Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Os sons do nosso pensamento (1)

Há poucos dias, veio à consulta uma mulher que descobriu ter miomas e quistas ginecológicas. Ela queria falar sobre a interligação entre o corpo e a alma, entre psyche e soma, perceber como os problemas físicos estão relacionados com a atitude que ela tem perante a vida. No decorrer da sessão chegou a perceber como a situação física evoluiu em paralelo com a sua evolução espiritual, e a maneira como ela olhava para si própria.
O nosso corpo físico é um espelho da nossa alma, e já é de senso comum perceber que a maioria (se não todos) as doenças que encontramos, têm uma ligação íntima com o desenvolvimento do nosso corpo emocional.
Embora este assunto convida para elaborar pensamentos sobre o nosso Karma, não vou por aí hoje.
Antes queria retomar um tema que foi iniciado num post do algumas semanas atrás : Afinal há esperança . Aí falou-se da capacidade, necessidade e das dificuldades de nos manifestar através da palavra.
E referi um aforismo de Paulo Coelho, que reflecte sobre a importância dos pensamentos na formação do nosso Ser.
No dia-a-dia, os nossos pensamentos surgem praticamente sem darmos por isso. E quantas vezes não damos seguimento aos pensamentos, avaliando o que surgiu, com opiniões, julgamentos, pensamentos emocionais – antes de nos darmos conta, estamos encurralados num rodopio de pensamentos.
E utilizamos na maioria das vezes palavras para formular os nossos pensamentos.

A palavra é sagrada… a tradição diz que o Mundo foi criado a partir da Palavra. Podemos  falar do som primordial, OM, ou do Logos da Bíblia ou do Big Bang e com certeza haverá ainda outras referências: A Palavra, o Som, é considerado iniciador da Criação – a sua vibração deu início à formação da Vida.

Esse princípio encontrou uma elaboração em muitas tradições.
Religiões e sistemas de pensamento orientais usam o Mantra; no Cristianismo são veneradas as Escrituras, a Palavra do Senhor; os nativos norte-americanos dizem que no teu Nome está a tua Virtude; o Cabala encontra os significados das palavras, através de uma análise do seu valor numérico.

As palavras e a sua vibração estão na base da criação! Porque será então que damos tão pouco valor às palavras que escolhemos para pensar?
Tão fácil é pensar, tão rápido e fluido, que mal percebemos que enchemos essa corrente com julgamentos sobre nós e os outros. Se observares o teu pensamento, vês palavras que te classificam, que te avaliam. Podes descobrir como realmente pensas de ti – e realiza-te que estás continuamente a lavar o teu cérebro com este tratamento de sons!
Podes perguntar-te donde vêm as palavras que escolhas – e podes descobrir emoções há muito enterradas no mais fundo do teu coração. Olhando para elas, reconhecendo-as, nomeando-as, sem julgamento, simplesmente reconhecendo que fazem parte do teu caminho, estas emoções podem ser libertas.
Medos antigos e bem disfarçados podem estar na base de pensamentos. E muitas vezes até sabemos quais os nossos medos, todos sabemos algures quais os medos maiores que moldem a nossa atitude. Seja ele receio de ficar sozinho; a insegurança e falta de auto-estima, ou medo de não estar à altura; a necessidade de ser reconhecido; a incapacidade de fazer escolhas…. O que é realmente difícil é de olhar para estas correntes subconscientes sem julgamento, sem resvalar para a rejeição ou fuga para frente.
A boa notícia é que podes ultrapassar estes medos, olhando de frente para eles, para poder entender como te limitam no teu crescimento, na tua valorização como pessoa.
No entanto, será muito difícil de libertarmos, se nos pensamentos cultivarmos o apego – por exemplo através de uma sobrevalorização do ego, da segurança material, do passado; ou inclinando para o comodismo, a ilusão, a vitimização, confundindo amor com segurança, e compaixão com pena.
O apego – que tem a sua origem na ilusão que a felicidade se constrói a partir de circunstâncias externas – mantém-nos refém, remete para a dependência, numa subjugação. O apego faz com que não vemos que a salvação não tem por hábito vir de fora, teremos de construí-la por dentro.
A raiz da nossa cura está na mente, na nossa maneira de pensar, na capacidade de abrir mão de pensamentos formatados no passado e repetidos por hábito. Tens a liberdade de escolha a cada momento – ninguém pode obrigar-te a pensar numa maneira que te limita, que te diminua. Podes mudar agora, mudando a maneira que pensas. 
(to be continued)

