Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Dar Amor


Hoje gostaria de partilhar convosco um texto, que me foi enviado por uma mulher que passou por uma experiência marcante na sua vida.  Obrigada por partilhar connosco a tua riqueza, amiga.

A Mother's Love, by Kolongi
Dar Amor
Consigo pensar em poucas coisas tão imensas como dar vida. Sentir que o que começou por ser um acto de amor, vai evoluindo até se tornar um ser de amor. Quando a metamorfose acontece dentro do nosso corpo, atinge uma dimensão tão imensa que se torna difícil de verbalizar. 
Tive a graça de a receber três lindas vezes e sobre a última sinto necessidade de escrever. 
Por tudo. 
Por ter sido fugaz, por ter gerado ansiedade, por vir carregada de incerteza. 
Mas também e essencialmente por ter presença, por ser plena de emoções e por fazer sentir a importância do amor.
A partir do momento em que soube que estava à espera de uma criança, inevitavelmente passei a amá-la. De uma forma tão genuína e absoluta que me comove. Passei a adorar aquela presença e tudo o que já fazíamos juntas: as nossas conversas, as nossas músicas, os nossos passeios.
Senti um impulso para lhe transmitir a minha tranquilidade, garantindo-lhe que estamos seguras desde que as nossas raízes sejam firmes e respeitem a terra que nos sustenta. Assegurei-lhe que o medo e a ansiedade nos impedem de ver o caminho que devemos seguir.
Dei-lhe a minha alegria e o meu calor. O calor das minhas mãos e o calor do meu coração. Fi-la sentir a presença dos irmãos, que como eu passaram a amar um ser que nunca viram. Creio que é isso a incondicionalidade. Sempre que procurava imaginar a sua presença de criança na nossa casa e na nossa vida, estranhamente, não conseguia. Quando surgiram indícios de que alguma coisa não estaria bem tentei (e muitas vezes consegui) serenar a minha inquietação, acreditando que tudo acontece como tem que acontecer. E um dia aquela presença fez-me sentir que tinha que se ir embora. O mundo das sensações apenas se manifesta para alguns. Não porque sejam especiais. O mundo das sensações está ao alcance de todos, só que nem todos permitem que elas se manifestem. 
Não consegui segurar as lágrimas. Disse-me: - eu não vim para ficar, só vim para te conhecer. Compreendi. Mais importante do que o que nos acontece, é a entendimento que conseguimos produzir pelos episódios que vivemos. Este capítulo não me deixou mágoas, tristezas ou sentimentos de injustiça. Sinto alegria, paz e gratidão. Tive a certeza disso quando num momento de meditação voltei a senti-la.
Disse-me: - quero agradecer-te por tudo. Não serás a minha mãe, mas foste quem me deu a confiança de que este mundo precisa de mim e de que saberei fazer a diferença. Bem hajas porque da próxima vez virei sem medos.
Não consigo deixar de me sentir elevada por esta presença e por tudo o que de imenso me mostrou. Quando a voltar a sentir seja numa brisa de vento, no canto de um pássaro, ou no riso de outra criança, apenas lhe quero disser: - até sempre, eu é que agradeço pelo degrau que subimos juntas.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...