Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

obsidiana arco-iris

Umas semanas atrás foi-me oferecido um pendente lindíssimo. Uma obsidiana arco-iris em forma de lágrima... parecendo ser negra, revela sob a luz do Sol, um arco-iris súbtil, bandas de verde, azul, castanho, dourado e violeta que surgem da profundidade do cristal.
É um cristal comovente, e poderoso... uma experiência extraórdinária...
Notei quase imediatamente  um efeito forte - assuntos antigos e aparentemente enterrados que começaram a surgir.... insatisfações que já não se deixavam tapar... situações que se repetiam que começaram a ficar claras...
A obsidiana começou, aos poucos e poucos, a fornecer apoio para arrumar assuntos antigos, curar feridas mal-cicatrizadas, pondo às claras o que ainda se encontra lá nos confins do coração!
As caracteristicas da pedra (pela composição química, mais de 70% SiO2) estimulam o sistema nervoso, nomeadamente na ligação entre os dois hemisférios do cérebro,  e o sistema digestivo, principalmente a interligação dos órgãos com o fígado.
Não é de admirar que traz oportunidade para obter clareza sobre assuntos que ainda trazemos mal-resolvidos... Naturalmente, precisamos de estar abertos para receber o incentivo da pedra, e dispostos a trabalhar com a energia fornecida. É o desafio da obsidiana !
Obsidiana é vidro vulcanico, lava que arrefeceu tão depressa que não tive tempo de cristalizar. Ao fracturar, as superfícies tomam a forma de concha. No passado mais remoto foi frequentemente usada como objecto cortante, como ponta de flecha ou "faca" - uma aplicação muito adequada para uma pedra com o poder de cortar, como uma faca, até ao coração das coisas. O efeito desta pedra é rápido, forte. Fraquezas e bloqueios são postos à descoberta, sem piedade ou rodeios, para que o desenvolvimento seja estimulado. Uma pedra que te dá a conhecer a integridade da tua alma...
Obsidana arco-iris dá apoio quando empreender a viagem no espiral para baixo, em direcção a uma Luz inesperada.
Uma pessoa espera encontrar normalmente a Luz espiritual em cima, quando ascender em direcção ao Céu, mas para a maioria dos Seres Humanos é impossível escapar da prisão do espírito ferido, se não ir para o fundo primeiro. Esta viagem para o fundo do poço é tão admiravel e maravilhosa quanto é necessária. Quando descemos, encontramos pedaços esquecidos de nos próprios, deixados no caminho cada vez que fomos feridos. Reclamando estes pedaços, continuando cada vez mais em direcção ao fundo, vamos encontrando cada vez mais vazio e escuridão profundo até não podemos ir mais longe, e de repente furamos o fundo e encontramos uma profusão de Luz.
Muitas vezes uma crise na vida exterior dá origem à viagem interior. No entanto, se te dispões a meditar  com a Obsidiana Arco-Iris, poderás ter acesso a uma experiência mais voluntária da profundidade, e poderás ajudar a alma de se aproximar de uma presença mais consciente no Aqui e Agora.

Obviamente, a parte da história que preferimos é o aparecer de novo na Luz, uma parte que a Obsidiana Arco-Iris encarna na perfeião no seu aspecto. Com pouca luz, a Obsidiana Arco-Iris parece preta, mas quando o Sol incida, surgem aneis de cores vivas e radiantes. Tal e qual como reage o nosso espírito quando chegamos à luz no final da viagem para o fundo do poço.

sábado, 25 de setembro de 2010

Encontrar a Sabedoria dentro de nós

Em resposta ao post o "poder xamânico" recebi uma reacção que me estimulou...  foi escrito em defesa do xamanismo e da liberdade individual de escolher cada um o seu próprio caminho. É um assunto oportuno, nestes dias à volta do Equinócio...

Agora, após o Verão ter virado Outono, muitos de nós sentem alguma inquietação, um dessassosego, algo em mudança.  O nosso sistema energético recebeu do Universo o  convite de surgir tal e qual como somos, de darmos forma ao nosso SER - um convite de olhar para dentro e perceber, a cada momento, onde estamos, o que ÉS em cada momento. Um convite e um estímulo para ter consciência das nossas escolhas - para poder perceber se vieram efectivamente de dentro de ti, e se as tuas acções efectivamente exprimem o que tu ÉS.

