Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Credo de um guerreiro samurai



Não tenho pais:
Faço o céu e a terra os meus pais.

Não tenho casa:
Faço a consciência a minha casa.

Não tenho vida nem morte:
Faço os marés da respiração a minha vida e a minha morte.

Não tenho poderes divinos:
Faço a sinceridade o meu poder divino.

Não tenho meios:
Faço a compreensão o meu meio.

Não tenho segredos:
Faço o carácter o meu segredo.

Não tenho corpo:
Faço a resistência o meu corpo.

Não tenho olhos:
Faço o relâmpago os meus olhos.

Não tenho ouvidos:
Faço a sensibilidade os meus ouvidos.

Não tenho membros:
Faço a prontidão meus membros.

Não tenho estratégia:
Faço "sem sombra de pensamento" a minha estratégia.

Não tenho nenhum plano:
Faço "aproveitar a oportunidade que sinto" o meu plano.

Não tenho milagres:
Faço a acção correcta o meu milagre.

Não tenho princípios:
Faço da capacidade de adaptação a todas as circunstâncias o meu princípio.

Não tenho tácticas:
Faço a vacuidade e a plenitude as minhas tácticas.

Não tenho talento:
Faço a perspicácia o meu talento.

Não tenho amigos:
Faço a minha mente o meu amigo.

Não tenho inimigos:
Faço a imprudência o meu inimigo.

Não tenho armadura:
Faço a benevolência e a rectidão a minha armadura.

Não tenho castelo:
Faço a mente amovível o meu castelo.

Não tenho espada:
Faço a ausência do Eu a minha espada.


Cântico samurai (anónimo) - século 14

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Lua Cheia: Sol em Libra, Lua em Aries - a chave é a empatia

Os dias parecem passar com uma velocidade estranhamente rápida. Parece ontem que estivemos juntos, ao pé das pedras do Cromeleque, a celebrar a Lua - e a Lua já está novamente plena a brilhar, iluminando o céu nocturno com a sua Luz cada vez mais clara.
Ciclo após ciclo, ela dá-nos a oportunidade de olhar para quem somos. O céu nocturno orienta-nos para direccionarmos os nossos pensamentos para as áreas prioritárias, de modo que estejamos preparados para entrar em acção quando a altura chega.
A Luz da Lua de Outuno convida para permitir que os pensamentos alimentam as nossas visões durante as meses que se aproximam... assim, quando a nossa Primavera simbólica chegar, elas poderem florescer!

Nos tempos turbulentos que percorrem a Terra, é um conforto poder recorrer às qualidades equilibrantes das energias que fluem para a Terra, através do Sol, vindo do signo da Balança.
O período de Balança estimula a procura de um ponto de equilíbrio, processo que pede para fazermos escolhas:
- continuamos a viver em medo, ou escolhemos o amor?
- continuamos a ser servil à matéria, ou começamos a viver de acordo com os valores da Alma?
- continuamos a viver separados e em concorrência, pensando que existe o eu & o outro, o vamos começar a pensar a partir do "nós"?
- continuamos a depender das circunstâncias que a vida oferece ou começamos a assumir a nossa força de criação?

Balança pode mostrar que existe um meio-caminho, em que o mundo material pode equilibrar-se com o mundo da Alma. Existe uma Lei Universal, a lei da Harmonia através do Conflicto, que mostra como a victória é inerente à decisão de enfrentar dificuldades e experiências dolorosas - porque estas são os guias para chegar ao meio, onde está a Verdade.

A chave para chegar ao equilíbrio entre forma e conteúdo, entre matéria e alma, está em ultrapassar a barreira entre o pensamento que opõe o eu e outro, para chegar a um pensamento e visão do mundo em que o princípio fundamental é o " nós ", o conjunto.... Palavra-chave: empatia. Entendimento do outro, simpatia, compaixão, e a capacidade de visualizar como seria se estivéssemos na posição deles. Sem esquecer que precisamos da empatia para nós próprios também, quando começamos a converter estas atitudes em acções: não sendo demasiado crítico perante nós próprios, e vivendo, compreendendo plenamente cada momento da nossa vida. Através da empatia podemos estimular a nossa intuição superior, de fazer as escolhas certas, estas que pessoalmente precisamos, para poder chegar ao êxito, à alegria e felicidade.

