Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Celebração e Meditação da Lua Cheia

No próximo sábado, dia 26 de Junho, a Lua Cheia convida-nos novamente à celebração da nossa ligação com o Universo.

A Lua Cheia em Capricórnio, o Sol em Caranguejo - uma oportunidade de pensar sobre a relação e o equilibrio entre as partes da nossa vida que estão viradas para o exterior, e a nossa vida interior!
Durante o dia de Sábado (será no final de manhã), haverá um eclipse lunar.
O período de um eclipse Lunar traz a energia de uma Lua Cheia e Lua Nova, formando em conjunto uma carga energética cuja influência se fará sentir durante seis mêses.
A Lua Cheia significa o culminar e o fim do que possa ter tido o início na Lua Nova anterior, que estava em Gémeos, e que nos convidou para expandir a mente, melhorar o dialogo interior, bem como as conversas com o exterior - e assim elevar a nossa perspectiva para poder "ver" a imagem major.
Eclipses são como aceleradores que impulsionam eventos, assuntos, situações nas nossas vidas privadas, e exigem que nós nos confrontamos para lidar com tudo. Eclipses forçam assim mudanças necessárias para a viagem da vida. Como é um impulso vindo de fora, as mudanças podem ser repentinas e impossíveis de negar ou evitar. Por isso, podem provocar tristeza, confusão, raiva, preocupação. No entanto, é a nossa preparação para a mudança, e a nossa reacção ao choque inicial que definirá como vamos permitir que um eclipse tenha influência.

Meditação e Ceremónia de Lua Cheia
no
Cromeleque dos Almendres em Guadalupe, Évora
Sábado, dia 26 de Junho , às 21.00 horas.

Estão todos bem-vindos!
É costume trazer uma oferenda ao sítio (um pau de incenso, uma flor, uma pedrinha, um pouco de água, ou o que sentir como adequado).
Uma contribuição para a cerimónia em si, fica à consideração dos participantes.
Se conheceres pessoas que possam estar interessadas em participar, por favor, encaminha a mensagem.

Leia mais em:
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quarta-feira, 16 de junho de 2010

Dúvidas

Esta semana recebi de uma amiga nossa este texto:
Ouvir e Falar    (Odylanor)
Dizia o mestre:
- Se fizeres o que faço, serás apenas igual  a mim.
- Se fizeres o que digo, poderás ser melhor.
- Se ouvir a todos que te falam, serás melhor do que és agora.
- Se falar a alguém, crescerás.
- Se falar a muitos, crescerás em dobro.
- Se ouvido por muitos, crescerás mais ainda.
- Se seguido por muitos, terás a  glória.
- Se divides a palavra, a audição e a glória, terás a luz verdadeira da Grandeza Humana.
- Se fizeres herdeiros da grandeza humana alcançada, serás multiplicado e omnipresente.

E lembrei-me de um episódio que vivemos recentemente num dos grupos de meditação.
Após a meditação é costume ter um momento de partilha de experiências. Todos têm a sua visão interior própria, cada um é diferente, sente e vê coisas diferentes...  a partilha é muito enriquecedor. A troca de experiências ajuda a perceber o que nos acontece - as palavras que cada um usa para exprimir a sua vivência podem ser adequadas também para os outros, para poder perceber e integrar a sua experiência privada.
Procuro estimular a abertura total nos grupos, em que todas as experiências valem o mesmo - não é por poder "ver" que alguém é melhor do que o outro, ou mais avançado, ou mais evoluido..... todos valemos por quem somos, e na partilha procuro dar espaço para cada um poder exprimir-se.
Os assuntos que falamos podem ser todos, desde emoções, problemas físicos, sonhos.... é uma procura de aprofundamento e entendimento. Às vezes os assuntos não são as mais fáceis a digirir - e quando houver pessoas cujos olhos interiores lhes fornecem imagens de entidades ou forças do "além" - guias, seres da Natureza, Mestres - pode ser estranho ter que assistir a isso para quem não tem estas visualizações.
Mesmo assim, considero importante que falamos. As energias que vemos à volta das pessoas, em forma de seres de Natureza ou Mestres ou "Anjos de Guarda" (deixando à parte para já os guias pessoais) são de facto simbólicos para os processos emocionais e espirituais em que a pessoa se encontra, no seu caminho de volta para se reunir à Fonte de Tudo que É.
Todas as tradições têm as suas próprias expressões para explorar este fenómeno. Por isso, cada um vê ou sente da sua propria maneira, na forma exacta para que está mais aberto de receber a mensagem.
É uma linguagem simbólica, iniciática, que nos remete sempre para dentro - porque de facto, se nos somos UM, nada existe para além da nossa mente. O facto de vivermos em dualidade, separados da Fonte, faz com que nos interpretamos estas energias como externas. Mas muitas vezes, elas são como os diferentes Budas a quem apelamos: representam uma qualidade em nós - e se aparecem agora, é porque precisas dar atenção a esta qualidade.
Nos momentos após a meditação, falamos sobre estes assuntos, exploramos este vertente que está oculto ao olho físico. E descobrimos que tudo pode ser visto, que não faz mal nenhum mostrar-nos em toda a nossa vulnerabilidade e força. Procuro fomentar a segurança de estarmos entre iguais, pessoas que se aceitam mutuamente incondicionalmente, que estão aí para ajudar a ultrapassar o medo e receio.
Mas desta vez, alguém ficou muito atrapalhado - disse que não gosta muito de falar sobre estas coisas e saíu de repente..... deixando o grupo perplexo.