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A imagem da minha saudade

O Nascer do Sol sobre a Annapurna (Nepal)
 
Olhando esta imagem não posso deixar de sentir uma melancolia, uma saudade profunda.... Gosto mesmo das montanhas. Nunca estive nas Himalayas (pelo menos, nesta vida), e só posso imaginar o clima extremo que se encontra aí, um ambiente em que o Ser Humano não é suposto viver.
É uma beleza dura, dos elementos num estado puro. A Mãe Terra empurrou enormes quantidades de rochas e pedras, que em tempos formaram os fundos dos oceanos, até alturas impressionantes, onde a neve nunca derreta, para poderem tocar no Céu.
As montanhas lembram-me como tudo na vida é cíclica, efémera e ilusória - mesmo a matéria mais maciço transforma-se sob a acção dos elementos. Nada fica igual de um momento para outro. O Sol nasce, atravessa o firmamento; as nuvens passam e deixam caír as suas chuvas e neves, a montanha eroda para acabar em forma de areia, levada pelos rios, para ser depositada no fundo do oceano. As mudanças de tempo seguem-se umas às outras como emoções na vida humana - ora chove, ora se faz sol - e a chuva lava tudo, aplana a montanha, lima as arestas afiadas às pedras, desfazendo os nós mais duros, como se fossem lágrimas a lavar a alma, libertando a dor do coração.
Tudo muda, tudo se tranforma... num movimento perpétuo de criação e de desconstrução contínua.
Nas montanhas, o ambiente é duro e a natureza indomável. Mesmo assim, é nestes sítios que sinto uma proximidade quase palpável daquilo que chamamos "A Fonte".
O céu, de um azul intenso, profundo, estende-se à volta, sem fim à vista. A sensação é de uma esfera, como se estivessemos numa bola de cristal imenso.
A Luz vem de uma fonte identificável, mas é omnipresente, parece querer atravessar-nos. A abundância luminosa existe para todos que se quiserem expôr a ela, sem distinção, sem excepção. 
Todo o ambiente parece existir para exprimir aquela força que sentimos pairar no plano de fundo - quase como se a Fonte só é potencial, contendo Tudo que É, mas tudo ainda em potência, ainda sem forma. Um potencial de uma Harmonia sem igual, uma compaixão que tudo engloba, o "Lar" de tudo que é, onde estamos bem-vindos, queridos e amados. 
Como se fosse a mão de uma divindade que segura a bola de cristal azul em que nos encontramos.
E a Terra, através dos seus elementos, através da sua corporalidade, do seu carácter tão obviamente física, dá à Luz as formas contidas na Fonte, as formas que exprimem a sua força.
Sentimos que também nós somos expressões da mesma força da Fonte - e que fazemos parte deste movimento perpétuo da criação.
É um encontro, entre a infinidade - a eternidade - e o finito, o temporário, o efémero. Um encontro que ao mesmo tempo é um confronto....Sabemos, algures no fundo,  que toda a criação tive origem na Fonte, por isso, também a nossa Alma. Separámos ou fomos separados da Fonte para encarnar como ser humano. Estando separado da Fonte, procuramos harmonizar-nos, para ter novamente o contacto com o Eterno.... e sentimos dentro de nós  que as nossas emoções - os nossos apegos, desejos, medos - dificultam a tarefa de encontrar o caminho de volta. Há alturas em que parece que estamos como perdidos no meio da montanha, a mercê do intempérie que nos acontece, sem noção qual o caminho a escolher para saír da situação.
A montanha, na sua grandeza e imponência, põe-nos à prova, pede que nos nos encaramos honestamente, com realismo e coragem. Pede para erguermos à altura da situação, para que assumimos a nossa responsabilidade. A experiência de uma caminhada longa pela montanha pode ser por isso, muito especial.
Enquanto caminhas aí, pequenina na paisagem grandiosa, sentes o desafio: serei capaz de lidar com as limitações que a minha vida como ser humano me apresenta? Ou seja, serei capaz de enfrentar os meus medos e receios?
Lembro-me bem das primeiras vezes que fiz caminhadas na montanha: não sabia o que me esperava, e não sabia bem lidar com o desconhecido. Cansava-me a subir, e desmotivava-me ao pensar que só estava no início....queria desistir já para evitar a eventualidade de fracasso. Pensava em todos os azares que podiam ocorrer: Como seria no caso de algum acidente, ou se não encontrassemos água? Onde dormir lá em cima? Haveria animais que pudessem fazer mal? E o tempo, haveria chuva ou frio? Depois começava a sentir a altura, percebia que podia caír fundo se escorregasse...
A montanha ensina-nos que não nos livramos dos nossos receios, se não os encaramos. Ensina que é preciso confiar em nós, na nossa força, mas também nos avisos que o nosso sistema dá - o receio da altura ajuda a não aproximar-te em demasia do abismo.  Ensina-nos a encontrar um equilíbrio entre os nossos ideias e as nossas capacidades: podemos querer chegar alto, mas temos que respeitar os nossos limites.
Aprendemos estar atentos ao momento, respirar com calma, mantendo a concentração no corpo; caminhar mantendo um contacto estável e seguro com o chão.
Aprendemos que os nossos receios e medos se apresentam para encararmos, aqui e agora. Não vale a pena fugir, não vale a pena esconder.  Só contas contigo próprio.
Na beleza crua da montanha, aprendi algo que me ajuda todos os dias: se quero caminhar, então tenho que fazer os passos, aqui e agora.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Lua Cheia


