Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A respiração como Via

Porquê insistir na importância da respiração como base para a meditação?
Parece  básico, lógico, até óbvio que a prática da meditação começa com a focagem da atenção na respiração. Mesmo assim, queria dedicar alguns textos à respiração para aprofundar o tema e explorar algumas das suas dimensões.
É na respiração, e na atenção plena no processo de respiração, que podemos sentir de perto a União entre Corpo e Mente - a partir da qual vamos poder sentir a Alma que somos.

A interacção corpo-mente-alma

Ao deixar repousar a mente sobre o corpo - sentindo, observando - chega um momento em que o conceito do corpo físico, tal como o conhecemos do espelho, dos nossos movimentos, das nossas acções diárias, desaparece. O nosso conceito do corpo físico é baseado na percepção da sua forma densa, da sua dimensão material. Em lugar disso, a mente começa a observar o corpo na sua dimensão espacial: a nossa matéria é feito de células, conjuntos de moléculas, que por sua vez são compostas por átomos, que por sua vez são compostos por um núcleo à volta do qual giram electrões... o tamanho dos átomos é definido pelos campos eletromagnéticos que interagem - no espaço vazio interior do átomo.
A mente, ao abdicar de qualquer julgamento, e entrando totalmente na experiência do corpo, começa a sentir que os seus elementos constituintes, a escala microscópico, são feitos, basicamente.... de energia + e -, e espaço!
A mente repousa neste espaço, nesta "vacuidade". E observa, sentindo, a energia que flui.
A respiração é uma função corporal que por um lado é autónoma, mas por outro lado sujeita à vontade da mente. É uma forma natural do corpo de se alimentar com oxigénio... mas também uma ferramenta que podemos manipular, usando a mente e a força da vontade.
Assim, a respiração é por excelência o processo físico em que podemos observar a relação que a nossa mente tem com o nosso corpo.

É o ponto de partida para uma viagem de descoberta! Na observação dos processos internos, encontramos  as nossas emoções, memórias, as relações com o outro...sentimos como fluxos energéticos mudam, guiados pela nossa atenção plena - ou será que a nossa atenção segue os fluxos energéticos?
A partir daqui, uma transformação  não só é possível, mas está dentro do nosso alcance. Temos as ferramentas, é uma questão de aceitar a nossa responsabilidade na nossa transformação e permitir, mentalmente autorizar, que ela acontece ... não só para o nosso benefício mas igualmente em benefício da Criação, de que fazemos parte indissociável.


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