Faço agora aqui a descrição deste episódio, porque deixou-me algo apreensiva. A minha opção é a partilha, a transparência, a abertura... partilho o que vejo nos outros, para que possam apanhar o que acham importante para a sua realização, deixando de lado o que acham que não vale a pena. Gosto de ver as pessoas a crescer, a voltar a si, mostrando a sua beleza, a sua força, realizando-se conforme foram criadas. Gosto de ver as pessoas livres, sem constrangimentos.... juntos por livre vontade. Sinto que é ai que o Amor acontece - na atenção plena, na apreciação da beleza do outro.
Aprecio também que me dizem o que vejam, para que eu posso avaliar onde estão as barreiras que preciso ultrapassar ainda para poder ser Eu, em pleno. Claro que também para mim por vezes é difícil ouvir as observações, porque tenho como toda a gente as minhas formatações, as minhas emoções conflituosas, os meus padrões de reacção baseados em dores e sofrimento do passado. Mas é mesmo para poder deixar de ter estas limitações que estou disposta a partilhar.

O conflito interior que vi na pessoa que saiu bruscamente da sala de meditação, fez me pensar... Vi na pessoa receio de se perder, de perder a sua autonomia e caminho individual. Mas senti também que é altura de abrirmos, de mostrarmos que não há nada estranho por aí, que podemos ter todos acesso à Verdade Cósmica, à aceitação de quem Somos, à Liberdade, à Igualdade, ao Amor Universal.
A Criação fez-nos todos diferentes, e não me parece que é a Intenção ou Plano de deixarmos de ter o nosso próprio caminho para acreditarmos todos o mesmo. A Verdade é só Uma, os caminhos são múltiplos.
Será que fiz bem em deixar a pessoa saír sem tentar entrar em diálogo? Devia tê-la explicado isto tudo? O que pensam vocês, que lêem isso?

terça-feira, 15 de junho de 2010

No próximo fim-de-semana celebramos o Solstício de Verão - o que indica o dia em que o Sol pára por um momento antes de inverter o seu curso em relação à Terra.

A Mãe Terra está a passar por muitas mudanças, bem como muitos que vivem na superfície dela. Muitos de nós sentem que o seu desenvolvimento está em aceleração, que a Alma procura manifestar-se para se sentir unida com a Criação.
Na noite do Solstício, noite de homenagem aos sítios sagrados, é tradição honrar a Terra e celebrar a Vida. Por isso, convido para te juntar numa Celebração da Noite mais curta do ano : Solstício de Verão

Este ano a meditação terá lugar no ponto mais alto de Évora - no lugar onde no seu tempo se situou também um cromeleque - o terraço da casa da Associação Oficina da Comunicação (atrás da Sé)

Será uma sessão de sons com Taças Tibetanas e Mantra-chanting, ao ar livre, para que possas deitar-te, ouvir os sons, deixar que o teu corpo se une com o Universo e com as estrelas que nascem no Céu. Podes trazer uma manta ou almofada para estar mais confortável.

Mantras, sílabas que no seu conjunto representam uma qualidade da Budeidade, são cantados (ou pronunciados interiormente) para que o nosso corpo, mente e alma se possam alinhar na vibração desta qualidade. O que costumamos chamar Buda, não é algo exterior a nós, mas é uma representação da nossa Verdadeira Natureza interior. Os sons sagrados são um meio para poder contactar com o potencial do Buda em nós.
Curativo e purificador, o cantar dos mantras ajuda a mente a focar-se, para se libertar e se Unir com o Grande Conjunto da Vida.