Na próxima quinta~feira, dia 27 de Maio, a Lua Cheia convida-nos novamente à celebração da nossa ligação com o Universo.
É a chamada Lua da Flor, Lua do Crescimento, Lua da Plantação do Milho.
A meditação da Lua deste mês concentra-se na nossa relação com o Universo: somos todas pessoas autónomos, livres, individuais - mas ao mesmo tempo fazemos parte de um grande Conjunto.
A semente que plantamos no nosso interior, que cuidamos com atenção e compaixão, atendendo as nossas necessidades pessoais, e que é regado com o nosso idealismo e os nossos sonhos, destina-se assim para ser colhida e usufruida, não só para o teu bem pessoal, mas para o Bem de Tudo que É.

Meditação e Ceremónia de Lua Cheia
no
Cromeleque dos Almendres em Guadalupe, Évora
Quinta-feira, dia 27 de Maio , às 20.00 horas.
Estão todos bem-vindos!
 

domingo, 23 de maio de 2010

Espírito Santo, a Respiração Divina


The soul is the divine breath. It purifies, revivifies,
and heals the instrument through which it functions.

Hazrat Inayat Khan
 
Quando, nas nossas meditações, focamos a nossa atenção toda na respiração, temos acesso a muito mais do que um exercício de relaxamento ou um treino da capacidade de concentração. Em si, e por razões várias, é a técnica que forma a base de toda a meditação. Por exemplo, a focagem na respiração permite acalmar a mente, no sentido de se concentrar no próprio momento, no "aqui e agora".

Ao observamos a respiração, percebemos que podemos alterar com a nossa vontade o ritmo e a profundidade, mas por natureza ela é autónoma, i.e., também acontece se nós não a vigiamos. Quando começamos a abrir mão do controlo mental sobre o corpo, e permitimos que a respiração acontece por si, podemos começar a sentir um fluxo energético a percorrer-nos ao ritmo da respiração.

