Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Ir com o fluxo natural da vida

Estamos a viver tempos muito emocionantes. Toda a nossa realidade está a mudar num ritmo mais rápido do que nunca. O que antes tomamos por certo, como a nossa segurança material, a nossa sobrevivência, está a desaparecer...o que nos pode tornar inseguros e ansiosos. Estamos perante uma escolha difícil:
vamos manter a nossa velha maneira de pensar e agir, ou vamos nos libertar e escolhemos uma nova direção? A segunda opção implica desistir da maneira que aprendemos resistir ao fluxo natural da vida. Implica entregar-nos, dar-nos novamente e sem esforço aos acontecimentos, apenas orientados pelo nosso coração.

(fonte da imagem)

(texto vindo do livro "Illusions" de Richard Bach)
O Mestre respondeu, e disse:. "Era uma vez uma aldeia de criaturas no fundo de um grande rio cristalino. O fluxo do rio precipitou-se em silêncio sobre todos eles - jovens e velhos, ricos e pobres, o bem e o mal, o fluxo ia onde tinha que ir, sendo apenas o seu ser cristalino. Cada ser pegava-se à sua maneira às plantas e às rochas no fundo do rio, porque agarrar era o seu modo de vida e resistir ao fluxo era o que cada um tinha aprendido desde o seu nascimento.  
Mas finalmente uma das criaturas disse: "Eu estou cansado de me segurar. Embora não o consigo ver com meus olhos, estou confiante de que a corrente sabe onde ele vai...vou me soltar e deixar que me leve. Se eu ficar preso... vou morrer de tédio." 
As outras criaturas riram-se e disseram "Tolo! Se te soltares, o fluxo que tu adoras vai te arrastar e fazer  cair sobre as pedras e vai te partir todo; vais morrer ainda antes do tédio desaparecer!". 
Mas aquele não prestou atenção nenhuma a eles. Soltou-se com  uma respiração profunda e imediatamente foi caindo sobre as pedras, arrastado pela corrente e esmagado. Mas, afinal, quando o ser se recusou segurar novamente, o fluxo levantou-o do solo e ele deixou de ser machucado e ferido. 
E as criaturas a jusante, para quem era estranho, gritaram: "Veja, um milagre! Uma criatura como nós, mas ele voa! Olha, o Messias veio para salvar a todos nós!" E a pessoa que foi levado pelo rio, disse: "Eu não sou um Messias, sou igual a vocês. O rio tem prazer em nos libertar,  se ousarmos largar! A nossa verdadeira missão é essa viagem, essa aventura..."


Nos momentos em que temos a sensação que estamos presos, que não conseguimos avançar na nossa vida, podemos ter uma noção do peso da bagagem que acumulamos na vida. Experiências, estratégias emocionais, sofrimento...  Se quisermos soltar-no será necessário deixar cair muito, incluindo as crenças e estratégias a que agarrámos por razões de insegurança ou receio de voltar a sentir sofrimento, ou receio de ficarmos sós. 
Infelizmente, desapegar e libertar nem sempre é tarefa fácil.
Por ter andado com um peso desde a infância ("bagagem emocional"), é comum que o contacto connosco ficou oculto, tapando a noção sobre o que realmente é bom para nós. Parece que já não ouvimos a nossa intuição guiar-nos, que esquecemos o que nos alimenta como seres humanos. É preciso ter confiança para poder voltar a ouvir a intuição e também para depois agir de acordo. Assim, é importante verificar se algo  (p. ex. um plano, uma oferta, uma oportunidade, um pensamento ) está de acordo com a tua natureza ou não. Podemos fazer isso, sentindo o nosso corpo: se algo dá uma sensação desconfortável algures no corpo (cabeça, barriga, peito...) sabemos que isso vá contra a nossa intuição e não contribui para a nossa harmonia.

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