Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

É Agora.

Somos Um. Um conjunto. Um Deus/Deusa. Uma Terra.
E o tempo em que vivemos é Agora. Aqui e Agora.
Estamos a descobrir novamente o que nos dizem os sábios de todos os tempos. 


sexta-feira, 13 de abril de 2012

Respiração com 4 Elementos

(fonte da imagem)
Hoje volto para um assunto que considero de importância fulcral para a meditação: a Respiração. (posts anteriores: aqui, ou aqui.)

Através da respiração, o Ser Humano dispõe de uma ferramenta perfeita para a sua purificação e renovação, não só no plano físico, como também no plano energético e espiritual.

O que se segue, é um exercício de respiração simples que trabalha os elementos Terra, Água, Fogo e Ar.

É uma práctica baseada na tradição sufi, destinada à purificação dos vários sistemas do Ser. Prácticas semelhantes podem ser encontradas em muitas tradições. Desta que vou descrever aqui, pensa-se que tem raízes nas escolas de mistérios da antiga Grécia. Foi transmitida pelos mestres sufis aos seus discípulos por muitas gerações, durante milhares de anos. O resultado do exercício é uma sensação de energia renovada, e é um bom ritual para começar o dia, dos mais equilibrados que existem.
A purificação através dos elementos começa a ser um exercício de concentração e, gradualmente, vai se aprofundando e torna-se uma prática da contemplação. Pode formar uma excelente preparação para a meditação. A focagem no corpo, sentindo a fusão com os diferentes elementos, é um apoio para ultrapassar a sensação de estar separado do mundo e promova a União com o Tudo-que-É.

A prática é bastante adequado para fazer logo de manhã, e é uma maravilha feito em contacto directo com a Terra, de pés descalços ou sentado. Se fazer no interior da sua casa, faça o possível para ficar perto de uma janela aberta. Feche os olhos. Nas primeiras vezes vai precisar de se concentrar cinco a dez minutos para cada um dos quatro elementos. Depois de estar mais familiarizado com a prática, pode ser suficiente dedicar cinco respirações para cada elemento.

Comece com algumas expirações profundas, empurrando suave e lentamente o ar para fora do corpo. Tanto quanto possível, faça primeiro o ar sair do peito e depois do abdómen. Expire mais e mais, até estar completamente vazio. Então deixe que a sua inspiração ser completamente natural, sem esforço nenhum. A inspiração natural é importante, não força os pulmões ou os músculos no peito. Segure a respiração por um momento após inspirar. Depois de respirar algumas vezes assim, começa a respiração do elemento terra.

O Elemento Terra
Os primeiros eremitas cristãos, que viviam durante anos em solidão no deserto, focaram a sua concentração  no magnetismo da Terra, de forma a restaurar a sua vitalidade durante longas vigílias. Os anciãos dos nativos americanos dizem que a principal causa de desequilíbrio psicológico e doença física, é a perda da sensação de relacionamento e comunhão com a Terra.
Estando de pé ou sentado, imagina-se como uma árvore, com raízes que se estendem firme e profundamente na Terra. Sinta a grande força, o magnetismo da Terra. Inspira pelo nariz e expira pelo nariz, mas não força a respiração de forma alguma. Imagine que o magnetismo e o poder de cura da Terra entram através das solas dos pés ou na parte inferior da coluna. Sinta que começa a unir-se à Terra... convida a Terra de deixar fluir o seu magnetismo para as partes do corpo que se encontram cansadas e esvaziadas. Sinta o poder de cura da Terra! Sentirá surgir uma realidade súbtil, algo de cristalino, atrás dos aspectos mais densos, que estão no plano físico. Nesta dimensão súbtil, a Terra não é apenas o planeta, mas está ligada ao sistema solar, faz parte de uma galáxia. Ligando-se à Terra, sinta que está também ligado à Lua, aos outros planetas, ao Sol, às estrelas mais distantes.
Ao inspirar, procura sentir que faz parte da vida, que o seu corpo é feito da substância da Terra e, como tal, está sujeito à harmonia e à ordem da Natureza.
Ao expirar, o seu corpo liberta-se. Expire o seu cansaço, a sua desarmonia, agitação, preocupação. Agora concentra-se no campo magnético de seu corpo. O corpo tem um campo de força em torno dele, semelhante ao de um íman - tal como tem a Terra. Sinta como alinha o seu próprio campo magnético com o campo magnético da Terra, como limalha de ferro se alinha à volta de um íman. Quando a força magnética é fraca, a limalha de ferro está em desordenada. Quando o poder é forte, surgem simetrias, padrões harmónicas. A cada inspiração, sinta que as suas fibras se ordenam. Expirando sinta que seu corpo emite um magnetismo natural e harmoniza o ambiente à sua volta.