Empatia e senso comum. Equilíbrio - entre conteúdo e forma, entre masculino e feminino, entre matéria e alma.

A palavra chave de Balança é o "conforto" - mas não no sentido de luxo. Balança é uma expressão da aceitação completa da relatividade das coisas. Uma pessoa pode ser livre quando se preencher de conforto e elegância - conseguido no equilíbrio dinâmico do caminho do meio.

Oposto a Balança está Carneiro (Aries), que tem como palavra-chave "capacidade de adaptação", indicando imediatamente o método para conseguir o conforto de Balança.

Com esses pensamentos, convido a todos para uma meditação:

Celebração e Meditação da Lua Cheia
Local: Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora
Data: 12 de Outubro (Quarta-feira)
Início: 19h.
Para a cerimónia no Cromeleque, é costume trazer uma oferenda em agradecimento ao sítio: um pau de incenso, um pouco de água, uma pedrinha, uma flor, ou o que achar adequado para exprimir a gratidão. Participação na cerimónia por donativo.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

sê inteiro

Lago Fewa reflectindo a montanha Annapurna, Himalayas

Para ser grande, sê inteiro: nada 
Teu exagera ou exclui. 
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és 
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Ricardo Reis

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Criar uma Nova Forma de Pensar

Tantas vezes acontece... que estamos conscientes de que precisamos de mudar, de nos libertar de um comportamento, que precisamos de mudar de ponto de vista...e parece que estamos presos.
Entre as possíveis origens de um bloqueio destes, pode haver uma que com alguma facilidade passa despercebida...só por ser omnipresente e porque impregna practicamente todas as aspectos da nossa actividade mental e emocional.
São as energias colectivas, que resultam da somatório das energias físicas, emocionais e mentais de um grupo com uma finalidade comum - uma espécie de "mente colectiva".
Na literatura mística-filosófica o termo aplicado é Egrégora ou Egrégoro. A palavra tem a sua origem no grego egrégoroi, que significa "vigilantes" ou "os que velam". O conceito refere a uma energia criada conscientemente. Um exemplo: quando um grupo de pessoas faz uma oração ou meditação colectiva, com um objectivo partilhado, podem criar uma Egrégora de protecção e bénção, como se fosse um círculo de Luz que envolve o que for o objectivo da oração.

Em termos psicológicos podemos ver a Egrégora como o "ambiente" ou a "personalidade" que se desenvolve num grupo, independentemente de qualquer um dos seus membros. É a sensação ou impressão que temos ao entrar num bairro que "faz uma impressão diferente" dos outros bairros na proximidade; também podemos ter a sensação ao visitar a casa de uma família.
São energias geradas por duas ou mais pessoas cujas vibrações se encontram focadas no mesmo objectivo. É assim um produto do nosso processo criativo pessoal e colectivo, como co-criadores da nossa realidade.

Estas energias podem ser muito potentes se foram apoiadas por muitas pessoas. Aparecem como formas de pensamento poderosos que nos rodeiam como uma nuvem invisível. (Quem trabalha na função pública, pode reconhecer este efeito num exemplo muito práctico: há algo, alguma força, alguma coisa na colectividade que rodeia o trabalho, que parece tentar aniquilar esforços e empenhos individuais, e que acaba por contrariar qualquer tentativa de mudar o status-quo.)
Ascensão
No nosso caminho espiritual individual, bem como no nosso caminho colectivo de ascensão, também encontramos egrégoras: formas de pensamento gerados através dos tempos, por grandes grupos de pessoas, que acabam por existir como energias autónomas. São formas de pensamento que impregnam o nosso ser  e que têm mais força se ignoramos que elas existem: ao aceitar que existem, mesmo se fazemos isso silenciosamente, reforçamos o seu direito de existir!