Um circuito que percorre o corpo de cima para baixo, de baixo para cima - para dentro, para fora - fazendo o corpo expandir, encolher. É força de cima, a Luz, o etéreo, que nos entra por dentro e que nos toca no fundo do corpo - onde se encontra com a força da Terra vindo de baixo, a força física, a profundeza... que sobe e se estende para fora de nós, através de nós. A inspiração conduz para dentro da nossa existência o Espírito… e manifestamos a nossa existência, expirando.

É a própria vida a acontecer - à imagem da mudança contínua que acontece dentro do corpo. Tudo muda, altera; celulas nascem, crescem, morrem... incontáveis cíclos de vida a terem lugar dentro de nós, a cada momento.

Cada respiração é como um ciclo de vida: a força abstracta que sentimos como Cósmica, una-se com a força concreta, com forma, e que sentimos como a força da Terra. É o Yang a encontrar o Yin. O masculino a encontrar o feminino. O Divino Pai, sem forma, sem expressão que conhecemos, encontra na respiração a Divina Mãe – que dá forma, que faz nascer…. Recebemos o nossos corpo pela Mãe, e o Pai escondeu um fragmento de si próprio no nosso coração, fazendo de nós uma criação divina, um Filho de Deus.

Hoje festejamos Pentecostes – a festa que comemora o dia em que o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos. O Espírito Santo – o nome que damos a um dos padrões energéticos do Universo, nomeadamente esta força que desce do Vazio que Tudo Contém (o Deus Pai dos cristãos) para que este se manifesta.

Espírito Santo: o Sopro, a Respiração, que nos lembra do movimento da nossa Alma. Nascemos da Fonte, para poder experimentar e exprimir, através da nossa existência humana, o seu Amor e a sua Compaixão. E quando realizamos a nossa verdadeira identidade, quando expandimos até realizar a nossa potência, voltaremos a unir-nos com a Fonte.

Tantas vezes respiramos na nossa vida. Tantas vezes nem damos por isso. Hoje é um dia de lembrarmos da maravilha da Vida que tem lugar em nós.
Respira fundo, e lembra-te que também tu és uma parte do Grande Mistério da Vida.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Um pedido de oração, da Nação Sioux

Greetings and blessings,
here a forwarded message from Chief Argol Looking Horse (Present Chief and Keeper of the Sacred White Buffalo Calf Pipe of the Lakota, Dakota, Nakota Nation of the Sioux)
Gulf Coast Oil Spill - Sioux Prayer Request

May our energies combine to help our Mother Earth

****** A Great Urgency ****** To All World Religious and Spiritual Leaders ******

My Relatives,
Time has come to speak to the hearts of our Nations and their
Leaders. I ask you this from the bottom of my heart, to come together
from the Spirit of your Nations in prayer.

We, from the heart of Turtle Island, have a great message for the
World; we are guided to speak from all the White Animals showing
their sacred color, which have been signs for us to pray for the
sacred life of all things. As I am sending this message to you, many
Animal Nations are being threatened, those that swim, those that
crawl, those that fly, and the plant Nations, eventually all will be
affect from the oil disaster in the Gulf.

The dangers we are faced with at this time are not of spirit. The
catastrophe that has happened with the oil spill which looks like the
bleeding of Grandmother Earth, is made by human mistakes, mistakes
that we cannot afford to continue to make.

I asked, as Spiritual Leaders, that we join together, united in
prayer with the whole of our Global Communities. My concern is these
serious issues will continue to worsen, as a domino effect that our
Ancestors have warned us of in their Prophecies.

I know in my heart there are millions of people that feel our united
prayers for the sake of our Grandmother Earth are long overdue. I
believe we as Spiritual people must gather ourselves and focus our
thoughts and prayers to allow the healing of the many wounds that
have been inflicted on the Earth. As we honor the Cycle of Life, let
us call for Prayer circles globally to assist in healing Grandmother
Earth (our Unc'I Maka).