Obviamente, isso chega a ser bastante complicado...O fluxo de informação é enorme, e o potencial de manipulação também o é: acontece que há tanta informação que nos rodeia que chega a ser difícil de perceber o que pensar, como igualmente difícil é a escolha onde te posicionar perante isto tudo.
Surgem todos os dias propostas de novas cerimónias, cursos, workshops; televisão, jornais, livros, artigos na Internet, conversas com amigos - notícias de todos os lados, nova informação, opiniões.... Perante tudo isso que cai sobre nós ininteruptamente, não é tarefa fácil de manter contacto com a nossa própria opinião, de sentir como o coração reage, e de  agir e pensar a partir do coração. Para isso é necessário ter os pés bem assentos na terra!

Porque só com os pés bem assentos na terra, com uma base segura para poder erguer-te no teu próprio equilíbrio, poderás voar alto e manter uma visão abrangente, uma vista geral.
Realmente "voar alto" não é propriamente estar "solto" da Terra ou "levitar". É elevar-te por cima de toda a confusão e informação, tendo os pés firmamente enraizados na Terra.
O verdadeiro conhecimento encontra-se aí - servindo O Grande Conjunto, estando em ligação com Tudo que É, e, acima de tudo, é benéfico a Tudo que É.

Não é fácil. Pessoalmente, o que eu aprendi fazer, é ouvir o meu Coração. Procuro saber se algo estimula o meu Ser verdadeiro, se me faz sentir coragem para mostrar quem Sou. E naturalmente ainda acontece enganar-me... também a mim acontece que me deixo levar a acreditar, não porque reconheço a Verdade, mas por causa das ilusões que ainda tenho, de  medos que ainda procuro esconder e de dor que ainda não curou. Cada vez que isso acontece, é uma oportunidade de reconhecer o que ainda não foi limpo, e de fazer mais um passo para a minha cura e libertação, mais um passo para poder Ser integralmente quem Sou.

As seguintes palavras do Buda Shakyamuni (o buda "histórico") fazem parte da sua primeira lição:

"Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. Não acredite em algo simplesmente porque está escrito nos seus livros religiosos. Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos e de ti proprio, então aceite-o e viva-o. "


Todos  trazemos dentro de nós, a Budeidade - a perfeição divina. Nos tempos que correm, com as grandes mudanças sociais e energéticas, com a elevação dimensional que estamos a passar, é de importância fulcral retomar a tua própria força. Erguer-te, dar te forma, mostrar-te. Saber que não dependes de um médium ou intermediário ou substância para entrar em contacto com o Grande Conjunto. Tudo o que precisas, trazes em ti. Tudo o que precisas ser, já o És. Porque cada um tem a sua Verdade, como cada um tem o seu próprio espaço. Muitos de nós procuram apoio em descobrir que espaço é o seu, e não há mal nenhum nisso, antes pelo contrário. Estamos todos juntos nesse caminho, nada mais natural do que aprendermos uns com os outros. A arte está em manter os pés na Terra e continuar a fazer o nosso próprio caminho - em conjunto e de mãos dados com o outro, e não seguindo o outro.

Há muitos que trilham o mesmo caminho, não é preciso inventar as palavras. Há muitas mensagens que te podem tocar no coração, que podem acordar algures dentro de ti, a tua própria sabedoria, a tua própria verdade. A mim tocou-me por exemplo a mensagem de "Little Grandmother" Kiesha Crowther, que podes ver e ouvir em www.tribeofmanycolors.net.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Invocação das sete direcções

Ao Espírito de Leste
Do sítio do Sol Nascente, que conta os anos da nossa vida e as oportunidades de todos os dias, trazes a tua clareza e visão. Mostra-nos montanhas, com as quais nós só nos atrevemos a sonhar! Ensina-nos a voar, lado ao lado com o Grande Espírito!

Ao Espírito do Sul
Com a tua respiração amena, suave e compassiva, derretes o gelo que se acumulou à volta dos nossos corações. Trás-nos a tua vitalidade e alegria de viver, ensina-nos a inocência e a confiança! Ensina-nos que tudo o que é verdadeiramente forte, também é gentil e sábio, combinando coragem com compaixão e justiça com mercê.

