Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

É preciso ler livros sobre meditação?

Recebo com alguma frequência a pergunta: Pode aconselhar livros para ler sobre meditação?
Uma resposta linear é difícil... livros sobre meditação há muitos, e é me difícil recomendar um ou outro, ou dar dicas e preferências... é tão pessoal!
Com tantas pessoas a precisar de paz espiritual, há uma imensa procura de métodos. Naturalmente, o mercado reagiu: as editoras põem nas lojas o que as pessoas procuram. Assim, há imensos livros sobre meditação, cada um com o seu próprio método, cada um com a sua filosofia. Muitos têm na capa uma promessa de paz interior, de abertura de espírito... Entre gurus-de-oportunidade, há ainda, como sempre, os mestres que verdadeiramente têm uma mensagem e a capacidade de abrir uma porta para encontrarmos o caminho para o nosso coração. Todos preenchem necessidades específicas - há gurus para os que querem ter alguém que os guia, para poder segui-lo; há mestres para os que querem assumir a sua responsabilidade sobre a vida e encontrar o seu guia interior. Todos têm o seu valor, depende de quem procura.

Talvez valhe a pena reflectir sobre a importância que têm os livros no nosso crescimento espiritual. De facto, o que procuramos, não se encontra ao nível intelectual. Alias, uma das motivações principais que leva pessoas a procurar um caminho interior, é precisamente porque têm a sensação que a mente está a perturbar a sua felicidade.
A essência da meditação é acalmar a mente, para que podemos observar o que surge na nossa mente, e como esta está intimamente ligada às emoções. Observando o que existe, a mente pode acalmar e desapegar da necessidade de formular julgamentos e opiniões, desapegar do hábito de chamar memorias do passado e tecer hipóteses sobre o futuro. Progressivamente, a mente aprende a apreciar o momento, o Aqui e Agora. Neste silêncio, podemos ter acesso à nossa verdadeira natureza, ou seja, podemos encontrar a nós, a quem nós Somos.

 É neste silêncio que encontramos a nossa sabedoria interior, a nossa Luz. Não existe nenhum livro que pode descrever como isto é - é uma experiência que só nós podemos permitir que acontece. É algo que vai além das palavras. É a sensação de ter chegado à casa, onde pertencemos, e a partir daqui podemos ganhar a confiança necessária para empreender a complicada tarefa de desfazer as emoções destrutivas e cultivar atitudes construtivas. Encontrando o Coração, podemos começar a cultivar e praticar o Amor e Bondade.

Dito isto, devo também dizer que reconheço que os livros podem ter efectivamente um papel decisivo. Um aspecto muito importante da meditação é a aceitação da situação em que nos encontramos, necessária para poder começar a trabalhar o que nos perturba. Para que a mente possa chegar à aceitação, é útil reflectir sobre os seus mecanismos, entender como funciona não só a meditação mas igualmente, perceber como funcionam as emoções destrutivas. É importante porque assim a mente pode aceitar que existem soluções para o seu sofrimento.


Na minha experiência, todos os livros têm algo para dizer, e podem tocar-nos à vários níveis. Palavras sábias para reflectir... técnicas para experimentar...  mas é preciso lembrar sempre que, no final, cada um acaba por ser o seu próprio mestre.

Uma das primeiras lições do Buda contém o seguinte ensinamento:
''Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. Não acredite em algo simplesmente porque esta escrito em seus livros religiosos. Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos, aceite-o e viva-o.''


Este ensinamento estimula para conservar uma atitude críteriosa e atenta. O próprio Buda lembra que é preciso verificar continuamente, se faz sentido o que nos dizem.

Tendo tudo isso em conta, considero que há bastante livros que valem a pena. Para poder aprender realmente algo sobre meditação, um livro pode ser "consumido" com os nossos sentidos - isto é, permitindo que as palavras entram no sistema pelo intelecto, para depois passar para os sistemas mais súbtis. Sentir as palavras! A verdade transmitida, também é a tua? Que reacção é provocada dentro de ti? Os textos tocam em algo profundo por dentro, ligam para assuntos emocionais que gostaria de resolver? Isto dá matéria para reflectir?

Temos que lembrar também que não há caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho! Não é preciso mais nada do que SER, aqui, agora. Não há caminho ou método que nos pode levar à sitio onde podemos ser feliz. Porque já estamos no sítio e no momento certo para ser feliz. Basta aceitar que assim é.



2 comentários:

  1. Gostei do que disseste sobre os livros de meditação no meu fraco entender sinto que assim é. O que não invalida que o caminho seja arduo até chegar ao cimo da montanha. Um beijinho

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  2. é verdade, às vezes sentimos o tormento de ter que continuar, que não há como voltar para trás - e isso é realmente árduo. Mas se sabemos que só podemos seguir, é porque algures no fundo do coração, sabemos que havemos de chegar ♥

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