Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A Mãe Terra precisa de todos nós - e do nosso poder de criação


"Você deve ser a própria mudança que deseja ver no mundo" dizia Mahatma Gandhi ... enquanto Leo Tolstoy observava que "Todos falam em mudar o mundo, mas poucos pensam em mudar a si próprio".

Parte da minha dedicação e vocação aqui na Terra tem sido e é, o trabalho com a própria Terra, no que podemos chamar Earth healing - a cura da Terra. É uma actividade que nos ensina olhar com outros olhos, é preciso observar o conjunto.
A Terra, a nossa Mãe, é em si um sistema vivo e complexo. Ela é habitada por muitos seres. Todos de aparências diferentes, de formas diferentes, de substâncias mais ou menos densas, de evolução mais ou menos rápida ou lenta, de níveis de consciência diferentes, fixos na terra como as rochas ou as plantas, ou movimentando-se:  nadando, voando, rastejando, andando... um sem-fim de seres que nascem, interagem, vivem, num sistema interdependente numa harmonia própria.

O conjunto destes seres todos, dá forma e vida à Mãe-Terra.... como células num corpo humano, como estrelas numa galáxia, como folhas numa árvore, como abelhas numa colmeia, todos os seres têm uma existência em si, mas estão todos ligados e interdependentes, cada um com a sua função. O bom funcionamento de cada um está ligado ao bom funcionamento do conjunto. E vice versa: a desharmonia de uns, afecta a todos, de maneira directa ou indirecta. Todos os elementos são importantes; são todos diferentes mas ao mesmo tempo de igual valor.
No corpo da Terra, existem linhas energéticas, que são como as veias do nosso corpo, ou os meridianos... energia vital flui através destas linhas, para que todos os seres se possam "alimentar" com a sua força. E sabemos como há lugares maravilhosos, onde parece que estamos mesmo bem... e outros onde nos sentimos acossados, desconfortáveis, com frio... Lugares onde vamos para "carregar as baterias" e outros, onde parece que estamos a carregar um peso grande. Os sítios mais bonitos transmitem paz, mostram como a Natureza é bonita e harmoniosa, pode até ser um sítio onde o ser humano criou beleza ou aonde a sua intervenção se integrou na beleza natural.
Os lugares mais pesados muitas vezes têm uma história pesada. São sítios onde ocorreram acontecimentos traumáticos: onde houve violência, abuso, sujeição, morte... onde houve medo, desespero, desrespeito.... onde uns usaram a força para ter poder sobre os outros... onde lavrou a ilusão que é benéfico e seguro dominar. Onde o sofrimento, seja que em que forma (das vítimas mas também dos agressores) ainda paira no ar...
Tal como acontece no corpo humano, o corpo da Mãe Terra pode guardar memórias emocionais. E se estas emoções estão presas, se não encontram a compaixão necessária para poderem ser libertas, ou quando falta a alegria e a liberdade necessárias para as emoções serem equilibradas, tornam-se bloqueios. Bloqueios estes que podem originar doenças nos seres que vivem perto dos mesmos; tal como os nossos bloqueios e entraves emocionais poderem originar desequilíbrios e doenças nas nossas células.

Trabalhando nestes sítios, somos muitas vezes confrontados com o enorme poder destrutivo dos seres humanos. A maioria dos bloqueios na Terra encontrou a sua origem em acções humanas - como já se podia calcular. O ser humano chega a ser cruel, quando age a partir da defesa do seu ego, da sua propriedade, dos seus ideais, da sua religião, das suas ilusões.
Tudo tem a ver com a necessidade de ter poder, de sentir força. E os bloqueios na Terra de que se falou, são resultado de uma interpretação muito peculiar do poder: quase exclusivamente "masculino".

