Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O Caminho da Alma

Uma vez que ouvimos o chamamento para o desenvolvimento espiritual, o processo se põe em marcha. O primeiro passo foi dado quando respondemos ao chamamento e aceitámos o desafio que a vida propõe! (ver tb. este post, e este aqui)
A partir deste momento, a viagem começa e nunca mais seremos o mesmo.
Seja qual for o "método" escolhido, começamos a encontrar pouco a pouco a natureza do nosso Ser. Descobrimos aquela parte do nosso espírito, que existe por detrás dos conceitos, crenças, pensamentos, hábitos, paixões ou emoções conflictuosas e de todas as outras ilusões que nos ofereceram a sensação de segurança.
O percurso que seguimos individualmente, cada um à sua maneira e cada um ao seu ritmo, tem contudo fases que todos precisamos de passar.

O caminho espiritual?
Podemos encontrar uma analogia para o nosso processo na natureza - no decorrer dos dias, na passagem das estações, na maneira como experimentamos aqui na Terra, a viagem do Sol através do Zodíaco.
São ciclos que incluem o nascer, crescer, florescer; o período de plenitude ou da colheita; o repouso, o adormecer, a "morte" - que traz em si o anúncio de um novo ciclo.

A analogia do dia e das estações ajuda-nos a perceber os ciclos de crescimento que atravessamos como ser humano. Ajuda-nos entender a impermanência dos fenómenos, o facto que tudo muda, nada fica igual - e não vale a pena tentar agarrar uma situação que consideramos ideal, porque há de mudar inevitavelmente. Podemos tentar manter a linha firme e elegante do nosso corpo jovem; mas havemos de envelhecer, e o corpo muda. Podemos tentar manter a paixão do início da nossa relação amorosa; mas mudamos, e a paixão torna-se algo diferente (pode tornar-se amor - mas também aborrecimento).
A aceitação destes ciclos pode levar à aceitação e ao entendimento que cada momento é para ser vivido no próprio momento, e em relação a o que há no aqui e agora.

No início do caminho, há o despertar para esta verdade: é no aqui e agora que a vida acontece. E quando aceitamos isso, começamos a ver como tudo está ligado. As sincronicidades começam a saltar a vista, os acasos tornam oportunidades e acontecimentos com significado. É um período de grandes aprendizagens, e os nossos sistemas todos absorvem com grande vontade e proveito, toda a sabedoria que lhes é oferecida!
Estamos no meio da vida! Pode acontecer que sentimos que temos acesso a todos os níveis, sabemos que estamos a ser guiados.

Depois vem o período em que tomamos consciência que trazemos dentro de nós feridas emocionais que requerem cura. É um período em que precisamos de encarar o lado sombrio do nosso ser. Por muito doloroso que possa ser, isto também passa. Nada fica igual, tudo muda. Se tivermos a coragem de admitir o que vemos no espelho, podemos colher novamente o fruto do esforço, sentimo-nos melhor com quem somos. Revivemos traumas desta vida e de vidas passadas, começamos a conhecer-nos cada vez melhor, perceber os relacionamentos que temos com os outros. Começamos a ver de que emoções sofremos, e quais as que cultivamos. Aproximamos da fase da sabedoria, uma fase de entendimento, de tranquilidade, paz... Como se fosse a noite de um dia bem passado, quando desfrutamos, descansamos - para nos levantar depois para um novo dia, com novos desafios.


Estes ciclos são como os ciclos do dia, o ciclo das estações e o do Zodíaco - vez após vez estes levam-nos para patamares de mais clareza sobre quem somos. Eventualmente, os ciclos mensais e anuais trazem aprofundamento às nossas experiências e ao crescimento. A Lua passa, no seu ciclo mensal, por todas as constelações do Zodíaco, tal como o Sol no seu ciclo anual pelos signos. Em conjunto, o significado simbólico deste movimento ajuda-nos a entender o percurso da Alma ao caminho da sua realização.