Ao Espírito do Oeste
Do sítio do Sol Poente, do além do horizonte, dá-nos a conhecer a Paz que se segue ao esforço, e a Liberdade que emana à nossa volta como um manto a fluir nos ventos de uma vida bem vivida. Mostra-nos o caminho para além do Medo, para além da Morte, ensina-nos a sabedoria de uma vida impecável.

Ao Espírito do Norte,
que traz a Sabedoria da idade e do tempo. Abençoa-nos com a força de resisitir às tempestades, ensina-nos gratidão, ao ver a beleza da Terra que acorda, a seguir ao Inverno.

Ao Espírito do Céu,
Vasto e infinito, belo e majestuoso, existindo para além de todo o nosso conhecimento e entendimento. O teu suspiro é a nossa inspiração vital! Ensina-nos que estás tão perto que basta inclinar a cabeça e levantar os olhos.

Ao Espírito da Terra
Grande Mãe Terra, força tranquila por baixo dos nossos pés, que germina as sementes e guarda todos os recursos que precisamos para a nossa existência. Mãe de todos nós, que nos alimenta e dá abrigo, ensina-nos confiança e gratidão pela tua abundância.

Grande Espírito das Almas dentro de nós
No nosso interior unem-se as seis direcções, para que encontremos equilíbrio e plenitude. Grande Espírito, fala connosco e através de nós! Dá-nos coragem para trazer o brilho do nosso verdadeiro SER ao mundo, ensina-nos humildade e auto-estima, para poder nutrir o brilho de todos.
 (texto da invocação durante a cerimónia do Equinócio e da Lua Cheia, 22 de Set. 2010) 
Esta oração de invocação das sete direcções tem a sua inspiração na tradição Seneca, sendo que a invocação dos ventos e dos mundos de cima, de baixo e de dentro são transversais a muitas tradições à volta do Mundo. A oração lembra-nos o viver em União com o Grande Espírito, que dentro de nós tudo pode acontecer.... e acontece! A oração lembra-nos que é preciso surgir, dár-nos forma, SER.... para o bem de Todos, incluíndo nós próprios, porque o Grande Espirito É - dentro e através de nós.

domingo, 19 de setembro de 2010

Para ser mais específica...acerca da protecção energética

Adoro filosofar e ir ao fundo das questões. Gosto de tecer considerações e ligar causas e consequências, procurar origens e juntar tudo numa só teoria sobre a vida... e escrever sobre isso. Mas o que poderia ser feitio torna-se defeito quando o leitor deixa de ver as ligações que tudo isso tem com a vida prática. Embora em geral não seja este o feedback que tenho tido sobre o blog, vou esforçar-me para ser mais terra-a-terra e prática, a começar pelo assunto da protecção energética.
Em relação à protecção energética, escrevi que penso ser prioritário assumir uma atitude de consciência elevada, de presença mental no corpo constante, no Aqui e Agora.
Todos conhecemos pessoas que parecem estar sempre bem. Que parecem não sofrer de energias que lhes invadem. O que vemos nestas pessoas ao nível energético, é que o seu sistema parece fluir naturalmente, de dentro para fora. Se pudéssemos ver a energia à volta das pessoas, seria parecida com uma fonte de calor que emana ondas em todas as direcções, em cores diversas. 
Essa circunstância faz com que os que encontram alguém assim, digam que "tem presença".
O fluxo energético para fora faz com que a própria energia da pessoa seja continuamente renovada - é uma espécie de limpeza contínua.
Mas não é propriamente natural que todos consiguam manter este fluxo vital a correr sem interrupções. O nosso corpo emocional pode impedir que assim seja - e isso acontece quando o corpo emocional, que se estende além do corpo físico, tiver sítios menos transparentes, que impedem a passagem da tua própria Luz.
Feridas mal curadas do passado, incrustações emocionais, comportamentos rotineiros e inconscientes, reacções baseadas em experiências e avaliações do passado ou expectativas sobre o futuro - tudo isso pode assentar no nosso corpo emocional, como se fossem grãos de areia que entopem os buracos de  uma peneira, formando "nódoas negras" no nosso corpo emocional.

