Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Trabalhar os chakras para alcançar o desapego

Encontrei este texto entre os rascunhos... como sempre, as coisas aparecem no momento certo. Deve ter sido altura para olhar novamente para estes pensamentos e ver se trazem um novo olhar, um novo "insight". O tema do desapego tem sido recorrente; neste texto um olhar sobre o processo de desapego visto em ligação ao funcionamento dos chakras.

Nas sessões de meditação de grupo, fazemos com alguma regularidade uma limpeza dos chakras. Por vezes recorrendo à visualização de cores, por vezes activamos os chakras com sons ou afirmações.
Os diferentes métodos purificam e alinham em diferentes níveis energéticos, emocionais e de consciência. Uma maneira talvez menos utilizada mas muito profunda, é a que recorre a uma tomada de consciência daquilo que obscurece o nosso corpo emocional. Neste exercício, em vez de utilizar visualizações e vocalizações para promover o bom funcionamento dos diversos chakras, investigamos situações específicas que dificultam o fluir dos chakras.

Os chakras são como portais energéticos, que quando funcionam bem, permitem a entrada de frequências específicas para o nosso desenvolvimento harmonioso. Aspectos como a capacidade de sobrevivência; a capacidade de sentir prazer; a força de vontade; a capacidade de dar e receber amor ou de falar e ouvir a verdade; a capacidade de ver além das aparências  e de manter uma ligação com o Universo, encontram-se associados aos vários chakras.
Mas sabemos como funciona a Vida: há sempre o outro lado da medalha. Cada chakra tem também associadas emoções que contrariam o fluxo energético do chakra.

Ao longo da vida, armazenamos e guardamos no corpo memórias específicas dos acontecimentos pelo que passamos e das consequências dos mesmos. O corpo acaba por ter/ser um registo da aprendizagem-ao-longo-da-vida. Quando deparamos com situações semelhantes a algo que aconteceu no passado, a mente reage para poder dar resposta, e vai à procura do registo. Na verdade, o que acontece é a activação de um mecanismo físico e quimico: a mente vai recriando as emoções que na altura foram sentidos e que deixaram marca.
Quando estamos conscientes destas memórias, isto é, quando estamos despertos para observar de maneira neutra o que se passa na mente e no corpo, podemos fazer um trabalho de libertação e transformação.
Com as memorias celulares acaba por ser mais difícil, porque fazem parte do subconsciente. Muitas vezes não sabemos a origem ou a razão de ser dos nossos medos, ansiedades, sentimentos de culpa. Muitas vezes também não nos apercebemos que são estas emoções, guardadas no subconsciente, que formam o pano de fundo e a motivação das nossas acções e palavras...

© Carol Cavalaris
Uma possível via de acesso às memorias celulares passa pela meditação. Numa atitude de observação sem julgamento, meditamos sobre a emoção associada ao chakra, até sentirmos o modo em que a mesma emoção existe no nosso corpo. Em seguida, reconhecemos a sua existência e procuramos aceitar, sem julgamento, que temos um passado.

Esta aceitação é fundamental, é a base do amor-próprio. Se conseguimos aceitar o nosso passado e toda a sua influência no nosso desenvolvimento, podemos superar a tendência de julgar-nos. O que nos aconteceu, não é bom ou mau em si. Aconteceu. E agora podemos escolher não carregar mais o peso da emoção bloqueada. Podemos desapegar-nos dos traumas emocionais associados ao nosso passado. Uma respiração direccionada apoia em seguida a libertação da energia obstrutiva.
Passando pelo corpo, deixando que a nossa atenção plena paira sobre os chakras, um a um, podemos fazer um inventário das emoções contidas no corpo emocional: vislumbramos o medo, a culpa, a vergonha, o luto, as mentiras, as ilusões. Trabalhando de baixo para cima, começamos na raíz e culminamos na coroa.

O chakra da coroa é o portal principal para a energia do Universo entrar nos nossos sistemas. Quando funcione bem, dá acesso ao entendimento acerca da verdadeira natureza do Ser. Dá acesso à consciência cósmica, e à toda a sabedoria acumulada no universo.
Pela sua natureza de acesso à União com o Todo-que-É, o funcionamento do chakra da coroa é contrariado pela existência do apego.

O apego é uma tendência comum, que ao tudo indica, ocorre naturalmente no ser humano.
Ao nível espiritual a palavra representa a sensação que não podemos viver sem aquela pessoa ou aquela coisa a que estamos apegados.  Atrás desta sensação está o medo: medo de ser rejeitado, medo de perder o controlo, medo da morte, medo da insegurança. Aquilo que conhecemos oferece segurança, mesmo quando estamos cientes que é uma segurança imaginada. Podemos ter apego às coisas, à uma pessoa, um relacionamento, ao passado - mas também aos conceitos, ideias, crenças e à nossa auto-imagem. E podemos ter apego às nossas emoções.

O que acontece à nossa energia quando temos apego, quando nos agarramos a algo para assegurar a nossa felicidade? Como o apego é causado por uma sensação de vazio interior, pensamos poder resolver isso agarrando-nos. Como consequência absorvemos a energia do objecto do nosso apego. Tornamos menos "nós mesmos", dando espaço a energia alheia.  E o objectivo, a felicidade, fica mais longe: o vazio interior fica ainda mais enfatizado.

A segunda das quatro "Nobre Verdades", formulado pelo Buda, diz: A fonte de sofrimento é o desejo. O desejo de ser alguém, de ter algo, de sentir, de ter segurança. Tudo isso leva-nos para além da nossa verdadeira natureza do Ser, leva-nos para fora de nós. O desejo nasce da ilusão que é do exterior que vem a felicidade, dando origem ao apego....

Quando fazemos a limpeza dos chakras de modo acima descrita, vamos desapegando progressivamente das emoções e padrões comportamentais a que estamos apegados: em primeiro lugar o medo, que é a base de todo o apego... depois a culpa, a vergonha, a tristeza, as mentiras, as ilusões e crenças. Ao chegar ao portal do chakra da coroa podemos investigar o que nos resta dos apegos ao mundo terreno. Existe ainda apego a algo ou alguém? Enquanto houver ainda uma parte da mente que acredita que a felicidade só pode acontecer se as condições exteriores (ou a presença ou aprovação de alguém) estão asseguradas, o portal de acesso à União com o Tudo-que-É só se abrrirá parcialmente. Na medida que começamos a entender verdadeiramente o que é o desapego, a porta começa a abrir-se, para termos contacto pleno com a consciência alargada, a consciência cósmica.
E quando isso acontece, sabemos porque é que se diz que a verdadeira felicidade vem de dentro.


 

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