Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Perdoar para poder ser livre

O conceito de "karma" desde há muito entrou no nosso vocabulário. Karma é um conceito espiritual, normalmente aplicado no âmbito de tradições orientais, entendido como a Lei da Retribuição em Acção. Sendo uma Lei, não tem necessariamente uma conotação negativa; mais do que isso Karma representa a necessidade de equilíbrio. Karma permite que ficamos a conhecer e compreender diferentes pontos de vista, através da experiência de aspectos e perspectivas diferentes da vida.
Karma ensina-nos acerca de causa e consequência. Na área da física, existe uma lei equivalente:  "Para toda acção existe uma reacção de força equivalente em sentido contrário". Neste caso, para cada um dos nossos actos podemos esperar que haja uma reacção, uma consequência.

Ao aceitar a Lei do Karma,  temos que encarar a responsabilidade que temos em relação à nossa vida. Em última instância, somos responsáveis por todos os aspectos da nossa vida - todo que nos acontece é resultado de acções anteriores, como tudo que fazemos traz consequências mais tarde. (Nota-se que "acções" incluem também intenções, pensamentos e palavras expressas!) Experimentamos o Karma como bom ou positivo quando coincidências felizes ocorrem que nos deixam optimistas e contentes. Mas tendemos a achar que pesa sobre nós Karma negativo, quando sentimos abatidos, magoados pelos eventos ou vítima das circunstâncias.

Karma não só é resultado das acções ocorridas nesta vida, mas igualmente das de vidas passadas. Mas como a  nossa mente não tem acesso directo a uma memória dos eventos de vidas passadas, como podemos lidar com o Karma "negativo"? Como podemos usufruir da aprendizagem que nos é oferecida para o nosso crescimento? Ainda por mais, a regra geral é que um episódio kármico só se chega a entender claramente, depois de ter aprendido a lição.

Uma aproximação para inverter o cíclo do karma - principalmente quando falamos de karma criado em relação a outros, com quem temos relações kármicas - é aprender a perdoar e pedir perdão.

Only when we unchain ourselves we can fly
Perdoar é o acto de libertar-te dos pensamentos e sentimentos que te ligam a uma ofensa, imaginária ou real, que foi cometida contra ti.
Perdoar é um acto criativo, transformador. Transforma-nos de prisioneiros do passado em pessoas libertas, em paz com as nossas memórias.
O primeiro passo é reconhecer o valor do perdão e o impacto positivo que o perdão pode ter na nossa vida: largando o controlo e o poder que a pessoa que nos ofendeu tem sobre nós, podemos deixar de ser vítimas. Em vez de olhar para a nossa vida, e descreve-la através das mágoas que sofremos, podemos definir-nos pelo crescimento e evolução que fazemos.

O perdão tem duas partes: a parte mais pequena é perdoar e libertar os outros. A parte maior é perdoar-te a ti, por ter permitido que estiveste preso a emoções negativas. Perdão não é só algo que podemos oferecer aos outros - o perdão é uma dádiva que oferecemos a nos próprios.

Perdoar também é chamar a ti a responsabilidade sobre o teu próprio bem-estar, sobre os teus pensamentos, as tuas emoções. Ressentimento, ira, ciumes, desilusão, são emoções negativas que chamam pensamentos negativos perante o outro - o que, segundo a Lei do Karma provoca uma reacção em direcção contrária.

As emoções negativas pendem do nosso pescoço como um peso que nos trave. Se não as encaramos, elas limitam e são um constrangimento para as emoções que têm uma vibração mais alta, mais leve, mais quente e mais súbtil, como o Amor e a Compaixão.
É um convite para começar a perdoar: Solte as correntes! Não podemos voar se estivermos acorrentados...

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