Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Seguindo as setas do Sagitário

Estamos no período do Sagitário, signo representado pelo Homem-Cavalo. Metade cavalo, metade homem, simboliza a força da natureza presente nas pernas, nas coxas do cavalo, um só com a metade do homem que se manifesta apontando a sua seta para longe.

Sagitário é o signo da base, das ancas e do sacro, em combinação com a garganta, que é o centro a partir do qual nos manifestamos perante o mundo que nos rodeia. O chakra das palavras, da formulação dos pensamentos e das ideias que nascem com a força da criação. As ideias que se lançam com a pontaria do homem, impulsionadas pela força toda contida nas coxas do cavalo.
Idealismo, força para sonhar e seguir a linha traçada pela seta lançada pelo sonho... característica do Sagitário!

Neste enquadramento e para potenciar o estimulo que Sagitário oferece, a última meditação foi dedicado ao alinhamento das chakras... Um exercício de limpeza e alinhamento, de arrumação dos restos do ciclo que está a terminar, dos nossos pensamentos negativos e emoções ruins, tudo.
Tudo para que podemos preparar os sistemas para um novo começo: para poder apontar as nossas setas para o objectivo do ciclo que se aproxima.

Um exercício bastante acessível, diria. É lógico, e compreendemos que temos que deixar "morrer" uma parte de nós para poder ganhar força e preparar o "renascimento". No entanto,  isso implica sabermos o que queremos, o que aspiramos. E isso já não é tão fácil como parece! Como disse uma das pessoas presentes: Muitas vezes é mais fácil definir o que não queremos, do que definir o que queremos.
Muito habituados a formular a partir da negação, a partir do negativo, a nossa mente está treinada para sublinhar a dor e o sofrimento que já não queremos mais. Parece que partimos do princípio que o Caminho, no fundo, se destina a escapar da miséria, das dificuldades, de tudo o que não queremos. É uma vibração, um tom, uma escolha de palavras que parece confirmar em primeiro lugar a existência do sofrimento e das dificuldades, introduzindo em seguida uma negação... A estratégia parece ser o querer chegar à positividade pela dupla negação.
Se ouvimos os nossos próprios pensamentos sobre o que imaginamos para nós, quantas vezes ouvimos palavras carregadas de negatividade? "É difícil... é um caminho longo e penoso... é uma luta constante... remar contra a maré... tenho que me defender contra a má energia... estou rodeado de gente pesada... vou tentar... não sei se sou capaz..."
O pensamento que se baseia na dor, parte do princípio que a existência humana é de um individuo separado do resto do mundo. O Eu que tem que se confrontar com o todo o resto. Aprendemos sentir-nos como isolados dos outros, tendo que conquistar o seu afecto, provar que valemos, mostrar que somos alguém, mostrar que somos capaz.
Esta atitude (também em muito devido à educação e transmissão cultural, diga se de passagem) pinta um retrato pouco favorável da nossa força e da nossa existência. São expressões que fazem com que acabamos por acreditar que estamos sujeitos ao mundo que está à nossa volta... como se o ser humano não fosse ele próprio criador do seu mundo. Como se não fossemos uma parte integrante do Mundo.
Se deixarmos os nossos pensamentos pintar-nos como Eu separado, que tem que lutar para conquistar a sua parte, negamos que existe um Nós unido, que pode partilhar o que a Terra tem para dar... em liberdade, em respeito, em fraternidade.

O  Sagitário pede para olharmos para nós de forma diferente! Pede para sairmos da posição de baixo, dos que sofrem, para  erguermos sobre as nossas pernas, exprimindo a nossa capacidade de criação! Sagitário pede para olharmos em que medida nos encaramos a nós como vítimas da situação - e pede que deixamos cair esta estratégia, para assumirmos a nossa verdadeira força. Pede para falarmos a partir do que o nosso coração sabe que está certo. Pede para exprimirmos em conformidade com a nossa vontade de criar um Mundo melhor para todos - incluindo para nós.

Somos capazes de alterar o nosso discurso, as nossas palavras? Aceitamos o desafio de exprimir-nos de forma diferente - a partir da consciência que somos iguais uns aos outros, que temos direito de sermos quem somos, que não é preciso sofrer do mundo exterior? Assumimos o nosso poder, a nossa força - e a responsabilidade associada? Somos capazes de olhar para nós como gostaríamos que os outros nos olham?
Somos capazes de aceitar o desafio de Sagitário, e seguir para onde as  setas dos nossos ideais apontam?

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