Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Orientar = saber onde fica a direcção Este

Na manhã do Equinócio da Primavera, 20 de Março de 2012, fazia muito frio. Muito mesmo. Mas o céu era de um azul deslumbrante, e o Sol nasceu com uma luminosidade esplêndida.


No Equinócio, o Sol nasce exactamente na direcção Este. É só nos Equinócios que o Sol faz um trajecto em linha recta da manhã à noite: o movimento é perpendicular ao Equador.
No momento em que os primeiros raios começam a iluminar o solo, e a força do Sol toca na Terra, podemos ver que o Cromeleque foi construído de modo que haja uma linha que passa no meio - desde o ponto mais baixo até ao ponto mais alto, onde duas pedras deixam passar para Oeste a Luz do Sol.
Tudo indica, que o povo que posicionou as Pedras Talhas deste modo, sabia qual o momento exacto do Equinócio, para poder orientar (literalmente - virar para o oriente) o conjunto com tanta precisão!



segunda-feira, 19 de março de 2012

Equinócio

O Equinóco do ano de 2012 ocorre na terça-feira, dia 20 de Março, às 5.14h. Vamos celebrar a efemeridade com uma meditação / saudação ao Sol, no Cromeleque dos Almendres... ao nascer do Sol (6.40h, a quem quiser assistir, convém estar um pouco antes desta hora).
Celebramos o primeiro dia da Primavera - quando o Sol entre no signo de Aries (Carneiro). Assim, marca também o início do ano astrológico ou solar. É literalmente o dia em que as estações mudam, devido à posição do Sol. A partir do Equinócio, os dias são mais compridos do que as noites, e até o Solstício do Verão aumentam em duração.

Equinócio significa literalmente "noite igual". No Equinócio, o Sol é posicionado directamente sobre o Equador, o que faz com que o dia e a noite sejam de duração igual, no mundo inteiro. Facto que ocorre somente nos Equinócios - que marcam a entrada na Primavera (agora em Março) ou no Outono (no Equinócio do Outono, no dia 22 de Setembro). Por isso, é a festa do equilíbrio - dia e noite, verão e inverno, mas também o colectivo e o individuo.

Há um significado astronómico (ver video) mas os povos que celebraram o início da Primavera, podem ter tido uma razão diferente. Por um lado, o aumento das horas de sol e, em consequência, da temperatura, era importante para a vida e para a angariação de alimentos. O Equinócio da Primavera assinalava um acesso mais fácil ao alimento. Nova vida desabrocha: as árvores florescem, plantas formam flores, muitas animais têm os seus crias nesta altura...a festa da Primavera é uma festa de fertilidade.
 A gratidão que sentiram por este facto, era exteriorizada e celebrada. Gratidão para com a Terra, gratidão para com o Sol, gratidão por estar a testemunhar o ciclo que torna possível a vida na Terra. As festas eram dedicadas à Grande Deusa, Mãe Terra, que nos acolha, que nos dá abrigo, que nos oferece sustento... A terra está pronta para ser  plantada. Na tradição celta, a festa de Ostara celebre que o Deus e a Deusa se apaixonam, e deixam de ser mãe e filho.  A semente da vida é semeada no ventre da Deusa cheia de vida e alegria. O Deus é devidamente armado para sair em sua viagem no mudo das trevas e  reconquistá-lo, para que posteriormente a luz volte a reinar. Ostara é o Festival em homenagem à Deusa Oster ou Ostara, senhora da Fertilidade, cujo símbolo é o coelho. Mais tarde, o festival passou para ter outra forma, mas com os mesmos ingredientes, e até um nome parecido: Easter (Páscoa).
A Deusa Ostara  (fonte da imagem)

Pelo menos desde os tempos da antiga Egípcia, é celebrado o Equinócio da Primavera. O monumento da Sphinx Grande está posicionado de tal modo que aponta para o nascimento do Sol no dia do Equinócio da Primavera.
Existem vestígios da tradição em muitas culturas. Por exemplo, a festa persa de  "Nowruz" (Ano Novo) também é celebrada na altura do Equinócio da Primavera. A festa tem uma duração de 13 dias, e é uma tradição que seguramente existe já há 3000 anos. Originalmente fazia parte da religião Zoroastriana.

Mesmo para as pessoas que não têm tendências religiosas ou espirituais, o Equinócio da Primavera pode ser uma altura de renascimento pessoal. Altura de fazer as limpezas da primavera, altura de organizar a vida, altura de fazer planos para os dias maiores, para a época em que se passará mais tempo fora da casa.


