço em que vive. Uma maneira é usar incenso - feito de matéria densa, que através da força transformadora do fogo, se transforma em fumo com cheiro harmonioso, que se dissipa e desaparece...  e o que não quer ou não se pode transformar, fica na forma de cinza, que devolvemos à Terra para ser transformado em alimento para nova vida. Ao acender o incenso, é importante afirmar que esta casa é nossa, e só aceitamos a presença de quem convidamos explicitamente e conscientemente. Em seguida, oferece-se o incenso e o seu efeito transformador a toda a energia presente na casa, para que possa seguir caminho.

E agora algumas sugestões para treinar a "presença de espírito", provenientes das escolas de psicologia mais modernas, e por isso "cientificamente testadas" em vez de se só terem provadas pela experiência ;):
- Evitar rotinas. Se todos os dias viro para esquerda no caminho para a escola dos filhos, porque não tentar outro caminho? Porque falar em festas só com aqueles que conhece? Porque não tomar o café de manhã noutro sítio? O quebrar das rotinas, a todos os níveis, obriga a mente a continuar presente, a ficar alerta, a olhar à volta,  ver o que acontece. A presença mental tornar-se-à com o tempo uma atitude natural.
- Sentir o que os nossos gestos diários fazem connosco, que efeito têm sobre o nosso estado emocional.  Que cor vou vestir hoje? A escolha consciente da maneira que vestimos, confirma a nossa presença!
- Ter uma actividade criativa. Cantar, dançar, desenhar, fazer música ou cerâmica, não importa - a actividade criativa é uma expressão do nosso Ser mais profundo e afirma a nossa Presença, estimulando o fluxo da força vital e a renovação da nossa própria energia. Cada um traz dentro de si a força necessária para se curar e proteger. (Por isso mesmo não gosto de me chamar "healer" - no final de contas, todas as curas são auto-curas. Prefiro dizer que acompanho pessoas na descoberta da sua própria força, embora também dou apoio na sua limpeza energética.)

Darwin escreveu  "It's not the strongest or the smartest of us that survive. It's the one that's willing to evolve and adapt". (Não é o mais forte ou o mais inteligente que sobrevive. É o que está disposto a evoluir e adaptar). Parece-me que ele tinha razão. Não vale a pena insistir numa posição de poder.  Quando temos a sensação que estamos a ser atacados, que precisamos de protecção, é altura de encontrar a fraqueza e a sensibilidade, a emoção específica que permitiu o ataque. E a partir daí: evoluir e adaptar.

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