Poder masculino é o poder de criar coisas e circunstâncias, que podem ser controladas pela mente. É uma forma de poder que separa quem cria, do mundo à sua volta - porque o mundo é a circunstância que o poder masculino procura sujeitar à sua vontade.
Objectivamente falado, não há mal nenhum nesta forma de poder: precisamos em certa medida do sentimento de segurança e conforto que este poder confere. A confiança que é possível criar as circunstâncias que precisamos para sermos felizes, faz parte do Poder Criativo de que dispõe o Ser Humano. Faz parte da nossa auto-estima.
Mas se esta forma de ver o mundo (i.e. dividido em quem sujeita e quem está sujeito) ficar desligada da sensação de pertença, e ficar como a maneira exclusiva de ver e aproximar a realidade, ela torna-se destrutiva - porque passa ao lado daquilo que o nosso coração mais deseja.
Todas estas coisas que estão fora do nosso controlo racional, como amor, intimidade, uma ligação espiritual, a expressão do nosso Ser, a criatividade, a vida correcta e justa, a contribuição significativa para o Mundo e as gerações futuras...são fruto do outro poder criativo com que o Ser Humano foi dotado: o poder feminino.

Todos trazemos dentro de nós ambos os poderes. Parece que a tarefa que a Alma aceita, quando decide vir ao Mundo em forma Humana, está exactamente ligada à descoberta e aceitação que o Ser Humano é herdeiro deste poder criativo que até há pouco tempo foi considerado privilégio do Criador Himself. Somos filhos de Deus. Precisamos de aprender que nós podemos Criar, e precisamos de aprender fazer isso em harmonia e respeito para com todos os outros que são igualmente filhos de Deus.

A criação de um Mundo Harmonioso depende do equilíbrio entre os poderes: depende de uma co-criação em igualdade e equilíbrio.
Dentro de ti, existe o Equilíbrio, à espera de ser reconhecido e liberto. Dentro de ti, existe o Poder Divino. Todos os preces que soltamos para entidades ou divindades fora de nós, deixam de valer a pena se falhamos de reconhecer o nosso próprio equilíbrio entre o Deus e a Deusa em nós e a Força Criativa que nos foi concedido.

Os nossos pensamentos são poderosos: podem manter-nos num só lado da balança ou podem permitir a criação plena. Os pensamentos podem também reforçar situações existentes:  num sítio onde no passado houve abuso de poder, a energia da manipulação e do abuso continuam a pairar no ar e influenciar quem aí vive. Se não reconhecemos ou admitimos o nosso próprio poder, as emoções destrutivas estagnadas podem influenciar o nosso pensamento, levando a expressões de insegurança, de falta de auto-estima, de auto-vitimização, de separação e solidão. Se fazemos o exercício de observar quais são as palavras que escolhemos para nos descrever a nós e a nossa situação, podemos ficar surpreendidos com o resultado. Pensamentos tornam-se palavras - palavras tornam-se actos, actos tornam-se atitudes... e sem dar por isso, criámos o próprio ambiente que nos faz sofrer.

Por outro lado, podemos harmonizar desequilíbrios através da nossa livre-vontade e do nosso amor. Admitindo e reconhecendo ambos os lados, integrando o Pensar e o Sentir, a Sabedoria e a Compaixão, o Dar e o Receber; respeitando o Homem e a Mulher - como géneros físicos mas também como arquétipos dentro de nós.


Para viver numa Terra saudável não basta viver conforme as regras. É preciso que cada um de nós assume a sua responsabilidade e procura o seu equilíbrio. Que cada um de nós olha para si próprio e cura as suas dores, se liberta das emoções destrutivas que foram acumuladas durante uma vida toda - e que tantas vezes cultivamos nos nossos próprios pensamentos.
Estar no nosso equilíbrio também é reconhecer o nosso lugar na Terra: onde podemos trabalhar motivado pela contribuição para o bem comum, com amor e dedicação. Onde somos respeitados, sem sermos troçados, diminuidos ou manipulados para alguém se sentir melhor à nossa custa - seja isso conscientemente ou "sem essa intenção".
É a cada um de nós, voltar a Ser quem Somos. Em equilíbrio, aberto, livre. A Terra, como um conjunto, precisa de cada um, por inteiro.

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