É no dia do Equinócio que o Sol entra no signo de Carneiro. Signo da força mental, das ideias, dos pensamentos. O signo também da individualidade - Carneiro faz um esforço para surgir individualmente a partir do passado signo de Peixes, que anunciou a chegada ao fim do ciclo, e à transformação - a morte simbólica.
Em Carneiro está a origem da direcção certa e da orientação certa. Sendo o primeiro signo do Zodíaco, representa a consciência primordial, a consciência que existe em potência; o início a viagem anual pelos signos, o primeiro da experiência da vida. Assim é um período de re-orientação e um esforço renovada da auto-consciência. Carneiro indica o primeiro passo no caminho da transformação. Tudo o que acontece é influenciado pelo pensamento e pela força mental. Tudo o que fazemos tem a sua origem na nossa consciência e nos nossos pensamentos, e neste mês a força dos nossos pensamentos é ainda maior.

É uma lei. Energia segue o pensamento. Ao pensar, damos forma a uma ideia - que em seguida toma forma material. Pensamentos que criam - mas somos criativos com os nossos pensamentos? O que queres criar? O que pensas?


(mais sobre a celebração dos ciclos da natureza)



sexta-feira, 16 de março de 2012

O voo da águia


Ontem fizemos, mais uma vez, uma meditação dedicada ao voo da águia. O objectivo da meditação é encontrar dentro de nós a fonte de equilíbrio e a confiança necessária para poder permitir que haja equilíbrio.
Dentro de cada um, existe a essência de um Ser perfeito - a budeidade, uma Alma divina... a nossa essência pode ter vários nomes.
Durante anos, a energia da Terra apoiou a quem queria fazer o caminho do crescimento - mas mesmo os que não o fizeram com a sua consciência desperta, assistiram à mudança. Mesmo neles a mudança teve lugar. 
Este ano é o ano dos grandes desafios, de vencer o medo para a sobrevivência ou ser vencido. Os tempos pedem que encontramos em nós a confiança e a auto-estima necessárias para ficar de pé, a continuar a acreditar, sem ser manipulado pelo exterior.

Agora é altura de nos mostrar, de surgir tal e qual como Somos. Permitir que o equilíbrio existe, admitir que temos força suficiente. Aceitar que existe tudo dentro de nós o que precisamos para Ser - aceitando que os medos pertencem ao passado, que as ansiedades pertencem ao futuro. Entender que vivemos AGORA e usufruir de toda a atenção e consciência que se liberta quando deixamos de nos preocupar com o passado e o futuro.
O voo da águia simboliza este passo gigante: os medos existem, mas no momento em que tomamos consciência que faz parte do processo natural ultrapassar os medos, fazer o passo para frente, o medo que parecia uma parede intransponível, torna-se numa porta para a plena existência...

segunda-feira, 12 de março de 2012

Amor-próprio / Amor Incondicional

Amor-próprio é uma palavra bastante importante. Mas em geral, é um conceito de que não gostamos de falar, porque existe uma conotação com narcisismo, com o vangloriar.. mas de facto, é algo completamente diferente. 
Amor-próprio não é o mesmo que pôr-nos num pedestal. É aceitar-nos tal como somos. E com isso não estou a referir à capacidade que toda a gente parece ter, nomeadamente descrever quem somos a partir de uma atitude humilde (que na verdade parece mais ser um tom condescendente). É um abraçar de tudo de que somos capazes. 
Aprendemos desde cedo, pensar nos outros. "Ame o seu próximo..." - mas se esquecemos a última parte do ensinamento ".. como a ti mesmo" tudo começa a correr mal. Ao esquecer a nós, vamos de encontro ao próximo a partir de uma atitude de submissão, em vez de sentirmos igual. Ao pôr o outro acima de nós, haverá alguns que hão-de louvar a nossa capacidade de servir; outros hão-de nos pisar.
E o que é amor-próprio? Talvez a capacidade e disponibilidade de deixar que tu e os que amas, possam ser quem são, sem que isso requer fazer um favor a ninguém. Deixar que os outros são quem são sem que queiras que sejam de modo que gostaria que seriam. Permitir que és quem és sem querer ser alguém diferente. Se pode amar a si próprio sem condições, se pode sentir que é belo, importante, com valor, amado, se reconhece que tem todo o direito de ser quem é, pode descobrir que não precisa da aprovação de ninguém. E os outros não precisam de preencher requisitos!
Aqui entre o conceito de Amor Incondicional - algo a que todos aspiramos... um ideal que às vezes parece dificil de atingir. Será?
Para poder amar o outro incondicionalmente é importante amar-nos a nós próprios primeiro. Se não há amor-próprio, é muito difícil amar o outro sem impor condições. Rapidamente o amor desvia-se para: "Amo-te, mas...." ou "Amo te, se...." E o stress dispara se o outro não tem o comportamento desejado ou idealizado como necessário para poder chegar à felicidade.