Gostaria aqui realçar duas formas de pensamento- um relativo ao nosso desenvolvimento pessoal, e outro relativo ao desenvolvimento do planeta Terra. As duas formas encontram-se intimamente ligados uma à outra.

A primeira forma de pensamento é a crença que estamos separados da nossa própria divindade. Que de uma maneira ou outra, somos menos do que divinos e não merecemos as dádivas da nossa divindade. Como se condenássemos a nos próprios de não ter acesso à Luz e ao Espírito.
É uma forma de pensamento que foi introduzido para controlar a humanidade através da religião. Altamente limitativa e prejudicial - porque nega o acesso a nossa própria sabedoria, a nossa visão espiritual, a nossa própria capacidade de discernimento entre falso e verdadeiro e a nossa capacidade de mudar a nossa realidade conforme o nosso desejo.
Por muito que trabalhamos a nossa espiritualidade, podemos nunca chegar à nossa realização, se continuamos sujeitos a esta forma de pensamento: ao aceitar a separação do nosso Ser temporal do nosso Ser divino, é difícil senão impossível aceder à plena capacidade de criação.
Ultrapassar a separação com o nosso Ser Superior não significa que temos que começar a adorar, ou direccionar orações para a nossa Alma Celestial, ou para o nosso Eu Divino.
O que podemos fazer é deixar que a nossa ligação com o nosso Ser Superior acontece? Proponho uma técnica, ou exercício, que entre todas as aproximações possíveis é uma maneira eficáz de poder sentir que a ligação existe.
Trata-se de gerar a sensação de gratidão no nosso coração e enviá-la a partir do coração para o chakra do Portal da Alma, localizado uns 25 cm acima da cabeça, enquanto mantiver a atenção sobre o pensamento que somos UM com a nossa própria divindade.  Não é uma forma de rezar, ou pedir, ou adorar, é simplesmente uma maneira de abrir uma ligação com uma outra parte do teu Ser.
Com a continuação da geração de gratidão e envio para o Portal da Alma, vamos poder sentir um movimento em direcção oposta e começamos a receber a energia da nossa Alma Celestial na glândula pineal... a ligação que estabelecemos assim, é um passo importante na nossa ascensão.
Devido à nossa natureza interdependente - estamos conectados com tudo que É - a abertura para o potencial do nosso Ser Divino é um apoio para todos os outros seres humanos de conseguir igualmente a sua União...

A outra forma de pensamento traz em si também a ideia da separação... neste caso a ideia que a Terra é um objecto que existe independente e separado de nós. Trata-se da forma de pensamento que perpetua a ideia que temos domínio sobre a Terra, e que podemos abusar dela conforme desejamos.
A ideia-base encontramos já na Bíblia - Genesis 1:26-28 , que fala da criação do Homem e a intenção de Deus para que o Homem dominará sobre a Terra.
Pode ser que haja uma má interpretação e má tradução das palavras iniciais. Não sei o que diz o original, o que veio até os nossos dias são estas palavras  que alimentam a arrogância humana que está na base de muitos sistemas filosóficos, atitudes culturais, tecnológicas e científicas. Esta forma de pensamento está a ferir os ecossistemas, e a vida em si.

Se continuamos a acreditar que não merecemos ou não somos capazes de Unir-nos com as esferas de Luz , continuamos, mesmo inconscientemente, a contrariar a nossa capacidade de SER. Ao aceitarmos a nossa natureza divina, se aceitamos que merecemos a bênção de Luz e a Graça, podemos aceitar também a nossa capacidade de criar. Não precisamos nenhum intermediário entre nós e a nossa natureza divina.  Se começamos a experimentar que  existe um Criador em nós, podemos começar a curar-nos ... libertar as Egrégoras dos tempos antigos e começar a criar....
Estamos conectados a tudo que É. A nossa realização em União com o nosso Ser Divino, é para o bem de todos os Seres.
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