Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

A lenda do Cavalo de Vento dos Choctaw

Também em tradições occidentais existem histórias sobre o Cavalo de Vento.
Da tradição nativa Norte-Americana, mais especificamente da tribo Choctaw, vem esta lenda:

No tempo em que dia e noite ainda estavam a decidir quem vem primeiro, vivia um Cavalo que nunca há de ser visto novamente. O Cavalo não era um que seria como o Buffalo moribundo, porque este Cavalo não tinha inimigos.
A razão porque este Cavalo jamais será visto, é por causa do amor.
É uma história que começa assim.

O Cavalo, que era chamado o Cavalo de Vento, era o mais rápido e mais gentil de todos os póneis índios. Ele não sentia medo, não havia quem o prejudicaria. Se houvesse um índio ferido ou que precisava quem o levasse, Cavalo de Vento estaria lá para cuidar e levar o índio. Por causa da bondade do Cavalo de Vento, não existe mais.

Um dia, enquanto Cavalo de Vento sentia a boa sensação de ser livre, ele ouvia um grito de socorro. Correu para a margem da floresta e viu um Rapaz índio preso numa armadilha destinada ao Urso. O pé do rapaz estava cortado e o Rapaz não conseguia mexer. Cavalo de Vento movia-se para o lado do Rapaz e logo que o Rapaz se encostou, ele curvou para que o Rapaz pudesse montá-lo.

O Rapaz, que não tinha nome, não conseguiu acreditar que este Cavalo tão bonito viesse ao encontro dele como amigo. Toda a sua vida tinha vivido sozinho - com a sua perna coxa, ninguém o queria por perto. Enquanto ele cavalgou o vento, ele sentia a boa sensação que Cavalo de Vento sentia. Era como ser inteiro e como estar com família.

Cavalo de Vento sabia que a ferida do Rapaz era uma que não podia ser curada ou emendada. Ele levou o Rapaz para o sítio dos Campos de Caça dos Índios. Era o sítio onde todos eram curados e não tinham medo ou necessidade. Cavalo de Vento sentia tristeza que alguém tão jovem como o Rapaz tinha que ir aos Campos, mas ele sabia que era o melhor.

Viajando, o Rapaz notava que o trilho estava sempre a mudar. No início era como foi quando o Rapaz foi ferido, depois era como foi quando ele estava feliz. Depois era como no tempo quando ele ainda não tinha nascido. Rapidamente ele estava a ver coisas que não reconhecia. O Rapaz juntava se mais ao Cavalo de Vento, porque começou a ter medo.

Cavalo de Vento tinha visto os tempos e tinha visto o Rapaz e a sua vida. Ele tinha sentido as sensações do Rapaz. Cavalo de Vento sabia que, caso continuava a jornada, ele não seria mais livre. Porque os sentimentos do Rapaz estavam a tornar-se os sentimentos do Cavalo de Vento. Porque Cavalo de Vento era o último da sua raça, a raça dos Cavalos que sentiriam os sentimentos de quem montava.

Shikoba - Choktaw Native American Horse, by Shanina Conway

Se o que montava ficasse no Cavalo de Vento, este partilharia o seu destino, porque uma ligação seria feita que não podia nem seria quebrada. Cavalo de Vento sabia desta união, e em consequência, sempre atirava o cavaleiro antes que qualquer ligação pudesse ser feita. Desta vez, o Cavalo de Vento sabia que o Rapaz seria o último a montar.

Enquanto viajavam, o Rapaz começou falar ao Cavalo de Vento e Cavalo de Vento escutava. Escutava as esperanças do Rapaz, que um dia ia correr com as folhas que esvoaçavam pelo chão. Escutava enquanto o Rapaz desejava alguém que acarinhasse e amasse o Rapaz que tinha a perna má. Enquanto escutava, Cavalo de Vento começou a sentir o amor pelo Rapaz que o Rapaz teria gostado de dar a um amigo.

Sim, pensou Cavalo de Vento, este é a minha última viagem porque encontrei aquele que precisa os sentimentos que eu sou capaz de dar. Sendo o último da minha raça, vou passar o tempo que me resta com aquele que pode dar e dará os sentimentos que eu preciso.

Cavalo de Vento virou a sua cabeça e aninhou-a junto à cabeça do Rapaz. Ele começou a abrandar, porque o fim da viagem estava perto. O Rapaz olhou e viu a casa dos que tinham ido antes. Realizou-se que a viagem era a última que alguma vez fazia. Começou a sentir medo. Mas quando Cavalo de Vento parou para o Rapaz poder desmontar, Rapaz notou que as duas pernas estavam sãs, e que todas as feridas, fome, necessidade e dor tinham ido embora. Cavalo de Vento não se mexeu para partir e o Rapaz sabia que o Cavalo também tinha feito a sua última viagem.

Cavalo de Vento nunca tinha levado os que o montavam até os Campos de Caça, por isso não estava familiarizado com o lugar. Tinha um mundo novo para explorar, e tinha um amigo com quem explorar. Enquanto o Cavalo de Vento e o Rapaz entravam no seu novo mundo, o Povo Índio sentia uma tristeza grande. Mesmo não sabendo o que estava a acontecer, o sentimento de uma perda grande e de infelicidade era comum. Cavalo de Vento ouvia os gritos de desespero, mas sabia que, com o passar dos sóis e das luas, eles acabavam por esquecer-se dele e da sua raça.

Cavalo de Vento tinha feito a sua última jornada. Ele ia sentir falta das viagens e dos amigos que ele fez e ajudou ao longo do tempo. Rezava ao Espírito Grande para que enviasse uma lembrança para o Póvo dos Índios da amizade que ele tinha partilhada como o Povo Índio. E em resposta às rezas de Cavalo de Vento, o Cavalo foi oferecido ao Povo Índio como amigo.

Nós somos como Povo, tal como Somos a nossa Herança. Temos que lembrar sempre e permitir-nos a ser lembrados por Os que Vieram Antes e Aindo nos Vigiam.

Copyright Teresa Janice Pittman - Choctaw Nation. Fonte: http://www.firstpeople.us/.

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