Ter Amor-próprio significa:
renunciar a todas as exigências e expectativas que definimos para nós e que usamos para nos pressionamos para ter o "comportamento certo" e os "sentimentos certos". 
Ter Amor-próprio significa:
aceitar-nos tal e qual como somos, incluindo todos os aspectos agradáveis mas igualmente todos os que causam desconforto. 
Ter Amor-próprio é:
deixar de nos auto-incriminar, de nos julgar e condenar. É dizer "SIM, eu aceito-te" perante nós próprios. É perceber que não estamos obrigados a nada.
O Amor incondicional é um estado, uma maneira de SER, e refere à nossa capacidade de ligar-nos à fonte profunda de amor que trazemos dentro de nós. O confronto com o Outro é apenas um espelho para podermos entender o nosso amor-próprio.

Existem exercícios meditativos para poder compreender como entrar em contacto com a Fonte de Amor dentro de nós. Se somos capazes de encontrar o Amor em nós, tudo é diferente: a auto-aceitação, a auto-estima, a capacidade de lidar com medos....  
Exercícios destes fazemos regularmente nas nossas meditações, e hoje deixo aqui um exemplo:


(fonte da imagem)
Primeiro passo: levar a atenção toda junto ao coração.
O coração é o centro do teu amor-todo-abrangente. O coração vai bombeando, para todas as células poderem viver...sem excepção...., vai bombeando... cheio de amor, independentemente do que dizemos, pensamos, ou fazemos. Alimenta o corpo porque sim, como o Sol ilumina a Terra, sem pedir ou esperar nada em troca. Não tem outros interesses, nem segundas intenções, está ao teu serviço, puro e simplesmente. Mesmo se tivermos pensamentos ou atitudes negativos - cheio de amor, o coração bate para o nosso bem, é o seu contributo para o nosso bem-estar. O coração é incondicional no seu amor... e assim temos o amor-todo-abrangente e incondicional ao nosso alcance.
 
Segundo passo: gerar gratidão.

Sintonizando com a sensação, a qualidade que sentimos no coração, nomeadamente a da sua natureza incondicional, podemos enviar ao nosso coração um sorriso de gratidão. Deixamos saber ao coração que estamos gratos por poder receber o amor-todo-abrangente. Dizemos que agradecemos o trabalho duro e incessante. Ao enviar gratidão podemos sentir instantaneamente que damos algo de volta, que há contacto com o coração. Começa a sentir como o amor do coração passa para o sangue, passa para as células. E assim vai practicando o Amor-próprio... sempre quando puder.
Terceiro passo: espalhar o amor.

A partir deste ponto pode fazer com que o Amor-todo-abrangente se espalhe para as outras partes do corpo que igualmente se esforçam para ti, sem descanso. Rins, pulmões, fígado, sistema imunitario, cérebro, pele.... Se conseguir, vê se consegue expandir o amor e gratidão para os seus pensamentos, sentimentos e comportamentos. Enquanto vai practicando mais, vai sentir mais Amor-próprio, que nasce dentro de si e se dirige para si. Se puder alimentar-se com Amor, não existe mais a necessidade que alguém preenche as lacunas. A razão de ser das condições para amar, deixa de existir, e o que pode nascer é... Amor Incondicional. Vai poder amar porque revê no outro a sua própria beleza e perfeição, e porque em conjunto... mais Amor se vai gerar. Incondicionalmente.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Neptuno em Peixes - o fim do ciclo, um novo início.