O Elemento Água
A respiração do elemento água traz um sentido de fluídez, de vitalidade e pureza, e ajuda a libertar a criatividade. Também é útil para se libertar de padrões de pensamento habituais. Estimula a sensação de avançar com a vida, de fluir à volta dos obstáculos, em vez de bater neles com a cabeça.
Inspira pelo nariz e expira pela boca. Pode imaginar que expira um riacho cristalino através da boca. Pode imaginar-se imerso num riacho da montanha. Sinta as gotas de água que atravessam as células, água que vai pingando dos seus dedos. Sinta a água a chegar ao peito e ao coração, e a água ajuda a soltar qualquer tensão e bloqueio que possa existir. Sinta-se energizado e renovado, e mais uma vez foca a atenção nas partes do corpo que precisam apoio, e também nos locais onde sente falta de energia vital. Concentre-se para sentir a pureza de um lago ou um rio de águas cristalinas, no alto das montanhas. Transforma-se em força da água, e permite que a  pureza da vida, a energia e e a força fluem através de si para o ambiente.

O Elemento Fogo
A respiração do elemento fogo acelera os sistemas. Faz acordar a inspiração e é muito útil quando se encontra sonolento ou fraco após uma meditação mais intensa. Inspira pela boca, segure a respiração por um instante e depois expira pelo nariz. Ao inspirar, imagine que sopra para um fogo no plexo solar, com um fole. Suga um fio fino de ar para dentro...veja as brasas do fogo incandescer. Segura a respiração por um instante, e leva a atenção até ao centro do chakra do coração. Expira a partir do chakra do coração, imaginando que está irradiar uma luz, dourada como o Sol. Ao inspirar, contacta com o desejo da Alma - a aspiração para a consciencialização, o entendimento espiritual; o desejo de ser autêntico e igual a si próprio; o desejo de tornar a vida significativa e com valor; o desejo de poder defender o que acredita. Ao expirar, irradia luz como se houvesse um Sol em miniatura no coração. Sinta a Luz, intensa e dourada.
 Pode usar a respiração do fogo como um sítio para oferecer ao fogo, os sentimentos que gostaria de transformar. As dúvidas acerca de si, o seu cinismo, ressentimentos e padrões de comportamento ou de pensamento viciantes podem ser oferecidos ao fogo. Evite fazer promessas que não vai cumprir. Basta ser claro acerca da sua intenção e abrir-se para que o processo de purificação tenha lugar.
Em vez de usar a força de vontade para mudar, a concentração no elemento fogo foca o papel da Vida como Mestre. O Mestre que identifica e queima o que precisa ser queimado. A vida como força natural de mudança e crescimento, para que a sua  natureza mais profunda possa emergir.

O Elemento Ar
Inspira pela boca e expira pela boca. A respiração do elemento ar está relacionada com êxtase,  a liberdade e a transcendência. Imagine-se como uma grande águia, empoleirada no alto de uma montanha. Sinta o vento despenteando as penas, soprando como se fosse através do corpo. Sinta a frescura e o frescor do ar. Suba para cima sobre as correntes de ar. Inspirando, sinta-se alegre e livre, como uma brisa que atravesse um lago e se eleva. Expirando, permita-se ir além dos limites do corpo. Deixe o Ser dispersar-se com o vento, e deixe que a sua consciência chegue ao cosmos. Desfrute da sensação de vastidão...se isso ajuda, visualiza paisagens vastas, como uma montanha, um desfiladeiro, o céu estrelado.


Depois de ter concluído as respirações de purificação, reflectimos sobre o efeito de todos os elementos juntos. Separadamente, cada uma das respirações dá ênfase a diferentes forças e qualidades do Ser. Em conjunto, as respirações trazem uma sensação de plenitude. Cada um dos elementos complementa e modifica os outros. De acordo com a nossa própria maneira de Ser, podemos sentir a necessidade dar mais atenção a um ou outro, sempre com o intuito de alcançar um maior equilíbrio.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Ir com o fluxo natural da vida

Estamos a viver tempos muito emocionantes. Toda a nossa realidade está a mudar num ritmo mais rápido do que nunca. O que antes tomamos por certo, como a nossa segurança material, a nossa sobrevivência, está a desaparecer...o que nos pode tornar inseguros e ansiosos. Estamos perante uma escolha difícil:
vamos manter a nossa velha maneira de pensar e agir, ou vamos nos libertar e escolhemos uma nova direção? A segunda opção implica desistir da maneira que aprendemos resistir ao fluxo natural da vida. Implica entregar-nos, dar-nos novamente e sem esforço aos acontecimentos, apenas orientados pelo nosso coração.

