Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Caminho da Alma (2): a entrega

(ver primeira parte)
Todos que por um motivo ou outro, iniciam o trabalho interior para melhorar a consciência de si, têm a sua frente os mesmos estágios. Tal como a Natureza se exprima em inúmeras formas, que todavia passam pelos mesmos ciclos e estão expostas às mesmas influências.
O que de modo algum quer dizer que os caminhos de consciência seguem obrigatoriamente o mesmo padrão, nem que precisam de ter os mesmos objectivos nesta vida. O objectivo final, no entanto, é a mesma para todas as Almas: encontrar o que significa verdadeiramente, Vida.
Uma visão interessante acerca desta viagem de encontro ao essencial, é a de Jiddu Krishnamurti:

Truth is a pathless land. Man cannot come to it through any organisation, through any creed, through any dogma, priest or ritual, not through any philosophical knowledge or psychological technique. He has to find it through the mirror of relationship, through the understanding of the contents of his own mind, through observation and not through intellectual analysis or introspective dissection.
When man becomes aware of the movement of his own consciousness he will see the division between the thinker and the thought, the observer and the observed, the experiencer and the experience. He will discover that this division is an illusion. Then only is there pure observation which is insight without any shadow of the past . This timeless insight brings about a deep radical mutation in the mind.

 Ao entregarmos à observação de quem somos, a aprendizagem e evolução começam. Chegamos a valiosos entendimentos, através da relação que temos com os outros e com o mundo que nos acolha. Podemos ver no espelho dos outros, imagens do funcionamento da nossa própria mente. Também podemos observar como a nossa presença - ou seja, o conjunto de corpo e mente - reage na interacção e nos relacionamentos. Observando-nos podemos descobrir que bagagem emocional ainda trazemos connosco do passado.

O via do místico pode levar directamente para a experiência da União onde todas as ilusões que a mente cria, podem ser observadas e desmontadas. Nos nossos dias, pessoas como Eckhart Tolle traduzem esta experiência para entendermos o estado para o qual a Consciência tenciona evoluir. Tolle, ao lado de muitos outros como por exemplo Paulo Coelho, fornece inspiração e oferece esperança que é possível acordar para a felicidade última. Mas enquanto as citações falam de um acesso directo à Alma, através da aceitação, da gratidão, da libertação, não basta ler as palavras e reconhecer a verdade atrás delas. Também é preciso pôr em prática, a mesma verdade. A liberdade interior não existe só porque queremos. Necessitamos de perceber que em realidade a única limitação à liberdade interior são os nossos próprios comportamentos, pensamentos e emoções.

Freydoon Rassouli: Where Heavens Meet
A via do místico requer a capacidade de nos entregar, de corpo, mente e alma, à nossa verdadeira natureza. Através da entrega, acedemos a uma consciência mais ampla do que habitualmente habitamos, o que nos permite ver além das limitações do ego e da personalidade.
A entrega total acaba por figurar-se complicada para muitas pessoas, principalmente porque a mente surge como factor de inibição... Os pensamentos (e através deles, o ego) acabam por se pôr entre a pessoa e a sua verdadeira natureza, entre o eu e a alma.
Desde há memória, existem os místicos, os xamãs, os sábios e os visionários. Igualmente desde que há memória, há outros que sentem o chamamento, mas que precisam de ultrapassar barreiras para chegar ao fundo. Para estas pessoas, a liberdade interior é conquistada com estudo, e com ajuda das imagens e a sabedoria que os visionários, os sábios, os místicos e os xamãs transmitiram.
Muito embora a verdade seja "uma terra sem caminho" - para lá chegar é preciso fazer escolhas e evoluir a consciência, mudar atitudes e comportamentos, meditar, fazer perguntas e questionar. Para poder ter acesso à grandeza do Eu Superior, é preciso sermos humildes. A humildade no sentido de  estarmos dispostos a reconhecer que nos não somos o nosso Ego - mesmo se gostaríamos de pensar que sim ;)

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