E foi assim, uns dias antes do início da Primavera: Neptuno entrou no seu próprio signo de Peixes, de onde vai exercer a sua influência durante os próximos 13 anos.
Um evento astrológico importante, talvez o mais importante do ano! A influência é grande, a conjuntura está a criar uma energia de "recém-nascido", uma energia fresca e renovador, com força de cura para todas as partes da nossa vida. Uma onda que traz às pessoas sentimentos de compaixão, paz, iluminação, a energia do despertar... Tempos de mudança... e quem resiste ao fluxo natural, quem recusa a mudança, vai encontrar problemas que não consegue entender, nem resolver... vai entrar numa fase de auto-destruição completa.
O que os céus sugerem, é que vamos entrar numa fase semelhante ao início do Renascimento. Um renovado interesse nas artes esotéricas e temas espirituais pode começar a florescer, em conjunto com todas as formas de arte, música, poesia... Normalmente, o período da Lua Cheia traz tensões, as pessoas tendem a sentir-se divididas e stressadas. Mas agora será um pouco diferente: a Lua Cheia estará em Virgem, com o Sol em Peixes, e a conjuntura vai trazer força interior, felicidade, e um nível de paz interior, espiritualidade e calma que durante muito tempo não sentimos tão fortemente. Uma força meditativa, em que vamos sentir que é fácil desligar de tudo e de todos que estão numa onde espiritual diferente, para poder sintonizar com tudo e todos que estão na nossa onda. Será claro como fazer a escolha: há em quem que pode confiar, e há os que não são de confiança.
Tudo na vida vai parecer 100% claro: as coisas são si ou não, preto ou branco, certo ou errado. Não é preciso aceitar, absorver ou ficar apegado a algo que não é verdadeiramente certo para TI. Nem sequer haverá emoções negativas para sentir, porque haverá focagem, um "saber" que estamos a ouvir a nossa guia espiritual interior, que estamos a fazer o que está certo e de acordo com o nosso verdadeiro destino.

Neptuno governa o signo de Peixes
Ao encontrar o significado mais profundo dos Signos, podemos descobrir e entender o porquê e como da  viagem da nossa Alma. O ciclo Solar, passando pelos signos do Zodíaco, é um dos ciclos da natureza em que podemos rever o ciclo da nossa Vida. A Alma desceu, como um pedaço do Divino, para se desenvolver e chegar à revelação da sua Divindade aqui na Terra. Quando conseguimos encarnar conscientemente, a nossa Divindade inerente na dimensão material e terrena, a nossa viagem está completa. A tarefa encontra a sua conclusão quando a forma se espiritualize - quando a personalidade/ego aceite quem É, em todas as suas dimensões. Conheceremos a "Libertação", a "Iluminação", quando a nossa essência já não estará presa à nossa forma física.
No ciclo anual, vamos poder experimentar numa escala mais pequena a libertação, o desapego, a transformação de várias facetas do nosso ego.

Peixes é o último signo do ciclo. Assim, representa o fim do ciclo, o fim do cativeiro que a Alma aceitou ao incorporar numa forma humana. Através de um processo contínuo de desapego, a luz da Alma começa a iluminar o ser humano, que se vai virando da matéria para assuntos mais espirituais. Assim, chega à transformação, a "morte" da personalidade, quando a Alma pode unir-se com a  Fonte de onde tinha vindo, à procura de novas formas da aventura da vida. Peixes representa o encontrar do nosso Destino.
Característica de Peixes é também a libertação energética. Peixes estimula a sensibilidade natural das pessoas, a capacidade de captar impressões de outros níveis de consciência. Falamos aqui de uma certa mediunidade, mas também a capacidade de ser compassivo, de dar o calor humano necessário para que o sofrimento no mundo possa diminuir. Sentimos a nós e aos outros, tomamos consciência da dualidade para que a vontade de ultrapassar a mesma, para que nasce e se concretiza a União. O convite da Lua Cheia deste mês é  de ultrapassar a dualidade entre forma material e conteúdo espiritual (Peixes) para que a energia toda possa ser posto ao serviço da humanidade (Virgem). Porque a Lua Cheia lembra que precisamos de encontrar o equilíbrio - neste caso entre Peixes e Virgem.


Cerimónia e Meditação da Lua Cheia
5a feira 8 de Março às 19.00 h
Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora

É costume trazer uma oferenda para o sítio - um pau de incenso, um pouco de água, uma flor ou uma pedrinha... o que sente como adequado para exprimir gratidão. No período de seca que estamos a passar, um pouco de água, para oferecer à Terra, será muito bem-vindo.
A participação na cerimónia em si é por donativo.

domingo, 4 de março de 2012

A celebração dos Ciclos da Natureza

Todos os meses celebramos a Lua Cheia no Cromeleque dos Almendres.
É um momento de reflexão sobre a  natureza cíclica da vida, com o propósito de podermos sentir que estamos inseridos num conjunto maior, um movimento eterno de mudança.
A dança lenta dos corpos celestes criou a harmonia necessária para a vida na Terra se tornar possível. Todos os dias passamos por um ciclo determinado pela rotação da Terra. Todos os meses a Lua faz o seu ciclo, e todos os anos, a Terra percorre o seu ciclo anual a volta do Sol. Ciclos com um início, e com um fim que dá sempre lugar a um novo início, um renascimento. O dia nasce todas as manhãs, a Lua nasce de novo nas noites de Lua Nova, o ano nasce de novo em cada Equinócio da Primavera.
O Cromeleque dos Almendres é, pela sua energia singular, um sítio que convida para procurar o contacto com a Terra. Desde há milénios, o círculo das pedras marca o ritmo das estações. Em particular, o Cromeleque parece ter vocação para celebrar o ponto de equilíbrio, duas vezes por ano, no momento do Equinócio.