A energia que existe nestas "nódoas negras" não é a nossa em estado puro, mas resulta da interacção com o exterior.
Dou como exemplo, talvez caricatural mas verídico, o caso de alguém que lida com uma sensação de culpa em relação à mãe, que através de dicas indirectas vai sugerindo que sempre fez tanto pelos filhos e agora sente-se tão cansada e sozinha. Na base da sensação da culpa está um afecto genuíno, um amor pela mãe e gratidão por tudo que recebeu. Mas é através da postura de vítima projectada pela mãe, que o filho desenvolve a culpa - uma emoção destrutiva, que vai roendo o coração, mas que nem sequer tem razão de ser.... Algures no seu sistema energética, a gratidão e o amor ficam misturados com a sensação de insuficiência. Mas na verdade, esta última sensação é energia vinda da mãe, cujo problema é de facto de não ter mais o filho por perto para se sentir útil e necessária, e aplica (inconscientemente) a manipulação emocional para satisfazer este apego.
O filho acaba por ter na sua culpa uma porta aberta, porque deixa de ter defesa contra a invasão do seu próprio espaço sempre quando há atitudes ou jogos emocionais que instrumentalizam a culpa.
O nosso sistema está pleno de ligações deste género, laços emocionais que na maioria dos casos não são resultado de uma relação aberta, livre, baseado em amor, compaixão e igualdade, mas sim de emoções difíceis como a inveja, o apego, a raiva, o desejo, o medo (independentemente onde têm origem).

Enquanto não tivermos consciência do estado do nosso corpo energético, naturalmente é possível aplicar técnicas de protecção. No entanto, estas terão sempre um efeito como ter um cão em frente da casa deserta e deixar a porta aberta: se o ladrão quer entrar, encontrará maneira de iludir o cão - e encontra entrada livre. A protecção terá que ser renovada vez após vez.
Por isso, a mim parece me melhor investir numa maneira de fechar a porta e voltar a habitar a casa.
O trabalho pode ser intenso, mas o efeito será certamente mais duradouro.
Retomar o espaço energético do nosso corpo com a mente e a consciência seria o primeiro passo. A  força mental do Ser Humano é ilimitada - mas é preciso atenção e empenho para poder fazer uso dela.
Isso pode fazer-se de várias maneiras, com meditação, visualizações, trabalho corporal, ou através da ritualização de gestos diários.

As tradições dos povos que procuram uma ligação saudável com a Natureza, em que a ordem natural das coisas era respeitada e procurada, praticaram e ainda praticam a ritualização como forma de fortalecer a sua força mental. Fui procurar nestas tradições algumas sugestões - e sim também recorri à tradição portuguesa...

- ao lavar o corpo, confirmar com palavras que estamos a purificar-nos, libertando toda a energia que não é nossa, para ser levada pela água e voltar para onde pertence. Tomar regularmente um banho com sal e óleos essenciais (ou no chuveiro, esfregar com uma mistura de sal grosso pisado com azeite, antes da lavagem com sabão) é uma maneira excelente de estimular o corpo em libertar stress e tensões.
- de manhã, ao levantar, procurar com a atenção e intenção, contacto com a Terra, sentindo os pés no chão. Sentir a força da Terra que sustenta o peso, e confirmar que é aqui e agora que decorre a vida.
- ao deitar, decidir que vai ficar em paz a descansar e recuperar forças para o dia seguinte, para poder continuar a contribuir para o Bem de todos. Que fica protegido pela aura que está todo em volta como um casulo, permitindo acesso exclusivamente à energia que vem para o Bem Universal (os nossos guias, os anjos, os nossos amados..)
- de vez em quando fazer uma limpeza energética do corpo. O campo fornece ervas medicinais extraordinárias - por exemplo, do alecrim faz-se um bom chá purificador.
- regularmente, fazer uma limpeza energética do espaço em que vive. Uma maneira é usar incenso - feito de matéria densa, que através da força transformadora do fogo, se transforma em fumo com cheiro harmonioso, que se dissipa e desaparece...  e o que não quer ou não se pode transformar, fica na forma de cinza, que devolvemos à Terra para ser transformado em alimento para nova vida. Ao acender o incenso, é importante afirmar que esta casa é nossa, e só aceitamos a presença de quem convidamos explicitamente e conscientemente. Em seguida, oferece-se o incenso e o seu efeito transformador a toda a energia presente na casa, para que possa seguir caminho.

