Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Motivos de preparação para o Natal, a festa da Luz...

Todos os anos, por esta altura, faz-se a mesma pergunta aos mais novos : Portaste bem este ano, para poderes receber presentes?
Será isso a que foi reduzido o Natal? É isso que transmitimos aos mais novos como a essência da festa?
Estamos já tão longe dos ritmos da natureza, que mal lembramos porque o ser humano acende fogueiras no inverno e decora árvores... a historia contada pela igreja não consegue tocar a todos; os mitos são histórias do passsado; e o que o capitalismo cultivou, provoca náuseas a muitos.
Muitos procuram dar significado a uma festa que sabemos de partilha e de convívio - e a procura leva invariavelmente para as raízes que se perdem na história, numa altura em que o Ser Humano ainda não se tinha alienado da Mãe Natureza.

Uma das festas mais importantes para os povos antigos era celebrada pela altura do Solstício do Inverno. Começava no Solstício, no 21 de Dezembro, com o dia mais curto e a noite mais longa do ano. A partir do dia 21, o Sol não prossegue mais para o Sul, e os dias não se encurtam mais. A partir do terceiro dia, o curso do Sol vira-se novamente para o Norte e os dias começam a aumentar. É nessa noite, de 24 de Dezembro, que celebramos a Noite de Natal... noite em que a Luz Divina nasce novamente para iluminar a todos.
Ao Natal segue-se um período de 12 dias e noites - até 6 de Janeiro - em que todas as noites podemos receber um sonho...em cada uma das noites, um sonho sobre cada um dos meses do ano que vem.
São mensagens enviadas pelos Céus, alimento espiritual, uma indicação do ritmo em que vamos poder trabalhar, de acordo com o Grande Plano cósmico. É aconselhavel, neste período, tomar nota dos sonhos que chegas a receber na tua memoria consciente...

A festa da Luz e da Iluminação Divina não está a ser limitada pelo período que agora conhecemos como o Natal. O conjunto de rituais e cerimónias pelos quais o Ser Humano acompanha o ritmo da Natureza, e que tem o seu ponto alto na noite de 24 de Dezembro, começa a 11 de Novembro (São Martinho), em que se festeja as colheitas e as riquezas que a Natureza deu, partilhando o novo vinho. A curva é acendente até ao Natal, em que celebramos o Amor e Luz Divina, oferecendo sinais do nosso apreço aos próximos. E como celebramos também que a Luz é para todos, procuramos fazer o bem aos outros, partilhando a nossa comida. Natal é seguido pelas 12 Noites mágicas, a última das quais celebrada a 6 de Janeiro (dia de Reis). A festa final é no início de Fevereiro em que se celebra que a força da Terra acorda novamente para se juntar ao ritmo do novo ano (dia 2, festa da Nossa Senhora das Candeias!).

Já há muito que estamos a perder o contacto com o significado das festas do Inverno. Começa a ser difícil reconhecer a ligação entre as festas e rituais, porque o ritmo que a nossa cultura quer impor à nossa vida, vai encurtando a visão do conjunto. A focagem está no ponto alto - Natal, ou a passagem do ano - e perdemo-nos nos pormenores destes dias. Consequentemente, os sentimentos que estavam na base da festa, correm o risco de serem corrompidos - deixando espaço para que entram "prazeres" mais carnais e duvidosos que se inclinam para a ganância, a gula, a luxúria. Havendo cada vez menos enquadramento, o significado do dia em si vai se perdendo e a festa em si, vai perdendo a profundidade e intensidade que podia ter.

Muitos sentem que é altura de inverter este caminho e renovar a sua ligação com o ritmo da Natureza. Podemos começar, olhando para trás para a colheita do ano. Vamos preparar o que colhemos, para que se possa conservar - e para que possamos alimentar-nos até a Terra ter aproveitada o seu período de descanso e estar pronto para fornecer alimentos frescos. É importante trabalhar a colheita para a sua boa conservação. Para isso é necessário reconhecer a nossa colheita, saber como lidar com os frutos do nosso trabalho. Qual é a função de cada parte para o nosso bem-estar global?
Eo que temos ainda em armazém, conquistas do passado? Avaliamos se ainda podemos aproveitar de certas partes. Talvez seja melhor para um desenvolvimento saudável e positivo do nosso Ser,  libertar-nos de algo que conservamos, mas que passou o prazo...
Por isso, a preparação para a festa da Luz implica escolhas, que só nós podemos fazer para nós. Se nós não escolhemos, alguém escolha por nós e vai obrigar a um caminho. Ao fazermos escolhas conscientes, o Mundo vai reconhecer nos como sendo livres na nossa acção. Damos forma à nossa consciência, mostramos o que são os nossos objectivos, mostramos quem Somos.

O Advento - que nos vai levar ao Natal - é um periodo de introspecção, dedicado a lembrarmos de onde viemos. Tempo de reconhecer as nossas raízes, para podermos ter uma visão global sobre o caminho que já fizemos. Uma altura de decidir que direcção queremos tomar a seguir, no ano que vem. E essas escolhas, essas decisões preparam o nosso Ser para o Natal, festa da Luz, o acender de uma vela nova que ilumina a nossa árvore de vida.
A festa do (re)nascimento da Luz, o advento de um novo mundo, de uma nova harmonia!

Todos nós somos portadores da Luz, e caminhamos conscientemente, tal como os três Reis Magos fizeram. Os Reis Magos: sábios, iniciados, videntes... que conseguiram ver além das dimensões físicas, que conseguiram ver a Alma Divina como uma estrela. Que viram e seguiram a Estrela do Cristo. Caminhando com eles, podemos receber os 12 sonhos...e com eles, no dia 6 de Janeiro celebramos a festa dos Reis, festa dos três presentes: incenso para fortalecer o espírito, mirra para apoiar o autocontrolo e purificar o sistema nervoso, ouro para o aperfeiçoamento.


Não faltam motivos para dedicar-nos e preparar a mente e a alma para o Natal. Talvez o mais importante é reconhecer a noite e a escuridão em nós próprios, os momentos em que perdemos contacto com a terra por baixo dos pés - quando o Sol já não se parece mover, chegará o nosso nascimento na Luz, na festa que celebramos como o Natal, nascimento do Cristo.
É uma salvação da escuridão que só podemos experimentar no Aqui e Agora - quando estamos em sintonia com o que nos rodeia, livres da pressão do passado e sem expectativas sobre o futuro.
Celebrar o ritmo da Natureza ajuda-nos a reconhecer padrões em nós próprios, renovar a nossa natureza humana, renascer através da Luz....

2 comentários:

  1. Lightworker

    O mundo caminha a passos largos e aos encontrões, sem rumo.
    Claro que há os que ainda mantém o eixo, que nenhum passo é necessário dar senão em direção a si prórpio.
    Vamos caminhar, manter a nossa postura, cultivar o momento em nós, para que assim, um dia, tudo mude e a Luz e a Essência voltem a dominar.

    Beijinhos

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  2. O objectivo final é isso mesmo - e pedindo de emprestimo as tuas palavras: conseguir que todos os passos sejam em direcção de nós próprios, para que podemos reconhecer a Essência em nós. Um dia... que pode ser hoje... percebemos que já SOMOS Luz!
    Um abraço do coração

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