Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

A dor acontece.... o sofrimento é opcional

Quando estamos perante um problema grave na nossa vida - seja este de natureza emocional, psicológico ou físico - apresenta-se uma escolha entre duas opções: ficamos de braços cruzados, deixando que seja o sofrimento a mandar na nossa vida; ou em alternativa, procuramos uma solução para ultrapassar o sofrimento?

Parece simples: é uma escolha entre sofrer ou não sofrer, e parece óbvio que qualquer ser humano escolhe o não-sofrimento!

 Acontece que nem sempre é tão linear quanto isso. Imagina-se, por exemplo, um doente com uma doença crónica - que se pode manifestar ao nível físico ou mental. Pode parecer uma fatalidade, ter uma doença desta natureza - aconteceu. A linguagem utilizada deixa transparecer a fatalidade: a pessoa sofre de tal doença.

Podemos escolher o não-sofrimento, entregando-nos nas mãos de médicos sábios e experientes, esperando alivio e cura. Mas esta parte só diz respeito ao sofrimento físico. No entanto, desde há muito os curandeiros e médicos sabem que há um outro lado em cada doença que precisa de ser cuidado.

Pitágoras disse que a arte mais divina era a da cura. E se a arte da cura é mais divina, deve ocupar-se da alma bem como do corpo; porque nenhuma criatura pode ser sã equanto a parte mais elevada de si estiver doente. (Apolónio de Tiana,)

Há aspectos em cada doença, a que podemos chamar a parte espiritual: tem a ver com o estado da nossa alma. A noção que em todas as doenças há um componente psicossomático, é hoje em dia largamente aceite, e existe desde que há memória. Conhecemos, por exemplo, o conceito do karma, em que tudo o que nos acontece, é fruto das nossas acções, atitudes, gestos e pensamentos no passado. Mas também a tradição judaica-cristã é familiar com a noção, sendo que esta adoptou uma visão diferente, como atestam os primeiros versos de João, 9:

E passando Jesus, viu um homem cego de nascença.
Perguntaram-lhe os seus discípulos: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?
Os discípulos ligam a noção de doença e deficiência ao pecado, remetendo a culpa da cegueira para o próprio doente.
Jesus responde, eliminando a noção da culpa, mas introduzindo outro conceito:
Nem ele pecou nem seus pais; mas foi para que nele se manifestem as obras de Deus.(João 9: 1-3)

É feito referência ao componente espiritual da doença, que serve um propósito que vai além da pessoa que tem a doença: é uma oportunidade para quem tem a doença, de reconhecer e recuperar o Divino em si...

Isso sim, é uma escolha que precisamos de fazer. Escolhemos abrir mão da dor da alma? 

Quando a alma está ferida - revivendo traumas do passado, ou quando está insegura ou  desequilibrada, com sentimentos de inferioridade, com raiva, inveja ou revolta, quando há medo ou culpa - a pessoa precisa de escolher também curar a sua alma. É preciso desejar profundamente que a alma volta a ser inteira, de ter vontade de voltar a sentir a alegria da vida e a gratidão por ser quem é. Essa vontade pode dar a força de libertar o passado, desapegar da dor da alma.

Healing Hands, Healing Heart by Marie Finnegan
Mesmo se o corpo físico traz uma doença que dá dores, a alma sempre tem cura.

A principal razão da cura é o amor (Paracelso 1493 - 1541). Penso que podemos acrescentar: o principal resultado da cura, é o amor.

É o amor que é a cura. Se a alma encontra, dentro de si, novamente o amor, encontra a cura. Encontra a razão de ser de tudo que lhe aconteceu, inclusivo a doença. Tudo serve para dar a pessoa a oportunidade de escolher o amor.

E se a cura é o amor, o caminho é o desapego. Deixar ir o passado, não agarrar mais a imagem que construimos de nós no passado, e que construimos com base da nossa reacção à dor... E começar a sentir que é agora possível deixar surgir uma nova sensação, baseada na compreensão que tudo faz sentido quando há amor no coração. Amor-próprio: a sensação que a nossa vida faz sentido, que temos um valor intrínsica que é a nossa existência. Amor pela vida: a noção que estamos todos ligados, que não há barreiras entre o eu e o outro. O caminho em conjunto serve para sermos um espelho uns para os outros, e mostrar que o valor, a luz e o amor existem em cada ser humano.









Sem comentários:

Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...