E agora algumas sugestões para treinar a "presença de espírito", provenientes das escolas de psicologia mais modernas, e por isso "cientificamente testadas" em vez de se só terem provadas pela experiência ;):
- Evitar rotinas. Se todos os dias viro para esquerda no caminho para a escola dos filhos, porque não tentar outro caminho? Porque falar em festas só com aqueles que conhece? Porque não tomar o café de manhã noutro sítio? O quebrar das rotinas, a todos os níveis, obriga a mente a continuar presente, a ficar alerta, a olhar à volta,  ver o que acontece. A presença mental tornar-se-à com o tempo uma atitude natural.
- Sentir o que os nossos gestos diários fazem connosco, que efeito têm sobre o nosso estado emocional.  Que cor vou vestir hoje? A escolha consciente da maneira que vestimos, confirma a nossa presença!
- Ter uma actividade criativa. Cantar, dançar, desenhar, fazer música ou cerâmica, não importa - a actividade criativa é uma expressão do nosso Ser mais profundo e afirma a nossa Presença, estimulando o fluxo da força vital e a renovação da nossa própria energia. Cada um traz dentro de si a força necessária para se curar e proteger. (Por isso mesmo não gosto de me chamar "healer" - no final de contas, todas as curas são auto-curas. Prefiro dizer que acompanho pessoas na descoberta da sua própria força, embora também dou apoio na sua limpeza energética.)

Darwin escreveu  "It's not the strongest or the smartest of us that survive. It's the one that's willing to evolve and adapt". (Não é o mais forte ou o mais inteligente que sobrevive. É o que está disposto a evoluir e adaptar). Parece-me que ele tinha razão. Não vale a pena insistir numa posição de poder.  Quando temos a sensação que estamos a ser atacados, que precisamos de protecção, é altura de encontrar a fraqueza e a sensibilidade, a emoção específica que permitiu o ataque. E a partir daí: evoluir e adaptar.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Equinócio de Outono

Lua Cheia: 10:17h dia 23/09
Equinócio: 4:09h dia 23/09

Na manhã do dia 23 de Setembro, o Sol passa o Equador a caminho do Sul, no momento de Equinócio. Dia 23 também é dia de Lua Cheia. Como ambas as ocorrências têm lugar de manhã cedo, festejamos na véspera.

Convido-os a todos para
uma celebração / meditação de Lua Cheia e Equinócio de Outono
4ª feira, dia 22 de Setembro 2010  às  19:00h -
a Lua vai nascer às 19.35h
No Cromeleque dos Almendres
Em Guadalupe, Évora.


A partir do momento de Equinócio, as noites começam a ficar mais compridas do que os dias. A chave para a meditação nos dias de viragem é o equilíbrio. É altura de pensar sobre o que está desequilibrado na nossa vida, ou o que está em vias de se equilibrar. Com o Sol entrando no signo de Balança, há um convite cósmico de encontrar equilíbrio, de modo que ambos os lados ganhem com a situação. E se isso não parece possível? Balança vai forçar uma solução, através de ruptura (criando conflitos) ou através de jogos de manipulação, aos quais vamos ver-nos sujeitos. Balança é conhecido por ser criador de paz, bem como criador de guerra! Símbolo da Lei divina, Balança incita a  avaliar motivações e objectivos, e escolher a via do meio, a via justa, juntando opostos.
Altura de fazer um passo atrás e observar onde estás, avaliar qual será a melhor opção para encontrar uma situação estável, qual a escolha a fazer para encontrar equilíbrio entre opostos…
Equinócio em Stonehenge

Com o Sol em Balança, a Lua Cheia estará em Carneiro – o signo por excelência do pensador, da força mental. Diz-se que a espécie humana foi criada quando a capacidade de pensar se formou, e assim o Ser Humano se distinguiu dos Animais.
A força da Lua em Carneiro traz em si a origem do caminho certo, a orientação certa. Primeiro signo Zodiacal, marca o início da tomada de consciência da existência, o início da roda da experiência da vida. Fornece o estímulo para fazer um primeiro passo no caminho da transformação… Tudo está sob o signo do Pensamento, da Força Mental, da capacidade de criar com o pensamento!