O nascer do Sol no Equinócio - Cromeleque dos Almendres
"Não parece haver dúvida quanto à verosimilhança da relação entre o Cromelech e o Equinócio. (...) tudo se conjuga para sugerir que o Cromelech dos Almendres possa ter sido construído para celebrar o culto do Sol e do Equinócio. Isto é, da direcção que divide ao meio o espaço, mas sobretudo que divide ao meio o tempo, o tempo do calor e o tempo do frio, o tempo da fertilidade da terra e o tempo da falta de alimento. Sob esta forte pressão haveria que construir um recinto grandioso incorporando este conhecimento como forma de apoiar o culto com o aparente controlo da natureza, neste caso do Sol." (Cândido Marciano)

No Equinócio, o Sol passa a linha do Equador e há equilíbrio entre dia e noite. É o início do ano solar: celebra-se a passagem do período em que as noites são mais compridas para o período em que a Luz predomina nos dias maiores.
Nas cerimónias da Lua Cheia celebramos também o equilíbrio: a Terra encontra-se precisamente entre Sol e Lua. A Lua funciona, à noite, como espelho para os raios do Sol. Nascendo ao pôr-do-Sol, desaparecendo somente quando o Sol nasce novamente, a Lua Cheia dá nos Luz para ver nas noites, ilumina as nossas trevas, dá acesso ao mundo que de outra maneira passasse oculto.
Assim, as  noites de Lua Cheia são igualmente uma celebração da plenitude, da União Sagrada entre Terra, Sol e Lua. É uma trindade que encontramos dentro de nós também. A Terra está presente no nosso Corpo, a nossa forma material. O Sol, na luz da nossa Mente que pensa. A Lua, na Alma - a Psyche que é a centelha divina que nos una com o Universo e o Criador.

Lua Cheia - Cromeleque dos Almendres
As noites da Lua Cheia são celebrações do Casamento Celestial: a força masculina do Sol une-se com a força feminina da Lua. A Terra está no meio, como a filha que tomou a sua forma neste encontro.
Nós, seres humanos, somos no nosso Ser resultado da interacção de forças semelhantes. Olhando para a Natureza, podemos perceber que a nosso vida física, bem como as condições em que a nossa vida se desenvolve, resultam de uma relação entre a Mente e a Alma. No contacto com a Natureza, podemos chegar à reflexão sobre o equilíbrio que estabelecemos em nós, e entender que uma vida saudável e harmonioso resulta de uma relação saudável e equilibrado entre o que vai no nosso coração e na nossa alma, por um lado, e a nossa mente racional e lógica por outro lado.

Há milénios que o Cromeleque existe como monumento aos ciclos da natureza. Muitas gerações já celebraram aqui a União com a Terra - cada um à sua maneira, com os seus próprios rituais. E mesmo para o Homem moderno, continua importante a celebração. Também para nós continua a ser fulcral perceber que não Somos em vão. Que a nossa vida faz sentido.

A ritual is the enactment of a myth. And, by participating in the ritual, you are participating in the myth. And since myth is a projection of the depth wisdom of the psyche, by participating in a ritual, participating in the myth, you are being, as it were, put in accord with that wisdom, which is the wisdom that is inherent within you anyhow. Your consciousness is being re-minded of the wisdom of your own life. I think ritual is terribly important.
Joseph Campbell, "The Wisdom of Joseph Campbell," New Dimensions Radio Interview with Michael Toms, Tape I, Side 2
Um ritual é a encenação de um mito. E, ao participar no ritual, você está participando no mito. E já que o mito é uma projecção da sabedoria profunda da psique, participando num ritual, participando no mito, você está sendo, por assim dizer, colocado em sintonia com essa sabedoria, que é a sabedoria que lhe é inerente de qualquer maneira. A sua consciência está sendo lembrado da sabedoria na sua própria vida. Eu acho que o ritual é muito importante.
 Joseph Campbell, "A Sabedoria de Joseph Campbell"

5a feira, 8 de Março de 2012, às 19.00h: Celebração da Lua Cheia no Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora.
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