Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A renúncia

Conhecer a nossa verdadeira natureza - é o estado a que aspiram tantos que percorrem o seu caminho espiritual. Ter a consciência livre, sem interferência da mente que ilude, distrai, julga... SER, simplesmente ser, sem os constrangimentos de padrões de comportamentos e de reacções emocionais... SER, para poder sentir-nos, sentir o amor, viver a vida abertamente, usufruindo de todos os bons momentos, aprendendo e crescendo através dos momentos mais difíceis.

Não tenho dúvidas que muitos se reconhecem nestas palavras, sabendo que a espiritualidade é a procura disso mesmo: evoluir para poder SER, simplesmente feliz.
Mas quantas vezes não acontece que andamos às voltas para perceber como prosseguir o nosso caminho na direcção certa? Lemos, ouvimos, seguimos mestres...
Entretanto, no fundo do coração, sabemos que o nósso Ser existe muito além das palavras, muito mais fundo do que os pensamentos, harmoniosa como música celeste, súbtil como os Anjos, intenso como o Sol, humilde como o grão de areia, fluíndo como a gota de água.

O acesso ao nosso Ser começa com o desejo profundo de ser feliz e livre - e a convicção que é possível. Mas para poder iniciar o caminho, nem o desejo nem a convicção podem ser de meio-termo: sendo claro que o caminho para a libertação se inicia no nosso interior, não podemos esperar que venha de fora a solução ou a salvação. Nós próprios temos que fazer o que for preciso!

Talvez a tarefa mais complicada seja o desapego ao nosso Ego: despir os preconceitos que temos sobre nós próprios; desistir das estratégias que sempre usámos para nos proteger, ou para nos defender, ou para não ter medo...  Para poder ver o Mundo e o Outro em toda a sua potência, em todas as suas dimensões, e unirmos o nosso Ser com o Universo, temos que estar aberto a todas as possibilidades. Preconceitos, ou emoções como medo e culpa limitam a nossa visão, tal como o apego a quem sempre fomos, limita a nossa evolução.

É preciso ter coragem para abrir mão das estratégias que se provaram no passado, para poder evoluir a seguir. Apegando-nos à necessidade de ter a vida sobre controlo, impedimos o fluxo normal da Vida. Ligações, com o passado e com os outros, que construímos através das nossa próprias acções e atitudes, podem fazer de nós prisioneiros. É preciso abrir mão, libertar, renunciar - das ligações, das acções, das atitudes - para poder abrir as asas e voar.

Um ritual específico dos povos nativos norte-americanos, a Cerimónia da Renúncia, simboliza não só a necessidade de renúncia e libertação, como oferece uma oportunidade de mostrar em acção que estamos dispostos a ficar "sem nada", simplesmente Nós. Que estamos dispostos a oferecer o que temos, para poder Ser quem Somos.




Aho
Filho da Terra!
Conheces o segredo da Oferenda?
Quanto mais libertas,
Mais receberás,
Porque assim é a Natureza.



Aho
Filho da Terra!
Acreditas em colher o que semeaste?
Uma gota de sabedoria
vai te trazer a Verdade
E saberás de verdade. 



É a minha intenção de organizar uma Cerimónia da Renúncia durante o mês de Fevereiro. É um ritual de grande poder curativo e potencial iniciático. Gostaria de pedir a todos que queiram participar, de me escrever, para podermos escolher uma data. É preciso algum trabalho anterior e consoante as inscrições podemos organizar uma reunião de preparação. Se conhecessem alguém que pudesse estar interessado, por favor, re-encaminham a mensagem.
Será uma cerimónia de Oferenda, de Entrega à Mãe Natureza, ao ar livre. O Cromeleque dos Almendres será o sítio preferencial, embora podemos combinar outro lugar.

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