Alguns mantras que possam ser cantados:

Teyatha Om Bekantze Bekantze Maha Bekantze Radza Samutgate Soha: mantra do Buda da Medicina - mantra purificante para que todos os seres sensíveis se possam curar do seu sofrimento físico e mental.
Om Tare Tuttare Ture Soha: Mantra da Tara Verde, a Mãe do Buda
Om Tare Tuttare Ture Maha Bejing Djana Pezing Kuru Soha: Mantra da Tara Branca, para que a abundância possa existir para todos os seres.
Gate Gate Paragate Parasamgate Bodhi Soha: Mantra do Coração, que nos lembra que é indo, indo, indo além que alcançamos a Iluminação
Om Mani Padme Hum: Mantra do Boddhisatva Avalokiteshvara, mantra da Compaixão que flui para tudo que é, para nós inclusivo.

(ver cartaz)

domingo, 13 de junho de 2010

O som dos nossos pensamentos (5) Mantra-chanting

Todos repetimos todos os dias uns mantras pessoais, em muitas variações, p.ex. “eu não consigo” “eu estou stressado” “vou chegar atrasada” etc. etc. Sabemos do efeito que isto tem na nossa vida, como a nossa vida se molda  conforme as repetições – e a Louise Hay (entre outras escolas) tem desenvolvido todo um programa para contrariar a tendência mental de nos limitarmos pelos pensamentos. Mas agora queria falar de um exercício práctico que não só tem a vantagem de exemplificar como somos definidos pelos sons dos nossos pensamentos, como oferece a possibilidade de purificar a fala e as palavras do pensamento: mantra-chanting.

Uma curta explicação: A palavra “mantra” literalmente significa “ferramenta para a mente”. É um som que vibra pelo corpo para que a mente se livra da sua forma.

Falo aqui da “forma da mente” para indicar os hábitos de pensamento que cultivamos para dar resposta ao que nos aconteceu e acontece. Na nossa procura da felicidade, do amor, da liberdade, encontramos muitos entraves emocionais. A mente procura dar a volta, procura estratégias de lidar, maneiras de pensar que nos salvaguardam e protegem. Infelizmente, estas estratégias da mente, muitas vezes não passam de armadilhas que impedem o nosso crescimento, porque definem-nos a partir do sofrimento que já passamos ou que temos receio que ainda havemos de passar. São estratégias que recorrem ao apego para não perder terreno e valor. E enquanto o objectivo inicial da mente era conseguir a felicidade, amor, liberdade, os seus modos resultem contraproducente ou quanto muito, em resultados precários e instáveis.

O objectivo do mantra é ajudar a mente quando se encontra dispersa. Ao focar-se, a mente pode livrar-se da sua forma, permitindo que possa surgir o “Eu Superior”, ou seja, a nossa Verdadeira Natureza que está além da mente.
Cantando os mantras, e associado à sensação física da vibração sonora, é produzido um efeito espiritual. Canta-se para que a intenção do mantra se torna uma realidade física. Se cantes o mantra da compaixão, as vibrações produzidos convidam o teu corpo de sentir a essência da compaixão. O teu corpo é ensinado a sincronizar-se com a compaixão.

Como funciona na práctica?

A tua atenção e toda a tua consciência são direccionadas para dentro, para o teu Mundo Interior. Se o estímulo visual, provocado pelos olhos abertos, te desvia do teu Mundo interior, feche os olhos.
Não te deixas incomodar ou perturbar pelo que ouves no exterior.
Estás a viajar dentro do teu corpo, no espaço interior do teu Ser.
A tua respiração é lenta e profunda.
Descontraís completamente as diferentes partes do corpo, para que posses abrir mão de tudo que ocorre.
O som flui através de ti, e confunde-se contigo.
O mantra simboliza uma qualidade do Buda – e entregando-te completamente à vibração do mantra, começas a ter uma experiência desta qualidade.
É fundamental não forçar nada, não querer nada mentalmente ou com o ego. Faça um passo para trás,  e observe como o teu corpo entra na vibração do mantra.

