Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Lua Cheia em Aquario... Sol em Leão

Na próxima segunda-feira, dia 22 de Julho, o momento exacto da Lua Cheia será às 19.17h. O Sol está em Leão, a Lua aparece em Aquário... equilibrio potente! O signo de Leão traz consigo a vibração da individualidade, um auto-consciência pura. O signo complementar, Aquário, exprime por seu lado a conciência universal, a pura consciência de grupo. O que se quer dizer é que neste equilíbrio, todo o ser humanos pode vir sentir-se igual a sí próprio, auténtico e puro - e através da integridade pessoal vai conseguir disponibilizar a sua força natural, as suas qualidades e os seus talentos ao serviço de todos e do Conjunto (ler mais sobre o par Aquário-Leão).

Vamos celebrar esta Lua Cheia com uma meditação no Cromeleque dos Almendres (em Guadalupe, Évora), que se inicia às 20.00h - um pouco antes da Lua nascer.
Desta vez inicamos a meditação ainda com luz do Sol, porque será o primeiro dia do signo de Leão, signo que tem uma ligação única com o centro do nosso sistema solar.
O signo de Leão unifica e alinha as ligações "coração-alma". Ajuda-nos a alinhar o nosso coração individual com o coração da Terra e com o coração do sistema solar, que no signo do Sol se vai alinhar com a grande estrela da iniciação: Sirius. Abre-se assim um canal através do qual a energia de Sirius possa fluir para o coração da Terra. Através de Sirius, a energia do Amor Puro flui do coração do Sol para o coração da Terra...
Durante o período desta Lua Cheia, os princípios cósmicos do Amor e da Sabedoria entram nas nossas esferas, através de Sírius e a constelação de Leão, para preencher todas as áreas vitais...

Nesta perspectiva, é óptimo poder usufruir das vantagens da meditação. A meditação alinha os aspectos do instinto, do intelecto e da intuição, para que possa haver uma identificação consciente de quem somos, e possa ser potenciada a criatividade. Meditação é ligação! Vincula-nos à nossa origem, oriente os nossos chakras, alinha o nosso coração com o coração do Universo e o coração da Terra... Meditação invoca, pergunta, liga, tem ao mesmo tempo um caracter receptiva e de dádiva.
Através da meditação acedemos também aos centros cerebrais que regulam a nossa resposta intuitiva, emocional e racional ao exterior: as glândulas no centro do cérebro.

Já desde há muito, os místicos e mestres espirituais sabem que assim é. Existem relatos, historias e mitos, que ilustrem o caminho para este alinhamento e para os portais de acesso ao nosso Ser superior.
Vemos o mito da Morte do Leão de Neméia, que aparece nos Trabalhos de Hércules. (resumi muito o mito e a sua explicação)

Na história de Hércules, o primeiro trabalho é o de desarmar um leão, que semeia a morte e a destruição entre o povo de Neméia.. Durante muito tempo, o leão foi uma força destrutiva e as pessoas não foram capazes de alterar isso. Hercules considerou que, se queria alcançar seu objetivo, tinha que ir atrás do leão em círculos cada vez mais pequenos, para poder ecurralar numa caverna.Assim fez e finalmente encontrou o leão no seu covil,  mas chegou à descoberta desagradável que a caverna tinha duas aberturas  e o leão tinha escapado. O leão saíu da caverna tão rápido como entrou.  
Hércules não podia fazer outra coisa do que  fechar uma das aberturas da caverna e ir atrás do leão para este entrar pela outra abertura.Hércules perseguiu o Leão novamente até chegar à caverna e, em seguida, deixou todas as armas que tinha na entrada da caverna. Entrou na caverna, procurou o confronto com o leão e estrangulou-o com as mãos nuas, até que o leão caiu morto.Isso aconteceu naquela caverna escura e não havia mais ninguém para testemunhar...

Qual é a lição do simbolismo da caverna com duas aberturas? O que significa o fechar de uma abertura, e entrar na outra? 
Temos na nossa  cabeça também uma caverna pequena, uma pequena estrutura óssea, que protega uma das mais importantes glândulasdo corpo, a glândula pituitária. Quando esta glândula funciona correctamente, temos a ver com uma personalidade completa, activa, que tem auto-controlo, atitudes mentais expressivas e resistênca.O corpo pituitário tem uma forma composta de duas partes. Um dos lóbulos, o "ante-pituitária', parece ser  sede da razão e do intelecto. O outro, o "pós-pituitária" é a sede da emoção e da natureza imaginativa.Esta glândula (diz-se) coordena os outros, controla o crescimento e é essencial para a vida. Se ocorre uma falha no desenvolvimento desta glândula, podemos esperar insuficiências tanto no plano emocional, como no plano mental.É nesta caverna ou cavidade, que o Leão da personalidade, ou individualidade desenvolvida, tem o seu lugar, e é aqui que Hércules o teve de superar. A glândula pituitária com os dois lóbulos, simboliza a caverna com duas aberturas, uma das quais Hércules teve que fechar, antes que ele pudesse controlar, com a sua mente superior, o Leão da Personalidade.  Porque só depois de ter fechado a abertura das emoções pessoais (pós-pituitária) , após de se ter recusado a viver uma vida egoísta por mais tempo, ele poderia entrar na abertura do 'ante-pituitária' e conter o leão da personalidade.

