Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Páscoa

Pertencendo à Natureza, o nosso organismo acompanha os ciclos naturais, e são vários, a escala pequena ou a escala grande, de curta ou longa duração.
De uma maneira ou outra, e embora de duração e intensidade diferente, são todos ciclos que representem o ciclo da vida: nasce-se, vive-se e morre-se para poder renascer e recomeçar o ciclo.

Nó tibetano
Ciclos dentro de ciclos dentro de ciclos... numa escala diária; a acompanhar o ciclo da Lua; o volver das estações; a viagem da Terra no sistema solar e em relação às constelações...
Por muito que gostaríamos de ter controlo sobre a nossa evolução, por muito que gostaríamos que o nosso caminho fosse um de sempre a subir, a verdade é que o nosso crescimento está sujeito a ciclos de renovação. A Natureza dá nos assim a oportunidade de rever os objectivos, de rever as lições e aprendizagens, de fazer ajustamentos e novas escolhas. Podemos recomeçar, todos os dias!
(Imagem: g'tong len, o nó enterno tibetano. Representa o ciclo sem fim da vida: nascimento, morte, sofrimento, renascimento. É a interligação de sabedoria e compaixão, o signo de amor eterno e amizade.)


Desde cedo, o Ser Humano celebrou a dádiva da vida, honrando os ciclos da vida em festas e cerimónias regulares. Profundamente consciente que a Natureza não nos pertence, mas que pertencemos à Natureza, o Homem lembrava nas suas cerimónias a Força Maior que tudo criou, e que continua a criar, todos os dias, todas as estações, todos os anos - mas também através de cada vida singular e individual. A Força Maior (conhecida por muitos nomes e em muitas formas) exprima a vida, continuamente.

Na verdade, temos uma necessidade muito grande de nos lembrarmos que viemos da Fonte e à ela havemos de voltar. A nossa experiência da vida como seres humanos, é uma experiência da dualidade: reconhecemo-nos como individualizados e separados dos outros. O nascimento é uma separação física, que nos manda para um mundo diferente, longe da protecção do ventre materno. A partir daí, o amor é algo que podemos ou não receber... e que muitos, devido ao seu karma, escolhem disputar em vez de partilhar.
O desejo de evolução espiritual pode bem ser o desejo de entender, a partir da dualidade que vivemos, que tudo faz sentido e que de facto, pertencemos todos um grande conjunto que respira, que vive, que se exprime - e que acolhe a cada parte, naturalmente, como valoroso e amado.

Rituais de morte e renascimento fazem parte de muitas culturas. Práticas filosóficas e religiosas integram meditações sobre a morte e a passagem para uma vida nova. Dizem que dá esperança e perspectiva sobre os valores reais da vida. Iniciações espirituais muitas vezes tomam a forma de uma morte encenada. Sejam elas rituais de passagem para a vida adulta, em que os jovens precisam de deixar para trás a infância, ou iniciações no caminho espiritual, a morte iniciática tem como objectivo de ir de encontro ao momento em que se deixa a vida física e há uma visão sobre a Origem e o Fim. Após este encontro, há um renascimento para uma nova vida, agora com entendimento do aspecto espiritual. Renasce-se com uma visão dos objectivos a realizar, as tarefas a executar, o lugar a preencher.

Celebramos no próximo fim-de-semana a Páscoa, festa da Primavera. Novamente, uma festa de morte e renascimento, em que é celebrada a nova vida que rebenta à nossa volta!
As sociedades modernas meteram para segundo plano, os rituais em que todos os elementos da comunidade tiveram que passar pela morte iniciática. No entanto, a necessidade de viver os ciclos continua...
Páscoa, uma das festas religiosas principais, tem lugar no 1º domingo depois da primeira Lua Cheia após o Equinócio da Primavera. Celebramos o nosso nascimento como ser humano, ciclicamente separado da Fonte para perfazer uma nova etapa. O último ciclo lunar foi percorrido em Peixes, signo propício para sentir de onde viemos, e sentir a grande ligação com o Universo. Agora neste ciclo, uma primeira separação - que pode ser experimentada como dolorosa porque precedida pela morte - mas também uma  nova vida. Altura de fazer planos, altura de energias em alta, altura de esperança!

Boa Páscoa!




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