We ask for prayers that the oil spill, this bleeding, will stop. That
the winds stay calm to assist in the work. Pray for the people to be
guided in repairing this mistake, and that we may also seek to live
in harmony, as we make the choice to change the destructive path we
are on.

As we pray, we will fully understand that we are all connected. And
that what we create can have lasting effects on all life.

So let us unite spiritually, All Nations, All Faiths, One Prayer.
Along with this immediate effort, I also ask to please remember June
21st, World Peace and Prayer Day/Honoring Sacred Sites day. Whether
it is a natural site, a temple, a church, a synagogue or just your
own sacred space, let us make a prayer for all life, for good
decision making by our Nations, for our children's future and
well-being, and the generations to come.

Onipikte (that we shall live),
Chief Arvol Looking Horse
19th generation Keeper of the Sacred White Buffalo Calf Pipe

--

"When the power of wealth has dominated justice,
with the concept of fiction-money leading to utter destruction;

when the Holy Spirit, driven ever further away on its
path of ascension has again reached zenith,

to the undoing of so much near and dear to us-
let us, in spite of what occurs before our eyes,

invoke that same Divine Spirit through love and beauty,
that we may restore order and balance to humanity.

--Samuel L. Lewis,"Spiritual Dancing"

domingo, 16 de maio de 2010

A poesia do infinito

Ontem tivemos uma festa/convívio - um almoço no campo, que se prolongava pela tarde, até ao anoitecer ameno... tranquilo, familiar, acompanhado pelos sons de crianças a brincar, pássaros a cantar, risos de amigos, conversas agradáveis. Fui apresentado a uma pessoa marcante; pintor de ocupação, Cupido do seu nome, amoroso do seu carácter.
Falámos sobre tudo que há de bonito que o nosso Alentejo oferece - quando observamos a sua paisagem, flora, fauna, minerais, mas também as pessoas.  E inevitavelmente, falou-se da poesia dos cantares alentejanos.... ao ouvir, tem-se a sensação da passagem do tempo e, simultaneamente, a sensação que o tempo não passou, que se está num tempo infinito..... e o senhor citou este verso enigmático, que ele diz ter ouvido (se a memória não falhou) cantado pelo grupo coral de Serpa:
A Terra me está a dever
à Terra estou devendo
A Terra a Vida me dá
à Terra dou, morrendo. 
E revejo-me, nesta comovente expressão da ligação quase mística, que temos com a Mãe Terra.... quem dá a vida e a quem nós nos damos..... sem princípio, sem fim, nascendo e morrendo.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O espelho e os pais

Em reacção ao post Sincronias, Cris escreveu: Talvez a nossa relação com os nossos pais seja a que mais contribui para nos fazer crescer.
Fiquei a pensar nisso.... e entre as muitas coisas que se podia dizer sobre o assunto, escolhi uma. Senti também que podia falar de um caso mais ou menos concreto, mas ia alongar muito, pode ficar para mais tarde.

Entre as pessoas que me falam sobre as dificuldades no seu processo de crescimento, há muitas que sentem que se precisam de libertar dos limitações que a educação lhes deu, para poder crescer.  A maioria das pessoas descreve a sua relação com a família e os pais como limitador - no sentido de se sentir obrigada de crescer conforme os ideais dos pais, ou por outro lado conforme as frustrações e dificuldades emocionais dos pais, e não conforme o seu próprio potencial. 
O facto de nascermos junto a um pai e uma mãe específicos, faz com que nos desenvolvemos em grande parte em função do equilíbrio emocional deles - estável ou não, abertos ou fechados, com rigor ou liberdade.... A maneira que lidamos com a vida é moldada a partir do comportamento destes que estão nos mais próximos na infância. Por imitação (independentemente se estamos conscientes disso ou não) ou por defesa, por revolta ou em harmonia, grande parte de quem somos é formada na infância.