No proximo post mais sobre os mantras que integram a sessão de sons do dia 20 de Junho.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Eu penso, logo existo (Os sons dos pensamentos, 4)


Reproduzo aqui as palavras de Deepak Chopra, pensador e escritor indiano, acarinhado por muitos pela sua sabedoria. As suas palavras reforçam, com grande eloquência, o que tenho vindo a escrever acerca da necessidade de procurar harmonia nos nossos pensamentos. (Bem haja Helena!). Retomo a seguir o meu racicínio acerca dos sons ;)

"Somos as únicas criaturas na face da terra capazes de mudar nossa biologia pelo que pensamos e sentimos!
Nossas células estão constantemente bisbilhotando nossos pensamentos e sendo modificados por eles. Um surto de depressão pode arrasar seu sistema imunológico; apaixonar-se, ao contrário, pode fortificá-lo tremendamente.

A alegria e a realização nos mantém saudáveis e prolongam a vida.
A recordação de uma situação estressante, que não passa de um fio de pensamento, libera o mesmo fluxo de hormônios destrutivos que o estresse.
Suas células estão constantemente processando as experiências e metabolizando-as de acordo com seus pontos de vista pessoais.
Não se pode simplesmente captar dados brutos e carimbá-los com um julgamento.
Você se transforma na interpretação quando a internaliza.
Quem está deprimido por causa da perda de um emprego projeta tristeza por toda parte no corpo – a produção de neurotransmissores por parte do cérebro reduz-se, o nível de hormônios baixa, o ciclo de sono é interrompido, os receptores neuropeptiídicos na superfície externa das células da pele tornam-se distorcidos, as plaquetas sanguíneas ficam mais viscosas e mais propensas a formar grumos e até suas lágrimas contêm traços químicos diferentes das lagrimas de alegria.
Todo este perfil bioquímico será drasticamente alterado quando a pessoa encontra uma nova posição. Isto reforça a grande necessidade de usar nossa consciência para criar os corpos que realmente desejamos.
A ansiedade por causa de um exame acaba passando, assim como a depressão por causa de um emprego perdido.
O processo de envelhecimento, contudo, tem que ser combatido a cada dia. Shakespeare não estava sendo metafórico quando Próspero disse: “ Nós somos feitos da mesma matéria dos sonhos.”
Você quer saber como esta seu corpo hoje?
Lembre-se do que pensou ontem.
Quer saber como estará seu corpo amanhã?
Olhe seus pensamentos hoje!
Ou você abre seu coração,
ou algum cardiologista o fará por você!"

(cont.)

sábado, 5 de junho de 2010

Fim da tarde - e tudo está em paz


Queria hoje partilhar convosco uma imagem pacífica, tranquilizadora e inspiradora, por todos os elementos presentes na foto.
A Luz do Sol, que ilumina tudo que se queira expôr - sem excepção, sem condições, num abraço luminoso total. Fim da tarde - a Luz do Sol tornou-se dourada, suave.
No altar, os Buda's em posição de meditação, sentados sobre o lotus... cada um sobre o seu, e aos seus pés, um lotus violeta, uma rocha de lava, uma pedra de xisto e um cristal de calcite.
Um dos Buda's tem à volta do pescoço um mala (rosário) feito de contas em forma de crânios, para a meditação sobre a impermanência.
Outro traz um mala feito de cristal-rocha - para a limpeza de mente e corpo, o alinhamento com o eu superior; para receber, transmitir, armazenar e amplificar energia.

O som dos nossos pensamentos (3)

O nosso corpo é todo movimento, mudança. A cada momento nascem novas células; a cada momento são produzidos hormonas, proteinas, enzimas... a cada momento, muitos diferentes processos físicos e quimicos têm lugar. São processos energéticos, processos de transmissão e transformação de energia. Todos fazem parte da criação contínua que tem lugar no nosso corpo.
Da física sabemos que a matéria de facto é mais espaço do que substância - dentro dos átomos há muito espaço livre, e o que chamamos matéria (ou tecidos, ossos, sangue, neurónios, figado, ovários......) só é estavel na sua aparência - se olharmos muito de perto, tudo é vibração.

Assim também é com os nossos pensamentos. Sempre quando produzimos um pensamento, nasce uma vibração que se expande por dentro e através do nosso corpo.
Muito mais súbtil na sua energia do que a matéria grossa, a vibração do pensamento forma como se fosse um pano de fundo em que os outros processos físicos têm lugar.


O trabalho do Dr. Masuro Emoto mostrou como funciona. Nas suas experiências, ele mostrou como a formação dos cristais de água em solidificação pode ser influenciada pela intenção dos pensamentos dirigidos à água durante o processo (ir para o site do Dr. Emoto).