Pode parecer que o caminho da Alma se desenvolve como se fosse um espiral de crescimento, ou uma escada, que subimos degrau a degrau, ciclo após ciclo. O que contraria, no seu essencial, a descoberta que fizemos no início do caminho: que é aqui e agora que a Vida É.
Sem tempo, sem espaço, só o momento.
Mas também sem passado, sem futuro...

Quando começamos a perceber a profundidade disto, todos os conceitos tradicionais com que olhamos o mundo, tornam-se obsoletos.Começamos a contactar com uma outra dimensão, que nada tem de físico, nem de humano: entramos na dimensão da Alma.
Até aqui, foi possível trabalhar com a mente no seu papel tradicional: a mente que entende, supervisiona, e controla o processo. Estamos condicionados para entender o nosso funcionamento assim: a mente simboliza e representa o Eu que está a decifrar a maneira como lidar com o Outro.

Mas quando começamos a entrar na dimensão da Alma - quando as armadilhas do Eu egóico já não nos confundem, absorvem, manipulem e envolvem, mas simplesmente surgem para serem tratadas - estamos a entrar na União.

Há aqui várias opções: seguir ou parar. Se tivemos a coragem de seguir, a mente precisa de ser profundamente re-educada, para uma consciência nova. Será preciso libertar tudo que agarrámos para dar significado à vida.
Os místicos e xamãs passam pela morte espiritual para chegar a este entendimento. Os estudiosos recebem iniciações e passam de grau em grau mais perto do mesmo estado de "conhecimento sagrado"... para uns como para outros é indispensável a passagem pela parte mais escura da existência e ultrapassar o medo.

Chegando em contacto com a dimensão da Alma, há uma outra porta que se começa a abrir: a do entendimento das várias direcções em que o caminho da alma se desenrola.

Também aqui podemos olhar para a Natureza para perceber quais as direcções. Podem ser organizadas pela orientação do corpo perante o campo magnético da Terra e perante a situação da Terra em relação ao Universo envolvente.

Assim reconhecemos sete direcções principais: Este, Sul, Oeste, Norte; a direcção de cima, para o Universo; a direcção de baixo, para a Terra; e a direcção do Centro - para dentro. Cada uma destas direcções fala da nossa relação com o mundo e as oportunidades de desenvolvimento e crescimento que esta relação oferece.

No Leste encontramos os estímulos para um primeiro acordar da Alma. No Sul, a purificação e cura dos relacionamentos. Oeste é a direcção da cura pessoal e de re-encontro com a nossa auto-estima, e no Norte aprendemos abrir o coração e encontrar a sabedoria. Para cima encontramos o Mundo do Espírito e do "invisível". Por baixo dos nossos pés, a Terra e o re-encontro do nosso próprio lugar. A direcção do Centro abre a porta para uma consciência plena do momento presente, o derradeiro encontro connnosco. É a direcção que tomamos quando percebemos que é Aqui e Agora, dentro de nós, que damos forma à Vida, a cada momento. O contacto com o Centro dá nos a entender que tudo o que percepcionamos como sendo uma influência de fora, tem a sua origem em nós próprios. A nossa consciência abrange tudo que É! Nós somos o espaço em que tudo acontece: as nossas relações, a nossa profissão, a educação dos nossos filhos, o sentimento de respeito, da liberdade, de ser amado...ou a falta dos mesmos.
É no nosso centro que encontramos o propósito da vida: ser consciente de tudo que acontece no nosso corpo e mente, e agir no sentido de poder existir harmonia.

 Cada Ser Humano tem uma razão para estar na Terra e tem um caminho a percorrer,  assuntos emocionais para resolver, entendimentos para alcançar. Basta olhar para o espelho, e tomar consciência dos nossos actos, gestos, pensamentos e palavras - e das consequências dos mesmos.
A lei da livre vontade diz que temos a liberdade total para em seguida, fazer ou não fazer o nosso trabalho interior. Podemos esperar até melhorarmos... obviamente que podemos. Mas porquê esperar até a Vida venha ter connosco, quando temos tudo para sermos felizes agora?


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