Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

domingo, 13 de outubro de 2013

Orientar a mente para a criação

Escrevi sobre a dor e a escolha que temos, de sofrer ou não sofrer desta dor. (link) Escrevi, porque encontro pessoas que conseguem dar a volta à sua situação, e outros, que não parecem conseguir. Ao ver a diferença entre umas e outras, salta à vista que os primeiros conseguem algures no seu processo, mudar o seu ponto de vista e atitude mental, em relação à situação com que lidam. 

São pessoas que mudam a sua visão sobre o que lhes acontece - doentes que deixam de "sofrer de uma doença" para pessoas que "lidam com a doença". Pessoas que, em vez de tentar encontrar uma maneira de desfazer os problemas que a vida oferece, começam a trabalhar com o que têm, incluindo a situação problemática. Deste modo, deixam de ser vítimas e podem começar a criar uma nova realidade.

(fonte da imagem)

A chave para poder aceder a esta mudança, está na maneira como usamos os nossos pensamentos. Se formos capaz de formular os nossos pensamentos de modo criativo, isto é, orientado para a criação de uma situação nova, a mente começa a ver oportunidades em vez de problemas.
É uma aprendizagem que é útil para a maioria das situações problemáticas que encontramos na vida. Não só para lidar com os nossos assuntos emocionais ao nível pessoal, mas também quando enfrentamos circunstâncias de estagnação ou conflicto no trabalho, na família, no bairro, nas colectividades onde estamos activos... O pensamento criativo pode fazer com que saímos da sensação que são as circunstâncias que ditam o rumo da nossa vida, para passar a viver com um rumo próprio.

Como podemos orientar a mente para a criação?
Há duas fases no processo da re-orientação: Desconstruir e construir.
Desconstruir é fazer de um problema, um facto. É preciso antes de mais nada, saber qual é a matéria prima do nosso processo. Precisamos de ter uma noção clara e tão ampla quando possível, sobre a situação em que nos encontramos. Inventariar não só que problema temos, mas ver também como temos enfrentado a situação até ao momento. Quando falamos de problemas de saúde, de relacionamento ou emocionais, a inventariação inclui uma tomada de consciência da visão que temos sobre nós proprios. Somos capazes de ter compaixão connosco? Como estamos de receios, medos, ambições e ilusões? A nossa imagem de nós é algo que nasce no interior, ou é antes formada a partir das reacções dos outros?
Neste análise inclui-se também, verificar se estamos a olhar para o problema em si, ou se acrescentamos ao problema ainda a frustração que sentimos por as circunstâncias não serem como desejaríamos que fossem, como o nosso "ego" tinha "planeado" ou visto como "ideal".

Vale a pena lembrar, que é fundamental ser imparcial acerca da nossa situação. Sem julgamentos, sem preconceitos, sem classificações tipo "isso é mal, aquilo é bom" ou "este tem má energia, outro tem boa energia". Rotular os aspectos que compõem o status quo, iguala condicionar a criação de uma nova situação. É altura de aceitar a situação, não como problema, mas como um facto. As coisas são o que são. A realidade tal como nós a experimentamos, pode ser observado como "matéria prima para a criação." Em vez de pensar na realidade como algo que impede  a construção de uma vida harmoniosa, saudável e equilibrada, podemos encarar as circunstâncias da situação como os blocos de construção de uma nova realidade. De facto, passa-se a transformar a energia do problema para algo novo.
Este é o primeiro passo, a desconstrução. Tiras tudo-o-que-gostaria-que-houvesse-mas-não-há, e ficas com tudo-o-que-há.

 Depois, segue-se a fase da construção: a transformação de factos existentes até surgir uma nova oportunidade. Começas com um facto, e avalias o que pode ser feito a partir disso. Um processo sem magias, sem segredos.
Há várias estratégias possíveis para a criação de uma nova realidade. São técnicas que possam levar a mente a sentir que afinal, é capaz de lidar com a realidade!
Talvez podemos indentificar as estratégias principais pelo seu ingrediente principal : Amor, Trabalho, Confronto e Jogo.

Na estratégia em que o Amor é o ingrediente principal, confiamos no que há de bom em cada pessoa. Trabalhamos a aceitação, a reconciliação e a paciência. Olhamos para os aspectos positivos da situação e a esperança que há sempre a possibilidade que as circunstâncias possam evoluir para melhor. Às vezes esperar é a atitude mais indicado, porque a realidade pode ser tão complexo que não há nada mais para fazer. Outras vezes, é preciso aceitar, com compaixão e paciência. Mas também pode haver algo de bom na situação, um aspecto ou elemento que pode ser reforçado para que possa sobressair e alterar a situação. E também podemos recorrer ao respeito pelo outro como factor de mudança. Quando envolvidos em situações de conflito, pessoas estão à espera de tudo, menos de serem levadas muito à sério e receber respeito e compreensão acerca da sua situação.

Na estratégia em que o Trabalho é o ingrediente principal, a persistência é o factor de mudança. A estratégia inclui os conceitos de experimentação, aprendizagem através dos erros, determinação e perseverança, bem como a focagem naquilo que se quer, em vez da focagem em tudo o que não se quer.


A estratégia que se desenvolve à volta de Confronto, muitas vezes é aplicada para situações em que a realidade nos é hostil. É incontornável que a injustiça existe, bem como a manipulação, a ganância e os ciúmes. É preciso lidar com esta realidade, e por vezes é necessário ser rigoroso. Cortar com tudo o que (já) não funciona é uma técnica difícil mas por vezes muito útil. Por outro lado, podemos observar o adversário e ver o que este quer o que nós também queremos e chegar a uma colaboração - ou recorrer aos ideais e desejos do outro a fim de criar uma oportunidade em que ambas as partes têm a ganhar.

A estratégia do Jogo pode ser interessante quando vemos que quem ganha, é sempre aquele quem defina as regras do jogo. É preciso ser criativo e inteligente e ter sentido de humor! Há várias maneiras de inverter as regras do jogo que não estão escritas, para reorganizar as peças que estão no tabuleiro. Como por exemplo: mostrar conscientemente coisas que normalmente ficam escondidas por razões estratégicas. Ou assumir o comportamento do outro, e reagir com um padrão que não é esperado.

Nos percursos de coaching é o que fazemos em conjunto: Desconstruir a situação que é experimentada como problemática; e a partir daí construir uma nova aproximação, um novo pensamento, um novo início. 



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