(fonte da imagem)

(texto vindo do livro "Illusions" de Richard Bach)
O Mestre respondeu, e disse:. "Era uma vez uma aldeia de criaturas no fundo de um grande rio cristalino. O fluxo do rio precipitou-se em silêncio sobre todos eles - jovens e velhos, ricos e pobres, o bem e o mal, o fluxo ia onde tinha que ir, sendo apenas o seu ser cristalino. Cada ser pegava-se à sua maneira às plantas e às rochas no fundo do rio, porque agarrar era o seu modo de vida e resistir ao fluxo era o que cada um tinha aprendido desde o seu nascimento.  
Mas finalmente uma das criaturas disse: "Eu estou cansado de me segurar. Embora não o consigo ver com meus olhos, estou confiante de que a corrente sabe onde ele vai...vou me soltar e deixar que me leve. Se eu ficar preso... vou morrer de tédio." 
As outras criaturas riram-se e disseram "Tolo! Se te soltares, o fluxo que tu adoras vai te arrastar e fazer  cair sobre as pedras e vai te partir todo; vais morrer ainda antes do tédio desaparecer!". 
Mas aquele não prestou atenção nenhuma a eles. Soltou-se com  uma respiração profunda e imediatamente foi caindo sobre as pedras, arrastado pela corrente e esmagado. Mas, afinal, quando o ser se recusou segurar novamente, o fluxo levantou-o do solo e ele deixou de ser machucado e ferido. 
E as criaturas a jusante, para quem era estranho, gritaram: "Veja, um milagre! Uma criatura como nós, mas ele voa! Olha, o Messias veio para salvar a todos nós!" E a pessoa que foi levado pelo rio, disse: "Eu não sou um Messias, sou igual a vocês. O rio tem prazer em nos libertar,  se ousarmos largar! A nossa verdadeira missão é essa viagem, essa aventura..."


Nos momentos em que temos a sensação que estamos presos, que não conseguimos avançar na nossa vida, podemos ter uma noção do peso da bagagem que acumulamos na vida. Experiências, estratégias emocionais, sofrimento...  Se quisermos soltar-no será necessário deixar cair muito, incluindo as crenças e estratégias a que agarrámos por razões de insegurança ou receio de voltar a sentir sofrimento, ou receio de ficarmos sós. 
Infelizmente, desapegar e libertar nem sempre é tarefa fácil.
Por ter andado com um peso desde a infância ("bagagem emocional"), é comum que o contacto connosco ficou oculto, tapando a noção sobre o que realmente é bom para nós. Parece que já não ouvimos a nossa intuição guiar-nos, que esquecemos o que nos alimenta como seres humanos. É preciso ter confiança para poder voltar a ouvir a intuição e também para depois agir de acordo. Assim, é importante verificar se algo  (p. ex. um plano, uma oferta, uma oportunidade, um pensamento ) está de acordo com a tua natureza ou não. Podemos fazer isso, sentindo o nosso corpo: se algo dá uma sensação desconfortável algures no corpo (cabeça, barriga, peito...) sabemos que isso vá contra a nossa intuição e não contribui para a nossa harmonia.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Sol em Carneiro, Lua em Balança...onde estamos em relação ao Outro?

Na a noite de sexta-feira para sábado, o período da Lua cheia em Balança practicamente coincide com a Sexta-feira Santa e a celebração da Páscoa - o que põe ainda mais ênfase na importância espiritual da Lua cheia. 

 Na Lua cheia olhamos para a nossa relação com os outros, e a Lua Cheia em Carneiro/Balança ilumina ainda mais este aspecto, porque estes dois signos reforçam o Eu (Carneiro) e o Outro (Balança). Assim, a primeira Lua cheia do ano solar dá uma luz sobre as questões emocionais  que encontramos ao lidar com outros. Ainda por cima, a Lua estará perto da Terra, e aparecerá maior do que normalmente. A sua influência também será maior!

Carneiro e Balança estão posicionados à porta dos Equinócios. Carneiro, mais junto ao Equinócio da Primavera, simboliza no hemisfério norte, a força renovada do Sol, trazendo energia para chegarmos ao potencial da nossa nova vida individual. Balança por sua vez, está junto ao Equinócio do Outono, quando a comunidade se junta para as colheitas, e quando nos preparamos para as noites compridas e tempo frio. Sendo signos posicionados em oposição, é a sua 'tarefa' de encontrar equilíbrio entre os extremos.