Assim, na noite da Lua Cheia, uma noite iluminada pelo Sol através da Lua, é-nos trazido por Balança, o impulso e a urgência da escolha – o meio entre duas grandes linhas de força, enquanto recebemos o convite de Carneiro de surgir, tomar forma, criar a nossa vida a partir da força do nosso próprio pensamento.


É costume trazer uma oferenda de agradecimento para o sítio: um pau de incenso, uma pedrinha, um pouco de água ou uma flor... o que achares conveniente. A contribuição para a cerimónia /meditação em si, fica à consideração dos participantes.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Protecção energética

Na segunda feira, dia 13 de Setembro, às 19.30h na Associação Oficinas de Comunicação, Largo Dr. Mário Chicó, 7 - Évora, haverá uma Conversa em Grupo, dedicada ao tema "protecção energética". Falaremos acerca de conceitos, técnicas, experiências, para poder encontrar uma resposta a aquela que talvez seja a pergunta que mais vezes me é feita: "Como posso proteger-me contra quem me queira fazer mal?" (com todas as variações possíveis - como libertar-me das más energias - como combater as energias negativas... )

Parece uma pergunta muito complexo de responder, porque mexe com os nossos assuntos mais íntimos: a maneira como cada um olha para a Vida - e a maneira como vê o seu lugar no mundo. Onde estamos perante o resto do mundo e na organização Divina?
A ideia de que temos de proteger-nos pode vir da sensação que estamos sujeitos ao que acontece à nossa volta, sujeito ao que é feito connosco, alvo de energias que podemos não ver ou saber que existem. Isso pode dar origem a uma sensação de precisarmos de salvação, ajuda, protecção. A nossa cultura judaica-cristã formou-se em grande parte à volta desta premissa... proclamando e ensinando que para sermos salvos é perciso ter fé numa Entidade Superior, que reside algures, fora de nós. E integrado nos rituais fomos ensinados que é preciso rezar para receber protecção.
Confiando que haverá sempre alguém ao nosso lado que nos limpa, cura, protega, tem um efeito perverso sobre a nossa auto-estima. Alimentamos a ideia que há um mundo que nos possa fazer mal e que somos incapaz por nos próprios de enfrentar as situações. Descuramos a nossa própria capacidade e força energética, e ficamos dependentes do outro. Chamo a isso um efeito perverso, porque contraria a necessidade de libertação, o desejo de sermos completos, inteiros, livres...
Mas entretanto parece que estamos sós perante todo este mundo fora de nós - onde parece haver mais que nos ameaça do que aquilo que nos apoia.
Ao falar na necessidade de protecção, subentende-se que há um inimigo - uma ameaça de fora, da qual estamos separados e que actua sobre nós sem o nosso consentimento.
Visto como funciona o sistema energético do ser humano e a sua interacção energética com o mundo que o rodeia, este ponto de partida parece-me insuficiente.
Uma influência de fora sobre o nosso sistema podemos entender como uma interferência, um ruiído que perturba a nossa harmonia, seja esta emocional, psicológica ou física. Isto funciona como se fossem ondas de calor, ou ondas radiofónicas - emitidas por uma fonte.
A expressão " Lançar fogo pelos olhos" é um bom exemplo deste conceito - e podemos imaginar os raios lançados pela pessoa enraivecida.....
Mas nisso temos a tendência de pensar só no que o outro nos quer fazer.... não podemos esquecer que nós próprios também somos uma fonte energética. O nosso corpo emocional também é uma fonte de muitas frequências diferentes, somos uma sinfonia de emoções, cada uma com  sua vibração e frequência própria.
As energia que chega a fazer-te mal, entra no teu sistema e acrescenta uma nota desafinada que não se harmoniza com a tua própria melodia. O que acontece é que só pode entrar no teu sistema, aquilo que encontra uma desharmonia já existente no teu sistema energético - nomeadamente no teu corpo emocional. Trata-se de experiências emocionais não curadas, que deixaram pontos sensíveis, marcas.
As energias que são projectadas por outras pessoas, têm todas na base uma emoção destrutiva. Raiva,  inveja, ódio, desejo, mas também pode ser apego! São frequências dolorosas, muito pouco elevadas ou subtis, que provocam por sua vez desharmonia, dor fisica e emocional.
Se tiveres dentro de ti emoções que estão em sintonia com estas emoções destrutivas, estás de facto permeável para o que te for lançado.... Aqui poderiamos desviar a conversa para o Karma, e como somos nós próprios, através da nossa história pessoal, que estamos na base de tudo que acontece connosco. Assumir a tua responsabilidade é ser leal a ti própria, é um acto com que assumes a soberanidade do teu Ser.
O mais importante parece-me o trabalho (continuo) de manter-nos em harmonia connosco. Elevar a nossa consciência sobre o estado de pureza dos nossos pensamentos. Observar o estado do nosso corpo emocional, trabalhando os pontos sensíveis. Poder voltar a SER, puro, igual a ti próprio, livre de comportamentos condicionados e de emoções automatizadas.
Podemos efectivamente usar artifícios de protecção: amuletos, talismãs, rezas e imagens, pedras ou cristais, mas estes nunca nós hão-de proteger se nós, em seguida, descuidamos a atenção e refugiamos atrás deles - é como abdicar da nossa própria responsabilidade.
Dito isto, penso que os cristais, com a sua força própria, têm o poder de apoiar-nos na cura das nossas feridas emocionais. Porque efectivamente, não estamos nisso sozinhos. Ainda precisamos dos outros - para a nossa cura, para uma limpeza, para uma análise ou observação de fora. Sei que é muito difícil vermos o nosso sistema energético e emocional com olhos de ver - o nosso olhar está colorido pelos óculos da nossa experiência, e a nossa mente têm a tendência de interpretar através de moldes prédefinidos. Os outros podem ajudar a ter entendimento, indicar outro ângulo... oferecer uma mão para levantarmos novamente.