Penso que vale a pena reflectir sobre a lição principal que tivemos oportunidade de aprender junto aos nossos pais. Partindo do princípio que nada acontece por acaso, o enquadramento familiar é uma pista importante sobre a lição que a nossa alma quis aprender ao vir a esse Mundo. A nossa família biológica não pertence obrigatoriamente à nossa "família" primária de almas, mas é sempre formada por almas que têm características necessárias para o nosso desenvolvimento. Olhando para a maneira como cada um dos membros da família procura Ser, observando a maneira como cada um se valoriza a si próprio - e como lidam com a sua individualidade, a sua força espiritual, o seu poder, podemos começar a perceber qual a lição nisso para nós.

O confronto com os nossos pais pode nos servir de espelho - para ver-nos a nós na maneira como nós lidamos com todas estas questões.

No final de contas, quando consideramos o objectivo final que todas as pessoas, no mundo inteiro, perseguem, temos que reconhecer que todos querem ser felizes. Realizadas como seres humanos. Viver na experiência de poder amar e ser amada.
Se olharmos para os nossos pais, podemos ver as escolhas que eles fizeram nas suas vidas para poder chegar a este estado realizado. Quais são / foram as estratégias que aplicaram para sentirem o seu valor como ser humano? Qual é / foi a atitude perante os seus próximos? E de que estado emocional originaram as estratégias e atitudes?

Através das emoções que sentimos quando lidamos com os nossos pais, podemos chegar a perceber que nós próprios adoptamos estratégias e atitudes para sentirmos bem connosco. Muitas vezes são comportamentos que perderam de vista o objectivo final (ser feliz e não sofrer) mas são simplesmente uma reacção ao sofrimento, uma tentativa de não ser abalroada pelas circunstâncias emocionais.
Se escolhermos viver assim, havemos de estar sempre dependente do ambiente, dos outros, para podermos ser feliz. Não haverá outra maneira? Não podemos encontrar dentro de nós a fonte do não-sofrimento, da paz duradoura?
Na relação que temos com os nossos pais, podemos observar se existem em nós padrões de comportamento derivados do condicionamento educacional - por querer ser como eles ou por não querer ser como eles de maneira nenhuma.
E podemos fazer agora sim, conscientemente, escolher se vamos ou não continuar nesses comportamentos ditados pelo ambiente em que crescemos.
Temos esse poder de mudar, a todo o momento. O poder de criar-nos a nós próprios, observando-nos e libertando os comportamentos que foram ditados pelas circunstâncias.
Libertando-nos deste modo, abdicamos de prolongar a nossa quota-parte do sofrimento no mundo.  Abdicando de comportamentos emocionais que nasceram na dor (mesmo esses que dão uma aparente "satisfação"), que tiveram a sua origem na "manipulação" exterior, optamos para a felicidade, para a liberdade.
E assim, escolher para não agir mais a partir de emoções difíceis, encontramos também uma maneira de contribuir para o Bem de Tudo que É.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Sincronias

Nunca nada acontece por acaso - uma frase que muitas vezes pronunciamos quando encontramos coincidencias felizes, pequenos acontecimentos que se vão seguindo uns aos outros até termos uma visão global sobre a sua interpretação, até vermos que as coisas são como são e acontecem porque têm que acontecer.
Uma amiga disse me este fim-de-semana: não foi por acaso que nos encontramos aqui... Foi nos atribuida uma casa para partilharmos durante o retiro, e na conversa percebemos que ela tinha dúvidas numa área em que eu me senti à vontade para partilhar as minhas experiências.
Ela apresentou o "acaso" da nossa conversa como feliz para ela. Mas quem ficou agradecida era eu... vi através dos olhos dela dúvidas e medos, inseguranças e um processo que já encontrei no meu próprio caminho. E foi uma oportunidade de rever o que fiz com tudo isso: arrumei? processei? digeri? libertei-me? ou será que tenho procurado esquecer e varrer por baixo do tapete alguns assuntos mais difíceis?
Por ela ter exposta a sua fragilidade, tive oportunidade de olhar para a minha. E foi mesmo isso que eu estava a precisar - encontrar as minhas fragilidades e olhar sem receio, sem julgamento, para elas.
Se para a minha amiga a conversa foi uma luz que a apoiou em encontrar mais um pouco do seu caminho, para mim foi um espelho em que precisava de olhar.

