Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Protecção energética

Na segunda feira, dia 13 de Setembro, às 19.30h na Associação Oficinas de Comunicação, Largo Dr. Mário Chicó, 7 - Évora, haverá uma Conversa em Grupo, dedicada ao tema "protecção energética". Falaremos acerca de conceitos, técnicas, experiências, para poder encontrar uma resposta a aquela que talvez seja a pergunta que mais vezes me é feita: "Como posso proteger-me contra quem me queira fazer mal?" (com todas as variações possíveis - como libertar-me das más energias - como combater as energias negativas... )

Parece uma pergunta muito complexo de responder, porque mexe com os nossos assuntos mais íntimos: a maneira como cada um olha para a Vida - e a maneira como vê o seu lugar no mundo. Onde estamos perante o resto do mundo e na organização Divina?
A ideia de que temos de proteger-nos pode vir da sensação que estamos sujeitos ao que acontece à nossa volta, sujeito ao que é feito connosco, alvo de energias que podemos não ver ou saber que existem. Isso pode dar origem a uma sensação de precisarmos de salvação, ajuda, protecção. A nossa cultura judaica-cristã formou-se em grande parte à volta desta premissa... proclamando e ensinando que para sermos salvos é perciso ter fé numa Entidade Superior, que reside algures, fora de nós. E integrado nos rituais fomos ensinados que é preciso rezar para receber protecção.
Confiando que haverá sempre alguém ao nosso lado que nos limpa, cura, protega, tem um efeito perverso sobre a nossa auto-estima. Alimentamos a ideia que há um mundo que nos possa fazer mal e que somos incapaz por nos próprios de enfrentar as situações. Descuramos a nossa própria capacidade e força energética, e ficamos dependentes do outro. Chamo a isso um efeito perverso, porque contraria a necessidade de libertação, o desejo de sermos completos, inteiros, livres...
Mas entretanto parece que estamos sós perante todo este mundo fora de nós - onde parece haver mais que nos ameaça do que aquilo que nos apoia.
Ao falar na necessidade de protecção, subentende-se que há um inimigo - uma ameaça de fora, da qual estamos separados e que actua sobre nós sem o nosso consentimento.
Visto como funciona o sistema energético do ser humano e a sua interacção energética com o mundo que o rodeia, este ponto de partida parece-me insuficiente.
Uma influência de fora sobre o nosso sistema podemos entender como uma interferência, um ruiído que perturba a nossa harmonia, seja esta emocional, psicológica ou física. Isto funciona como se fossem ondas de calor, ou ondas radiofónicas - emitidas por uma fonte.
A expressão " Lançar fogo pelos olhos" é um bom exemplo deste conceito - e podemos imaginar os raios lançados pela pessoa enraivecida.....
Mas nisso temos a tendência de pensar só no que o outro nos quer fazer.... não podemos esquecer que nós próprios também somos uma fonte energética. O nosso corpo emocional também é uma fonte de muitas frequências diferentes, somos uma sinfonia de emoções, cada uma com  sua vibração e frequência própria.
As energia que chega a fazer-te mal, entra no teu sistema e acrescenta uma nota desafinada que não se harmoniza com a tua própria melodia. O que acontece é que só pode entrar no teu sistema, aquilo que encontra uma desharmonia já existente no teu sistema energético - nomeadamente no teu corpo emocional. Trata-se de experiências emocionais não curadas, que deixaram pontos sensíveis, marcas.
As energias que são projectadas por outras pessoas, têm todas na base uma emoção destrutiva. Raiva,  inveja, ódio, desejo, mas também pode ser apego! São frequências dolorosas, muito pouco elevadas ou subtis, que provocam por sua vez desharmonia, dor fisica e emocional.
Se tiveres dentro de ti emoções que estão em sintonia com estas emoções destrutivas, estás de facto permeável para o que te for lançado.... Aqui poderiamos desviar a conversa para o Karma, e como somos nós próprios, através da nossa história pessoal, que estamos na base de tudo que acontece connosco. Assumir a tua responsabilidade é ser leal a ti própria, é um acto com que assumes a soberanidade do teu Ser.
O mais importante parece-me o trabalho (continuo) de manter-nos em harmonia connosco. Elevar a nossa consciência sobre o estado de pureza dos nossos pensamentos. Observar o estado do nosso corpo emocional, trabalhando os pontos sensíveis. Poder voltar a SER, puro, igual a ti próprio, livre de comportamentos condicionados e de emoções automatizadas.
Podemos efectivamente usar artifícios de protecção: amuletos, talismãs, rezas e imagens, pedras ou cristais, mas estes nunca nós hão-de proteger se nós, em seguida, descuidamos a atenção e refugiamos atrás deles - é como abdicar da nossa própria responsabilidade.
Dito isto, penso que os cristais, com a sua força própria, têm o poder de apoiar-nos na cura das nossas feridas emocionais. Porque efectivamente, não estamos nisso sozinhos. Ainda precisamos dos outros - para a nossa cura, para uma limpeza, para uma análise ou observação de fora. Sei que é muito difícil vermos o nosso sistema energético e emocional com olhos de ver - o nosso olhar está colorido pelos óculos da nossa experiência, e a nossa mente têm a tendência de interpretar através de moldes prédefinidos. Os outros podem ajudar a ter entendimento, indicar outro ângulo... oferecer uma mão para levantarmos novamente.


Talvez o ensinamento mais importante, que fala deste assunto do protecção energética, seja um episódio da vida de Buda Shakyamuni, que narra os acontecimentos na noite da sua Iluminação.
"....Devaputra Mara, o chefe de todos os demônios, ou maras, deste mundo tentou perturbar a concentração de Sidarta, conjurando varias aparições horríveis. Manifestaram hostes de tenebrosos demônios, que atiravam flechas, lanças, flechas com fogo. Atirando pedras. Contudo Sidarta permaneceu silencioso e completamente impassível. Pela força de sua concentração e por estar sua mente limpa de todo ódio e de toda noção de certo e errado, todas estas visões e acontecimentos se assemelhavam a uma chuva de flores perfumadas e o fogo transformava-se em Luzes de Arco Íris. (...)"

Esta é uma imagem extraordinária. Todos nós podemos praticar para que, ao recebermos palavras e acções violentas, tal como Buda, as transformemos em flores. O poder da compreensão e da compaixão dá-nos a capacidade de o fazer.
A protecção melhor protecção estará em ter os pensamentos puros, as emoções limpas.... com amor e bondade no coração...

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