Talvez o ensinamento mais importante, que fala deste assunto do protecção energética, seja um episódio da vida de Buda Shakyamuni, que narra os acontecimentos na noite da sua Iluminação.
"....Devaputra Mara, o chefe de todos os demônios, ou maras, deste mundo tentou perturbar a concentração de Sidarta, conjurando varias aparições horríveis. Manifestaram hostes de tenebrosos demônios, que atiravam flechas, lanças, flechas com fogo. Atirando pedras. Contudo Sidarta permaneceu silencioso e completamente impassível. Pela força de sua concentração e por estar sua mente limpa de todo ódio e de toda noção de certo e errado, todas estas visões e acontecimentos se assemelhavam a uma chuva de flores perfumadas e o fogo transformava-se em Luzes de Arco Íris. (...)"

Esta é uma imagem extraordinária. Todos nós podemos praticar para que, ao recebermos palavras e acções violentas, tal como Buda, as transformemos em flores. O poder da compreensão e da compaixão dá-nos a capacidade de o fazer.
A protecção melhor protecção estará em ter os pensamentos puros, as emoções limpas.... com amor e bondade no coração...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Viver com medo - ou não

Em criança também pertencia a este grupo de pessoas que "vêm as almas" ou que "ouvem vozes". Educada num ambiente em que estas pessoas eram rotuladas de "fantasistas" ou até "doidos varridos", aprendi calar me sobre o que sentia, e no fundo do coração sabia: que é possível ver e ouvir os seres não físicos que andam por aí.
Ao longo dos anos fui querendo ser normal - igual aos outros... abafando o impulso de falar do que via, adoptando um comportamento "normal". Aprendi evitar certas observações, por medo que as pessoas me iam julgando, ou que se podiam sentir ameaçadas ou atacadas por eu estar a falar de coisas de que elas desconheciam a existência. Tinha o medo de ser punida e excluída, por ser diferente. Aprendi também fechar-me.

