Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

domingo, 4 de março de 2012

A celebração dos Ciclos da Natureza

Todos os meses celebramos a Lua Cheia no Cromeleque dos Almendres.
É um momento de reflexão sobre a  natureza cíclica da vida, com o propósito de podermos sentir que estamos inseridos num conjunto maior, um movimento eterno de mudança.
A dança lenta dos corpos celestes criou a harmonia necessária para a vida na Terra se tornar possível. Todos os dias passamos por um ciclo determinado pela rotação da Terra. Todos os meses a Lua faz o seu ciclo, e todos os anos, a Terra percorre o seu ciclo anual a volta do Sol. Ciclos com um início, e com um fim que dá sempre lugar a um novo início, um renascimento. O dia nasce todas as manhãs, a Lua nasce de novo nas noites de Lua Nova, o ano nasce de novo em cada Equinócio da Primavera.
O Cromeleque dos Almendres é, pela sua energia singular, um sítio que convida para procurar o contacto com a Terra. Desde há milénios, o círculo das pedras marca o ritmo das estações. Em particular, o Cromeleque parece ter vocação para celebrar o ponto de equilíbrio, duas vezes por ano, no momento do Equinócio.

O nascer do Sol no Equinócio - Cromeleque dos Almendres
"Não parece haver dúvida quanto à verosimilhança da relação entre o Cromelech e o Equinócio. (...) tudo se conjuga para sugerir que o Cromelech dos Almendres possa ter sido construído para celebrar o culto do Sol e do Equinócio. Isto é, da direcção que divide ao meio o espaço, mas sobretudo que divide ao meio o tempo, o tempo do calor e o tempo do frio, o tempo da fertilidade da terra e o tempo da falta de alimento. Sob esta forte pressão haveria que construir um recinto grandioso incorporando este conhecimento como forma de apoiar o culto com o aparente controlo da natureza, neste caso do Sol." (Cândido Marciano)

No Equinócio, o Sol passa a linha do Equador e há equilíbrio entre dia e noite. É o início do ano solar: celebra-se a passagem do período em que as noites são mais compridas para o período em que a Luz predomina nos dias maiores.
Nas cerimónias da Lua Cheia celebramos também o equilíbrio: a Terra encontra-se precisamente entre Sol e Lua. A Lua funciona, à noite, como espelho para os raios do Sol. Nascendo ao pôr-do-Sol, desaparecendo somente quando o Sol nasce novamente, a Lua Cheia dá nos Luz para ver nas noites, ilumina as nossas trevas, dá acesso ao mundo que de outra maneira passasse oculto.
Assim, as  noites de Lua Cheia são igualmente uma celebração da plenitude, da União Sagrada entre Terra, Sol e Lua. É uma trindade que encontramos dentro de nós também. A Terra está presente no nosso Corpo, a nossa forma material. O Sol, na luz da nossa Mente que pensa. A Lua, na Alma - a Psyche que é a centelha divina que nos una com o Universo e o Criador.

Lua Cheia - Cromeleque dos Almendres
As noites da Lua Cheia são celebrações do Casamento Celestial: a força masculina do Sol une-se com a força feminina da Lua. A Terra está no meio, como a filha que tomou a sua forma neste encontro.
Nós, seres humanos, somos no nosso Ser resultado da interacção de forças semelhantes. Olhando para a Natureza, podemos perceber que a nosso vida física, bem como as condições em que a nossa vida se desenvolve, resultam de uma relação entre a Mente e a Alma. No contacto com a Natureza, podemos chegar à reflexão sobre o equilíbrio que estabelecemos em nós, e entender que uma vida saudável e harmonioso resulta de uma relação saudável e equilibrado entre o que vai no nosso coração e na nossa alma, por um lado, e a nossa mente racional e lógica por outro lado.

Há milénios que o Cromeleque existe como monumento aos ciclos da natureza. Muitas gerações já celebraram aqui a União com a Terra - cada um à sua maneira, com os seus próprios rituais. E mesmo para o Homem moderno, continua importante a celebração. Também para nós continua a ser fulcral perceber que não Somos em vão. Que a nossa vida faz sentido.

A ritual is the enactment of a myth. And, by participating in the ritual, you are participating in the myth. And since myth is a projection of the depth wisdom of the psyche, by participating in a ritual, participating in the myth, you are being, as it were, put in accord with that wisdom, which is the wisdom that is inherent within you anyhow. Your consciousness is being re-minded of the wisdom of your own life. I think ritual is terribly important.
Joseph Campbell, "The Wisdom of Joseph Campbell," New Dimensions Radio Interview with Michael Toms, Tape I, Side 2
Um ritual é a encenação de um mito. E, ao participar no ritual, você está participando no mito. E já que o mito é uma projecção da sabedoria profunda da psique, participando num ritual, participando no mito, você está sendo, por assim dizer, colocado em sintonia com essa sabedoria, que é a sabedoria que lhe é inerente de qualquer maneira. A sua consciência está sendo lembrado da sabedoria na sua própria vida. Eu acho que o ritual é muito importante.
 Joseph Campbell, "A Sabedoria de Joseph Campbell"

5a feira, 8 de Março de 2012, às 19.00h: Celebração da Lua Cheia no Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora.

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