Cerimónia e Meditação da Lua Cheia
Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora
Segunda-feira, 22 de Julho a partir das 20h

Para a cerimónia no Cromeleque, é costume trazer uma oferenda em agradecimento ao sítio: um pau de incenso, um pouco de água, uma pedrinha, uma flor, ou o que achar adequada para exprimir a gratidão.
A participação na cerimónia é por donativo.
Estão todos bem-vindos! 

A dor acontece.... o sofrimento é opcional

Quando estamos perante um problema grave na nossa vida - seja este de natureza emocional, psicológico ou físico - apresenta-se uma escolha entre duas opções: ficamos de braços cruzados, deixando que seja o sofrimento a mandar na nossa vida; ou em alternativa, procuramos uma solução para ultrapassar o sofrimento?

Parece simples: é uma escolha entre sofrer ou não sofrer, e parece óbvio que qualquer ser humano escolhe o não-sofrimento!

 Acontece que nem sempre é tão linear quanto isso. Imagina-se, por exemplo, um doente com uma doença crónica - que se pode manifestar ao nível físico ou mental. Pode parecer uma fatalidade, ter uma doença desta natureza - aconteceu. A linguagem utilizada deixa transparecer a fatalidade: a pessoa sofre de tal doença.

Podemos escolher o não-sofrimento, entregando-nos nas mãos de médicos sábios e experientes, esperando alivio e cura. Mas esta parte só diz respeito ao sofrimento físico. No entanto, desde há muito os curandeiros e médicos sabem que há um outro lado em cada doença que precisa de ser cuidado.

Pitágoras disse que a arte mais divina era a da cura. E se a arte da cura é mais divina, deve ocupar-se da alma bem como do corpo; porque nenhuma criatura pode ser sã equanto a parte mais elevada de si estiver doente. (Apolónio de Tiana,)

Há aspectos em cada doença, a que podemos chamar a parte espiritual: tem a ver com o estado da nossa alma. A noção que em todas as doenças há um componente psicossomático, é hoje em dia largamente aceite, e existe desde que há memória. Conhecemos, por exemplo, o conceito do karma, em que tudo o que nos acontece, é fruto das nossas acções, atitudes, gestos e pensamentos no passado. Mas também a tradição judaica-cristã é familiar com a noção, sendo que esta adoptou uma visão diferente, como atestam os primeiros versos de João, 9:

E passando Jesus, viu um homem cego de nascença.
Perguntaram-lhe os seus discípulos: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?
Os discípulos ligam a noção de doença e deficiência ao pecado, remetendo a culpa da cegueira para o próprio doente.
Jesus responde, eliminando a noção da culpa, mas introduzindo outro conceito:
Nem ele pecou nem seus pais; mas foi para que nele se manifestem as obras de Deus.(João 9: 1-3)

É feito referência ao componente espiritual da doença, que serve um propósito que vai além da pessoa que tem a doença: é uma oportunidade para quem tem a doença, de reconhecer e recuperar o Divino em si...

Isso sim, é uma escolha que precisamos de fazer. Escolhemos abrir mão da dor da alma? 

Quando a alma está ferida - revivendo traumas do passado, ou quando está insegura ou  desequilibrada, com sentimentos de inferioridade, com raiva, inveja ou revolta, quando há medo ou culpa - a pessoa precisa de escolher também curar a sua alma. É preciso desejar profundamente que a alma volta a ser inteira, de ter vontade de voltar a sentir a alegria da vida e a gratidão por ser quem é. Essa vontade pode dar a força de libertar o passado, desapegar da dor da alma.

Healing Hands, Healing Heart by Marie Finnegan
Mesmo se o corpo físico traz uma doença que dá dores, a alma sempre tem cura.

A principal razão da cura é o amor (Paracelso 1493 - 1541). Penso que podemos acrescentar: o principal resultado da cura, é o amor.

É o amor que é a cura. Se a alma encontra, dentro de si, novamente o amor, encontra a cura. Encontra a razão de ser de tudo que lhe aconteceu, inclusivo a doença. Tudo serve para dar a pessoa a oportunidade de escolher o amor.

E se a cura é o amor, o caminho é o desapego. Deixar ir o passado, não agarrar mais a imagem que construimos de nós no passado, e que construimos com base da nossa reacção à dor... E começar a sentir que é agora possível deixar surgir uma nova sensação, baseada na compreensão que tudo faz sentido quando há amor no coração. Amor-próprio: a sensação que a nossa vida faz sentido, que temos um valor intrínsica que é a nossa existência. Amor pela vida: a noção que estamos todos ligados, que não há barreiras entre o eu e o outro. O caminho em conjunto serve para sermos um espelho uns para os outros, e mostrar que o valor, a luz e o amor existem em cada ser humano.









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