Agora estou diferente - aprendi aceitar que sou como sou, e que as coisas são como são.
A Natureza está cheia de forças e seres - compresença física, como os animais, plantas, rochas, ou sem presença física, como os Anjos e Elementais, mas também  Espíritos. Agora sei que é perfeitamente normal sentir a presença de outros seres - que não sou doida, que há muitas pessoas que vêm, ouvem, sentem. E que há muitos que se esconderam, como eu: que associam agora a sua capacidade de ouvir e ver, ao medo. Que fecharam a cortina para a sua sensibilidade, e sentem-se perdidos, ameaçados, perante todo um mundo que sabem que existe, mas onde já não conseguem participar.
Sinto que é altura de perdermos o receio e estranheza. Sei que há todo um mundo com presenças não-físicas, e que é perfeitamente normal que assim é, que não é preciso prova "científica e palpável", porque vejo, oiço, sinto que é assim.
É altura de falarmos nisso, altura de nos emanciparmos. Nós também temos uma parte imaterial - é altura de nos reconhecermos!
Também sei agora, que não é preciso ter medo - que não somos mais fracos nem mais fortes do que qualquer um que nos aproxima. Mesmo as presenças mais impressionantes - pelo tamanho, pela ferocidade, pela doçura, pela força de persuação - não são maiores nem mais pequenos do que nós.
Enquanto tivermos preso ao medo, encolhemos e diminuimos a nossa energia - e acabamos mais pequenos, mais fracos, mais permeaveis também para quem queira parasitar na nossa energia (conscientemente ou não, há muitos que fazem sem ter noção ou intenção...).

O que vejo como o grande inconveniente do medo e do receio, é que vai minando a nossa segurança interior. O medo ataca a nossa capacidade de decidir o que permitimos que mexe connosco, e o que não queremos no nosso campo energético. O medo fragiliza-nos, por que dá a ideia que estamos sujeitos ao mundo de fora. Mantém-nos numa dependência de alguém que pode ajudar-nos, de algo que pode proteger-nos. Que vamos precisar sempre de alguém que nos possa limpar, curar, ajudar, proteger. Mas no final de contas, a responsabilidade sobre o nosso bem-estar é sempre nossa... é altura de assumirmos, todos, a nossa força!

sábado, 4 de setembro de 2010

Não há caminho - mas há trabalho


A descoberta que  todos já SOMOS alguém, porque nascemos igual a nós próprios, podia ter como interpretação que não há trabalho a fazer. Mas há.
Pode não haver caminho a fazer no sentido literal da expressão - para chegar a algum lado - mas há trabalho. Porque já somos alguém, mas trazemos connosco as convenções que adoptamos para sentir-nos seguros. São comportamentos, maneiras de exprimir-nos nos pensamentos, estratégias que aplicamos, sistemas de defesa e protecção, todos aplicados para sentirmos úteis, fortes, amados. Da maioria dos nossos estrategemas nem sequer suspeitamos que são padrões impostos, porque acontecem através da parte subconsciente da nossa mente....
São maneiras de pensar e reagir que assentem a volta do nosso coração como pétalas de uma rosa fechada, que em botão não faz suspeitar a quantidade de camadas de pétalas se têm que abrir antes de se poder ver o coração da rosa.
Falo nisso, porque vejo, não so em mim próprio, mas em quem encontro também, que a nossa intenção de ser feliz, de amar e ser amado, pode ser seriamente perturbada e ameaçada pelo nosso próprio comportamento. Enquanto pensamos fazer bem, movido por motivos altruistas e o amor que brota no nosso coração, quantas vezes não estamos a utilizar pensamentos, reacções e estratégias alheios (induzidos pela educação, pela sociedade ou cultura, ou aprendidos através de experiências dolorosas), em vez de estarmos a usar a NOSSA força?

Para poder ter acesso a toda a força mental que tenho em potência, preciso de aprender pensar com os meus próprios pensamentos. Para poder assumir toda a força criativa e a condição divina de Ser Humano, preciso de poder ser verdadeira comigo próprio.
Aí reside todo o trabalho.
A natureza mostra como a flôr de lotus, que antes de se abrir, antes de destapar o coração, é beleza em potência, contém uma promessa de plenitude... enquanto aberto é beleza pura, plenitude, símbolo de pureza e realização espiritual....


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