Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Trilhar o caminho espiritual... uma introdução

É cada vez mais comum entre nós, procurar o despertar espiritual. Até bem pouco tempo, quem procurava a iluminação eram os sábios, os santos, pessoas religiosas, eremitas. Mas os tempos mudaram e a dedicação à vivência interior tornou-se um elemento da vida quotidiana para muitos.
Há um entendimento cada vez maior que, no fundo, o que procuramos é uma vida em que podemos, por um lado, lidar com o sofrimento (seja qual for a sua dimensão ou origem), e por outro lado, ter a satisfação de uma vida que faz sentido ser vivida, que há um lugar na Terra para nós e uma "missão"  ou vocação que nos leva a sentirmos realizados como seres humanos.

Um objectivo que pode parecer algo ambicioso, mas que na realidade está ao alcance de todos. Os tempos em que vivemos, são até tempos privilegiados para poder alcançar o tal contentamento.
Isto não quer dizer que hajam menos obstáculos interiores do que haviam no passado; quer apenas dizer que o entendimento é facilitado, o acesso mais directo, e a vontade colectiva maior.

Já aqui se falou na ascençsão , e sobre o que entendo por este termo (veja o tema "ascensão"). É verdade que facilmente associamos o conceito aos Mestres - que imaginamos muito mais avançados no caminho espiritual, mais alto na escada para a iluminação, com mais talento, mais bagagem, mais disponibilidade, etc... No entanto, a energia cósmica disponível para os habitantes da Terra tem agora uma frequência mais alta e mais súbtil. Falamos com mais à vontade do Amor Incondicional, e manifestamos a nossa vontade de fazermos o Bem para Todos com menos constrangimentos ou restrições. Ou seja, o ambiente em que vivemos começa a estar mais aberto e mais impregnado da necessidade de sermos verdadeiros connosco próprios, mais fiel à nossa natureza mais intima, mais perto da nossa Budeidade.

The Chartres Cathedral Labyrinth In Nature's First Pattern
Mixed Media On Paper by Gilchrist © 1996
Considero que o processo que leva à "Iluminação", ao "Despertar" ou à "Ascensão" não pode ser visto como um processo linear tipo caminho ou escada, em que avançamos em passos certos. O processo tem fases, isso sim, mas podemos saltar de uma para outra, recuando por vezes, para saltar fases logo à seguir. Às vezes parece mais um processo em forma de labirinto em que subimos e descemos para subir novamente, do que uma subida linear; às vezes parece que estamos a andar em círculos ou numa escada tipo caracol, ou até numa montanha russa em que não controlamos a velocidade do nosso desenvolvimento

Dito isto, também vejo que há passos que todos temos que passar no nosso desenvolvimento, simplesmente por que o nosso Ser funciona de uma maneira muito específica que precisa de ser respeitada.
Não podemos negar que somos seres com uma componente biológico e psicológico. É no corpo físico, que tem um determinado carácter e características herdadas, que a nossa Alma fica alojada para a duração desta vida, desta etapa de aprendizagem.
Em termos globais podemos ver o nosso Ser Espiritual como consistindo de três categorias, nomeadamente Corpo, Alma e Espírito, sendo que existe um quarto elemento, a Mente, que atravessa e une as três anteriores.

Dentro desta divisão encontramos assim os vários aspectos do nosso ser espiritual:
no corpo e na ligação entre corpo e mente encontramos o Ego e as emoções
a mente faz a ponte para a Alma
e além disso existe a nossa consciência mais alargada, que podemos chamar o Espírito - mas também poderíamos dizer que encontramos aqui a nossa mente alargada, que está em União com o Tudo que É.

Para que podemos sentir-nos realizados, é necessário viver no Aqui e Agora. Viver no presente, ou seja, com todos os aspectos do nosso Ser integrados, através da consciência.

Pois. Um conselho aparentemente fácil de seguir. E até é fácil de entender; ouvimos os ensinamentos de Thich Nhat Hanh e Eckhart Tolle, e intuitivamente percebemos que eles nos estão a indicar o caminho certo. Mas antes de poder perceber e aceitar que, afinal, é tão simples como isso, precisamos de saber quem somos, em todos os nossos componentes, e aceitar que somos iguais a nos próprios.

