Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

domingo, 27 de março de 2011

A curva dos processos emocionais

Falamos com grande facilidade sobre emoções complexas como a ira, a inveja, a tristeza, a alegria... porque parecem ser emoções que toda a gente conhece. Cada um de nós tem uma imagem interior para cada uma das emoções pelas quais já passamos no decorrer da nossa vida. A nossa memória não é só um armazém de dados e factos, como também guarda uma espécie de base de dados emocional, carregado com a experiência dos momentos marcantes da nossa vida.
Aqui está a memória que nos faz sorrir quando lembramos o momento do nascimento do nosso filho, que nos faz corar quando lembramos o primeiro encontro a sério com o nosso parceiro actual; mas também a amargura que ainda sentimos quando lembramos a traição de que fomos vítima, ou a indignação quando lembramos de um tratamento injusto. Naturalmente não é só da nossa experiência que conhecemos as emoções - também observamos os nossos próximos e através da nossa empatia aprendemos aspectos complementares. Ao observar as crianças podemos ver, por exemplo, como elas permitem que o corpo exprime na sua totalidade a emoção vivida.

Assim, parece que todos nós temos conhecimento das emoções através da nossa experiência de vida.
Porém, na vida quotidiana acontece muitas vezes que não temos a liberdade de poder exprimir o que realmente acontece dentro de nós – ou seja, sentimo-nos impedidos, não nos atrevemos a exprimir o que nos vai na alma. Isso pode acontecer porque algures guardamos o sentimento de que haja consequências desagradáveis se exprimimos a nossa verdadeira emoção. Assim, a emoção não é vivida em toda a sua potência, mas sim suprimida ou abortada quando devia decorrer o seu desenvolvimento natural.
E cada vez que isso acontece.... algo fica preso dentro de nós....
Mesmo as emoções positivos podem sofrer da mesma sorte: quantas vezes permitimos sentir a alegria percorrer o corpo inteiro para se exprimir fisicamente? Dizemos: podia cantar/dançar de felicidade... mas alguma vez o fez?

O resultado é uma memória não de emoções mas sim de emoções condicionadas pelas circunstâncias em que foram vividas.

No decorrer da nossa vida, é com base nestas emoções condicionadas que o nosso ser reage às circunstâncias exteriores. Pode acontecer que certas situações provocam medo - e sem saber de onde vem, não conseguimos ficar indiferente e o medo toma conta de nós.
Pode acontecer que o comportamento de alguém, ou as suas palavras, provocam reacções emocionais que perturbam a nossa tranquilidade - algo que frequentemente acontece em situações de conflito. Deixamos de ser capaz de observar a situação tal e qual como se dá, e começamos a recorrer a nossa base de dados de emoções...condicionadas.

Felizmente podemos "limpar a nossa base de dados".
Se estivermos disposto a examinar como o nosso ser vive as emoções, sentir qual a experiência de uma emoção vivida até ao fim, podemos descobrir onde deixamos, no passado, que o processo se abortasse. E podemos resolver o que ficou preso, através do entendimento.
Podemos, por um lado, descobrir que podemos observar os nossos processos, sem confundir o nosso Ser com as nossas emoções - somos muito mais do que isso. Por outro lado, podemos recuperar a pureza das nossas emoções e vive-las, no momento em que se apresentam, como uma criança.
A nossa expressão melhora, se tivermos noção da maneira como estamos condicionados pelo passado - e podemos adequar a nossa expressão para que o outro nos entende melhor.
Podemos também começar a entender melhor onde está o outro - compreendendo o seu estado emocional e vendo que também o outro pode estar a reagir a partir das suas emoções condicionadas.


Em Abril / Maio vamos organizar um curso em que trabalhamos as emoções  As fases das Emoções. O curso oferece uma ferramenta para poder percorrer a curva de desenvolvimento das emoções  por inteiro. O participante é guiado para as profundezas da sua própria vivência e acompanhado para poder atravessar as fases na sua plenitude. Uma ferramenta para poder sentir dentro e através do corpo como se manifestam as tuas emoções. (ver mais)

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