Tudo que encontramos, tem um significado maior: nunca nada acontece por acaso, ou seja: tudo que acontece, acontece por ser a altura certa. E funciona em ambos os sentidos.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Uma aproximação ao desapego da mente

Nas meditações desta mês estamos a trabalhar a identificação com outras formas de vida - animais, plantas, árvores, a rocha no rio, a água.

 "Forest River (1)" Yevgeny Burmashkin 2006

Uma meditação destas leva por vezes a um estado de profundo relaxamento em que podemos escapar do dia-a-dia, esquecer por uns momentos dores físicas ou emocionais, sem ser distraido por pensamentos que perturbem, que pescam preoccupações. Por si só, este estado já é uma maneira de nos purificar e limpar o nosso sistema.
Mas por muito agradável que seja um estado de conciência assim, no meio do nada, sentindo a nossa plenitude, não é isso que constitui o objectivo principal da meditação.
No mês passado fizemos uma série de meditações explorando o "mindfulness" - atenção plena no momento presente. Nestas meditações (e no workshop) exploramos a importância de manter acesa a nossa capacidade de observação e de estar alerta. Ao observar o que se passa no corpo, aprendemos a observar o que passa pela mente - aprendemos a não identificar o nosso Ser com a nossa capacidade de pensar.
Nas meditações mais ligadas à Natureza, que fazemos agora, oferecemos ao nosso sistema corporal e sensorial, a oportunidade de se identificar com outras formas de vida, outros "corpos", com maneiras de funcionar diferentes do nosso sistema humano.
Oferecemos assim também à mente a oportunidade de alargar os seus horizontes - de encontrar maneiras de pensar diferentes, bem como outras maneiras de lidar com o fluxo de vida. Oferecemos à mente a oportunidade de deapegar-se de padrões de pensamento. Os comportamentos da mente (identificáveis no "ego") são na sua maioria resultado de aprendizagem subconsciente, através do sofrimento. A entrega a um outro ponto de vista, ajuda a pôr em perspectiva as escolhas que fizemos e fazemos. É um apoio para libertar-nos das escolhas e comportamentos baseados na experiência da dor - e pode abrir caminho para escolhas e comportamentos baseados no re-estabelecimento da Harmonia.
Observando o corpo, podemos aprender como oferecer-nos ao fluxo natural da vida, sem necessidade de controlo, sem necessidade de ambição, apenas e acima de tudo, Sendo.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Os murmurios da brisa


Quando passo pelos prados
Procurando o fim do arco-iris
As cores na distância
trazem vozes na brisa.
E entre as flores
Escuto sem um suspiro;
Os espíritos dos Ancestrais
São um echo da resposta dos seus corações.
Murmurios sagrados na brisa
O que irias me dizer
Se me tornar o arco-iris
Ou a árvore que está de pé?
Irias pedir-me de escutar,
Ou acrescentar a minha voz às vossas?
Transformando num Espirito Guardião
Destas florestas ancestrais.


(tradução de Murmurs in the Breeze - por Jamie Sams)

Se tu consegues imaginar, tu consegues aprender a entender os pontos de vista de outras formas de vida. Imaginar qual a sensação de ser uma outra parte da Natureza, é um bom exercício para o entendimento. A nossa perspectiva alarga-se, e à vezes é nos permitido ouvir os pontos de vista dos nossos Companheiros do Mundo Natural. O nosso coração cura-se quando toca nas coisas vivas através dos sentidos.

Na próxima quarta e quinta feira, as meditações visam a criação de um ambiente em que possas identificar com elementos da natureza. Embora nunca posso dizer com muita precisão qual será a inspiração do momento, proponho para esta semana a identificação com a vida das plantas e árvores - os Standing People. Na semana a seguir, dedicaremos aos Animais. Segunda-feira, dia 10, a meditação visa explorar à visão de cima - a Águia.
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