Para poder percorrer o caminho espiritual, precisamos de percorrer as varias componentes do nosso ser. Começa quando começamos a ter consciência que estamos a sentir-nos sozinhos, como separados do mundo; sabemos onde somos supostos ir, quando começamos a ter consciência que Tudo É Um.
Uma viagem da dualidade para a união... uma viagem de um mundo linear e sequencial, que vive em três tempos (passado, futuro e presente) para um mundo em que tudo É, no momento. Uma viagem que começa na nossa presença física na Terra, na vida e no corpo que hoje temos, para chegar à nossa essência eterna, a nossa consciência alargada, o Espírito.
É um percurso multidimensional - físico, emocional, psicológico, energético. Mas também atravessa os tempos e traz para o momento em que estamos a reflectir, fios emocionais vindos do nosso passado, de tudo que resultou de ter nascido numa certa família, de aprendizagens doutras vidas, de expectativas e esperanças sobre o futuro... A nossa consciência tem a capacidade de unir, no presente momento, o passado e o futuro. Também tem a capacidade de fazer confluir no local onde estamos, todos os sítios onde estivemos antes, e todos os sítios onde podemos ir com a força da mente.

Felizmente há muitos roteiros para o caminho,  para que podemos espreitar como outros pensam sobre o que fazer. Muitas tradições descrevem como o Grande Conjunto funciona, e fornecem ferramentas e técnicas para descobrirmos o nosso lugar no conjunto. Tradições antigos, como p.ex. o budismo, o xamanismo, a cabala, a astrologia e as crenças semíticas - mas também métodos modernos. Estes podem tratar de técnicas para resolver assuntos em áreas específicas ou podem apontar para uma visão global sobre a essência da vida... temos um leque enorme de oferta espiritual. Muitos prometem cura - outros prometem ajuda para o entendimento.
Cada um destes métodos vai, no final, ter à mesma meta: ensinam como podemos saber de onde viemos, para onde viajamos, e quem somos, para podermos SER, aqui e agora. Para chegar a este fim, cada um destes métodos usa uma linguagem própria, conforme as circunstâncias em que nasceu a tradição, ou conforme a personalidade e o contexto de quem apresenta a sua visão sobre o Caminho.

No final, estamos nós, como crianças que querem aprender falar a verdade, ouvindo palavras em diferentes línguas... como fazer sentido?
Aqui só há um ponto de partida: o sentimento de ti. Tudo está dentro de ti, e cada um de nós é um veículo da Verdade. A ascensão faz-se, percebendo que dentro de ti, está o caminho.

(a continuar)



 ‘I maintain that Truth is a pathless land, and you cannot approach it by any path whatsoever, by any religion, by any sect. Truth, being limitless, unconditioned, unapproachable by any path whatsoever, cannot be organised; nor should any organisation be formed to lead or coerce people along any particular path. […] Truth cannot be brought down, rather the individual must make the effort to ascend to it'. 
~Jiddhu Krishnamurti, from his 1929 speech on the dissolution of the Order of the Star.

"Afirmo que a Verdade é uma terra sem caminhos, e não pode abordá-la por qualquer caminho que seja, por qualquer religião, por qualquer seita. A Verdade, sendo ilimitada, incondicionada, inacessível por qualquer caminho que seja, não pode ser organizada; nem deveria qualquer organização ser formada para liderar ou coagir as pessoas ao longo de qualquer caminho particular. [...] A verdade não pode ser trazida para baixo, antes o indivíduo deve fazer o esforço de ascender à Verdade. ". ~Jiddhu Krishnamurti, do seu discurso de 1929 sobre a dissolução da Ordem da Estrela.

2 comentários:

  1. ...muita coerência, porém não consigo ver as facilidades desse nosso tempo em comparação ao tempo passado... a mídia tem sido nosso grande vilão, pois mesmo com mais facilidades à informação os bombardeios de "lixo" virtual, tem dominado as massas e limitado os acessos a conteúdos importantes... a grande verdade está rodeada de pequenas mentiras e meu maior desafio é continuar nos caminhos que levam a mim mesmo com tanta pressão contra.

    São extremamente relevantes suas publicações... sou grato por isso.

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    Respostas
    1. Namasté! A facilidade está mais no acesso que temos, ao nível energético... É verdade, mais informação significa mais ruído também. Ao memsmo tempo há mais oportunidades de encontramos a nossa verdade;) a escolha fica mais ampla - a Verdade está mais presente...mas como Tudo-que-É procura um equilíbrio, o outro lado também aumenta!
      Se me permite, vou usar a sua observação no texto de continuação!

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