Na Sexta-feira Santa, é celebrada a Páscoa judaica. É a festa que celebre a libertação do povo da escravatura. Na sua essência podemos reconhecer características de Carneiro, que procura a liberdade para poder seguir o seu próprio caminho. A Páscoa celebra uma nova vida em liberdade, mas é uma liberdade à custa da vida de animais e todas as crianças primogénitas egípcias. O Deus de Abraão ofereceu a liberdade ao seu povo, sacrificando as vidas dos outros.

Quando olhamos para Carneiro, vemos o herói, o conquistador.. e alguns até pensam "melhor ele do que eu...". Carneiro descobre a identidade individual, mas os outros podem sentir as suas atitudes como egocêntricas ou egoístas. Na história da Páscoa judaica, os dois lados só olham para os seus próprios interesses, e o resultado foi que muitos tiveram que morrer para que outros poderiam ser livres.

A Páscoa cristã tem uma vibração e uma energia muito diferente - com mais características de Balança. A escolha de Jesus é de se sacrificar para que todos os outros poderiam ser espiritualmente livres. Ele morre para dar a vida ao mundo.Aqui encontramos a ideia de um rei que se sacrifica, dando literalmente a sua vida para o seu povo - um motivo bastante "pagão"! A melhor parte da história da Páscoa é depois o renascimento de Jesus como o Cristo. A sua identidade espiritual toma o lugar da identidade do seu ego (personalidade). O Cristo Ressurrecto mostra que podemos viver para sempre quando desenvolvemos uma perspectiva espiritual sobre a vida.
De certa forma, vemos aqui o ideal de Balança de entregar os seus próprios desejos para o bem do outro: "o que é bom para o meu amado, é bom para mim". Mas pode ser o início de demasiado auto-sacrifício. Se Balança não sabe dizer Não, acaba por ser magoado quando o outro começa a pedir, pedir, pedir e tirar tudo o que Balança tem para dar.
Numa relação, não pode existir equilíbrio se só há um lado que se sacrifica. Equilíbrio só existe quando ambos abraçam tanto a essência do Eu (Carneiro) como a essência do Outro (Balança).

Uma boa maneira de conseguir o equilíbrio, é de fazer um passo para frente e entrar naquela perspectiva espiritual maior, a fim de nos perguntarmos: quais as nossas  necessidades pessoais, que exigimos ao nosso parceiro de preencher? Temos que tomar conta das nossas próprias necessidades tanto quanto possível. Outra pergunta: quais as necessidades do nosso parceiro que estamos a ignorar? É connosco de importarmos o suficiente com o nosso parceiro de modo que podemos ajudá-los.
Mais uma: sendo companheiros, em que medida somos responsáveis para a felicidade e contentamento? Temos a responsabilidade de agir sem maldade, de ajudar sem causar mágoa a nós proprios, e de dizer "não" quando isso é o melhor para aqueles que nos amamos.
Ao haver demasiado Eu ou demasiado Outro, existe a semente de desequilíbrio. A lição de Balança e Carneiro está no complementaridade dos opostos!


Carneiro marca o Início. O início da vida, em que a Luz do Amor que Tudo abrange, começa a tomar forma. Nasce um novo individuo - e na base do processo está o princípio do pensamento. Carneiro é o signo das novas ideias, conceitos, actividade intelectual. Nova forma, novos planos, novos rumos...inovação, renovação, um primeiro passo para a materialização de uma energia espiritual.
Sabemos que energia segue o pensamento - os nossos pensamentos tornam-se acções para que a nossa vontade se realiza.
O signo de Carneiro traz em si a criatividade, o início do caminho certo para a realização pessoal e espiritual. O caminho dirige-se primeiro para a faceta material, para daí poder surgir o espiritual.

A cerimónia e meditação da Lua Cheia terá lugar a partir das  07.00h da manhã de Sábado, 7 de Abril, no Cromeleque dos Almendres, em Guadalupe - Évora. 

A cerimónia  consistirá de uma meditação e uma invocação da Lua e do Sol. Vamos concentrar-nos na energia do renascimento, do acordar de novo. Haverá um espaço de reflexão sobre a responsabilidade que cada um tem para manter a sua própria harmonia - a fim de podermos aceitar que a nossa Consciência é a maior força de Criação que existe na nossa vida. A cerimónia é no seu conjunto, um convite para assumir a nossa responsabilidade e o poder da nossa mente e da nossa consciência.
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