Na sinfonia do nosso corpo, a nossa mente é como o maestro, que pode dirigir a orquestra das celulas e processos conforme entende.
Há aqui um mundo de opções a fazer, e temos uma liberdade absoluto em fazer as nossas opções de harmonia ou desharmonia, de dirigir ou esperar que tudo se compõe por si.
E os nossos pensamentos são a partitura, na base do qual os vários instrumentos (partes do corpo) tocam a sua parte. A maneira que tu pensas, as intenções e motivações que estão por trás das palavras que escolhas para pensar, é o enquandramento em que o teu corpo se cria e é criado, momento após momento.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Noite do Solstício 20 de Junho

Este ano, vamos celebrar a noite do Solstício com uma sessão de sons ao ar livre, no terraço da Associação Oficina da Comunicação, Largo Dr. MárioChicó, 9 - Évora.
Estão todos bem-vindos - e se souberam de pessoas que possam estar interessadas em participar, por favor, re-encaminha a mensagem!

terça-feira, 1 de junho de 2010

O som dos nossos pensamentos (2)

Com os nossos pensamentos compomos a base da harmonia vibracional em que a nossa vida se desenrola.
Efectivamente, há muitas semelhanças com o trabalho do compositor musical. Sabendo como a marcha ou a valsa têm efeitos diferentes sobre o ouvinte; consciente que o som de uma harpa ou de um fagote provocam sentimentos diferentes; sabendo como a bossa-nova mexe connosco de modo diferente como o techno-pop faz, o compositor procura a harmonia e os ritmos adequados para o efeito que procura.
Assim, também podemos saborear o efeito diferente dos pensamentos – sentimos mais do que percebemos logicamente, o tom diferente quando se pensa antes de uma entrevista importante: “vamos lá ver se desta vez não estrago tudo” ou, em vez disso: “desta vez tenho melhor hipóteses de conseguir”.
E quem não conheça o efeito desestabilizador e perturbador de um espiral de pensamentos pessimistas? Como ficamos fisicamente influenciados também sabemos…. Se não sabes, pergunta ao teu estômago como funciona o mecanismo.

Naturalmente nem sempre é fácil identificar como o corpo é moldado pelo pensamento.
Talvez seja interessante mencionar, esquematicamente, algumas das tendências que encontro com bastante frequência. Com estes casos não quero fazer da nossa mente a má da fita, ou atirar culpas. O que pretendo é ilustrar em que medida o nosso corpo é o nosso aliado se quisermos nos desenvolver como Ser Humano – as suas “avarias” são pistas que indicam áreas em que temos ainda assuntos à espera de serem tratados.
Casos de dores nas costas (principalmente na zona dos ombros) em pessoas que pensam que não têm outra saída do que carregar com os problemas dos outros: Pode ser por se sentirem assim útil e reconhecidas; pode ser que pensam que têm que carregar com a farda, já que os outros lhes procuram já com a expectativa que há disponibilidade. O círculo vicioso mental pode ser formado por pensamentos do tipo: Sou forte, tenho que conseguir e aguentar; acompanhados por: Sofro, estou doente, mas eu não me queixo; As coisas são assim, não há nada que fazer; e: Eles são assim, tenho que aguentar. Obviamente há muitas variações sobre os mesmos pensamentos, e não tenho dúvida que todos nós conhecemos exemplos.
O caso das quistas e miomas: são criações do corpo que não contribuem para nada, são criações vazias, sem sentido. A maioria das mulheres que me consultam com esse problema, cultivam sentimentos de culpa em matéria sexual. Nos seus pensamentos correm ideias ilusórias sobre a realização pessoal através de uma relação sexual satisfatória – ilusórias não só porque uma realização pessoal plena nunca se baseia só em ser desejada ao nível física - mas também porque a relação é orientada para as necessidades do homem e a consequente  sensação de aprovação que a mulher recebe. A mulher confunda-se com a sua aparência física, mas quem ela é, não é vista. O que é classificada como uma relação de amor, torna-se assim, numa relação de dependência e manipulação emocional. A culpa está escondida na atitude de pensar que a mulher tem que aceitar  ter relações, mesmo sabendo que não é amor honesto.
A mente forma os seus pensamentos muitas vezes com base em experiências anteriores, por hábito, sem ter em conta a situação do momento. Sabemos sempre explicar as razões que nos levaram à situação em que nos encontramos – mas porque não mudar?
Se temos uma mente tão forte que consegue desarmonizar-nos, porque não treinar a mesma mente para funcionar em harmonia, baseado na experiência do momento actual?

(continua)
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